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A FOX (2)

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RIO (podiam ter colocado uma receita no lugar, eu mesmo mandava) – Acontecem coisas estranhas no mundo das comunicações. Nesta semana dei entrevista ao site da TV Cultura, ao repórter Matheus Macarroni — aluno de um grande amigo, o Toninho, que foi meu repórter na “Folha” e hoje dirige o departamento de jornalismo da ESPM. Me pediram para falar da saída da Fox e tal. Topei, claro, não tenho nada para esconder, mas tenho feito apenas uma exigência: só por escrito (assim eu escrevo exatamente o que quero dizer) e desde que minhas respostas sejam publicadas na íntegra.

E não é que por alguma razão insondável tiraram a entrevista do ar? Oxe!

Sem problemas. Abaixo, as perguntas e as respostas.

*

Sobre a junção da ESPN com a FoxSports, você disse que é “mais extinção do que junção.” Por que você acha isso? O cenário que o jornalismo (infelizmente) vive tem muita influência nessa opinião?

Creio que a Disney nunca teve a intenção de manter a Fox como ela é, unir equipes, aproveitar o melhor de cada canal. Já tem algum tempo, com a extinção de programas, primeiro, e a demissão de vários colegas, depois, que ficou claro que eles não querem nenhuma relação com o passado do Fox Sports. Até as cores do canal mudaram, as trilhas musicais, o logotipo na tela… É um direito da Disney, claro, afinal ela comprou a Fox. Mas a história do CADE, que num primeiro momento queria preservar empregos e o canal, evitando uma concentração indevida de produtos e canais esportivos no mesmo grupo, era conversa. Ninguém compraria um canal de TV neste momento. Aí resolveram autorizar a fusão, sem impor condição nenhuma à Disney, exceto que o canal fique no ar, mas sem definir como. Portanto, deixando a Disney livre para fazer o que quiser, inclusive passar desenhos do Mickey 24 horas por dia. De novo, é um direito deles. Mas o CADE, no fim, não fez nada para proteger ao menos os empregos de quase 400 pessoas. O que estão fazendo é fechar o canal. Sequer a sede do Rio vieram conhecer. Nunca houve, portanto, a intenção de juntar os canais. O cenário que está levando a isso pode ser analisado de várias formas. Claro que uma fusão desse tamanho não seria fácil. Mas considerando que o Fox Sports tem mais audiência que a ESPN, estava no azul, havia se consolidado no país, seria normal, do ponto de vista comercial, olhar para o que fazíamos e incorporar esse sucesso à ESPN. O problema é que, ao que parece, quem está conduzindo esse processo nem está no Brasil. Assim, creio que eles não conhecem direito a realidade da TV a cabo aqui, sei lá. Fomos extintos a distância.

E por que você afirmou que provavelmente sua carreira no jornalismo esportivo acabou?

O jornalismo como o conheci, e que exerci, não existe mais. A proliferação de plataformas e redes sociais fez com que a comunicação se tornasse algo muito confuso e de pouca credibilidade. Há uma enxurrada de irrelevâncias que o público em geral confunde com jornalismo. E o jornalismo profissional está sofrendo para ganhar essa batalha. Basta ver como se deu a eleição presidencial em 2018. Alguém como Bolsonaro jamais ganharia uma eleição se o público fosse informado apenas pela imprensa. Mas a “imprensa” de Bolsonaro, e de tantos outros, é agora o grupo de WhatsApp da tia, a tuitada do Carluxo, as milícias digitais que têm um tremendo alcance. O público não sabe, ou não quer, sei lá, diferenciar o que é mentira pura de informação real. Não tenho muito saco para isso. Acho que o jornalismo profissional é essencial, sagrado, tem de lutar para sobreviver. Mas eu diria que essa guerra não tem sido muito favorável a quem se preparou para tratar a informação com alguma responsabilidade e método. Resumindo, vejo o jornalismo, ao menos aquele que sempre pratiquei, como algo que corre o risco de entrar em extinção, como uma oficina de carburadores ou uma fábrica de orelhões.

E quando a junção do Fox Sports com a ESPN foi anunciada, você já pensava na sua saída?

Quando a Disney comprou a Fox nos EUA, num negócio de 70 bilhões de dólares, os canais de esportes da Fox vieram de troco. Não foi isso que a Disney comprou. Ela comprou estúdios, filmes, séries, franquias, portfólio. Foi como se você comprasse uma mansão, mas o vendedor fizesse questão que você levasse junto 15 quitinetes. Você fica com o casarão e se livra das quitinetes. Éramos, os canais Fox Sports na América Latina, as quitinetes. Em cada país foi de um jeito. Aqui, a ordem era vender. Ninguém comprou. Aí veio a história da fusão. Quando não apareceu nenhum comprador, ficou claro que o caminho seria esse que estamos vivendo agora. Foram meses sem nenhum sinal contrário. Era uma questão de esperar pelo fim dos contratos, quase todos terminando agora, para a ESPN passar o rodo. Eu nunca achei que ia ficar, para dizer a verdade. Alguns, felizmente, se salvaram. Mas a devastação foi grande. E será ainda mais dolorosa em janeiro, quando o pessoal de CLT será avisado. Como disse antes, não houve fusão. O Fox Sports acabou. Seria justo se a Disney assumisse isso, em vez de deixar um ectoplasma no ar até o fim do ano que vem, que é a única obrigação que tem, segundo o CADE.

Agora saindo um pouco dessa questão da junção e olhando um pouco para trás. Nesses 38 anos de carreira (que torcemos para que continue), em qual emissora você mais gostou de trabalhar? E há alguma pessoa que você considere o melhor amigo que fez no meio?

Fiz muitos amigos, claro. Muitos mesmo, e talvez o maior deles seja o Fábio Seixas, com quem trabalhei na F-1 pela Rádio Bandeirantes muitos anos, e em outros tantos com cada um num veículo diferente. Mas são tantos, que seria sacanagem citar só alguns. Na verdade, não fiz inimigos. As pessoas de quem não gosto, dessas simplesmente me afasto e não brigo com ninguém. Em todos os lugares que trabalhei fiz amigos para sempre, de verdade. E sempre gostei muito de todas as casas em que estive. Foram muitas, e em momentos muito diferentes da vida e da profissão, do país e do mundo. Tenho grandes lembranças da Folha, da Pan, da Bandeirantes, de Placar, da ESPN, da Fox… Estes anos de Fox foram muito intensos e belos, não é fácil fazer um ambiente de trabalho tão legal em tão pouco tempo. A ESPN do Trajano também era especial. Mas para não magoar ninguém, deixo as duas empatadas e digo que o período em que fui mais feliz na profissão foi na Folha.

E entre tantas reportagens, há alguma que é a sua preferida?

