Arquivodomingo, 31 de julho de 2016

LIBERTADA

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SÃO PAULO (que bom) – Acabamos de saber que Aparecida Schunck, sogra brasileira de Bernie Ecclestone, foi libertada pela Divisão Anti-sequestro da Polícia Civil de São Paulo. Os agentes estouraram um cativeiro em Cotia, na Grande São Paulo. Por enquanto, há dois presos e não temos informações detalhadas sobre o estado da refém, que foi sequestrada na sexta-feira da semana passada em sua casa no bairro de Interlagos.

O Grande Prêmio acompanha o caso desde o início e optou por não dar informações detalhadas ao longo da apuração para não colocar a vida da vítima em risco, nem atrapalhar as investigações.

NA MANHA N’ALEMANHA (3)

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SÃO PAULO (fácil, fácil) – Talvez nunca um título mequetrefe desses que escolho para os posts das corridas tenha sido tão apropriado.

Hamilton venceu o GP da Alemanha na manha. Fácil demais, tarefa tornada ainda mais tranquila, de novo, por uma largada desastrosa de Rosberguinho. Na pole, o alemão caiu para quarto logo de cara. Assim não dá. O trabalho necessário para remar, remar, remar, passar dois carros, chegar no companheiro e, aí assim, lutar pela vitória é inglório. Para não dizer impossível.

[bannergoogle]Some-se à tragédia pessoal de Nico-Nico uma punição de 5s por forçar Verstappinho para fora da pista — injusta, na opinião deste que vos bloga –, e o quarto lugar em casa só não foi pior porque sempre pode ser pior. Ele podia, sei lá, ter sido abduzido. Se bem que, nas atuais circunstâncias, talvez uma temporada em outra galáxia pudesse ajudar o rapaz.

O fato é que uma vantagem de 43 pontos que Rosberg tinha sobre Hamilton foi pulverizada e, agora, depois de 12 etapas, é de 19 favoráveis ao inglês. Lewis, em Hockenheim, chegou à sexta vitória no ano, todas elas conquistadas no último lote de sete corridas do campeonato. São agora 49 na carreira, o que deixa Comandante Amilton a apenas duas de Alain Prost, o segundo maior vencedor da história — Schumacher, com aparentemente intangíveis 91, lidera o ranking.

A parada de três semanas da F-1 para as férias de verão poderá fazer bem a Rosberg, que tem comido o pão que o diabo amassou desde Mônaco — com um breve respiro em Baku. Talvez ele tenha tempo para entender que cazzo está acontecendo com ele nas largadas. A exemplo de Budapeste, o alemão partiu feito uma vovozinha, perdendo a ponta para, pela ordem, meritíssimo, Hamilton, Verstappen e Ricciardo. Aqui, faça-se um elegio ao jovem Max, que largou divinamente e passou seu companheiro rubro-taurino com maestria.

[bannergoogle]Assim que Hamilton olhou no espelho e não viu Rosberg babando para recuperar o que perdera, percebeu que mais uma vitória tinha caído no seu colo. Em quatro voltas, tinha mais de 5s de vantagem para o outro carro da Mercedes. E, entre os dois, havia duas pedras da Red Bull no meio do caminho.

Quando Verstappen e Rosberg pararam para trocar pneus na volta 12, ficou muito claro que seria uma prova para três pit stops. Ricciardo veio na 13ª. Hamilton, na 14ª. Houve uma certa variação na escolha dos pneus. Alguns optaram pelos supermacios. Outros, pelos macios. No fim das contas, não faria muita diferença, exceto no caso da Red Bull. Ricardão se deu melhor na escolha em relação a Max. E as posições da turma da ponta se mantiveram. Na volta 25, a diferença de Hamilton para Rosberg já havia dobrado para 10s.

Foi Nico o responsável por abrir a segunda janela de paradas, na volta 28, desta vez colocando pneus macios — foi um dos que mantiveram os supermacios na primeira troca. Verstappen veio em seguida, “marcando” o adversário. Na volta 30, aconteceu o lance que determinou o destino de Rosberg na corrida. Ele foi para cima de Max para buscar o quinto lugar — a Ferrari, com seus dois carros à frente, ainda não tinha parado –, e na freada do grampo conhecido como Curva 6 conseguiu a ultrapassagem dando uma empurrada básica no holandês para o lado de fora da pista.

