Arquivoterça-feira, 26 de junho de 2012

EM INTERLAGOS

E

SÃO PAULO (que frio!) – Nosso lambe-lambe Rodrigo Ruiz publicou extenso álbum de fotos no VelocidadeOnLine das corridas de Mercedes, GT e moto no fim de semana em Interlagos (está cheio de foto de mulher pelada, também!). A gente estava curioso aqui para saber como seria o público.

Foi bom. Pela foto abaixo, infinitamente maior do que em todas as corridas do Paulista dos últimos cinco anos juntas. Andaram falando em 25 mil, mas me parece um exagero. As duas arquibancadas cobertas diante dos boxes ficaram cheias, de fato. Mas as de alvenaria que formam o Setor A da F-1, como sempre, estavam quase vazias. Nos boxes, HCs e paddock, também tinha bastante gente.

No olhômetro, eu diria que nessas duas tribunas havia algo em torno de 5 mil pessoas. Um pouco mais, um pouco menos. Mais algumas centenas no Setor A. Já a capacidade dos boxes deve estar ali pela casa de 2 mil, 3 mil pessoas no máximo. Arredondando para cima, quem sabe 10 mil almas num domingo frio, mas de sol, em Interlagos. O que estaria ótimo do mesmo jeito.

Seria legal ler aqui depoimentos de quem foi. Nas duas modalidades: pagando, ou com convite. Contem tudo. É importante para tentar entender o momento pelo qual passa o automobilismo brasileiro.

ESQUENTOU

E

SÃO PAULO (mas teremos de esperar) – Foi na semana passada mesmo que escrevi aqui que Vettel na Ferrari era falta de assunto da imprensa, para “suitar” uma informação de cunho especulativo e gerar uma ou outra manchete, porque afinal não somos de ferro, nós jornalistas, e nesse meio que absorve qualquer coisa, como a F-1, Vettel na Ferrari dá boas manchetes.

Mas estava só no diz-que-diz, e agora a informação tem nome, sobrenome e RG: é assinada pelo fratello Giorgio Terruzzi, dono dos mais longos cabelos e do olhar mais oblíquo da imprensa que cobre F-1 para a Itália, hoje no canal Mediaset.

Terruzzi é bem informado. E crava hoje que Vettel fechou com a Ferrari para assumir como parceiro de Alonso a partir de 2014. O despacho original está aqui. Seria um contrato de três anos, para já encaminhar a transição quando Fernando, o queridinho de Maranello, começar a pensar em parar.

Na hipótese de isso ter realmente acontecido, Massa ficaria mais um ano na Ferrari. Ou Webber. Alguém para esquentar o banco enquanto Seb não chega.

Tudo pode ser, e tudo pode não ser. Normalmente, na F-1, essas notícias de grande impacto são publicadas depois de um GP, para que os autores não se vejam numa situação delicada num autódromo diante dos desmentidos, todos inevitáveis, que serão feitos. Mesmo que a informação se confirme depois, ninguém fica constrangido de negar enquanto não for oficial. Mentira é o que mais rola na F-1.

Nos últimos anos, eu mesmo passei por vários episódios parecidos. Em meados de 1993, cravei Senna na Williams com alguma antecedência. Um monte de gente o fez, uns dias antes, uns dias depois. Os desmentidos perduraram até o anúncio oficial. Em 1999, eu (e muitos outros, mas lembro das minhas matérias, não das outras) publiquei em agosto que Barrichello tinha fechado com a Ferrari, com valor do contrato e tudo. Minha fonte era boa. Todos desmentiram. Algum tempo atrás, fizemos o mesmo no Grande Prêmio quando Rubens fechou com a Williams. Todos desmentiram. Depois tudo foi confirmado.

Onde há fumaça há fogo, é o que dizem, embora de vez em quando seja apenas um fogo fátuo. Cada um usa a informação que tem, e a publica com peso compatível com a confiança que tem nas fontes que consultou. Pode ser uma manchete barulhenta, bancando o “furo”, ou uma nota mais discreta de pé de página, aquelas nas quais sempre se encontram as expressões condicionais “fulano pode ter…” ou “cicrano deve anunciar…”. Terruzzi, como disse, é bem informado. Pode ser que Vettel não tenha assinado nada. Que tenha apenas conversado. Ou que não tenha conversado, nem assinado. Ou que já tenha conversado e assinado. Alguém, no entanto, disse isso a ele. É uma questão de confiar na fonte. Aguardemos. Mas que seria uma dupla do barulho, seria. E faz sentido, dada a urgência da Ferrari para recuperar a hegemonia perdida com a saída de Schumacher — o título de Raikkonen em 2007 foi meio ilusório, a McLaren entregou a taça aos italianos por pura burrice.

Resta saber o que a Red Bull pensa disso tudo.

24 HORAS DE SAAB

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SÃO PAULO (2 stroke rules) – Muito legal esta descoberta do Fernando Kesnault: “Como agora é um fã das 24 horas de Le Mans, seguem três fotos da participação da equipe da SAAB na prova de 1959. O carro #43 (com uma dupla inglesa: Sid Hurrell e Roy North) abandonou após quatro horas de prova na 35ª volta. O #44 teve mais sorte (ou mais competência, já que era uma dupla sueca: Sture Nottorp e Gunnar Bengtsson) e chegou na 12ª posição final e terceiro em sua classe (GT 501/750), percorrendo 232 voltas (3.130,973 km) à media de 130,457 km/h”.

Notem que são modelos 93, com motores dois tempos de 0,7 litro. Imaginem o que era fazer uma prova de 24 horas num carro desses! Como é que pode uma marca com a história da SAAB ter acabado?

A foto dos boxes é particularmente bela. Tudo continua muito parecido em Le Mans. Putz, houvesse uma máquina do tempo, eu gostaria de voltar aos dias 20 e 21 de junho de 1959 para correr nesse #44. O resultado daquela prova está aqui.

E o Panhard da Deutsch et Bonnet também me fala ao coração.

CORTA O CAFEZINHO

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SÃO PAULO (cada uma…) – A F-1 volta a discutir corte de despesas. OK, faz todo sentido. Com todas suas equipes baseadas num continente em crise, é melhor mesmo economizar. Mas neguinho fala, como uma das medidas iniciais, em acabar com os cobertores térmicos para pneus.

Não sei quanto custam essas coisas, procurei na internet e não achei. Mas certamente estão entre os equipamentos mais baratos que podem ser encontrados dentro de um box. E devem durar bastante. Compra-se um lote e com ele vai-se por duas ou três temporadas. É mais ou menos como se a Apple resolvesse fazer uma redução drástica nos seus gastos cortando o cafezinho. Eliminar os cobertores não resolve nada.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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