
SÃO PAULO (coragem!) – Pode-se dizer que o W14, novo carro da Mercedes apresentado hoje, surpreendeu. Porque a equipe simplesmente não abandonou a ousadia de fazer um automóvel magricela, um quase “zeropod”, com a parte traseira mais estreita e diferente de todos os demais modelos que nasceram das pranchetas da F-1 a partir do novo regulamento do ano passado.
Ainda que menos radical do que em 2022, a insistência no conceito aerodinâmico, segundo Lewis Hamilton, se explica porque “a Mercedes não é o tipo de equipe que copia as outras”. Depois, referiu-se aos clones da Red Bull deste ano — quase todos — e às ideias aplicadas pela turma da Ferrari, com suas duas banheiras laterais.
Segundo todos que estiveram na apresentação, o que tem de novidade nesse carro só dá para ver se ele for virado de cabeça para baixo. Está tudo no assoalho, redesenhado para, óbvio, melhorar os fluxos de ar.
A Mercedes terminou o ano passado bem melhor do que havia começado, fazendo uma dobradinha em Interlagos — sua única vitória na temporada. “Confio nos nossos engenheiros. Temos dois pilotos que guiam de forma semelhante e se tiver algum problema nesse carro vai ficar claro imediatamente e teremos tempo de corrigir”, disse Lewis.
Hamilton esteve na apresentação ao lado do companheiro George Russell e do novo piloto de testes Mick Schumacher. O W14 veio preto, como em 2020 e 2021. Foi o que mais chamou a atenção nas redes sociais, diga-se. “É preto!” virou trend topics no Twitter brasileiro. Motivo: 3 kg a menos de tinta prateada. “Nascemos como flechas de prata no passado por raspar a tinta” lembrou o chefe Toto Wolff, voltando aos anos 30 do século XX. Na época, diz a lenda, a Mercedes tirou a pintura branca, tradicional em carros alemães, para reduzir peso. Ficou na lata. No caso, no alumínio. “Agora, quando a gente tira a tinta fica na fibra de carbono”, concluiu.
De fato. A fibra de carbono é preta e muitos carros deste ano têm enormes porções cruas, sem pintura. O preto vai predominar na maioria. No caso da Mercedes, combinou com o que o time já usou, então está tudo bem. E ficou lindíssimo.
Vai ganhar o campeonato? Não sei. Considero a Red Bull muito favorita. Mas vai andar mais que no ano passado. Bate a Ferrari. Acho que tem briga.
No mais, duas informações relevantes sobre Hamilton. A primeira: ele disse que vai continuar a correr “mais um pouquinho”. Negociações para renovação de seu contrato, que termina no fim do ano, vão começar em breve. Sem pressa, de acordo com as partes envolvidas. A segunda: o piloto disse que vai seguir “falando o que pensa”. A referência é à lei da mordaça proposta pelo lamentável presidente da FIA, Mohammed ben Sulayem, que atacou as manifestações “políticas” nas corridas de F-1 em claro recado a Lewis. “Nada vai me parar”, afirmou o heptacampeão.
Ótimo. Que fale cada vez mais. Vozes como a dele são necessárias, essenciais, imprescindíveis.