
SÃO PAULO (ah, o dinheiro…) – Os dois comunicados hoje pingaram na caixa postal mais ou menos na mesma hora. A Audi informando que Jonathan Wheatley, depois de 354 dias no cargo (antes como Sauber), deixa a equipe “por motivos pessoais”. A Aston Martin, em texto assinado pelo dono, Lawrence Stroll, garantindo que são “especulações” as histórias dando conta de que Adrian Newey vai deixar de ser chefe de equipe — função assumida há poucos meses — para ficar só à frente das questões ligadas ao projeto do carro.
Ambos mentem. Os motivos pessoais de Wheatley se chamam Aston e Martin. E Newey vai, sim, ficar só com as pranchetas, ainda que o time negue de pés juntos e não mude seu status interno para não ter de mandar imprimir novos cartões de visita.
Agora é só esperar para saber qual o período de quarentena de Wheatley, um ex-mecânico da Red Bull que ascendeu na equipe e comandou as operações de pista durante o período mais fértil de Max Verstappen.
O pessoal de Ingolstadt deve estar bem puto com ele. Mattia Binotto vai acumular funções, agora, até que um novo chefe seja contratado. Se é que vão achar alguém. Eu telefonaria para Otmar Szafnauer, ex-Alpine, Force India e Aston Martin. É um cara experiente que poderia assumir o cargo de imediato, sem grandes traumas. Na Alpine, sua passagem foi turbulenta — foi sob sua gestão que Oscar Piastri foi contratado e descontratado. Mas, aparentemente, os problemas na época foram causados por outras gestões e ele pegou o bonde andando. Um bonde meio trôpego, diga-se. Mas talvez a Audi vá atrás de nomes novos, alguém mais de engenharia, mesmo, de colocar a mão na massa tecnicamente, deixando nas mãos de Binotto o ônus de gerenciar pessoas. Foi o que a Red Bull fez quando mandou Christian Horner embora e trouxe Laurent Mekies.