Blog do Flavio Gomes
F-1

E ACABOU (3)

SÃO PAULO (merecido) – Lando Norris é o 35º campeão da história da Fórmula 1. O inglês de 26 anos, completados no último dia 13 de novembro, precisou de 152 GPs e sete temporadas para comemorar seu primeiro título. É o primeiro de um piloto da McLaren desde 2008, quando Lewis Hamilton levou a taça […]

Norris: aos 26 anos, 35º campeão mundial

SÃO PAULO (merecido) – Lando Norris é o 35º campeão da história da Fórmula 1. O inglês de 26 anos, completados no último dia 13 de novembro, precisou de 152 GPs e sete temporadas para comemorar seu primeiro título. É o primeiro de um piloto da McLaren desde 2008, quando Lewis Hamilton levou a taça numa decisão épica em Interlagos.

Hoje, em Abu Dhabi, não foi tão épico assim. O roteiro da corrida, escrito com as tintas da obviedade depois da definição do grid ontem, previa uma vitória de Max Verstappen e o título para Norris, que só precisava de um pódio para fechar o ano na frente de seus rivais – além do holandês, o australiano Oscar Piastri, seu companheiro na equipe papaia.

Foi exatamente o que aconteceu. Max venceu, Piastri foi o segundo e Norris, o terceiro. Ao final das 58 voltas em Yas Marina, a tabela mostrava 423 pontos para o novo campeão, contra 421 do tetra da Red Bull e 410 para Oscar.

Lando no pódio: terceiro lugar era o suficiente

Esses dois pontos de diferença podem levar os analistas mais entusiasmados a apontarem o dedo para duas situações no campeonato que, na sua visão, foram “decisivas” para o título. Primeiro, o incidente entre Verstappen e George Russell no GP da Espanha. Max ficou irritado com uma ordem da equipe para ele devolver a posição depois de uma suposta manobra fora dos conformes e acabou batendo no inglês da Mercedes. Nenhum dos dois abandonou. O holandês foi punido pela direção de prova e o quinto lugar que tinha conquistado na pista virou décimo. Perdeu nove pontos, na brincadeira.

A outra foi a inversão de posições entre Norris e Piastri no GP da Itália. Um pit stop ruim no carro de Lando fez a McLaren solicitar a Piastri, que tinha assumido o segundo lugar, a troca de lugar entre eles. Oscar ficou meio enfezado, mas acatou. Assim, naquela prova, Norris fez 18 pontos em vez dos 15 que faria se terminasse em terceiro. Os defensores do time vão dizer até o fim dos tempos que foram esses três pontos que deram a taça a Lando.

É claro que não é assim que a banda toca. O Mundial teve 24 corridas e seis Sprints, e ao longo dessa jornada erros são cometidos e decisões de todos os quilates são tomadas, muitas vezes equivocadas. A de Monza, por exemplo, foi. Acabou com a saúde mental de Piastri, que depois daquela prova murchou de vez. Ele era o líder do campeonato. Será que se tivesse chegado em segundo, marcando mais pontos, as coisas não seriam diferentes para ele dali em diante?

Nunca saberemos. Ao chilique de Verstappen, podemos contrapor o de Norris no Canadá, quando bateu em Piastri tentando uma ultrapassagem anômala. Se perdesse o título hoje, alguém indicaria aquele momento como decisivo, esquecendo o faniquito de Max em Barcelona. A McLaren, se fosse derrotada, talvez atribuísse a perda do título ao desgaste da prancha sob seus carros em Las Vegas, da ordem de frações de milímetros. Ali, na desclassificação de ambos, Norris perdeu 18 pontos de um segundo lugar e Piastri, 12 do quarto.

Cito tais fatos para desestimular as tentativas fáceis – e sedutoras – de explicar o resultado de um campeonato inteiro a partir de episódios isolados. Eles se sucedem ao longo de um ano e só quando são empilhados e organizados contam a história toda. E toda história, como se sabe, precisa de capítulos para ser contada. Alguns são mais bem escritos e aderem à memória. Quantas vezes você já ouviu falar que Alain Prost perdeu o título de 1984 porque só fez metade dos pontos da vitória “roubada” de Ayrton Senna em Mônaco? Fez 4,5 pontos em vez dos seis que marcaria se tivesse terminado em segundo sem interrupção da prova, e fechou o ano meio ponto atrás de Niki Lauda. Eu mesmo devo ter dito e escrito isso mil vezes. E o título de 2008, que Felipe Massa reivindica até hoje pelo que aconteceu em Singapura?