São 38 anos de carreira, é bastante coisa. Há coberturas marcantes, sem dúvida. A eleição de 1989, a Copa de 1990, a morte de Ayrton Senna, o nascimento do meu site Grande Prêmio, a Olimpíada de Pequim, as Copas de 2014 e 2018, os mais de 250 GPs, Indianápolis, Le Mans… Difícil escolher uma reportagem, apenas. Mas onde gosto mesmo de escrever, já tem 15 anos, é no meu blog. E tem um texto especial lá, chamado “Copacabana“, de junho de 2008, que gosto muito. Mas não tem nada de reportagem, é uma crônica de que gosto, só isso.

E você tem alguma época em que mais se sentiu desafiado? Em que mais saiu da zona de conforto, em que mais aprendeu?

Eu tive de me reinventar algumas vezes, como quando saí da Folha e montei uma agência de notícias, ou quando fui trabalhar em TV sem nunca ter me interessado particularmente pelo veículo. Mas, sendo honesto, nunca tive grandes dificuldades em me adaptar. Comecei cedo, sempre fui disposto a aprender, nunca tive muito medo de mudar de lugar, linguagem, meio. No fim das contas, como costumo dizer, vivo de observar, falar e escrever. E é o que faço.

E há alguma chance de continuar fazendo?

Escrever, sim.

E para finalizar, com a junção da ESPN e Fox Sports e com todos os debates e mudanças que foram feitos nos direitos de transmissão, enfim, acontecimentos que causaram mudanças no meio em 2020, qual você acha que será o rumo do jornalismo esportivo no Brasil?

No Brasil e no mundo, em algum momento o streaming vai assumir um papel de protagonismo. Não sei quanto tempo vai levar, as coisas ainda estão bem confusas. Espero apenas que os bons profissionais tenham espaço nesse novo mundo que vem por aí, e que sejam bem remunerados, e que o jornalismo seja tratado com o respeito que merece.

A FOX

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RIO (dá pra sair um solzinho?, obrigado) – Ontem foi engraçado, quando liguei para um novo amigo de alcunha Titio Carlão, que tem sido muito gentil e prestativo para resolver algumas paradas que serão necessárias, quando ele me disse “seu nome está no noticiário”. Não é o normal, jornalista ser notícia. A gente produz notícia, e já está bom demais.

Mas a essa altura acho que muita gente já viu “o noticiário” e sabe que depois de sete anos deixei o Fox Sports, assim como muitos amigos no processo de fusão com a ESPN levado a cabo por conta da venda da Fox para a Disney.

Sou cheio de fazer textões de despedida, porque a gente se despede o tempo todo de alguém ou de algo, mas vou poupá-los disso aqui, porque este blog segue firme e forte. Aliás, baita vexame eu simplesmente esquecido, sábado, que era aniversário de 15 anos desta página. 5 de dezembro de 2005, foi quando entrou no ar. Em datas redondas, tem de ter textão. Mas esqueci, vocês não me lembraram, paciência. Agora, só em 5 de dezembro de 2025. Azar.

O textão de despedida da Fox eu mandei para meus amigos e colegas da empresa, mas ele acabou se tornando público e quem quiser ler, é só ir ao “UOL Esporte vê TV”, tocado pelo Gabriel Vaquer, o cara mais bem informado sobre nosso meio que temos na imprensa. Aliás, eu soube da maioria dos movimentos dessa fusão lendo o Vaquer — que claramente tem fontes muito boas no meio!

Algumas pessoas me perguntam o que aconteceu, que história de fusão é essa, porque o Fox Sports está acabando, e ontem dei uma entrevista sobre o assunto para o Rodrigo Portella, do “Lance!”, que está aqui e, também, abaixo na íntegra. Acho que ela esclarece bastante coisa e coloca um ponto final nessa história.]

O que farei daqui para a frente está na última resposta. E agora vamos em frente, porque só na minha listinha de posts necessários para hoje tem três assuntos que não posso deixar de comentar: Reginaldo Leme na Band, os 40 anos da morte de John Lennon e esse idiota do Nikita Mazepin.

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Flavio, qual o seu sentimento agora que deixou o Fox Sports após seis anos no canal? Qual seu momento mais marcante?

Clichê dos clichês, mas não encontro nada muito melhor: de missão cumprida. Foram sete anos muito intensos, em que passamos por momentos belíssimos e outros muito difíceis. Nem preciso dizer que a morte de nossas seis estrelinhas no acidente da Chapecoense em 2016 foi algo muito, muito traumático. E não foi fácil para um grupo como o nosso se reerguer diante de tamanha tragédia. Foram dias tristes, de muita reflexão e esforço para superar aquilo e reagir. Óbvio que nada se compara à dor das famílias, claro, evidente. Mas éramos da mesma família, de certa forma. No mais, o Fox Sports, sob a liderança especialmente de duas pessoas, o Edu Zebini e o Márcio Moron, foi um projeto vitorioso. Em pouquíssimo tempo se tornou líder de audiência entre os esportivos no cabo e referência num estilo de fazer TV. Fizemos duas grandes Copas, coberturas espetaculares, programas marcantes. Estou triste com o que parece ser o fim iminente do canal. Mas feliz e orgulhoso por tudo que fizemos. Acho que esse sentimento é o de todos, porque sabemos que construímos alguma coisa que vai deixar saudade. Legado, como se diz. Momentos marcantes? Acho que a Copa da Rússia. O que vivemos lá está no coração de cada um e nunca vamos esquecer.

O Grupo Disney vem fazendo algumas mudanças e grandes nomes do jornalismo, como o seu, acabaram deixando a emissora. Como foram as conversas até a sua saída? Ficou alguma mágoa?

Não houve propriamente conversas. Desde a venda da Fox como um todo para a Disney, há uns dois anos, sei lá quantos, já se imaginava que alguma coisa ia respingar na gente. Ainda mais sabendo que a Disney é dona da ESPN, marca concorrente. Num primeiro momento, as decisões do CADE apontavam para a necessidade de venda do canal. Mas acho que todos sabíamos que seria difícil aparecer alguém para comprar um canal de TV, ainda mais com a economia arrebentada graças a essa tragédia do governo Bolsonaro. Uma das tragédias, talvez a menor, porque com esse cara na presidência nossa vida como um todo virou uma tragédia, um pesadelo. Não sei bem quais foram as propostas de compra, andamos recebendo uns gringos na sede do Rio no ano passado, gente que ia ver a TV de perto, pareciam pessoas levadas ao prédio por corretores de imóveis! Mas o fato é que à Disney, aparentemente, nenhuma oferta interessou. Talvez, mas não tenho como afirmar isso, a Disney não quisesse vender a Fox para que não seguíssemos como concorrentes da ESPN. O fato é que sem compradores o CADE, neste ano, foi meio que levado a aprovar uma fusão. Fraquejou. A ideia inicial de pelo menos preservar os empregos foi para o lixo. O que não me surpreende, porque é um órgão de governo e esse governo está pouco se lixando para quem trabalha. Quando essa decisão foi anunciada, foi apenas questão de esperar o tempo passar para se chegar a esse desfecho que considero abominável. Comigo houve apenas uma conversa, ontem, segunda, dia 7. Começou às 9h43 e terminou às 9h49. Fui informado que meu contrato não seria renovado, agradeci e fui fazer meu café da manhã. Dois espressi da minha Bialetti italiana velha de guerra e torradas francesas. Estavam ótimas.

