TagAudi

AUDI, VW ETC.

A

SÃO PAULO (tudo muito rápido) – Hoje a Audi deu uma chacoalhada no mundo do esporte a motor. Primeiro, anunciou que vai participar do Dakar de 2022 com um carro “eletrificado” — Depois, que vai retomar seu programa de endurance no novo regulamento LMDh (Le Mans Daytona hybrid), o que significa que a marca voltará a Le Mans e correrá também em Daytona. Por fim, avisou que a aventura na Fórmula E, onde está desde o início, acaba ao final da próxima temporada, a de 2021. Em 2022, Lucas di Grassi estará desempregado. Ao menos na F-E.

Por fim, a mãe Volkswagen também fez um anúncio hoje. Mais simples e direto. Encerrou todo seu programa de motorsport. Os 169 funcionários do departamento, que fica em Hannover, serão deslocados para outras funções. Todos elas ligadas à eletrificação dos carros da marca.

Só se fala nisso no mundo dos automóveis. Elétricos, elétricos, elétricos. Um porre.

DTM NO FIM

D
René Rast, atual campeão: Audi ajuda a enterrar de vez o DTM

RIO (e o mundo, realmente, acabando) A Audi informou ontem que ano que vem está fora do DTM. A montadora vai concentrar seus esforços na Fórmula E. Na verdade, na eletricidade como forma de propulsão. Não quer mais saber de motores a combustão. Não quer mais saber de corridas. Já tinha deixado o WEC, já tinha esquecido Le Mans. Um jeito melancólico de enterrar sua história.

O DTM vai morrer. A Mercedes saiu no final de 2018. A Aston Martin, que inscreveu quatro carros no seu lugar em 2019, pulou fora no começo do ano. O campeonato de 2020 tinha apenas 14 carros inscritos: oito da Audi e seis da BMW. O calendário desta temporada também corre risco. Por enquanto, tem dez datas previstas entre 12 de julho e 15 de novembro, com duas etapas sem local definido. Ninguém tem certeza da realização de nenhuma delas, diante do quadro de evolução do Covid-19 na Europa.

A única chance de sobrevivência do campeonato é uma fusão com seus semelhantes japoneses da Super GT. Não sei se vai rolar.

A Audi sai da categoria com 113 vitórias e nove títulos no currículo.

SAVE THE WAGONS

S

RIO (tô de olho numas coisinhas…) – O Thiago Silva mandou o vídeo pelos comentários, e como é DKW, indico com tranquilidade. DKW? Sim, DKW. Leiam, meus filhos, leiam. Quatro argolas serão sempre DKW.

O filmete da nova RS6 Avant é bem bacana, feito especialmente para exibição no YouTube, e devo confessar que de todas as peruas que aparecem, se eu tivesse de escolher uma, ficaria fácil com a primeira. Que nem RS6 é, claro. Assistam para entender.

Gosto de peças publicitárias que exploram a ligação entre um carro/modelo e o homem/mulher. Bem melhor do que as bobagens de hoje que vendem internet sobre rodas como se fosse algo do caralho. Acho tudo uma merda sem tamanho. Estão transformando carro em aplicativo.

Ah, sugiro que assistam em tela cheia, porque o formato é de cinema, diferente dos tradicionais.

[bannergoogle]

FOTO DO DIA

F

Pietro Fittipaldi (na foto, em teste em Lausitzring), assinou com uma equipe-cliente da Audi para correr no DTM nesta temporada. Ótima notícia para o rapaz, que também tem feito alguns testes com a Haas. É fundamental se manter em atividade. E, de quebra, abre outra porta caso as coisas na F-1 enrosquem. Porta excelente, por sinal, ainda que o DTM tenha perdido a Mercedes. Serão seis BMW, oito Audi e quatro Aston Martin no grid de 18 carros.