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Foi uma manobra dura, mas que não teve nada de desleal. Freou tarde, evitou travar as rodas, espalhou, porque espalha mesmo, virou para a direita e foi embora. Max reclamou pelo rádio. Os comissários entenderam que Nico não foi bonzinho, não ofereceu café, nem brioches, e como pode ser assim tão mal-educado? Puniram o alemão com 5s. Fico imaginando se esses mesmos comissários estivessem julgando Villeneuve e Arnoux em Dijon-Prenois em 1979. Cada um tomaria 20s. Por curva.

Na volta 34, quem parou foi Ricardão, para colocar supermacios. Hamilton fez o mesmo na passagem seguinte, assoviando e chupando cana. Rosberg assumiu o segundo lugar, e foi avisado da punição. Ficou justificadamente puto dentro das calças de Nomex® — sou muito chique com esse ®, fala a verdade. Verstappen e Ricciardo também foram avisados do pênalti, e tudo que precisavam era ficar perto de Nico. Com pneus melhores, supermacios, o australiano acabou passando com facilidade o holandês, de macios, na volta 40. Quando chegou em Rosberg, na volta 45, o piloto da Mercedes parou para sua terceira troca.

[bannergoogle]Aí, o destino do platinado, já marcado a ferro e fogo com a punição, se definiu de vez. Além de pagar os 5s, Rosberg ainda pagou pela demora dos mecânicos, que fizeram um pit stop muito ruim. Voltou em sexto. A Ferrari aparecia de novo na frente com sua dupla, mas ainda com um pit stop por fazer. Isso quando Vettel se decidisse, porque o time chamava, ele dizia que ia ficar. Aí ele resolveu ir, o time mandou ficar. E assim foi até que ambos, ele e Kimi, pararam.

Verstappen e Ricciardo fizeram suas últimas trocas nas voltas 46 e 47. Hamilton, na 48. As posições se acomodaram, e da volta 50 até a 60, nada aconteceu. Então, pelo rádio, alguém falou que ia chover. De fato, pingos isolados começaram a surgir aqui e ali. Mas a água evaporava antes de chegar no asfalto. Terrorismo psicológico. O único que sofreu de verdade no fim da corrida foi Bottas, que optou por apenas duas paradas, andou em sétimo o tempo todo, mas acabou sendo ultrapassado Hülkenberg e Button. Alonso também perdeu um pontinho no fim, superado por Pérez e Gutiérrez. Terminou em 12º

Amilton, Ricardão e Verstappinho ficaram com os troféus do dia. Nico-Nico, Tião Italiano, Kimi Dera Férias no Caribe, Hulk, Bonitton, Sapattos e Maria do Bairro fecharam a zona de pontos. O resultado deixou Rosberg irritado. Menos pelos pontos que perdeu, mais pelo fato de ter tido uma corrida “complicada“, em suas palavras.

ale16cQuem também ficou irritado foi Enzo Ferrari, dentro do túmulo. Como se previa, a Red Bull passou o time vermelho na classificação, 256 x 242. Nas últimas quatro provas, foram 116 pontos para a turma da latinhas, contra 65 para os italianos. Quem também se vê na iminência de perder a posição é a Williams, que está em quarto. O placar aponta 96 x 81 contra a Force India, mas nas últimas três etapas, está 22 x 4 para os force-índicos.

O dia foi horroroso para a equipe inglesa. Massa levou um toque de Palmer na largada, a roda entortou e pouco depois da metade da corrida, quando se arrastava em 18º, Felipe foi chamado para os boxes para abandonar. Felipe II também não terminou. Foram os dois únicos abandonos do GP da Alemanha. Meio deprimente, isso.

Agora, pausa olímpica. F-1 de novo, só na Bélgica, no final de agosto. Descanso bem-vindo.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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