Assim como o Benja, você tem outros trabalhos conhecidos além da TV. Em conversa com o L!, o Benja comentou a dificuldade de um contrato de exclusividade nos termos colocados. O quanto isso pesaria para você? Achou justo o pedido da Disney?

Ah, não vou discutir se o que a Disney pediu ao Benja era justo, ou não. Aparentemente, com ele, houve uma negociação. O que sei, li na imprensa. Não falávamos do assunto. Estávamos havia nove meses fazendo programas de casa, e quando os programas terminavam cada um ia cuidar da sua vida. Creio que as negociações individuais com a Disney foram conduzidas de forma privada. Passamos meses no escuro, sem perspectiva nenhuma, sem informação. Da mesma forma, não faz muito sentido especular o que eu diria se me pedissem a mesma coisa. Na verdade, eu não tenho outros trabalhos além da TV. A TV era meu único emprego. O meu site Grande Prêmio eu já havia repassado para meus funcionários em 2016. Faço um blog, que não é propriamente um trabalho remunerado. Aliás, ele completou 15 anos no dia 5 de dezembro e eu simplesmente esqueci a data. Uma vergonha. No mais, nem considero essas outras mídias uma atividade jornalística – Instagram, Twitter, YouTube. Para quem faz jornalismo nelas, OK, podem até ser. Tem gente muito séria usando essas plataformas para sobreviver, e admiro quem abraçou esse caminho. Mas eu nunca fiz jornalismo em redes sociais. Tenho um pouco de preguiça delas

O Fox Rádio se notabilizou com brincadeira e tom de debate sobre esporte, inclusive com apostas e fantasias. Qual é, na sua visão, o motivo do tamanho sucesso? Sentirá falta das “brigas” e divergências com a turma?

Acho que houve o que se chama de química entre nós. Somos todos muito diferentes, e nossos estilos nunca foram reprimidos. Éramos muito autênticos no ar, nunca combinamos nada, as brigas e discussões eram 100% autênticas e espontâneas, e acho que o público percebe isso. Entrávamos no ar sem roteiro, apenas o Benja e o coordenador – Rogério Micheletti, Marcel Alonso, Murilo Grant – sabiam mais ou menos os temas que seriam abordados. Mas quando começava o programa virava uma zona incontrolável. Teve um programa em que, do nada, desandei a falar da morte do Senna e fiquei uma hora e quinze contando aquela história. Era assim, divertido, descontraído, imprevisível. O Benja tem enorme responsabilidade nisso, sabia conduzir o programa como ninguém. Mas acho que todos nós, com nossas manias, contradições, implicâncias, contribuímos muito para fazer um produto deliciosamente caótico. Se eu estivesse em casa no horário, seria um programa ao qual assistiria. Vou sentir muita falta, sim, desses debates malucos diários. E dos amigos, todos queridos e que vou levar para a vida inteira

Qual era o clima na emissora durante a fusão?

A condução da fusão coincidiu com a pandemia, quando as coisas começaram efetivamente a acontecer à nossa revelia. Nada do que fizéssemos, de bom ou ruim, mudaria o destino de cada um. O canal continuou com grande audiência e estava no azul. O que mais poderíamos fazer? Como não tínhamos mais a convivência de redação, de estúdio, porque começamos todos a trabalhar de casa, é difícil definir um “clima”, genericamente. Cada um aguentou o tranco sozinho, em casa, com suas angústias e ansiedades. Sei lá, foi um misto de tristeza e melancolia aumentando a cada dia, que a gente conseguia superar no ar. Mas todos sabíamos que o desfecho seria essa desgraça toda. É triste ver um canal morrer desse jeito. E é muito triste ver quanta gente perdeu o emprego, quantos ainda perderão, e como a Disney conduziu esse processo. Foi meio desumano. Mas não digo que tenha me surpreendido

Dentro do “Fox Rádio”, era comum entre vocês algumas brincadeiras, como apelidos, e algumas coisas extrapolavam e chegavam ao público. Com o tempo, alguns torcedores de alguns clubes acabaram pegando mais no seu pé. Como esse hater te afeta? Como lida com isso?

Nunca me importei com as brincadeiras, pelo contrário. Sempre me diverti muito com elas durante os programas. Adorava minhas imitações toscas do Pascoal, me fantasiava de qualquer coisa, eu sei rir de mim. Sormani, Benja, Mano, Mário Sérgio, depois Facincani… Todos nos respeitávamos, apesar de ultrapassar alguns limites, às vezes, o que considero normal em se tratando de um programa de quase três horas diárias, durante sete anos. Nunca, nunca me incomodei com nada, nunca levei nada para casa, os paus que quebrávamos acabavam ali. Eu vejo o futebol com alguma seriedade, claro, afinal envolve muita gente e muitas paixões, e elas devem ser respeitadas. Mas futebol, para mim, tem um lado lúdico que jamais pode ser relevado, e era esse lado que eu procurava explorar no ar. Durante minha vida toda me diverti com futebol nos estádios, no rádio, na TV. Não seria diferente num programa diário. E sempre observei o futebol muito mais como fenômeno social e cultural do que como esporte, simplesmente. Apesar do caos, havia uma certa ordem e equilíbrio naquela bagunça. Quanto aos haters, às milícias digitais, com o perdão da expressão, sempre caguei e andei para eles e elas.

Acredita que a sua passagem pela ESPN antes de 2014 tenha afetado de alguma forma a decisão de agora?

