Blog do Flavio Gomes
F-1

NÃO SAIU DE GRAÇA

RIO (contem pra outro) – Há alguns meses o curioso e histriônico governo brasileiro saiu alardeando pelas redes sociais que iria romper o contrato da Petrobras com a McLaren. Chutaram uns números irreais, utilizando a típica estratégia dessa gente de dizer qualquer merda e ficar torcendo para que a patuleia acredite. Falaram em coisa de […]

Petrobras sai do carro às vésperas do GP do Brasil

RIO (contem pra outro) – Há alguns meses o curioso e histriônico governo brasileiro saiu alardeando pelas redes sociais que iria romper o contrato da Petrobras com a McLaren. Chutaram uns números irreais, utilizando a típica estratégia dessa gente de dizer qualquer merda e ficar torcendo para que a patuleia acredite. Falaram em coisa de 800 milhões de reais, pouco mais, pouco menos, no que se considerava um patrocínio sem sentido.

A realidade: o contrato entre a empresa brasileira e a equipe inglesa era de 60 milhões de libras, valor que hoje equivale a 300 milhões de reais, por seis anos — ou seja: 10 milhões de libras por ano para estampar a marca nos carros, macacões, uniformes dos integrantes do time e desenvolver produtos. Os dois primeiros anos já foram pagos.

A McLaren, é claro, não rescindiu o contrato de graça, com medo dos tuítes de Carluxo, das lives de Dudu do Cheeseburger ou da truculência dos milicianos amigos de Queiroz. As partes não confirmam, alegando confidencialidade, mas a multa que a estatal terá de pagar para o time laranja é de cerca de 100 milhões de reais — ou seja, 20 milhões de libras, o correspondente a mais dois anos de contrato.

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Diferentemente da primeira passagem da Petrobras pela F-1, com a Williams entre 1998 e 2008, a parceria com a McLaren não rendeu absolutamente nada do ponto de vista tecnológico. Nenhum combustível produzido pela companhia foi aprovado pelo time.

De 2014 a 2016 a estatal já havia voltado à categoria com a Williams, basicamente para ajudar a pagar os salários de Felipe Massa — não foi o piloto que levou o patrocínio, mas é claro que a Petrobras não iria se associar ao time se não fosse a presença do brasileiro como titular.

Quando se junto à McLaren no começo do ano passado, a ideia da Petrobras era reproduzir a colaboração que tivera com a Williams que acabou rendendo bons frutos em termos de pesquisa e tecnologia. Mas a empresa já tinha sido demonizada pela turminha do juiz e dos procuradores longilíneos de pele rosada, e suas prioridades depois do golpe já eram outras — a maior delas, entregar o pré-sal. Por esse ponto de vista, de fato o patrocínio não fazia muito sentido.

Aguentem a propaganda do governo hoje. Pelo Twitter, como sempre, a Bozolândia vai festejar mais uma peitada do mito no sistema. Claro que ninguém vai falar da multa.

Mas a gente fala.

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