Arquivodomingo, 7 de outubro de 2018

SUSHI & SASHIMI (3)

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SÃO PAULO (acabou mesmo) – O sol apareceu, a pista estava seca, só podia dar no que deu. Dois carros da Mercedes largando na primeira fila, dois carros da Mercedes ao final em primeiro e segundo. Hamilton na pole, vitória de Hamilton. Roteiro mais do que previsível, esse de Suzuka. E para piorar ainda mais a reta final do campeonato, Vettel voltou a errar e só conseguiu um sexto lugar. A vantagem do inglês sobre o alemão na classificação passou para 67 pontos. O Mundial pode terminar matematicamente daqui a duas semanas em Austin. Se Lewis ganhar de novo, Sebastian só adia o penta do rival se terminar em segundo.

Na verdade, o título está decidido. A Ferrari e seu principal piloto entraram em parafuso, mas não é isso que explica a conquista iminente do britânico. São seis vitórias nas últimas sete corridas, algumas delas com gigantesca facilidade. O time de Maranello não mostrou capacidade de reagir. Agora está definitivamente nas cordas, sob contagem do juiz.

Vettel até que tentou algo no GP do Japão ao fazer uma ótima largada, saindo de oitavo para quarto na primeira volta. Aproveitou-se, com esperteza e agilidade, de um toque entre Verstappen e Raikkonen, que acabaria rendendo uma punição de 5s ao holandês. Hamilton e Bottas já tinham disparado na frente, deixando a briga para quem vinha atrás.

Houve um safety-car entre as voltas 4 e 8, para retirar pedaços de carro e do pneu estraçalhado de Magnussen após uma refrega com Leclerc. Nada que alterasse o câmbio do iene. Na relargada, porém, Vettel partiu para cima de Verstappinho e tentou a ultrapassagem no desespero. Tocaram-se, e ele rodou, caindo para 19º. O campeonato, pode-se dizer, acabou de vez ali. Sebastian ficou sem nenhuma condição de uma recuperação que pudesse lhe colocar pelo menos no pódio.

Assim, a corrida acabou se resumindo a algumas dezenas de ultrapassagens que nada valiam, graças às diferentes voltas em que os pilotos fizeram seus pit stops — sempre voltando à pista com pneus melhores que os caras que ainda não haviam parado, abrindo a asa, passando fácil. Uma falsa impressão de corrida boa. Para não dizer que ninguém fez nada de muito relevante, Ricciardo saiu de 15º no grid para quinto já na 14ª volta, e terminaria em quarto com um sorriso no rosto.

As paradas não mudaram patavina nas principais posições — outra característica desta temporada, corridas com apenas um pit stop, cada vez mais previsíveis — e somente na altura da 40ª volta deu para ter alguma esperança de briga por algo importante, quando Verstappen se aproximou de Bottas pelo segundo lugar. Mas nada aconteceu. Nenhum esboço de tentativa de ultrapassagem, zero.

Hamilton ganhou pela 71ª vez na carreira, nona neste ano. Chegou a 331 pontos, contra 264 de Vettel. Bottas e Verstappen fecharam o pódio, com Ricardão em quarto, Raikkonen em quinto e Vettel em sexto. Pérez foi o “primeiro dos outros” e a zona de pontos foi fechada com Grosjean, Ocon e Sainz Jr. Se pode-se falar em decepção, que se fale da Toro Rosso. Gasly foi só 11º e Hartley, 13º. Os dois passaram ontem para o Q3 em sexto e sétimo, foi uma festa da Honda, mas na corrida não fizeram nada.

Lewis estava em êxtase ao final da corrida. Declarou amor à pista japonesa e a seu carro. Sentou-se ao lado dele como se fossem velhos amigos, ou até mesmo namorados olhando em silêncio o pôr-do-sol numa tarde de verão. E será assim nas próximas quatro corridas: uma lua-de-mel.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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