Minha passagem pela ESPN Brasil de 2005 a 2013 foi maravilhosa. Os “anos Trajano”, assim mesmo, entre aspas, foram históricos para a TV brasileira e sou muito grato por ter participado por oito anos dessa aventura inacreditável, do ponto de vista jornalístico. Minha saída, sim, foi uma bobagem sem tamanho. Não minha, apenas. OK, da minha parte foi também uma besteira, sair batendo boca com babacas de Twitter por causa de um jogo. Mas, pensando bem, a Portuguesa foi mesmo roubada naquele jogo contra o Grêmio e, como torcedor, tenho todo o direito de me revoltar. Naquela noite de sábado, na minha casa, vendo a Lusa ser assaltada na TV, eu era um torcedor inconformado no Twitter, na minha conta pessoal. Depois, houve uma sequência de ameaças pelos tais haters e uma delas, em particular, me fez perder a cabeça: sabemos onde seus filhos estudam e vamos matar os dois, disseram alguns. Aí fiquei puto, mesmo, e falei merda. Mas eu não demitiria ninguém por causa disso. Costumo dizer que se fosse o Trajano ainda na direção da ESPN Brasil naquele dia, ele ia atirar um cinzeiro na minha cabeça, me xingar e me mandar para a maquiagem para apresentar o Bate-Bola. O João Palomino, então diretor, teve atitude diferente. Sucumbiu à pressão do presidente do Grêmio na época e disse que não iria renovar meu contrato. Isso me emputeceu ainda mais. Em oito anos de ESPN Brasil, nunca me deram um contrato. Para ser bem preciso, tive um ano só, mas quando fui “demitido” estava sem contrato. Trabalhava feito um camelo, fazia rádio quatro vezes por semana por 12 horas seguidas no ar, e não tinha garantia nenhuma de nada. Como assim, não vai renovar meu contrato? Qual contrato?, perguntei pro Palomino. Levantei, peguei meu Lada estacionado na rua e fui embora. Processei a ESPN Brasil, ganhei em primeira instância, eles recorreram e o recurso caiu na mão de uma juíza que, naquele dia, julgou dez recursos e deu ganho de causa às empresas nos dez. Saí sem nada. Agora, se esse processo influenciou na minha saída agora, não sei. Não perguntei.

Você tem outro projetos além da TV: GP, livros, entre outros. Quais seus objetivos agora sem o Grupo Disney?

O jornalismo no qual me formei e no qual construí minha carreira não existe mais. É como, sei lá, fábrica de máquina de escrever e loja de revelar filme. Não existe mais, acabou, vivemos outra era e, sinceramente, não estou muito interessado em ser agente disso que virou a indústria da comunicação. Acho, sim, que o jornalismo profissional é essencial, muito importante, necessário mesmo. Porque hoje qualquer tuitada ou postagem de Instagram é confundida com jornalismo. Não são a mesma coisa. O problema é que as pessoas já não conseguem separar o que é jornalismo de verdade, relevante, das irrelevâncias da internet, que são em maior número, nos inundam a cada segundo com conteúdos desimportantes ou, o que é bem pior, mentirosos. Acho que nós, jornalistas, estamos perdendo essa batalha. E não por culpa nossa. Somos em menor número. Não culpo o jornalismo. Ele será sempre sagrado, para mim. Mas não sei se estou a fim de lutar essa guerra. Tenho planos? Sim. Vou escrever mais livros? Sim. Vou continuar com meu blog? Sim. Vou ficar arrastando corrente como um fantasma esfarrapado para seguir no jornalismo esportivo a qualquer custo? Não. O jornalismo me deu muito, me deu tudo. E eu acho que dei muito ao jornalismo, também. São 38 anos de profissão, fui repórter, editor, redator, comentarista, apresentador, blogueiro, criei um site, montei uma agência de notícias, escrevi para mais de 65 jornais, fui correspondente de rádio italiana, dei emprego, coloquei muita gente na profissão, trabalhei na Rádio Cultura, na Rádio USP, na Folha, na Placar, na Jovem Pan, na Bandeirantes, na Eldorado, na ESPN, na Fox, cobri 250 GPs de F-1, , fiz telejornais apresentados em aviões da Transbrasil, viajei o mundo, fiz sei lá quantas Copas e Olimpíadas, tenho um puta orgulho da minha trajetória. Muito, muito mesmo. Quando eu olho para trás, vejo que fiz alguma coisa. Quando olho para a frente, não sei direito o que vejo. Mas não me apego a isso, não tenho problema algum em mudar de rumo, e talvez tenha chegado a hora. Tem um mundo lindo aí na frente. Lindo, lindo mesmo, apesar de tanta maldade, iniquidade, desgraça, miséria, tristeza. Eu vou em busca dela, dessa lindeza que, se souber procurar, a gente encontra.

SEM GLOBO

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RIO (buemba, buemba!) – Ao que parece, agora não tem volta. A Globo não vai renovar seu contrato com o Liberty Media Group e deixará de transmitir a F-1 no ano que vem. A categoria tem suas provas mostradas pela emissora, ininterruptamente, desde 1981.

Ainda estou digerindo a informação e apurando algumas coisas. São muitas as especulações sobre o destino da F-1 no Brasil. Elas passam, inclusive, pelas negociações sobre a permanência do país no calendário em 2021 — o que só será possível em Interlagos, ainda que o fantasioso autódromo de Deodoro comece a ser construído, digamos, neste fim de semana.

Acho um tiro no pé. Da F-1, ao endurecer as negociações com a Globo, e da Globo, ao abrir mão de um produto como esse. O poder de alcance da emissora no país não se compara com nenhuma outra. E o produto, para a Globo, sempre foi muito lucrativo pela entrega de mídia que ela dá aos seus patrocinadores.

O que já dá para antever, com boa chance de acertar, é que o serviço de streaming da F1TV deverá ser liberado para o Brasil, ainda que algum outro canal compre os direitos. E vocês, o que dizem?

NO RÁDIO

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RIO (legal, bem legal) – O Pedro Araújo me mandou o vídeo acima com a íntegra do GP da Alemanha de 2000, primeira vitória de Barrichello na F-1 — que fez 20 anos semana passada. Foi colocado sobre as imagens o som da nossa transmissão pela Jovem Pan. Alguns detalhes legais merecem ser lembrados. O Vander Luiz estava narrando a prova, com o afastamento temporário do Nilson César naquele ano — o amigo teve alguns problemas pessoais nos primeiros meses do ano. Eu não lembrava direito, mas nesse período eu fazia às vezes o papel de narrador, como se vê na largada. O Vander dava uma ancorada na transmissão e o Claudio Carsughi comentava. E assim seguiríamos até o Nilson poder narrar de novo.

Aos 47min do vídeo, momento chave da prova: a invasão da pista por um maluco que protestava contra a Mercedes-Benz — era um francês, ex-funcionário da empresa. A 1h20min, eu chamo o Vander e ele não responde. Tinha caído a linha dele nos estúdios da avenida Paulista. Eu percebo que tinha algo errado, toco o barco e de repente entra o Nilson para assumir a transmissão.

Reproduzo abaixo texto do Vander postado nos comentários do vídeo relatando o que aconteceu. Leiam, é bacana demais!

