Flavio Gomes quinta-feira, 6 de novembro de 2025 17:59 20 comentários
“Esperando a chuva”: foto será inscrita em concursos internacionais
CAPITAL PAULISTA (frio, aqui) – Bastidores. Essa é a palavra mágica usada por veículos de comunicação e, claro, influencers e produtores de conteúdo para descreverem o que farão nos eventos dos quais participarão. Os dicionários trazem várias definições bastante óbvias para tão batido substantivo, mas gosto particularmente dessa aqui, que traz o sentido figurado da palavra:
“Ambiente fora do alcance público, em que resoluções são tomadas e ações são empreendidas.”
Quem ainda não ouviu a expressão “os bastidores do poder”? Fico imaginando gabinetes fechados onde são feitas tenebrosas transações como, sei lá, “só votamos a isenção de impostos para quem ganha até cinco mil se aprovarem a anistia para o degenerado”.
Mas “bastidores” podem ser bem mais que isso. E hoje tirei o dia para mostrar a vocês os bastidores da F-1 em Interlagos. Sou um fotógrafo de rara sensibilidade, como já devem ter notado. Meu olhar enxerga o que os outros não veem. Carros, pilotos? Nada, só fiz uma foto do Alonso, mas o contexto é outro — mostrar os jornalistas entrevistando o sujeito. O resto é arte pura.
Sem mais delongas, como se dizia antigamente, vamos às imagens que você nunca verá na TV ou em lugar algum. Para vê-las em tamanho maior, clique nas ditas cujas que elas explodem em sua tela. Podem fazer pôsteres, se quiserem.
O TEMPO E O VENTO
À esquerda, o relógio oficial do evento. É um TAG Heuer gigantesco instalado num painel no final do pit-lane. A marca pertence à LVMH (Louis Vuitton Moët Hennessy), que paga à F-1 150 milhões de trumps por ano para ser a cronometrista oficial da categoria. O contrato, assinado no começo desta temporada, é de dez anos. Até o ano passado, o relógio oficial da F-1 era Rolex. Na foto da direita, o vento bate nas árvores que encobrem a antiga Curva do Sol, mas como foto não é vídeo, não dá para ver.
LUZ NO FIM DO TÚNEL
Coloquem no Google: “Mão com Esfera Refletora” de M.C. Escher, A referência à litografia do artista holandês, impressa em 1935, é óbvia na primeira foto da esquerda. Uma imagem com muitas camadas. Faz refletir sobre a esfericidade da Terra e do universo. E sobre o bom uso de polidores de metal. Na segunda foto, a pergunta: o que há depois daquela luz? Faz refletir sobre a eternidade. E sobre esse monte de fios e cabos suspensos sobre nossas cabeças. Na terceira, questiono: o que é que esse moço está fazendo com o microfone tão longe do entrevistado? Faz refletir sobre o momento atual do planeta: muita gente falando, ninguém ouvindo. E sobre o emprego do homem do microfone.
O TREM AZUL
Neste púlpito, protegido das intempéries, alguém vai começar e outro alguém vai acabar a corrida de domingo. O relógio do meio reforça o conceito: tudo tem hora para começar e para acabar. A terceira foto está aí só porque a placa é azul, mesmo, pra combinar com as outras.
OPERÁRIOS-PADRÃO
O primeiro se dependura na escada sem capacete ou equipamentos de segurança, o segundo organiza os pneus. Sem eles, uma corrida de Fórmula 1 simplesmente não aconteceria. Todos são CLT.
ERGUE E DESTRÓI COISA BELAS
São de vários tamanhos, utilizam várias tecnologias. As gruas no estacionamento erguem aos céus antenas para telemetria, celulares, radares, comunicação interplanetária. No centro, o singelo macaco que levanta os carros da Haas numa troca de pneus que dura dois ou três segundos. A empilhadeira acaba de depositar nos boxes da Mercedes um caixote gigantesco que cruzou os oceanos para, quem sabe, elevar o time à glória da vitória (essa é, sem dúvida, a pior legenda que fiz na vida).
GUARDIÕES DA GALÁXIA
“Daqui ninguém passa”, parece dizer, com sua postura austera, o mecânico da McLaren. Lá dentro estão os carros que já deram um título à equipe, o de Construtores, e buscam o segundo, de Pilotos. A alguns metros de distância, os Mercedões que acodem e protegem os desafortunados — sempre os há.
MINHA ARTE
A filial está em construção permanente. Muda de nome, de cores, de pilotos, de tudo. A matriz já não tem mais onde expor suas glórias, mas se precisar de um espacinho para mais uma, encontra. E Sebastian Vettel, que já correu nas duas, ensina Valtteri Bottas a usar lápis de cor, a reciclar lixo, a salvar as abelhas e as florestas, e já que está aqui deveria ir à COP30.