Não, não é assim que a banda toca mesmo. Prost teve cinco abandonos em 1984 e Lauda engatou uma sequência de três vitórias e três segundos nas últimas sete corridas, e é por isso que foi campeão, não por causa da vitória pela metade do francês em Monte Carlo. Massa rodou e abandonou na Malásia, chegou em 13º em Silverstone porque não parou de pé na pista molhada, teve motores quebrados na Austrália e na Hungria, e foi por isso que perdeu o título para Hamilton em 2008, não porque Nelsinho Piquet bateu de propósito em Singapura.

Assim, portanto, que a banda toca. Norris teve mais bons do que maus momentos em 2025, e por isso foi campeão. Claramente mudou sua postura depois de um começo de ano claudicante diante da exuberância de Piastri. Cumpridas as nove primeiras corridas do ano, Oscar tinha cinco vitórias contra apenas duas de Lando. Se aprumou a partir do GP da Áustria e correu atrás do prejuízo – acho essa expressão perfeita, tem gente que deixou de usar porque “ninguém corre atrás de prejuízo”, o que é uma besteira, a gente corre para recuperar o que perdeu, corre atrás do prejuízo, sim, chega nele, dá-lhe uma voadora e segue em frente; também uso “risco de vida”, mas isso explico outro dia.

A selfie do ano: Zak Brown, Andrea Stella e o campeão mundial

Norris reagiu, passou a dividir vitórias com Piastri e quando a F-1 voltou das férias, a partir do GP da Holanda, teve como maior aliado Verstappen, que acordou de um certo entorpecimento da Red Bull e passou a esmurrar um letárgico Oscar na tabela de pontos.

Max entrou na briga e nocauteou Piastri. Mas não derrubou Norris. Deu-lhe, é verdade, alguns diretos no queixo. Mas Lando, se cambaleou aqui e ali, não foi à lona como seu colega de time. Soube trabalhar a vantagem que construíra ao longo do ano. E a vitória em Interlagos praticamente resolveu a contenda.

A desclassificação dupla da McLaren em Las Vegas reanimou Verstappen, claro. Em três corridas, contando a da terra dos cassinos, o cara fez 80 pontos. Na mesmas três, Norris marcou 33. E mesmo assim foi o campeão. Porque tinha sido competente o bastante nas 21 anteriores. E é assim que se abre a picada no meio do matagal dos que ainda não ganharam títulos. Max já conhecia o caminho, a arrancada no final foi fácil para um sujeito com quatro taças na estante. Não precisou de tanto esforço, sabia como usar o facão para escancarar o caminho. No final, no entanto, tinha um menino determinado um pouco à frente. E o menino não deixou a peteca cair.

Está em ótimas mãos o título de Lando Norris. É o primeiro de um piloto alheio à dupla Red Bull-Mercedes desde 2009, quando a BrawnGP foi campeã com Jenson Button, na temporada mais nonsense de todos os tempos. De lá para cá, os rubro-taurinos ganharam oito vezes e os prateados, sete.

Para contar a história do GP de Abu Dhabi que encerrou a temporada, talvez não fossem necessários muitos parágrafos. Mas pela importância desse último capítulo de 2025, eles foram escritos. Pode ser que lá pela metade deste relato bata uma certa sonolência no leitor. Mas é assim mesmo. Nem todas as decisões na F-1 são epopeicas, fabulosas, recheadas de atos de heroísmo ou ousadia desmedida. Algumas são suaves. E foi assim hoje.

Verstappen largou muito bem e trouxe com ele os dois carros da McLaren, que estavam em segundo e terceiro no grid. Mas antes do fim da primeira volta Piastri, com pneus duros, ultrapassou seu companheiro de equipe. Norris caiu para terceiro com um pilhado Charles Leclerc em quarto. Fernando Alonso, Russell, Gabriel Bortoleto, Isack Hadjar, Esteban Ocon e Yuki Tsunoda eram os dez primeiros.