Além da primeira vitória de Rubens Barrichello, essa corrida tem uma passagem emocionante envolvendo a equipe de esportes da Jovem Pan e que explica o motivo de não ter narrado a bandeirada final. O Nilson César era o locutor titular da Fórmula 1 e no início de 2000 teve síndrome do pânico e ficou afastado do trabalho por um período. Felizmente ele superou o problema e aos poucos retornou às transmissões. Na sua ausência tive a honra de tentar substituí-lo na F-1. Narrei também vários jogos seguidos. É oportuno lembrar que foi o Nilson que me levou para a Jovem Pan em 1996. No GP da Alemanha, o Nilson estava na casa dele em Sorocaba e o seu Tuta (dono da Jovem Pan) combinou que ele faria algumas participações por telefone para que fosse pegando novamente o ritmo. A chamada embocadura. Foi aí que ocorreu um momento dos mais emocionantes. Aliás, dois momentos grande emoção. No comando da central técnica estava o Luiz Inaldo da Silva e a coordenaação da jornada era feita pelo repórter Fredy Júnior. Em certo momento, o Luiz Inaldo foi ao banheiro e o Arthur Figueroa ficou no seu lugar. Em uma das entradas do Nilson, o som do nosso estúdio (a gente não narrava do estúdio principal) perdeu a conexão com a central e não entrava no ar. Coisas do rádio. A gente dentro da rádio não conseguia entrar no ar. Tanto que o Flavio me chama e não respondo. Foi tudo muito rápido, como na F-1. O Rubinho perto da primeira vitória, o Fredy voando até o banheiro atrás do Inaldo e eu correndo para o estúdio principal. O Figueroa também foi muito rápido. Avisou o Nilson do problema técnico e falou que ele deveria assumir o comando da jornada e narrar a volta final. Já no estúdio e em condições de entrar no ar, não teria o mínimo sentido interromper a narração do Nilson. O momento era de torcer pelo Rubinho e pelo Nilson, os dois grandes vitoriosos daquele domingo histórico. Mas a história tem o capítulo final. Assim que tudo foi normalizado, voltei para o estúdio auxiliar ao lado do Carsughi. O Milton Neves já estava pronto para comandar o “Plantão de Domingo”, mas acho que a gente estendeu um pouco a jornada com as participações do Flavinho. Tudo era só alegria até que o Carlos Humberto Paulino, o Larinha (técnico de som), bateu no vidro com o telefone avisando que tinha uma ligação pra mim. Falei que não dava para atender. Estava no ar. Fiquei gelado quando o Larinha falou pausadamente e do outro lado do vidro. A leitura labial foi clara: “Atende que é o seu Tuta”. Caminhei até a central imaginando que vinha bronca. Acho que a central nunca foi tão distante, mas ainda não era o destino final. O Larinha falou que o seu Tuta tinha ligado em um telefone na redação. Foi outra longa caminhada, talvez mais longa que os quase 7 quilômetros do circuito de Hockenheim. Parece que todo mundo da redação estava olhando pra mim e que vinha uma gigantesca bronca. Pensei até em demissão. Afinal, o seu Tuta não era de ligar, muito menos para falar comigo. Falei, timidamente, “alô”. E ouvi a voz do seu Tuta acima do tom de costume dizendo mais ou menos isso: “Muito bom! O Rubinho ganhou e recuperamos o nosso locutor. Faz agora mesmo um texto para uma chamada com a volta final e coloca o máximo que vezes que puder!”. Foi um domingo histórico e não somente pela primeira vitória do Rubinho Barrichello.

O resto é história, como se diz. Depois disso, evento que a psicologia deve explicar como um gatilho emocional ou coisa do gênero, Nilson voltou a narrar com a competência de sempre e eu lembro que até chorei na sala de imprensa com a recuperação dele naquela situação. Sabia que estávamos vivendo um momento histórico — para a F-1, no Brasil, e para a rádio e o Nilson, em particular. Alguns colegas estrangeiros acharam que eu estava emocionado com a vitória de um compatriota, o que não era exatamente meu estilo. Mas explicar tudo aquilo para alguém, naquela hora, seria impossível. Então, que achassem o que quisessem.

Foi muito bom “rever” essa transmissão. E olha que eu não narrava mal, não!

RR

RR

RR Bate-Bola, RR Pontapé, RR Resenha, RR Vitrine, RR Metrópoles, RR Cultura, RR Rede Vida, RR MTV, RR Padaria Real, RR rádio, RR ESPN, RR Globo, RR Esporte Interativo, RR Soundtrackers, RR Londres, RR Paris, RR rock, RR futebol, RR Sportv, RR Redação, RR Troca, RR guitarra, RR violão, RR tanta coisa. Sorriso tem RR, então vá sorrindo, amigo. Deixa que a gente chora aqui, você não fica bem chorando, não.

GALVÃO, 70

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No aniversário dessa grande figura, um “GP às 10” de fevereiro de 2019, em que conto uma historinha divertida do maior narrador de todos os tempos. E, por que não?, o mais importante e influente jornalista brasileiro da história. Parabéns, Galvonete!

O GATO NÃO MIA

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RIO – Trabalhei quatro anos na Rádio Bandeirantes cobrindo F-1 ao lado do Fábio Seixas. Fizemos milhares de boletins pro Pulo do Gato, ajudando a acordar São Paulo com notícias das corridas pelo mundo. Mas antes, muito antes, em 1986, foi o Zé Paulo quem me colocou no ar para fazer boletins de uma Reunião Anual da SBPC em Curitiba. Eu tinha 21 anos e, caramba!, entrava todos os dias no Pulo do Gato para falar de ciência! Ao fim desse período, uma semana, dez dias, ele me mandou uma fita com todos os boletins gravados, com capinha impressa da Bandeirantes. Tenho até hoje. Que honra, que orgulho eu tinha daquilo… Zé trabalhou por quase 60 anos na mesma empresa. Gerações e gerações acordaram do seu sono justo todos os dias ouvindo sua voz potente e solene. E o gato miando. Um jornalista conservador, sim. Mas um exemplo de integridade e compromisso pétreo com o ouvinte e com o jornalismo honesto e correto. Nos anos 70, foi ele quem deu voz a Lula durante as greves do ABC. Nunca feriu seus princípios e valores. Foi-se hoje o Zé Paulo, aos 78 anos, vítima da Covid-19. O tamanho da perda não dá para medir. Ninguém mais será capaz de nos convencer a não virar para o lado nas manhãs frias de São Paulo, porque era você quem nos mostrava todos os dias que não havia motivo algum para ter medo de levantar e ir à luta. Vai em paz, Zé.

DE VOLTA A IMOLA, 1994

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SÃO PAULO (a cidade que finge que está tudo bem) – Ontem à noite três jornalistas que estavam em Imola no fim de semana do GP de San Marino de 1994 se reencontraram pela primeira vez em 26 anos. Eu, Mario Andrada e Silva (ex-“Jornal do Brasil”) e Alex Ruffo (então na “Quatro Rodas”) batemos um longo papo no “Cadeira Cativa”, programa do Grande Prêmio.

Lembramos muita coisa. Que o Mario foi o último brasileiro a entrevistar Senna, por exemplo. Que o Alex teve a chance de fazer a foto do corpo saindo do hospital Maggiore, em Bolonha. Que Ayrton tinha recebido um dossiê contra Adriane Galisteu. E discutimos em profundidade as causas do acidente fatal de 1º de maio.

