TagDDR

MOTOLAND

M

RIO (e o carro, senhores…) – Recebi no dia 1º de maio, mas só agora lembrei de postar. A mensagem do Anderson Grzesiuk diz o seguinte:

Prezado Flavio, vi estas fotos antigas da comemoração do Dia do Trabalho em 1961, na cidade de Zschopau (cidade da MZ) na extinta DDR, e achei que você gostaria de ver este Wartburg 331-2 Cabriolet, utilizado pela equipe de TV para filmar o desfile. De brinde, segue uma foto com o caminhão da fábrica da MZ que participou também do desfile.

Era em Zschopau que ficava a maior fábrica de motos DKW antes da Segunda Guerra (estive lá em 2008). Depois ela foi incorporada pelo governo da Alemanha Oriental e passou a fazer as gloriosas MZ. Grandes fotos!

NAS ASAS

N

Vai ser difícil identificar o avião na foto enviada pelo Anderson Grzesiuk, o blogueiro de sobrenome mais complicado que conhecemos (como fala Grzesiuk?). Mas o aeroporto, bem esse conhecemos. Ou não?

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CARS & GIRLS

C

fabricatrabigirl

Na Alemanha Oriental, as mulheres eram estimuladas a trabalhar para viverem em igualdade de condições com os homens, inclusive salariais. Dispunham de creches do Estado para que a maternidade não fosse um inibidor de seu ingresso no mercado de trabalho, além de toda uma estrutura de saúde voltada exclusivamente para elas. Talvez por isso fosse um país com alto índice de divórcios. Neguinho enchia o saco, tomava um pé na bunda e pronto. A fila andava.

DICA DO DIA

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[bannergoogle]RIO (sempre aprendendo) – Que história mais maravilhosa, esta contada no “FlatOut” pelo Leonardo Contesini. Trata-se do Porsche 356 feito na… Alemanha Oriental!

Ah, precisa ler para entender tudo. O texto é muito bem escrito, marca registrada do site, e só vou deixar aqui um “teaser”: esse carro foi feito por dois irmãos gêmeos de Dresden com a ajuda do próprio Ferry Porsche.E, como se vê na foto abaixo, um dos exemplares sobreviventes foi restaurado e parece sorrir para quem o vê.

Foi o Julio Cezar Kronnenbeer quem mandou o link.

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NÃO ACHEI

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RIO (que pena) – Ao ver esta foto num delicioso perfil que sigo no Twitter (@DDROnline), fui tomado de uma irresistível vontade de me hospedar no Palasthotel na próxima pingada em Berlim. Sem titubear, coori para os sites de reservas, mas não encontrei a histórica hospedaria — tinha até umas suítes reservadas para a Stasi dar uma monitorada básica nos visitantes estrangeiros.

Aí lembrei que o hotel foi inexplicavelmente demolido em 2000, só porque tinha um pouco de amianto a mais na construção. Muita frescura.

palasthotel

ENCHE O TANQUE

E

RIO (saudades do que não vi) – Sigo uma página com fotos da DDR no Facebook e às vezes pingam coisinhas lindas como essa aí embaixo. Me parece um “posto de gasolina noturno” — as aulas têm sido proveitosas. Só não sei direito como funcionavam essas coisas. Talvez as caixinhas guardassem galões já com óleo misturado e em quantidades determinadas. O do cara parece de 5 litros. Uma moedinha para abrir a bagaça e pronto, ninguém ficava sem gasolina quando os postos estavam fechados.

A Alemanha Oriental era demais.

nachttank

RÁDIO BLOG

R

Por esses dias surgiu no Brasil, este país cada vez mais decrépito intelectualmente, uma ridícula discussão ligando o nazismo ao comunismo. A ponto de alguns afirmarem que os nazistas tinham “socialista” no nome do partido que levou Hitler ao poder e, portanto, eram comunistas. Não vou nem comentar, a preguiça é cada vez maior. Mas aproveito o ensejo para mostrar este clipe porque, além de o hino ser lindo, aos 36 segundos dá para ver o que os comunistas acham do nazismo.

