Blog do Flavio Gomes
Automobilismo internacional

QUAL É A DA ANDRETTI?

SÃO PAULO (pode ser, sei lá) – Antes de seguirem a leitura acreditando que a resposta à pergunta do título estará aqui, já antecipo: não sei. Não sei, não quero saber, tenho raiva de quem sabe. A carta acima, em duas folhas digitais, foi publicada hoje por Michael Andretti aos seus fãs. “Fans”, em inglês, […]

SÃO PAULO (pode ser, sei lá) – Antes de seguirem a leitura acreditando que a resposta à pergunta do título estará aqui, já antecipo: não sei. Não sei, não quero saber, tenho raiva de quem sabe.

A carta acima, em duas folhas digitais, foi publicada hoje por Michael Andretti aos seus fãs. “Fans”, em inglês, é “fãs”, mesmo. Mas tem um sentido ligeiramente diferente daquele que atribuímos à palavra em português. Esse “fans” aí é mais “torcedores”. Você pode ser fã de alguém e não ser torcedor, necessariamente. Eu era fã do Sócrates, por exemplo. Mas quando ele jogava contra a Portuguesa, torcia para que ele ele pisasse num buraco e torcesse o pé entrando em campo. Torcia por um pé torcido, vejam só. Também sou fã do Chico Buarque. Mas se estivesse no Festival da Record de 1967, estaria torcendo por “Domingo no Parque” do Gil, e não por “Roda Viva” — ambas lindíssimas.

Por isso acredito que a carta do Michael Andretti é para os torcedores de sua equipe, mesmo. Porque ele tem outros fãs que não ficam roendo as unhas por ele. Admiram-no e basta.

Mas não importa para quem é a carta, estou divagando numa discussão linguística que não faz muito sentido. O lance é seu conteúdo. Michael Andretti está saindo do comando da Andretti Global, a holding que abarca todas as atividades da família no esporte motorizado. Tem equipe de F-Indy, F-E, IMSA e mais quatro categorias — veja aqui. Mas não tem a F-1. Que é o que Michael queria, e a F-1 não deixou.

A carta é toda emotiva, cheia de clichês e lugares-comuns, mas o que interessa aí é que o ex-piloto, filho de Mario Andretti, campeão mundial de 1978, avisa que está “passando o bastão”, como escreveu, ao seu sócio Daniel Towriss. Muito prazer, não sei quem é. Fui pesquisar e descobri que trata-se de um senhor de careca lustrosa que responde também pelo Grupo 1001, que por sua vez nada tem a ver com a empresa de ônibus que liga o Rio a São Paulo por R$ 105,38. Esse grupo é capitalista selvagem, mesmo: seguros, investimentos, essas coisas.

A Andretti se inscreveu junto à FIA para disputar o Mundial de F-1, foi aprovada, mas meses depois os capangas da Liberty, associados aos molambentos donos de equipes, vetaram sua entrada no campeonato. E olha que Michael já tinha firmado até uma parceria com a GM, via Cadillac. Aí mandaram dizer que aceitam a Cadillac como fabricante de motores só a partir de 2028. As justificativas para a negaticva, todas, foram furadas e estapafúrdias. Entre elas, afirmar que a Andretti “não agrega” nada à categoria e que precisaria “comprovar sua capacidade de ser competitiva”.

É uma papagaiada que mostra, apenas, que a F-1 virou um clubinho de dez equipes unidas em torno de um grupo americano que entende de mídia, mas não de automobilismo. Uns palermas fechados para a competição de verdade.

Acho que Michael cansou dessa história. Há quem pense que não, que ele sai de campo estrategicamente para tentar descobrir se o problema da F-1 é algo pessoal com seu cavanhaque, caso a calvície de seu sócio seja mais bem aceita.

Como disse lá em cima, não tenho resposta. Mas sempre tenho palpites e opiniões formadas ou em formação sobre tudo. E o meu palpite nesse caso específico é de que não veremos nunca a Andretti na F-1. Careca ou cabeluda. O que é uma derrota para o esporte.

Mas espero estar errado.