Ficou longa, a conversa? Ficou. Vale a pena ouvir e ver? Muito. Muito mesmo. Vão por mim.

HÁ 38 ANOS

H

RIO (and?) – Não sei se tenho muito a comemorar nestes dias mais do que sombrios, mas hoje faz 38 anos que estreei como jornalista, com um textinho publicado no extinto “Popular da Tarde” em 19 de abril de 1982. Há alguns anos, quando se completaram três décadas desta irrelevante efeméride pessoal, rabisquei umas linhas. Reproduzo aqui.

***

Eu lembro do título: “A importância de um bom técnico”. Bom título, preciso, direto, não deixa muitas dúvidas. Um bom técnico é importante. Não há dúvidas quanto a isso. Em duas linhas, preencheu uma coluna do jornal e lá se foi o texto, até o pé, elogiando José Poy, o bom técnico. Sem assinatura, mas era meu, e eu achava que era bom.

No metrô, vi um cara lendo o jornal. Casualmente estava na mesma página do técnico importante, e portanto havia alguma chance de ele estar lendo o que escrevi. Podia estar lendo os outros, também, mas não se deve descartar a possibilidade de ter sido atraído por aquele título, que falava de um técnico e de sua importância. Talvez ele mesmo fosse um técnico de alguma coisa, ou desejasse sê-lo. Em eletrônica, farmácia, gestão contábil, telecomunicações, nutrição, mamografia, próteses dentárias, abreugrafia, medicina nuclear, revelação & ampliação. Fosse ele um técnico, ou desejasse sê-lo, claro que concordaria com a assertiva daquele título, a importância de ser bom, pode ter se identificado, pode ter feito uma autocrítica, será que sou bom, afinal?, o jornal diz que é importante ser um bom técnico, jornal sabe das coisas.

Eu estava de pé no vagão, indo para a faculdade num complexo sistema de baldeações de linhas, trens e ônibus, mas fiquei ali, ao lado do sujeito, esperando por algum sinal de que ele estava lendo o que eu tinha datilografado no dia anterior em laudas amareladas de papel jornal em cujo cabeçalho era necessário preencher alguns campos como a data, a editoria, o autor, a retranca, o tamanho, e as instruções muito claras: 70 toques por linha, espaço duplo para o revisor fazer suas anotações. Qualquer sinal, um meneio, um olhar de esgueio para o lado, talvez procurando quem também concordasse com ele e com o jornal.

Ao tirar o papel da velha Remington na noite anterior, olhei para aquilo como se olha para o Santo Graal, o pergaminho da sabedoria, as escrituras sagradas, ali via meu futuro e todos os próximos dias da minha vida, e não me importei muito com a indiferença dos outros naquela enorme redação barulhenta, quente e esfumaçada, com um gigantesco mapa múndi na parede de fundo encimado por relógios marcando a hora de São Paulo, Londres, Nova York e Moscou. Para aqueles repórteres, redatores e editores concentrados em suas próprias laudas, elas já não eram mais nada de especial, apenas a conclusão de mais um dia de trabalho, suas laudas saíam dos rolos das máquinas vigorosamente e eram imediatamente levadas pelos contínuos à oficina onde linotipistas transformariam suas letras, palavras e frases em blocos de chumbo, que de lá seguiriam para o setor de clichês, que por sua vez embrulhariam os blocos de chumbo nas laudas manchadas de tinta com elásticos, e de lá elas seguiriam para os gráficos que disporiam os blocos de chumbo um ao lado do outro como num quebra-cabeças, seguindo a diagramação, e os blocos se transformariam em chapas tipográficas que seguiriam para as rotativas onde virariam páginas e, de madrugada, seriam transportados em Kombis para as bancas da cidade.

O sujeito no metrô tinha ido à banca naquele dia, possivelmente se interessou por alguma coisa na primeira página, talvez tivesse o hábito de comprar aquele jornal de logotipo azul todos os dias, e enquanto seguia para seu trabalho, ou de volta para casa, é impossível determinar, abriu o jornal na página onde alguém falava sobre a importância de um bom técnico, e este, anônimo, era eu, e estava ali ao seu lado, torcendo para que ele lesse, para que concordasse, ou discordasse, para que chegasse em casa e, de poucas palavras, enquanto a mulher colocava a mesa para o jantar de todos os dias, comentasse com ela que era importante ser um bom técnico, que por isso mesmo iria procurar um curso no Senac ou no Senai, o jornal dizia que isso era importante, devia ser, pois. Não importava que o técnico em questão era um técnico de futebol, que treinava a Portuguesa, isso era de somenos, a afirmação do título, essa sim devia ser levada a sério. É importante ser um bom técnico, disse o sujeito agora já decidido, raspando o prato e entornando o último gole da cerveja gelada que sua mulher sempre colocava no congelador meia hora antes de ele chegar do trabalho, tomando a decisão definitiva de, no dia seguinte, tratar de ser um bom técnico na vida.

Era uma segunda-feira, dia 19 de abril de 1982, e pela primeira vez alguém há de ter lido alguma coisa que escrevi.

ACABOU MESMO

A

RIO (o mundo, como o conhecemos) – Talvez muita gente nem se lembre mais da “Playboy”, na velocidade das coisas atualmente. Fatos de cinco, dez anos atrás parecem séculos distantes no tempo. Objetos que até outro dia eram de uso cotidiano como máquinas de escrever, fax, LP, CD, iPods ou filmes fotográficos necessitam de explicações quando citados. Hoje parece que tudo se resume ao que existe no celular.

Relembrando, então.

Depois que a Editora Abril entrou em parafuso, um dos títulos que torrou no mercado foi da famosa revista lançada nos EUA em 1953 por Hugh Hefner — “publisher” que morreu em 2017. No fim de 2015, a “Playboy” brasileira foi comprada por uma obscura editora do Paraná que a relançou no ano seguinte. Não deu certo, claro, e em julho de 2018 a matriz americana rescindiu o contrato de licenciamento com a tal editora em meio a escândalos de uso indevido da marca e denúncias de colaboradores. Aqui tem um bom relato desse fim melancólico assinado por Eduardo Quintino Filho.

Silenciosamente, a “Playboy” brasileira morreu, assim como a Abril — cuja debacle também não causou comoção, pois que foi apagando aos poucos junto com todas suas revistas e graças à iniquidade editorial puxada pela abjeta “Veja”.

Agora, a edição impressa americana deixa de existir também. Como tem acontecido com todas as revistas que vêm sendo descontinuadas nos últimos anos, o anúncio do fim vem acompanhado de pomposos planos de seguir a vida nas “plataformas digitais” com “conteúdos especiais adequados aos desejos dos leitores na nova realidade do mercado”.

Em outras palavras, vai acabar de vez.

