Blog do Flavio Gomes
Fusca & cia.

BYE, FUSCA

RIO (que tempos viveremos?) – Foi em julho do ano passado que a VW anunciou oficialmente o fim da produção do Fusca, que desde que foi criado, no fim da década de 30, passou por três gerações — o Fusca propriamente dito e os dois modelos que se valeram de seu charme visual mas nada […]

RIO (que tempos viveremos?) – Foi em julho do ano passado que a VW anunciou oficialmente o fim da produção do Fusca, que desde que foi criado, no fim da década de 30, passou por três gerações — o Fusca propriamente dito e os dois modelos que se valeram de seu charme visual mas nada tinham a ver, mecanicamente, com o carro que fez a montadora alemã ser o que é, a saber: o New Beetle, primeiro, e o Beetle, depois.

A última unidade foi produzida no México. Não sei se na época tocamos no assunto aqui no blog, creio que não — foi um ano esquisito, 2019, e deixei muita coisa passar em branco; os últimos anos têm sido esquisitos.

Acho que minha despedida formal pessoal do Fusca já tinha sido feita anos antes, quando a produção do modelo a ar se encerrou também no México em 2003. No Brasil, ela tinha terminado em 1996 e aqui vale uma pausa para ler (ou reler) a história maravilhosa do último carro montado pela VW em São Bernardo, apurada pelo incansável Alexander Gromow.

Por purismo, nunca tive as duas últimas gerações na conta de Fuscas de verdade. Foram carros com motor dianteiro refrigerado a água, e os coloquei na minha prateleira virtual das homenagens/releituras — como são os novos Mini e Fiat 500. Afinal, as mudanças não foram apenas estéticas, como um farolzinho aqui, uma lanterninha ali. Eram carros completamente diferentes que se valiam do passado glorioso de outro modelo como apelo de venda. Ainda assim, gostava deles. Até o último Fusca, esse que saiu de linha no ano passado, acabou ganhando minha simpatia com o tempo. Logo que foi apresentado, lá por 2011, achei horrível. Depois acostumei e quase comprei um. Um dia ainda terei um desses, ou um New Beetle, que acho ainda mais divertido.

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Dito isso, me deparo hoje com este lindo vídeo produzido pela VW nos EUA, o que está lá no alto deste post, despedindo-se definitivamente do Fusca como representante de uma era, a dos carros com motores a combustão. A VW mergulhou de cabeça no futuro elétrico e em alguns mercados está mudando completamente sua gama de modelos, investindo em SUVs e coisas do gênero.

Soube por esses dias que, no Brasil, o up! e o Fox correm o risco de sair de linha também, o que a montadora nega. Por curiosidade fui ao site da VW para saber quais os carros que ela ainda vende por aqui, já que minha desconexão com modelos atuais é assustadora — quando penso em VW, ainda imagino que vou encontrar nas revendas Gol, Voyage, Parati, Saveiro, Passat, Kombi, Santana e Quantum, e me parece que não é mais assim; tem uns troços meio indefiníveis como T-Cross, Amarok e Tiguan Allspace que nem sabia que eram fabricados pela VW.

A onda elétrica ainda vai demorar para dominar mercados como o brasileiro, imagino, por questões comerciais e industriais. Mas essa estrada já foi tomada pelas matrizes das maiores empresas na Europa e é isso que o vídeo mostra. Eletricidade à parte, ficou muito bonito e emocionante, como tudo que envolve a história do Fusca. Parafraseando meus amigos que exaltam o futebol acima de tudo, aquela história de dizer que “é mais que um jogo”, “nunca foi só futebol” e coisas do tipo a cada lágrima derramada numa arquibancada, posso dizer que o Fusca nunca foi só um carro.

E acho que não, mesmo.

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