Blog do Flavio Gomes
F-1

E ACABOU (2)

SÃO PAULO (o cara é uma coisa…) – Max Verstappen larga na pole na decisão da F-1 em 2025 em Abu Dhabi. O holandês da Red Bull busca o quinto título mundial tendo como adversários os dois que estarão atrás dele no grid. Lando Norris, líder do campeonato, larga em segundo. Oscar Piastri, companheiro dele […]

Max na pole: oitava no ano, 48ª na carreira

SÃO PAULO (o cara é uma coisa…) – Max Verstappen larga na pole na decisão da F-1 em 2025 em Abu Dhabi. O holandês da Red Bull busca o quinto título mundial tendo como adversários os dois que estarão atrás dele no grid. Lando Norris, líder do campeonato, larga em segundo. Oscar Piastri, companheiro dele na McLaren, em terceiro.

Verstappen é muito favorito à vitória amanhã. Há uma estatística interessante nos GPs disputados no circuito de Yas Marina, que entrou no calendário em 2009. Foram 16 edições, 11 delas vencidas pelo pole-position, o que dá um índice de aproveitamento altíssimo de 68,75% para os que largam na posição de honra. E desde 2015, direto, o pole ganha – são dez seguidas.

Claro que não é só a estatística que faz do tetracampeão o maior candidato ao derradeiro triunfo da temporada. Há outros dados na mesa. Max ganhou cinco das últimas oito corridas. Tirou, nesse mesmo período, 92 pontos que tinha de diferença em relação ao líder na tabela. Chegou a estar 104 pontos atrás de Piastri. Hoje, está 12 atrás de Norris. É o melhor piloto do mundo. Está no auge da carreira. Não se incomoda se tiver de ficar duas horas com alguém fungando em seu cangote.

Norris, Verstappen e Piastri: quem leva o título?

Max ser favorito à vitória não significa, porém, que seja favorito ao título. Norris tem uma posição segura na primeira fila que pode, tranquilamente, levá-lo ao pódio ao final das 58 voltas da corrida que começa, amanhã, às 10h da Papuda. E um pódio é tudo que ele precisa para ser campeão. Verstappen fez sua oitava pole no ano, 48ª na carreira. Fecha o campeonato com o maior número de poles, seguido por Norris (sete), Piastri (seis), George Russell (duas) e Charles Leclerc (uma).

A prova marca várias despedidas na F-1. A primeira delas, da geração de carros que estreou em 2022, com prioridade para o efeito-solo como principal gerador de pressão aerodinâmica. Depois, dos atuais motores usados desde 2014, unidades com três elementos de produção de potência – dois motores elétricos e um de combustão interna. Sai de cena uma marca, a Renault, que continua sendo dona da Alpine, mas vai comprar motores da Mercedes em 2026. A F-1 também dá adeus à gasolina convencional, derivada do petróleo. A partir do ano que vem, os combustíveis terão de ser renováveis. O etanol deverá ser a escolha de todo mundo, derivado de cana de açúcar, milho, mandioca, beterraba, o que for.

(A propósito, neste tema, não sei por que a Petrobras não entrou de sola nessa história, sendo o Brasil pioneiro no uso de álcool como combustível. Poderia capitalizar procurando todas as equipes, oferecendo contratos vantajosos, tinha de aproveitar a onda. Agora é tarde. A Petrobras esteve com a Williams entre 1998 e 2008 como fornecedora de combustíveis, um período muito profícuo para a empresa do ponto de vista tecnológico. Depois, voltou em 2014 na mesma equipe, mas como patrocinadora – acompanhando Felipe Massa, que, por sinal, costuma fazer coro nas suas redes sociais aos defensores de políticos de direita, “liberais” e “privatistas”; mas não negou patrocínio estatal, imagina… Na sequência, a Petrobras passou a patrocinar a McLaren, em 2018, num projeto que envolvia futura parceria técnica. Mas o contrato foi encerrado no final de 2019 pela besta do presidente eleito no Brasil. Cancelou do nada. Imagina convencer os energúmenos daquele governo da importância de estar na F-1 nos campos de pesquisa e tecnologia de combustíveis… Falar em pesquisa para aquela gente causava arrepios – exceto pesquisas eleitorais fajutas feitas no Paraná.)

Outras despedidas: a Sauber faz sua última corrida e deixa a F-1. No ano que vem, a equipe passa a se chamar Audi. Assim, encerra-se a trajetória iniciada em 1993 que teve períodos de associação com outras marcas, como BMW e Alfa Romeo. Entre os 20 pilotos que largam amanhã, apenas um não estará no grid da primeira prova de 2026, o japonês Yuki Tsunoda, da Red Bull. Será substituído por Isack Hadjar, que por sua vez cede a vaga na Pode Dividir? ao britânico Arvid Lindblad. Outro adeus: ao grid de apenas 20 carros. Serão 11 equipes no ano que vem, com a chegada da Cadillac. E voltam à lida os veteranos Valtteri Bottas e Sergio Pérez.

Será a 30ª vez que um título se decide na última corrida do ano. Em Abu Dhabi, isso aconteceu em 2010 (Sebastian Vettel), 2014 (Hamilton), 2016 (Nico Rosberg) e 2021 (Verstappen). A McLaren já conquistou a taça dos construtores desta temporada, como no ano passado. Mas a última vez em que ganhou um Mundial de Pilotos foi no distante 2008 com Hamilton. Desde 2010, portanto nos últimos 15 campeonatos, apenas pilotos de Red Bull e Mercedes foram campeões — Vettel (quatro vezes), Hamilton (seis), Rosberg (uma) e Verstappen (quatro).