ONE COMMENT

O

Se a chefia da Audi na Fórmula E tivesse o Crispim em vez desses alemães atrapalhados, Abt não seria desclassificado e não perderia a vitória que obteve na pista hoje em Hong Kong. Aliás, a terceira vitória retirada de seus pilotos por bobeadas do time (Di Grassi em Berlim e no México, em temporadas passadas). A turma de Ingolstadt vai recorrer. Rosenqvist herdou a primeira posição. Ah, Crispim está na foto entre o Emerson, de camisa vermelha, e o Edgard Mello Filho, de camisa aberta. O carro é o Malzoni #7 que Fittipaldi dividiu com Jan Balder nas Mil Milhas de 1966. O cabeludo do lado do “Rato” é Cacaio, sobrinho do Marinho, que morreu em Petrópolis em 1968.

crispimno7

CARS & GIRLS

C

Leandro Guimarães mandou a foto dessa gracinha que é um dos primeiros Audi pós-VW, inspirado no DKW F102. Eu mataria uma população inteira de micos-leões dourados por um carro desses, fácil!

audigirlsleg

FOTO DO DIA

F

DTM Test Vallelunga

RIO (sai da frente) – Eis o Audi e-tron FE04, primeiro carro 100% assinado pela montadora de Ingolstadt para a Fórmula E. Os testes para a temporada #4 começam na semana que vem em Valência. O campeonato, no dia 2 de dezembro em Honk Kong. Em março a categoria passa por São Paulo, que terá uma etapa no Sambódromo do Anhembi.

[bannergoogle]O novo trem de força da Audi (que não tem mais Abt no nome) é bem diferente do que foi usado na terceira temporada, e agora o câmbio terá apenas uma velocidade. Creio ser uma tendência de todos os fabricantes, para otimizar ainda mais as características desses motores e de seus sistemas de recuperação de energia.

Allan McNish foi promovido a chefe de equipe. Lucas di Grassi, atual campeão, e Daniel Abt seguem como titulares.

As equipes todas estão mostrando seus elétricos nesta semana, e os lançamentos têm sido bem concorridos e recebido boa cobertura da imprensa internacional. Há novidades, como Nelsinho na Jaguar, e alguma expectativa pela pintura dos carros, dança das cadeiras, contratações, calendário… A Fórmula E encorpou.

O GRANDE CAMPEÃO

O

lucascampeao

BUDAPESTE (partindo) – Antes de qualquer coisa, que fique claro: não tenho nada a ver com o título, com o campeonato, com o sucesso de piloto e equipe, não estou me apropriando de nada.

Mas quero só contar uma historinha para justificar minha alegria com o título que Lucas di Grassi conquistou agora há pouco em Montreal, na Fórmula E. Alegria que também não tem nada a ver com patriotismo, nacionalidade do campeão, coisa que o valha. Absolutamente nada, vocês me conhecem.

A historinha começa lá em 2011, quando a FIA anunciou a criação do WEC, o novo formato Mundial de Endurance, junto com o ACO — que organiza as 24 Horas de Le Mans. Interlagos apareceu no calendário para o ano seguinte, o que para todos nós que gostamos dessa bagaça era uma grande notícia.

Nos meses que se seguiram, revelou-se que Emerson Fittipaldi seria o promotor das 6 Horas de São Paulo, o nome da corrida. Planos foram feitos, a expectativa foi aumentando, ficou todo mundo animado. Afinal, veríamos por aqui, simplesmente, as mais belas obras de engenharia sobre rodas daquele momento, os carros da Audi e da Toyota — além de todos os outros protótipos e GTs que amamos de paixão.

[bannergoogle]A prova seria em setembro de 2012. Em junho, eu tinha ido a Le Mans a convite dos meus amigos da Audi Tradition, que nada tinham a ver com a divisão de automobilismo da montadora alemã. Minha relação com esse setor de Ingolstadt já tinha algum tempo e fora iniciada graças ao meu DKW de corrida, o #96. Fiquei amigo de um cara em especial, o Peter, e foi dele que partiu o convite para ir a Sarthe.

Lá conheci mais gente da Audi, agora do setor de motorsport, passei dias ótimos na França, estreitei os laços com a equipe e com a empresa.

Poucos dias depois de voltar ao Brasil, recebi um telefonema da Alemanha. A prova de Interlagos estava confirmada e a Audi tivera a ideia de colocar um piloto brasileiro em um de seus carros, o R18 ultra, já que havia uma vaga para formar o trio com McNish e Kristensen. Não sabiam quem. Resolveram me consultar.