Verdade. Não precisam pois, acredito, usam o (bah!) motor elétrico
diogo
6 meses atrás
Quanto texto, quanta caixinha colorida, que delícia, e maravilha de título! É isso aí, caro Fulvius, bota pra torar que a despedida tem que ser em grande estilo! Agora bora, ler tudo!
Carecas do INSS e do STF, Cabeludos do PSOL e do CV,
Teria sido aquela performance de Don Alonso de la Eternidad – puxando a cadeirinha de sol diante do sol depois da Curva do Sol – a primeira experiencia de imersao no autodromo do Grande Premio da Municipalidade Paulistana?
Juliano Adolfo Fenólio
6 meses atrás
A foto do Vettel não explodiu na tela! Deve ser porque ele não possui redes sociais e está tentando salvar o planeta da implosão.
Romero
6 meses atrás
Achei “sempre os há” de uma beleza ímpar. Adoro essas pérolas da nossa rica língua.
AMERICO TEIXEIRA JUNIOR
6 meses atrás
Faz refletir sobre a esfericidade da Terra e do universo… Faz refletir sobre a eternidade… Faz refletir sobre o momento atual do planeta: muita gente falando, ninguém ouvindo…
Esse homem encara qualquer fechamento, com ou sem assunto. Grande Flavio! Se não inventarem um “aqui não pode”, vêmo-nos amanhã. Beijos.
Hilton Vaz Pezzoni
6 meses atrás
“Sem mais delongas!” meu cunhado, 70 anos, usa a expressao semi morta. ” É um bestalhao”, dizia dele o pai…..
Afonso
6 meses atrás
Ótimas fotos e ótimas legendas
Anna
6 meses atrás
Você viu o documentário da Adriane Galisteu sobre ela e o Senna? Acho que vc vai gostar.
Andrei
6 meses atrás
Gostei, olha só o Flavio compartilhando sua “experiência imersiva”
Jonivan
6 meses atrás
Achei que no “Trem Azul” na placa da bituca você faria uma menção ao grande Milton, que embora seja fluminense de Nascimento, criou numa esquina mineira um clube eterno…
marcoaurelio
6 meses atrás
Flávio,
É uma pena perceber seu desânimo. Suas notas sempre foram muito boas.
Jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.”
A foto dos canos me fez refletir: se vazar imagina a merda que vai dar!
Vou te contar: o logo da Tag Hauer maior que o próprio relógio que dá a hora do evento, é de uma breguice do tamanho do… logo!
Falando em “patriotários”, Flavinho, taí um ambiente propício. Pela quantidade de pneus envolvida no evento, dá para rezar bastante.
Acho que os “singelos macacos” são, na verdade, dispositivos para dar a partida nos motores.
Gostei muito das fotos!Bacana!
Os motores hoje não têm mais dispositivo externo para ligar. São singelos macacos.
Verdade. Não precisam pois, acredito, usam o (bah!) motor elétrico
Quanto texto, quanta caixinha colorida, que delícia, e maravilha de título! É isso aí, caro Fulvius, bota pra torar que a despedida tem que ser em grande estilo! Agora bora, ler tudo!
Sensacional.
“A ambientação temática faz do percurso pelos bastidores do GP uma verdadeira experiência de imersão” hahaha
Carecas do INSS e do STF, Cabeludos do PSOL e do CV,
Teria sido aquela performance de Don Alonso de la Eternidad – puxando a cadeirinha de sol diante do sol depois da Curva do Sol – a primeira experiencia de imersao no autodromo do Grande Premio da Municipalidade Paulistana?
A foto do Vettel não explodiu na tela! Deve ser porque ele não possui redes sociais e está tentando salvar o planeta da implosão.
Achei “sempre os há” de uma beleza ímpar. Adoro essas pérolas da nossa rica língua.
Faz refletir sobre a esfericidade da Terra e do universo…
Faz refletir sobre a eternidade…
Faz refletir sobre o momento atual do planeta: muita gente falando, ninguém ouvindo…
Esse homem encara qualquer fechamento, com ou sem assunto.
Grande Flavio!
Se não inventarem um “aqui não pode”, vêmo-nos amanhã.
Beijos.
“Sem mais delongas!” meu cunhado, 70 anos, usa a expressao semi morta. ” É um bestalhao”, dizia dele o pai…..
Ótimas fotos e ótimas legendas
Você viu o documentário da Adriane Galisteu sobre ela e o Senna? Acho que vc vai gostar.
Gostei, olha só o Flavio compartilhando sua “experiência imersiva”
Achei que no “Trem Azul” na placa da bituca você faria uma menção ao grande Milton, que embora seja fluminense de Nascimento, criou numa esquina mineira um clube eterno…
Flávio,
É uma pena perceber seu desânimo. Suas notas sempre foram muito boas.
Não entendi.
Nem ele.