DDR NA F-1

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barthedgar

RIO (que história!) – Graças ao Renato Breder, que postou um comentário no texto sobre minha passagem por Eisenach, fiquei sabendo que a EMW teve uma breve passagem pela F-1, no GP da Alemanha de 1953. E que a gloriosa DDR, de alguma forma, esteve na categoria representada pelo piloto Edgard Barth — que depois emigraria para a Alemanha Ocidental.

A história é muito boa, então vamos contar com aquilo que pude pesquisar rapidamente.

Barth nasceu em Herold-Erzegeberge (pequeno distrito de Thum, na Saxônia) em 1917 e na juventude foi piloto de motos da DKW, cuja fábrica ficava ali perto. Depois, migrou para os carros e passou a correr de BMW. Quando a fábrica de Eisenach foi nacionalizada e virou EMW (para entender, vejam o relato neste post), ele começou a correr pela marca.

[bannergoogle]A Alemanha Oriental foi fundada só em 1949, e Edgar, então, passou a ser cidadão da DDR. Mas as restrições para sair do país, antes de ser levantado o Muro, em 1961, não eram tão rígidas. Como era bom piloto, vivia correndo do lado ocidental. A Porsche, inclusive, o convidou para ser piloto oficial. Ele foi, mas sempre que tinha de disputar alguma prova fora do país sua mulher e seu filho tinham os passaportes apreendidos para não fugirem, obrigando o cara a voltar.

Um dia, em 1957, Barth venceu uma prova em Nürburgring e, diz a lenda, na cerimônia de pódio tocaram o hino da Alemanha Ocidental, em vez do belíssimo tema da Alemanha Oriental. Aparentemente ele não deu muita bola. Os agentes do governo que o acompanhavam, claro, relataram o episódio às autoridades e a vida começaria a ficar complicada para ele.

No fim daquele ano, então, a esposa e o filho de 10 anos, Jürgen, pegaram um trem até Berlim e, aproveitando certo relaxamento na fronteira num feriado, se pirulitaram para a Alemanha Ocidental e nunca mais voltaram.

Edgar tinha disputado já o GP da Alemanha em 1953 pela EMW, que inscreveu uma linda baratinha R2 com motor BMW 2.0 na corrida com o numeral #35 — tem miniatura, aceitamos. Largou em 24º e abandonou com problemas no escapamento. Foi a única presença de piloto e carro alemães orientais na categoria. Depois, ele voltaria a correr três GPs pela Porsche e um pela Cooper, já emigrado.

O curioso é que o filhote Jürgen se envolveria com automobilismo, também, como mecânico e, depois, engenheiro da Porsche. Para a marca de Stuttgart, foi navegador e piloto de rali no fim dos anos 60 e, em 1977, venceu nada menos do que as 24 Horas de Le Mans ao lado de Jacky Ickx e Hurley Haywood.

Edgar morreu cedo, aos 48 anos, de câncer. Não viu Jürgen correr, mas deixou nele a herança de grande piloto.

E nos anais de Eisenach está lá: um carro feito na cidade disputou um GP de F-1. Fiquei sabendo hoje. Meus blogueiros sempre ensinando alguma coisa…

ENCHE O TANQUE

E

O melhor de todos os tempos na série: um posto Minol na DDR, abastecendo a frota dois tempos já com a gasolina misturada no óleo. Eu queria ter vivido nesse país. Foi o Anderson Grzesiuk que mandou. O vídeo é de 1989, está cheio de Trabis, Wartburgs e vida.

FOTO DO DIA

F

O Anderson Grzesiuk (alguém diga esse sobrenome em voz alta e informe de onde é!) mandou. Uma revenda IFA na Alemanha Oriental com um Wartburg zero na vitrine! Arrumem uma máquina do tempo, agora!

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DICA DO DIA

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SÃO PAULO (ser feliz…) – Acho, só acho, que alguns desses já pingaram aqui um dia. Mas ver corrida de Trabi, de Lada, Skoda, Wartburg, monopostos do Leste Europeu em geral é sempre uma alegria sem fim. O Dante Decker (será que anotei certo?) mandou a dica do canal no YouTube. Vejam o que tinha de gente nesses autódromos, e notem como é fácil ser feliz com motores de 1.000 e 1.300 cc numa pista.