Fiz uma lista tríplice, depois de estudar alguns nomes e ponderar pontos positivos e negativos, dificuldades contratuais, experiência, carisma, talento, capacidade técnica e tudo mais. Essa avaliação resultou em alguns descartes de pilotos que inclusive haviam sido sugeridos pela Audi — reservo-me o direito de declinar suas identidades, senão é capaz de neguinho dizer que “Gomes vetou fulano”.

Meu preferido era João Paulo de Oliveira, por sua experiência com vários tipos de carros e pela carreira mais do que bem-sucedida no Japão. Os outros dois nomes que acabei indicando foram os de Max Wilson e Lucas di Grassi — que, na época, era piloto de testes da Pirelli e não estava disputando campeonato nenhum.

Em agosto, a Audi anunciou Lucas.

A partir daí, sua carreira decolou de vez, porque ele andou bem em Interlagos e acabou promovido a piloto oficial de Ingolstadt. Achei sensacional. Logo depois começou o desenvolvimento da Fórmula E e ele se atirou de cabeça no projeto, com toda sua inteligência, expertise, conhecimento técnico e antevisão do futuro.

O resto é história. A Audi foi uma das pioneiras da categoria e Lucas, que já estava lá e participava da gestação do campeonato, era o nome mais indicado para assumir um dos carros da equipe — além de ter sido fundamental na sua concepção, Lucas tinha feito toda sua trajetória em monopostos e não precisaria de muito tempo para se adaptar.

[bannergoogle]O título que conquistou hoje eleva Di Grassi a um panteão de pilotos brasileiros que se sagraram campeões em categorias de ponta como F-1, Indy, Mundial de Marcas, F-Nippon, F-3 Inglesa, F-3.000 — algumas perderam relevância, mas em certos momentos históricos tiveram enorme importância.

Ganhou com autoridade, cabeça no lugar, agressividade na medida certa, performance impecável. Só andou mal em Nova York, justo onde Buemi não correria, onde poderia descontar os pontos que o suíço tinha de vantagem até então. Mas o rival da Renault enfiou os pés pelas mãos neste fim de semana em Montreal, e Lucas aproveitou. Ontem, fez a pole e venceu. Buemi foi desclassificado. Hoje, administrou a diferença. Terminou em sétimo, com Sébastien se estrepando de todas as formas possíveis para terminar o ePrix do Canadá procurando um buraco onde pudesse se esconder por alguns meses.

Parabéns a Lucas, mereceu. Mereceu muito. Podia ter levado o título na primeira temporada, não fosse a desclassificação em Berlim. O mesmo na segunda, quando também perdeu uma vitória por desclassificação no México — em ambas, os problemas foram da equipe.

Desta vez, o brasileiro não deixou escapar. Foi um grande campeão. Na pista, no talento, com estratégia, capacidade, inteligência acima da média. A Audi tem de ser grata ao destino por seu nome ter feito parte daquela listinha tríplice de 2012. Foi ela que aproximou um piloto de enorme qualidade de uma equipe excepcional.

O casamento deu mais do que certo.

DESCULPAS É POUCO

D

urgaudiRIO (temos de dormir!) – Agora, horror por horror, nada pode ser pior que um comercial da Audi veiculado na China — e, segundo a montadora, produzido por representantes locais. A propaganda compara mulheres com carros usados, com a sutileza tradicional dos chineses.

A Audi pediu desculpas. Devia era descredenciar os responsáveis.

Não achei o vídeo, e nem vou procurar. A China é foda. Não tem graça nenhuma.

AÍ TEM

A

new-audi-logoSÃO PAULO (quero só ver) – Sexta-feira, na FIA, vão começar as discussões sobre uma possível mudança de motores a partir de 2021 na F-1. Honda, Mercedes, Ferrari e Renault, claro, vão participar. Mas a novidade: a Audi também estará na reunião. Assim como uma montadora japonesa e um fornecedor privado (McLaren?) cujos nomes estão em sigilo.

F-1 totalmente elétrica?

Não descartem. Não descartem nada.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
ASSINE O RSS

Categorias

Arquivos

TAGS MAIS USADAS

Facebook

DIÁRIO DO BLOG

janeiro 2021
D S T Q Q S S
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31