O grid do GP de Abu Dhabi terá, como destaque inesperado entre os dez primeiros, o brasileiro Gabriel Bortoleto, em sétimo. Oito equipes diferentes colocaram carros no top-10. Será um bonito fim de campeonato. E para se chegar a esse grid, as coisas começaram no Q1 com a Haas como grande surpresa, repetindo o bom desempenho da última sessão preparatória – Esteban Ocon e Oliver Bearman tinham ficado em sexto e sétimo no treino livre de horas antes. Bearman chegou a ocupar a primeira posição por alguns instantes, ele que ontem disse, depois de, sei lá, meia volta: “Cara, o carro tá insano de bom! O que fizeram nele?”.

Bortoleto: mais uma vez no Q3

Faltando oito minutos para o fim da primeira parte da classificação, 0s197 separavam o líder, Russell, do oitavo, Liam Lawson. Um equilíbrio considerável. Nos instantes finais, porém, tudo mudou. Faltavam menos de quatro minutos quando todos voltaram à pista e os tempos começaram a despencar. E a classificação, a mudar. Norris e Piastri se revezaram na ponta. Mas, aí, Verstappen, Kimi Antonelli, Fernando Alonso e Leclerc subiram bem, colocando-se entre o australiano e o inglês. O tempo de Oscar, 1min22s605, parecia inalcançável. Bortoleto, já nos acréscimos, conseguiu se salvar e foi ao Q2 em 14º, tirando tempo no último setor depois de um início de volta claudicante.

E Hamilton ficou fora de novo no Q1. O inglês, que tinha batido no último treino livre, terminou em 16º. Juntaram-se a ele, a caminho do vestiário para tomar banho mais cedo, Alexander Albon, Nico Hülkenberg, Pierre Gasly e Franco Colapinto. “Toda hora… Desculpe”, disse Lewis pelo rádio ao seu engenheiro. Foi a terceira vez seguida em que Hamilton não passou da primeira fase da classificação. Isso nunca tinha acontecido antes com um piloto da Ferrari. E a Renault, em seu último grid, vai ocupar a última fila, num adeus melancólico à categoria.

Verstappen abriu os trabalhos no Q2 com 1min22s912, tempo batido logo depois por Russell com 1min22s730. O inglês tinha sido o mais rápido no último treino livre, ainda com dia claro. Depois da primeira bateria de voltas rápidas, os 15 sobreviventes estavam separados por 0s823, apenas – de Russell a Lawson. Então foi todo mundo de novo para a pista.

Nessa segunda rodada, Bortoleto foi muito bem, subindo para quarto e, depois, fechando o Q2 em quinto. Seu tempo foi apenas 0s144 pior que o de Russell. Bearman, que vinha bem desde as primeiras aceleradas do dia, acabou abrindo a fila dos eliminados em 11º. Carlos Sainz, Lawson, Antonelli e Lance Stroll foram embora junto com ele. Avançaram, pela ordem, Russell, Verstappen, Norris, Alonso, Bortoleto, Leclerc, Hadjar, Piastri, Ocon e Tsunoda. Oito equipes diferentes entre os dez primeiros, sete diferentes nas sete primeiras posições. Apenas McLaren e Red Bull passaram com suas duplas. E equilíbrio ainda maior entre todos que fizeram o Q2: ao final, meros 0s367 separando Russell, o líder, de Stroll, o 15º. Nunca antes na história dessa categoria se viu algo parecido.

A primeira leva de voltas voadoras do Q3 teve Verstappen com a precisão de sempre. Cravou o melhor tempo do fim de semana até então, 1min22s295, fechando o cronômetro com confortáveis 0s327 de vantagem para o segundo colocado, Piastri. Norris não fez uma volta boa e ficou em quarto a 0s456. Bortoleto, em sexto.

O grid em Abu Dhabi: Bortoleto num ótimo sétimo lugar

Verstappen e Russell foram os últimos que deixaram a garagem para a definição do grid em suas segundas tentativas. Max nem precisava. Melhorou sua volta, 1min22s207. Mas o que já tinha era o bastante. Pode-se dizer que fez a primeira fila inteira, com os dois melhores tempos da noite. Norris ficou em segundo a 0s201 do holandês. Piastri, o terceiro, terminou 0s230 atrás. Depois vieram Russell, Leclerc, Alonso, Bortoleto, Ocon, Hadjar e Tsunoda. Gabriel igualou suas melhores posições de largada, sétimo em Monza e Hungaroring. Nas duas, pontuou.

Max teve um auxílio providencial de Tsunoda em suas voltas rápidas. O japonês foi para a pista apenas para dar um vácuo ao companheiro, e assim o #1 ganhou alguma coisinha nas retas. Mas, amanhã, Yuki não vai poder ajudar muito. É Verstappen contra rapa. Rapa, no caso, os dois da McLaren. O time terá de se esforçar bastante para perder o campeonato. Em condições normais, coloca sua dupla no pódio e volta para casa com o campeão. O que pesa a favor do holandês é algo bastante subjetivo: o estado emocional de todos na equipe papaia. Eles têm pesadelos com Verstappen. O jeito amanhã, então, é deixar o monstrinho ir embora.

É o que eu faria.