Nas estratégias iniciais, quatro pilotos estavam com pneus duros – além de Piastri, Tsunoda, Kimi Antonelli e Lance Stroll –, três com macios – Hamilton, Alexander Albon e Nico Hülkenberg – e o resto, com médios.

Pelo rádio, a McLaren tranquilizava Norris. Se é verdade que naquele momento Lando trafegava no limite do necessário para ser campeão, um terceiro lugar, não era menos verdade que, se preciso fosse, arrumariam um bate-esteira de vaquejada para derrubar Piastri e Lando subir uma posição. Estava tudo sob controle.

Com dez voltas, as três primeiras posições estavam alteradas. Max tinha 2s de vantagem sobre Piastri, que por sua vez segurava as pontas com outros 2s em cima de Norris. Leclerc, pela primeira vez, aparecia mais de 1s atrás de Lando e já não podia mais abrir a asa móvel.

Russell: prova discreta, suficiente para garantir vice da Mercedes

Na volta 15, Russell foi o primeiro da turma da frente a parar para trocar pneus. Colocou um jogo de duros e voltou lá atrás, em 14º. Bortoleto fez o mesmo na volta seguinte. Ele vinha mantendo a sétima posição desde o início da prova. Norris já estava mais tranquilo em relação ao espevitado Chaleclé. E na volta 17 o inglês parou, colocou um jogo de pneus duros e voltou à lida sem sustos. Leclerc e Alonso também pararam. Lando voltou em nono, com pneus duros para seguir na pista por um bom tempo. Mas no tráfego, o que sempre aborrece um pouco. Naquele momento, Verstappen era o campeão da vez com 421 pontos, contra 410 de Norris. Mas tinha muita água para passar debaixo daquela ponte, ainda.

Na volta 18, com pneus novinhos, Norris começou a escalar sua montanha. Passou Antonelli e Carlos Sainz e foi para sétimo. Na 19ª, foi para cima de Stroll e Liam Lawson e passou os dois de uma vez só. O neozelandês da filial da Red Bull ofereceu certa resistência para justificar o crachá e a cesta de Natal que a firma manda no final do ano, mas ficou nisso. Com a parada de Ocon, que chegou a ficar em segundo, Lando já era o quarto na volta 20. Seu próximo adversário seria Tsunoda.

O japonês foi orientado pelo rádio da Red Bull a dar uma segurada em Norris. Demitido, o que faria o pequenino Yuki? “Eu sei o que tenho de fazer, me deixem em paz”, respondeu, irritado. Tsunoda tinha largado de pneus duros justamente para chegar a esse momento: o de atrapalhar Lando. E, na volta 23, Norris foi para cima, decidido. Pegou o nipônico de surpresa, que para se defender fez um zigue-zague esquisito – para não dizer escroto. Lando passou na reta entre as curvas 5 e 6 pelo “acostamento”, espremido que foi. Foi tenso, bem tenso. O único momento de tensão na prova, a rigor.

Verstappen no pódio: oitava vitória no ano e orgulho da reação

Na 24ª volta, foi a vez de Verstappen parar. Piastri assumiu a liderança e Max voltou em segundo, coisa de 18s atrás do australiano. Para aumentar o nervosismo na mureta da McLaren, a direção de prova mandou duas informações: estavam sendo investigados Tsunoda, por forçar o adversário para fora da pista, e Norris, por ultrapassar o #22 da Red Bull pela parte externa àquela delimitada pelas faixas brancas.

O rádio da McLaren nem falou com Lando sobre a intensa atividade na torre de controle. Quanto menos informação, melhor. Leclerc voltou a aparecer no retrovisor do inglês, na quarta colocação. Estava animado, o monegasco. Era um incômodo inesperado para a McLaren. Mas só nas primeiras voltas de seus pneus novos. Depois, o rendimento caía. Um incômodo. Tipo aquela mosca varejeira que aparece do nada com sua carenagem verde metálica, gruda na janela e precisa abrir para que ela voe longe antes de cair dentro da sopa — muitas vezes com o auxílio de pano de prato. Nada mais que isso.

