
SÃO PAULO (caldo de galinha) – Como se esperava, a FIA comunicou que os GPs do Bahrein e da Arábia Saudita não serão realizados em abril, fazendo questão de enfatizar que essas corridas não serão substituídas por outras no próximo mês. Pode ser (isso o texto não diz, mas deixa em aberto, no tradicional estilo de redação dos comunicados da entidade) que elas sejam realizadas em outras datas, ou substituídas por outras em outros países. Mas em abril não teremos corrida nenhuma, essa é a notícia. O GP do Bahrein estava marcado para o dia 12 e o de Jedá para uma semana depois. A F-1, depois do GP do Japão (29 de março), só volta em maio, com a etapa de Miami.
E por que o cuidado para não dizer simplesmente que os GPs estão cancelados de forma definitiva? Porque há correntes internas na F-1 que estudam as possibilidades de substituição ou remarcação dessas etapas. Tais opções estão previstas nos bilionários contratos assinados com os promotores das provas, muitos deles associados a governos nacionais. Daí que a entidade está evitando usar o termo cancelamento para se referir à não realização das corridas nos dois países no mês de abril.
Remarcar as provas depende, claro, da evolução da guerra deflagrada por EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. O Irã tem respondido aos ataques, e todos os países do Oriente Médio aliados dos americanos estão ameaçados por suas forças militares. Já houve bombardeios ao Bahrein e a alvos próximos da Arábia Saudita. Catar e Abu Dhabi também correm risco se o conflito se estender por meses. São as duas últimas etapas do campeonato, no final de novembro e no começo de dezembro. O mesmo vale para o Azerbaijão, que faz fronteira com o Irã, e tem sua corrida marcada para o fim de setembro.
Na prática, como não somos redatores ou advogados da FIA, podemos dizer que, neste momento, as duas provas foram canceladas. E, na base do achismo — e de alguma experiência –, também podemos dizer que dificilmente elas serão substituídas por outras na Europa.
Isso seria possível, por exemplo, trocando o período de recesso de agosto pelos dias livres de abril, abrindo datas no mês em que, tradicionalmente, as fábricas fecham e todos saem de férias. Certamente há quem defenda tal alternativa, já que a ganância é traço comum a muitos dos atores dessa trama. Duas corridas a menos são duas taxas de GPs que deixarão de ser pagas pelos promotores. Portanto menos dinheiro do butim distribuído para acionistas, equipes e entidades que organizam o campeonato.
Mas não creio que todo mundo aprove a ideia. Acho que a maioria aceita ganhar um pouco menos em troca de um mês livre para trabalhar com calma nas fábricas, já que quase todos têm tido problemas com os novos carros da categoria. E um descanso sem viagens seria bem-vindo depois de uma pré-temporada cansativa com três sessões coletivas na Espanha e no Bahrein.
Resumindo, acho que o Mundial ficará mesmo com 22 etapas. O que, convenhamos, já é bastante.