MOTOLAND

M

SÃO PAULO (desculpem o atraso) – Começando (meio tarde) o dia com esta pequena coletânea de motos da Cortina de Ferro. Um blogueiro simpático mandou pelos comentários. Escolhi essa IFA premiada em Pebble Beach para ilustrar. A IFA depois batizou a fábrica de motos de Zschopau (de onde saiu a minha DKW 1936), na Alemanha Oriental, como MZ. MZ que foi fabricada no Brasil, no Rio Grande do Sul, nos anos 80.

bkmz

O OUTRO MURO

O

SÃO PAULO (e outro mundo) – Em 19 de agosto de 1989, um piquenique agendado para as 15h na fronteira entre Áustria e Hungria começou a derrubar o Muro de Berlim — que cairia de vez em 9 de novembro daquele ano.

A história toda começou quando o governo húngaro, reformista, resolveu desmontar a cerca que separava o país da Áustria. Como aos alemães-orientais era permitido viajar para a Hungria, os que ficaram sabendo da abertura da fronteira aproveitaram para tentar conhecer o Ocidente. Muitos não voltaram. A história toda está aqui, no “Opera Mundi”, em excelente texto de Rafael Targino — que só escorregou na descrição dos Trabants, mas está perdoado.

Quem mandou o link foi o Sérgio Santana, pelo Twitter, a quem agradeço pela lembrança de algo que quase passa batido. É episódio considerado menor na história do fim da Cortina de Ferro, mas que está repleto de lindas e emocionantes imagens (vejam o vídeo no “Opera Mundi”). Há um memorial no local, a cidade de Sopron, na Hungria. Está aí embaixo.

Mais um destino a ser visitado.

NAS ASAS

N

SÃO PAULO (frota de sonho) – A Raisa Marques que mandou a foto. Na verdade, mandou o link de uma página no Facebook cheia de fotos legais da Cortina de Ferro. Pincei algumas que vou pingar aos poucos aqui.

Bom, os carros acho que vocês sabem quais são. Mas e o pássaro da Interflug?

interflu

AS LIMOS

A

limopres1SÃO PAULO (sou mais a conversível) – Leio que no próximo dia 29 de setembro o governo dos EUA vai informar qual será a próxima limusine presidencial, que deverá entrar em operação em 2015. Possivelmente a GM continuará fornecendo o carro, hoje um Cadillac montado sobre chassi de caminhão à prova de ataques nucleares, granadas, mísseis intercontinentais, terremotos e funk no som do carro ao lado.

Vi essa bagaça de perto coisa de um mês atrás em Berlim, quando Obama passou pela cidade para espionar meus e-mails. A foto mostra quando as duas passaram pela minha bicicleta. São duas, suponho, para que um eventual flanelinha não saiba direito para quem pedir dinheiro se ele resolver ver um joguinho no Pacaembu. Enquanto um estaciona, o outro abre a janela e chama o cara pra pedir uma vaga. Conheço esses macetes.

Essa limusine americana é bem feinha. O governo dos EUA já usou carros mais interessantes, e até o Itamaraty dos milicos me parecia mais simpático.

Mas inigualável é esse aí embaixo, feito pela Sachsenring para uso dos líderes nos bons tempos da DDR. Tirei a foto na mesma viagem, no Museu Horch em Zwickau. Como se vê, eles não tinham medo do povo. Obama tem.

limopres2

CARS & GIRLS

C

SÃO PAULO (procurem os detalhes) – Proponho um jogo dos sete erros para esta foto. O primeiro, evidente, é que Trabant não quebra. Muito menos os militares, feitos para perseguirem inimigos imperialistas em seus automóveis do lado de lá do Muro, como Porsche, Mercedes, Audi e BMW — sempre alcançados pelos velozes modelos “Tramp” sem muita dificuldade, dada a aerodinâmica sofisticada de nossos representantes.

O resto vocês descubram.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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