Leclerc: a mosca na sopa de Norris, mas durou pouco

Veio, então, o alívio nas hostes papaia. A direção de prova comunicou um pênalti de 5s a Tsunoda por ter mudado de direção 200 vezes à frente de Norris algumas voltas antes. E nenhuma punição ao inglês, perdoado por ter feito uma manobra evasiva atrás do segundo carro da Red Bull. Com 31 voltas, Piastri, Verstappen, Norris, Leclerc, Russell, Tsunoda, Stroll, Hamilton, Alonso e Bortoleto eram os dez primeiros. Norris voltava à posição que precisava para ser campeão.

Com 34 voltas, Piastri, em primeiro, e Stroll, em sexto, eram os únicos que ainda não tinham trocado pneus. Hamilton já havia feito duas paradas. Verstappen vinha chegando em Oscar, 8s atrás. Os pneus do australiano estavam começando a abrir o bico. “Tá ruim esse pneu aí?”, perguntou o engenheiro. “Sim.” “Quer parar?” “Não sei.” O engenheiro, então, se virou para Zak Brown e perguntou: “O que está acontecendo com Oscar hoje, que está tão falante?”

O resultado que se desenhava para a prova era o mais óbvio antes da largada: Verstappen ganharia a corrida e Norris seria o campeão. Max reduzia a diferença para Piastri rapidamente. Na volta 39, 2s7. Na 40, 1s1. Foi quando Leclerc parou para uma segunda parada e a McLaren fez o mesmo com Norris na volta seguinte. Colocou pneus duros novinhos em folha. Bola de segurança, como se diz. Faltavam 17 voltas.

Verstappen assumiu a liderança de novo na volta 41 ao passar Piastri como se ele estivesse parado. Norris voltou do pit stop em terceiro, tranquilo. Oscar estava fora do jogo pelo título, era muito claro – com Max e Lando na pista, suas chances não existiam. Foi chamado para sua parada única, colocou pneus médios, voltou em segundo, 24s atrás de Max e 4s7 à frente de Norris. Era tudo que a McLaren precisava, seus dois pilotos juntos – just in case. Não importava quem estivesse na frente, desde que eles se mantivessem na zona de pódio.

Piastri perguntou pelo rádio o que precisava fazer para ganhar a corrida. “É ele mesmo?”, continuou cabreiro o engenheiro, espantado com aquela verborragia desconhecida. Na dúvida, respondeu que não havia muito o que fazer a não ser esperar por uma eventual segunda parada de Verstappen, que a dez voltas do final tinha mais de 20s de vantagem sobre ele. Max, por sua vez, queria saber se Leclerc estava chegando em Norris para atacá-lo pelo terceiro lugar. “Mais ou menos”, respondeu “GP”, o engenheiro do holandês. Ou seja: não, não estava.

Volta 50: Verstappen, Piastri, Norris, Leclerc, Russell, Alonso, Ocon, Hamilton, Oliver Bearman e Bortoleto eram os dez primeiros. Era muito claro que Max não iria parar de novo. O campeonato estava resolvido. Oscar não tinha mais o que fazer. Lá atrás, para os registros, Gabriel se segurava à frente de Sainz, primeiro, e de Stroll, depois, para tentar garantir um pontinho na despedida da Sauber. Não conseguiu. O canadense da Aston Martin passou os dois e foi para décimo. Hülkenberg veio lá de trás babando com pneus novos e passou todos eles, se colocando em nono e garantindo um lugar na zona de pontuação para o time que, no ano que vem, vai se chamar Audi.

Max ganhou pela oitava vez no ano, 71ª na carreira. Foi o piloto com mais vitórias em 2025. Norris e Piastri venceram sete cada um e Russell levou as outras duas. Piastri e Norris foram para o pódio com ele, nessa ordem. Leclerc, Russell, Alonso, Ocon, Hamilton, Hülkenberg e Stroll foram os dez primeiros. Bortoleto terminou em 11º. Hulk foi um dos grandes destaques do dia, ganhando nove posições em relação à de largada. Hamilton ganhou oito. Stroll, cinco. No Mundial de Construtores, a Mercedes garantiu o vice com 469 pontos contra 451 da Red Bull. A McLaren já tinha sido campeã.