FOTO DO DIA

F

Este é o novo produto da F-1, uma revista mensal que para quem não está na Inglaterra pode ser comprada aqui pela internet. Revista é um treco que tem capa, fotos e textos, tudo isso impresso num negócio chamado papel, acho que vocês vão gostar.

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SEM MOTO E SEM INDY

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Macieira (esq.) e Nejaim em foto do Twitter do narrador: dupla histórica e brilhante

RIO (maçarico ligado) – Péssima notícia apurada pelo Grande Prêmio. A Globo não renovou a compra dos direitos da MotoGP — a Dorna confirma que está negociando com outras emissoras — e demitiu a histórica dupla Guto Nejaim e Fausto Macieira, que por anos conduziram com brilhantismo as transmissões da categoria (e também da Moto2 e da Moto3) no canal de esportes do grupo, o SporTV.

É um baque para os profissionais, em primeiro lugar. Para os fãs das corridas de motos, idem. Mas, para esses, sempre há uma opção de streaming ou algo do gênero, imagino. De qualquer maneira, a esmagadora maioria dos torcedores tem o hábito de acompanhar as provas pela TV, e por isso a popularidade da MotoGP tende a despencar dramaticamente num mercado importante como o brasileiro.

E por ser importante — é um dos países que mais vendem motos no mundo, ainda mais agora que a economia está bombando com os empreendedores que entregam comida –, talvez a Dorna faça algum esforço para encontrar algum canal disposto a transmitir seus campeonatos. O argumento de venda deveria ser exatamente esse. Não é possível que num país que vende tanta motocicleta alguém não consiga arrumar patrocinadores que sustentem uma cobertura.

Ou é?

Claro que é. Falando com os pés na realidade, acho bem difícil qualquer emissora gastar com direitos de transmissão de motociclismo, porque os esportes na TV caminham para uma perigosa concentração de mercado. Com a iminente fusão entre Fox Sports e ESPN (leia-se Disney), na prática apenas dois grupos dominarão as transmissões nos próximos anos. O outro é a própria Globo, que não renovou seu contrato e, ao dispensar sua dupla titular de narrador e comentarista, sinaliza que não tem mais interesse na modalidade.

(Ah, mas e a MotoGP no Brasil? O cara lá que vai construir o autódromo de Deodoro já fechou com a Dorna e vai ter corrida aqui, eu li na internet!, gritará alguém. Eu já não tenho mais paciência para responder.)

E tem a Indy, ainda. A notícia vem à tona um mês depois de a Bandeirantes desistir da categoria, que tinha transmissões no Brasil desde os anos 80 em TV aberta e fechada. Menos mal que o DAZN, serviço de streaming especializado em esportes, tem os direitos da competição americana e deve seguir mostrando as corridas pela internet em 2020.

Enquanto isso, proliferam nos canais de TV programas de pregação evangélica, reality shows de todos os tipos e, no caso do esporte, cresce a cada dia o quase monopólio do futebol como assunto vigente, mesmo em ano de Olimpíada. Ao mesmo tempo, explodem as audiências de canais no YouTube e nas redes sociais cujo conteúdo é difícil de definir e que fazem um sucesso ainda inexplicável para este que vos bloga.

São tempos realmente bicudos para todos.

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DOMINGOS, 75

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RIO – Foi com uma enorme tristeza que recebi agora há pouco a notícia da morte de Domingos Piedade. Ele ficou mais conhecido no Brasil por sua atuação como comentarista de F-1 da antiga Rádio Panamericana, nos anos 70. Mas foi muito mais que isso. Domingos foi um dos caras mais importantes na história da F-1.

Engenheiro, Domingos deixou Portugal para viver na Alemanha por 35 anos, onde, entre outras coisas, foi um dos homens-chave da AMG — o braço esportivo da Mercedes que, por exemplo, conduz as operações da equipe de F-1. Como chefe de equipe, ganhou duas edições das 24 Horas de Le Mans pela Porsche/Joest, em 1984 e 1985. Na imprensa, em seu país, comentou as corridas pela RTP. Como empresário, foi responsável pelo início da carreira de Emerson Fittipaldi na categoria, “descobriu” Schumacher no kart, foi um dos amigos mais próximos de Senna, empresariou Pedro Lamy e Michele Alboreto, deu o pontapé inicial na carreira de Montoya. E ainda foi administrador do autódromo do Estoril, organizou provas de rali, corridas de endurance, eventos automobilísticos de todos os tipos, viveu entre carros e motores.

Nesta recente entrevista a “A Bola TV”, o canal de vídeos do jornal esportivo português, Domingos conta muitas de suas histórias de décadas na F-1. Os detalhes sobre o começo da carreira de Schumacher são especialmente saborosos. Em outra entrevista, ao “AutoSport” lusitano, em 2016, pode-se conhecer melhor essa grande figura.

Domingos se foi ontem aos 75 anos. Estava internado em Cascais, sua querida Cascais. Lutava havia dois anos contra um câncer no pulmão.

Era um amigo querido.

REGI

R

RIO (vai viver, amigo!) – Reginaldo Leme é o cara mais gentil que conheci na vida. O mais sorridente. O mais educado. O mais leal entre os jornalistas com quem convivi na Fórmula 1 durante tantos anos. E como este não é um obituário — Regi não morreu, apenas saiu da Globo –, não vou ficar aqui desfiando loas em tom nostálgico ou melancólico.

É claro que as transmissões da F-1 não serão mais as mesmas sem o seu reconfortante “bom dia amigo da Globo”, a voz tranquila e sempre segura, os casos acumulados em mais de 40 anos acompanhando corridas, as referências históricas, a atenção aos detalhes.

Mas o quê mesmo não está mudando na velocidade da luz hoje em dia? Quantas coisas para as quais olhamos a cada instante não são mais as mesmas?

Verdade, as transmissões não serão mais as mesmas, como a TV não é mais a mesma, a F-1 não é mais a mesma, a vida não é mais a mesma. O esporte mudou, a comunicação mudou, os pilotos mudaram, os carros mudaram, os jornalistas mudaram, o jeito de informar mudou.

Então, por que cargas d’água nos sentimos no direito de exigir que o Regi não mude também? OK, são 40 anos, não 40 dias, estávamos acostumados, não precisava sair tão de repente, talvez pudesse nos preparar, não? Oxe, precisava ser assim, a notícia de supetão, do nada?

E talvez ele merecesse mais do que um lacônico comunicado informando que “não presta mais serviços à Globo”, que foi o que disse a emissora. Afinal, ele cobriu os anos Fittipaldi, Piquet, Senna, Barrichello, Massa, e Prost, Mansell, Lauda, Stewart, Schumacher, Vettel, Hamilton e todos mais que vocês lembrarem.

Sim, Reginaldo merecia muito mais que um comunicado lacônico. Pombas, foram 40 anos, não 40 dias. O sujeito é um senhor jornalista, um mestre, um sábio, um professor, um tipo que não se vê por aí com muita frequência, não.

