Arquivoterça-feira, 8 de dezembro de 2015

RÁDIO BLOG

R

SÃO PAULO (sou o mesmo) – Eu tinha 16 anos e costumava discotecar nas festinhas de garagem no bairro. Desde os 15. Meu pai ia de vez em quando para os Estados Unidos e trazia os discos antes de chegarem aqui. Quando chegou “Spirits Having Flown” dos Bee Gees virei um dos moleques mais populares do bairro.

Além do mais, tínhamos um som Technics que meu pai comprou não sei onde, acho que no Japão (meu pai já foi para o Japão? Preciso perguntar), e eu torrava minha mesada em fitas Memorex para gravar tudo, ou então qualquer uma “chrome”, ou “metal”, ou “ferro”. TDK era aceitável. Basf, só se a grana estivesse curta. Quase sempre. Por isso mesmo, Memorex era para gravarr discos especiais.

[bannergoogle] Um deles foi “Double Fantasy”, lançado em novembro e desembrulhado em casa poucos dias antes de John Lennon morrer, num 8 de dezembro, na porta de seu prédio, exatamente 35 anos atrás.

Aprendi inglês de verdade traduzindo músicas dos Beatles e adaptando algumas frases para fazer bonito com as meninas, e hoje quero crer que era algo além do meu tempo — afinal, não funcionou quase nunca; ou porque as traduções eram ruins, ou porque as letras talvez não fossem grande coisa, provavelmente porque as meninas não entendiam nada e só queriam saber dos caras de 18 que já tinham Chevette e Passat.

Não, estou falando bobagem. As letras eram todas excepcionais, mesmo infantilidades como “O-bla-di O-bla-da” têm conteúdo e alegria, não há nada dos Beatles que eu não adore incondicionalmente.

E é claro que para um adolescente permanentemente apaixonado, John era o maior.

Assim, “Double Fantasy” foi o disco da minha vida, mais ainda depois do assassinato no Edifício Dakota, e “Watching the Wheels”, a música que eu escutava sozinho em casa, quando todo mundo tinha saído, bem alto, cantando junto, lendo cada verso e entendendo perfeitamente o que John queria dizer quando falava em ficar olhando as sombras na parede.

E a todos que sempre me acharam um adolescente estranho, fechado no meu mundo de fitas Memorex, cadernos com recortes sobre a Portuguesa, miniaturas da Revell, well, eu não dizia nada, mas se pudesse, diria o que John escreveu.

Ah, people asks me questions lost in confusion
Well, I tell them there’s no problem, only solutions
Well, they shake their heads and they look at me as if I’ve lost my mind
I tell them there’s no hurry
I’m just sitting here doing time

I’m just sitting here watching the wheels go round and round
I really love to watch them roll
No longer riding on the merry-go-round
I just had to let it go

PLAYBOY VIVE

P

SÃO PAULO (vamos ver) – A gente noticiou a morte, em 19 de novembro, é justo que noticie a ressurreição. Um grupo sediado no Paraná, que entre outras coisas tem locadora de automóveis, empresa de gestão de carreiras de celebridades e revenda de máquinas agrícolas, montou uma empresa, a PBB Entertainment, para comprar os direitos de publicação de “Playboy”. A negociação foi fechada e em março a revista volta às bancas. Com fotos de mulheres nuas.

Pelo que soube, Sérgio Xavier, atual diretor da revista, será reaproveitado. O publisher será um ex-fotógrafo da publicação. Espero, sinceramente, que seja um sucesso. E para celebrar a sobrevivência de “Playboy”, um “Cars & Girls” em edição extraordinária.

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QUE HISTÓRIA…

Q
[bannergoogle] SÃO PAULO (cana) – Será que não tem ninguém honesto no mundo? Estourou mais um escândalo de espionagem na F-1, muito parecido com o de 2007 — quando Nigel Stepney, da Ferrari, passou dados confidenciais do time italiano para a McLaren. Agora é a Mercedes, a vítima.

Um funcionário do time, que está de malas prontas para a Ferrari, copiou dados secretos sobre os motores alemães indevidamente. A suspeita é de que ele queira passar essas informações ao seu novo empregador.

A Mercedes confirma que está processando o engenheiro (Benjamin Hoyle) e que vai tentar impedir que ele trabalhe em Maranello.

CARS & GIRLS

C

OK, falta o carro, mas o piloto está aí para nos lembrar que era uma corrida, e que era no Rio, e que o mundo era foda demais. Aliás, o carro deve estar atrás da turma. Agora digam vocês: ano e piloto.

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ATUALIZANDO…

Estou ficando desmemoriado. Esta foto foi publicada no dia 19 de novembro aqui! O que fazer? Apagar o post? Ou deixa aí e tudo bem?

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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