Arquivoquarta-feira, 20 de julho de 2016

PIQUET PNEUS

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SÃO PAULO (aceitamos patrocínio)Exclusiva do nosso Américo Teixeira Jr.: Nelson Piquet está entrando de sócio na construção de uma fábrica de pneus de competição no Ceará. Os italianos da LeCont são os parceiros. Fundada em 1993, a empresa de Trento atuava no mercado motociclístico, mas se firmou mesmo com pneus para kart. E faz também slicks para carros de corrida, mas limitados a aro 13.

Piquet é um empresário muito bem-sucedido. E um dos negócios dele — longe de ser o maior — é justamente… uma loja de pneus! Aliás, não uma, mas nove no total — espalhadas pelo Distrito Federal e por Goiás. A Piquet Pneus existe desde 1991, o ano em que Nelson deixou a F-1. Que me lembre, foi a primeira coisa que ele montou quando a aposentadoria das pistas deu o ar da graça. A Autotrac veio depois.

Claro que o mercado kartista será o alvo da LeCont/Piquet no Brasil, mas estou curioso para saber como vai ser com pneus para carros de corrida. Se forem baratinhos, quem sabe a gente não pode pensar em equipar várias categorias com eles?

ATUALIZANDO…

Pessoal de Brasília diz que a Piquet Pneus não é mais do Piquet, embora use ainda o nome de Piquet. Como não entendo nada dessas transações esquisitas, fico com a informação dos amigos. Não é mais. Mas foi, um dia. 

ADEUS, SAUBER

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SÃO PAULO (fez muito) – Estranho dizer “tchau” no dia em que, na verdade, a Sauber garantiu sua sobrevivência dando “hello” a um grupo financeiro suíço que assumiu o controle da equipe de Hinwil. Longbow Finance é a empresa que salvou o time da extinção. Não tenho a menor ideia de quem se trata. Grupos financeiros não são propriamente novidade na F-1. Outro dia mesmo um deles comprou a Renault, transformou-a e Lotus, deu certo por um tempo, depois caíram fora. Genii, lembram? Coisa recente. A Renault pegou de volta.

Esses conglomerados de gente engravatada que vive de mexer com o dinheiro dos outros nada têm a ver com o esporte e nele enxergam uma possibilidade de fazer negócios, apenas. Se dão certo, seguem em frente. Se não dão, tiram o time de campo e partem para outra. É a lógica capitalista. Por ela, nenhuma equipe de competições teria nascido. Corrida não é exatamente um bom negócio, na sua origem. Pode se transformar, até. Mas, na maioria das vezes, se equilibra mal e porcamente e depende de decisões políticas e apaixonadas de grandes empresas e empresários. Uma das máximas do meio é: para ficar milionário com automobilismo, basta ser bilionário. Algo assim.

[bannergoogle]O “adeus” do título lá em cima pode ser acrescido de um “a”, a Sauber, Peter, o fundador e garagista que fez do sobrenome uma equipe, ou de um “à”, à Sauber, a equipe. Sem crase, um adeus ao vetusto e austero Peter. Com crase, um adeus à equipe, que deixa de ser o que é para se tornar ativo de um grupo de financistas.

É uma boa notícia, a venda? Num primeiro momento, claro. Afinal, era isso, ou fechar as portas. A longo prazo, impossível dizer. Grupos financeiros, insisto, não têm compromisso algum com esporte nenhum. Seu compromisso é exclusivamente com dinheiro. Seria muito, mas muito melhor, se o Grupo Fiat assumisse a bronca usando a marca Alfa Romeo, como se especulou há algum tempo. Na verdade, houve conversas sérias nesse sentido, mas no fim a negociação não evoluiu, e não me perguntem por quê. Mas é fácil adivinhar as razões. Montadoras de automóveis, hoje, também têm financistas engravatados no comando. Devem ter achado que era um mau negócio.

E por que um grupo como esse Longbow se mete com corridas, se elas são um mau negócio? Fui procurar informações sobre a empresa, sediada na pequena Lutry, minúscula cidade medieval de dez mil habitantes no Cantão de Vaud, lado francês da Suíça, onde em 1984 foram encontrados 24 menires durante as escavações para a construção de um estacionamento subterrâneo.

Menir é aquilo que o Obelix carrega o tempo todo, e nunca soube, nem saberei, para que serve. Mas menires existem, os de Lutry estão aí para não me deixar mentir. Num desses sites sobre mercado financeiro mundial, encontrei a seguinte descrição das atividades da nova dona da Sauber: “Gestion financière, administrative et comptable de fortunes, participations, titres, valeurs mobilières et immobilières ou autres investissements”.

Não é preciso traduzir nada. Resta apenas torcer que os caras curtam essa parada de carrinhos de corrida, que consigam investidores entre os afortunados com quem mantêm relações, que preservem os empregos na fábrica e, sobretudo, o espírito de Peter Sauber. Que foi aposentado compulsoriamente e, a partir de hoje, desconfio, nem credencial vai ter mais para entrar nos autódromos.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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