Mas talvez seja melhor assim, mesmo. Textão corporativo nenhum, produzido pelo RH da grande empresa platinada, será suficiente para descrever o que ele fez nessas quatro décadas e o quanto é importante e querido para o meio, para os colegas, para o automobilismo, para o jornalismo. Esqueçam. Não presta mais serviços à Globo? OK, obrigado pela informação, tá dito.

Regi é um profissional que escreve bem, fala bem, reporta bem, comenta bem, edita bem, grava bem, faz “vivo” bem. E um cara que come bem, bebe bem, se veste bem, mora bem, recebe bem. E ama bem. Ah, como Reginaldo ama suas meninas! Carmem Sylvia, Dani, Ió, Camila, vocês são garotas de sorte!

Reginaldo é foda, e ninguém precisa ficar com dó dele porque saiu da Globo. Dó tem de ter é da gente, que não vai mais ouvi-lo nas transmissões.

Nossa, mas o que ele vai fazer agora, depois de 40 anos na F-1 e na TV?, vai perguntar alguém.

Viver, uai. Azar da F-1. Azar nosso. Sorte dele.

Arrebenta, Regi. Se estiver pensando em restaurante, tô dentro! Bar, idem. Lanchonete, tamo junto. Se tiver festa de Réveillon em Paúba, também. É minha folga de fim de ano, inclusive. Beijo.

Ah, o anuário tá pronto, falta só Abu Dhabi.

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PERDI

P
Eliane Brum, do “El País”: orgulho para a profissão

RIO (no problem) – Estive meio ausente ontem e hoje porque estava em São Paulo para a entrega do Prêmio Comunique-se deste ano. Fui finalista na categoria Esportes/mídia escrita. Os outros finalistas eram Milton Neves (rádio Bandeirantes e outros veículos) e Mauro Cezar Pereira (ESPN Brasil). Ganhou o radialista de Muzambinho. A votação final foi aberta ao público pela internet. Os processos iniciais que levaram, primeiro, a dez nomes para cada categoria e, depois, aos finalistas, foram conduzidos entre jornalistas. Ganhou Milton Neves. Agradeço imensamente a todos que perderam alguns minutos votando em mim.

Fiquei contente de chegar entre os finalistas e não dei muita bola para o fato de não ganhar na votação pela internet porque o resultado acaba sendo, sempre, proporcional à capacidade de mobilização das redes pelos candidatos — e automobilismo não briga com futebol nesse campo.

Saí feliz por ter encontrado grandes amigos, por ter conhecido Eliane Brum — a jornalista do “El País” fez um discurso histórico –, por ter visto meu professor Serginho Groisman depois de anos, por jantar na mesma mesa com o Cléber Machado e o Silvio Luiz, por ter tido a companhia do meu filho Pedro, e no geral posso dizer que foi uma noite bem legal. E não posso deixar de dizer que me emocionei muito com a homenagem a Ricardo Boechat e com as vitórias de muitos amigos, entre eles a turma da BandNews FM — Sheila, Barão, Carlinha, verdadeiros heróis da resistência.

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Mas saí deprimido — na verdade, puto — com os prêmios entregues a capachos de milicianos que posam de democratas e não passam de escrotos sem caráter com um microfone na mão. Gente que desonra a profissão.

Esse troço de voto pela internet, definitivamente, não funciona — está aí o caso do goleiro Sidão que não me deixa mentir. O pessoal do Comunique-se tem de repensar isso. Jornalismo é um negócio sério. Estamos desde o início deste governo sob ataque, sendo agredidos, ameaçados e ofendidos pela horda de ogros que assumiu o poder numa eleição fraudulenta. Premiar quem defende essa gente é bater palmas para o obscurantismo, o retrocesso, o autoritarismo. É um desserviço à democracia.

AINDA NÃO VOTARAM?

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RIO (até 13 de outubro) – Pois votem.

Votem nos textos do blog, maravilhosos e inesquecíveis!

Votem em quem escreve sobre automobilismo para derrotar a ditadura do futebol!

Votem em quem mantém um blog há 14 anos ininterruptos e nunca pediu nada a vocês!

Votem nesse rostinho lindo e angelical que tira selfie com carro alugado na Bahia!

Votem porque nós merecemos!

Prêmio Comunique-se – categoria Imprensa Escrita/Esportes. Estamos na final!

Se ganhar vou ficar tão feliz que é capaz de sortear alguma coisa inédita e rara aqui!

(Gastei toda minha cota mensal de pontos de exclamação.)

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SE GANHAR, É DE VOCÊS

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trophy

RIO (notícia boa de fim de ano) – Oxe que fiquei feliz da vida hoje ao descobrir que sou um dos três finalistas do Prêmio Comunique-se 2019 — o “Oscar do jornalismo” no Brasil. Feliz e surpreso, porque a concorrência na minha categoria é brava e é raríssimo alguém que escreve sobre carros e corridas ser qualificado para uma decisão. Todos os candidatos são jornalistas que falam sobre futebol, e graças a vocês meu nome apareceu primeiro numa lista de dez e, agora, foi à grande final.

Concorro na categoria “Imprensa escrita – Esportes”. Como só escrevo aqui, atualmente, é lícito acreditar que os votos que me colocaram nessa lista tríplice saíram de vocês. A votação é feita pela internet neste link aqui. Se acharem que devem, votem de novo, uai!

Os outros finalistas são meus amigos Mauro Cezar Pereira, que tem um blog no UOL, e Milton Neves, por sua atuação como colunista no jornal “Agora” — claro que eles fazem outras coisas também, como eu, mas as indicações referem-se ao trabalho na imprensa escrita, não no rádio e na TV.

Um prêmio para este blog é, também, um prêmio para o jornalismo automobilístico. Aliás, estou creditado pelo “Comunique-se” como colunista do Grande Prêmio — e essa, hoje em dia, é minha função, mesmo, no jornalismo escrito. Acho bem legal essa coisa meio “outsider” de se meter entre os grandões. Alguns anos atrás uma reportagem do Grande Prêmio ganhou o Prêmio ACEESP, da crônica esportiva paulista, derrotando todos os jornais e revistas da época com suas matérias futebolísticas que, via de regra, têm muito mais leitura que qualquer coisa sobre velocidade.

Vão lá e votem, prometo que se ganhar vou buscar o prêmio de Lada!

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VOTEM! (EM MIM)

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RIO (merecido, creio) – Recebi um e-mail da organização do Prêmio Comunique-se informando que estou entre os dez finalistas na categoria Mídia Escrita deste ano, graças ao Grande Prêmio e a este blog. É OBRIGAÇÃO de todos os leitores desta página votarem em mim!

Basta entrar neste link aqui. Não precisa de cadastro nenhum, é só logar com a senha do Facebook. Se eu ganhar, prometo escrevo meu segundo romance até março.

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Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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