Blog do Flavio Gomes
F-1

NA BAND

SÃO PAULO (lugar certo) – De início, já aviso. Não gosto de Band. Essa corruptela para Bandeirantes sempre me pareceu forçada. Mas é usada há tantos anos, que já tem, sim, uma penca de gente que nem sabe que Band é Bandeirantes. Já trabalhei na casa. Na rádio, que segue sendo Bandeirantes. Ao menos a […]

SÃO PAULO (lugar certo) – De início, já aviso. Não gosto de Band. Essa corruptela para Bandeirantes sempre me pareceu forçada. Mas é usada há tantos anos, que já tem, sim, uma penca de gente que nem sabe que Band é Bandeirantes. Já trabalhei na casa. Na rádio, que segue sendo Bandeirantes. Ao menos a matriz, que opera nos 840 kHz em AM e tem uma frequência em FM que já não lembro qual é — estou voltando a São Paulo agora, eu antes decorava essas coisas, talvez seja 90,9 MHz. Tem também a emissora de notícias em FM, que já nasceu como Bandnews. E tinha antes a Band FM de música popular, que não sei se existe ainda. E na TV fechada, o Bandsports. No fim, do nome original só sobrou a rádio, mesmo.

A Bandeirantes fisgou a F-1 por dois anos para TV aberta. Ontem à noite a Globo desistiu oficialmente, o que, juro, me surpreendeu. Eu achava que a Liberty tinha trucado a Globo sem nada na mão e, na hora certa, a turma do Jardim Botânico ia colar o zap na testa deles. Se vocês não entenderam nada, não tenho culpa se não jogam truco. A F-1 dava lucro para a Globo. As cotas publicitárias, com entrega de mídia em muitos programas da emissora, eram caríssimas e vendiam fácil. Entender a decisão global de abrir mão da F-1 é difícil para quem está de fora. Afinal, eram 40 anos de transmissão e o produto, a F-1, se confundia com o canal. Tem a ver com os novos rumos da Globo, que está investindo tudo, ao que parece, em streaming. Sei lá. Se eu fosse o dono da empresa, e não é porque gosto de F-1, jamais deixaria escapar. F-1 é foda, por mais que tenha gente dizendo, há anos, que acabou, que é uma merda, que ninguém vê, que está chata. Bobagem. F-1 tem público sempre. Vende bem. É pica das galáxias. Tem um status construído em 70 anos de história.

Mas a Globo perdeu a Libertadores, não quis ficar, está deixando de transmitir jogos da seleção, está tudo é muito esquisito. Assim, largar a F-1 nem devia surpreender tanto. Talvez a decisão deva ser chamada de chocante, mais do que surpreendente.

Fato é que está decidido. Vai para a Band. E isso não tem nada de ruim. Primeiro, porque é um canal com abrangência nacional. Depois, porque tem espaço na sua grade. Pode tratar bem o produto. A Globo, verdade seja dita, cagou na F-1 nos últimos anos ao deixar de mostrar a classificação para apresentar um programa chatíssimo nas manhãs de sábado, com um monte de gente encostada fazendo comida e ensinando bricolagem — além de omitir o pódio para mostrar umas merdas no “Esporte Espetacular”, o que reputo como desrespeito ao público. Resumindo, a Globo trabalhou contra seu próprio produto, o que é inexplicável.

E tem mais. A emissora do Morumbi tem tradição no esporte, apresentou a Indy para o Brasil, comprou a Stock e a Copa Truck agora, chegou a transmitir o Mundial de F-1 um ano antes de Piquet ser campeão, em 1980, e tem ótimos profissionais para conduzir esse barco. Reginaldo Leme foi para lá no ano passado. Sua volta à F-1 terá enorme impacto no mercado. Formar uma equipe de qualidade não é difícil, está cheio de gente boa dando sopa por aí. Já tenho mais ou menos ideia de qual será o time, mas vou me dar o direito de não citar nomes — além do óbvio Regi — para não ferir suscetibilidades. Só que não precisa ser muito esperto para entender, por exemplo, que Mariana Becker será a repórter nas corridas. Ela é casada com Jayme Brito, que por anos produziu a F-1 para a Globo e está envolvido nas negociações entre Band e Liberty. Mariana já deixou a Globo, inclusive.

Importante, para o público que andava meio angustiado com o destino da F-1 na TV brasileira, é que as corridas seguirão sendo transmitidas. E que ótimo que não tenha ido parar nas mãos de bispos, roedores ou negacionistas em rede nacional. A Bandeirantes tem uma trajetória bonita na formação da cultura esportiva brasileira. Vai ser bacana testemunhar esse novo capítulo da história da F-1 por aqui.