Norris chorou bastante na comemoração. Agradeceu à equipe e aos pais, Cisca e Adam, que estavam nos boxes acompanhando a consagração do filho. A festa foi bonita e simpática, no nível de euforia que britânicos conseguem exibir. Verstappen, o vencedor, procurou diminuir a frustração do time dizendo que ninguém precisava ficar chateado com a perda do título, ao contrário: todos deviam ter orgulho do que fizeram em 2025, especialmente na segunda metade da temporada.

E assim terminou o ano da Fórmula 1. Terminou também, para o telespectador brasileiro, o período de cinco anos de transmissões da TV Bandeirantes. Em 2026, a categoria volta às plataformas da Globo, que por cinco décadas, de 1972 a 2020, mostrou as corridas para o país – desde 1981 com exclusividade e exibindo os Mundiais na íntegra. Nestes cinco anos, a equipe de transmissão da Band – integralmente oriunda da Globo – surfou na conquista de um novo público pela F-1. Sim, sendo bem preciso, é lícito dizer que, antes da emissora, foi a F-1 quem correu atrás de um novo público. E o encontrou, com o uso massivo das redes sociais, aplicativos para celular, a criação da série “Drive to Survive”, filme no cinema, ações promocionais ao redor do planeta, pilotos mais jovens e afáveis alinhados com o mundo digital, e uma revolução na estética das transmissões de TV. Esse novo público seria conquistado da mesma forma, estivesse a F-1 ainda na Globo, na Band, no SBT ou no Canal Rural.

Mas como chegou uma galerinha muito jovem, que nesses cinco anos passou da infância/adolescência para a idade quase adulta, a saída de cena do canal paulista tem o mesmo efeito nos novos fãs que a passagem do ensino fundamental para o ensino médio na escola. Atribui-se a justa importância aos primeiros professores e deles advém uma saudade antecipada quando chega uma nova tropa. Nesse sentido, a equipe da Band que realizou a cobertura nesses cinco anos tem mérito inegável. Fez o que pôde, sem muitos recursos e contando com profissionais que, pelo menos, conheciam o assunto. Funcionou. Não era muito complicado. O produto, repaginado, era muito bom.

Ninguém inventou a roda, porém. Há críticas que podem ser feitas, mas outros tantos elogios que não devem ser omitidos. O maior deles, ao aumento do tempo das transmissões, algo que a grade da emissora permite e não é muito comum em TV aberta bem-sucedida. A atuação da repórter Mariana Becker foi, igualmente, um ponto alto desse período, em que pese um certo personalismo exagerado – mas aí é opinião minha, gosto pessoal. No lado negativo, sempre cito, quando instado a falar sobre o tema, o desleixo de usar um tema musical requentado das coberturas antigas da Indy e a ausência de narrador e comentaristas nos locais das corridas. Foram 114 GPs nesse período, e a turma só pisou num autódromo em Interlagos. Questões técnicas, como o alcance limitado do sinal da rede em território nacional, também não devem ser desprezadas. A Band não chega em todo lugar. E em algumas repetidoras regionais, eram comuns sessões de classificação aos sábados sendo substituídas, muitas vezes, por transmissões de leilões de gado ou reportagens sobre parto de porcas prenhas ou sementes de soja transgênicas.

Em tudo, para a F-1, a volta à Globo será positiva. A emissora carioca tem audiência muito maior, abrangência nacional, e se não vai mostrar todas as corridas em sinal aberto, o que já está definido, compensará com um (prometido) amplo trabalho nos seus canais fechados de esportes, além de suas plataformas digitais. “Ah, mas tem de pagar!” Pois é. Hoje se paga para ver futebol, tênis, vôlei, surfe. Por que a F-1 ficaria fora disso?

A verdade é que a F-1 é coisa de gente grande, sempre foi, e no universo de mídia a Band não está à altura da categoria. Quase perdeu os direitos no ano passado por falta de pagamento e, neste ano, ao final do contrato, nem se mexeu para tentar renová-lo.

Surpresa, mesmo, foi a Globo abrir mão desse produto em 2020. Uma burrice que o grupo vai corrigir a partir de agora. E ninguém vai morrer porque o narrador não vai mais comer pão na chapa com o comentarista. Era apenas um estilo informal de narração, gracejo que já era feito nos tempos em que eles trabalhavam no Sportv — que é da Globo.

Existem outros.