SÃO PAULO (faltou) – A Red Bull conquistou matematicamente ontem seu terceiro título mundial de Construtores. É uma façanha. Afinal, a equipe disputou sua primeira temporada em 2005, como sucessora da não muito bem sucedida Jaguar — que por sua vez teve origem na Stewart.
A equipe divulgou alguns números dessa curta e vitoriosa trajetória na F-1. Reproduzo os mais relevantes:
– É a quarta equipe na história a conquistar três títulos seguidos de Connstrutores. As outras foram Ferrari (1975/76/77 e 1999/2000/01/02/03/04), McLaren (1988/89/90/91) e Williams (1992/93/94)
– 290 corridas disputadas
– 34 vitórias
– 46 poles
– 80 pódios
– 1.844,5 pontos
– 2 títulos de Pilotos (Vettel em 2010/11)
Não é difícil entender as razões do sucesso, embora seja dificílimo alcançá-lo. A Red Bull tem dinheiro, claro. Mas não tanto quanto a Ferrari, a Honda, a Toyota, a McLaren. Trabalha com orçamento enxuto, mas bem gasto. Investiu, sobretudo, em material humano. A equipe não tem ligação oficial com montadora alguma. Compra motores da Renault. E faz o resto em casa.
Adrian Newey está no centro dessa estrutura que funciona muito bem. Com passagens vitoriosas por Williams e McLaren (ganhou os Mundiais de pilotos de 1992/93/96/97/98/99), chegou a assinar com a Jaguar em 2001, mas acabou não indo. Ron Dennis convenceu-o a ficar. No final de 2005, foi parar na Red Bull. Ganhou mais dois títulos com Vettel, em 2010 e 2011. Está a um quarto lugar de faturar outro, domingo em Interlagos.
Christian Horner é outra figura fundamental. Jovem, homem das pistas e das corridas, sabe lidar com seus pilotos como poucos. Respeitado e competente, dirige uma equipe azeitada e eficiente. Helmut Marko, o Grilo Falante, homem de confiança de Dietrich Mateschitz — dono da empresa de energéticos —, faz o trabalho sujo de feitor e cuida da base.
Não sei se vai estabelecer uma hegemonia tão longeva quanto a que a Ferrari instaurou no início do século, baseada no quarteto Schumacher/Todt/Byrne/Brawn. É duro, num meio tão competitivo. Mas já fez muito. Muito mais do que seria possível imaginar em 2005, quando comprou a Jaguar. Na época, ninguém apostaria um euro furado na Red Bull, que era vista apenas como uma ferramenta de publicidade para vender latinhas de bebida esquisita.Com um marketing agressivo e antenado, a Red Bull é a modernidade num universo um tanto quanto envelhecido. Exemplo a ser seguido, o time faz aquilo que equipes bem mais antigas e tradicionais têm dificuldade em levar a cabo.
É muito mais que isso, como se vê.