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SENNA, 50 (5)

S

SÃO PAULO (algo mais?) – Passagem razoavelmente obscura sobre Ayrton Senna nos meses que antecederam sua contratação (opção, talvez) pela Toleman foi um teste que fez em Paul Ricard com a Brabham de Bernie Ecclestone e… Nelson Piquet.

Quem mandou a foto e o relato que segue foi o blogueiro Arthur Bomfim. Ele não mencionou a fonte do texto, e é claro que se alguém souber onde foi publicado originalmente, o crédito será dado aqui. De qualquer forma, segue:

Concluindo os testes de Ayrton Senna na pré F-1 em 1983, mostrarei seu último teste antes de assinar com a equipe Toleman. A equipe da vez foi a Brabham.

Depois de bater recordes de pista e andar mais rápido que os pilotos titulares nos três testes anteriores, Senna é convidado por Bernie Ecclestone, chefe da equipe, para dar algumas voltas em sua Brabham no circuito francês de Paul Ricard. O teste foi marcado pelo primeiro encontro de dois gênios brasileiros na F-1: Nelson Piquet Sotto Maior e Ayrton Senna da Silva.

Piquet foi primeiro a andar. Deu algumas voltas, fez um acerto no carro e virou 1mn05s90. A partir daí, o carro não mais seria modificado. Os pilotos convidados para testar a Brabham foram Senna, claro, o colombiano Roberto Guerrero, o italiano Mauro Baldi e seu compatriota Pierluigi Martini. Com a saída de Riccardo Patrese da Brabham para a Alfa Romeo, uma vaga de segundo piloto se abriria para guiar a Brabham ao lado do bicampeão Piquet.

Bernie estava muito animado com o teste, e em tom de brincadeira disse que apostava que Senna seria mais rápido que ele. “Tudo bem, aposto 100 mil dólares…”, disse Piquet já mordido com as comparações. Senna e Baldi viraram praticamente o mesmo tempo, Guerrero e Martini vieram um pouco atrás. Os tempos:

Paul Ricard, 14 de novembro de 1983 – Brabham BT52B BMW
1min05s90 Nelson Piquet
1min07s80 Mauro Baldi
1min07s90 Ayrton Senna
1min08s60 Roberto Guerrero
1min08s90 Pierluigi Martini

“Claro que eu seria mais rápido. Eu tinha acabado de ser campeão mundial naquela Brabham. Se um cara que estava conhecendo o carro naquele dia conseguisse me superar, era hora de fazer a mala e ir embora para casa”, disse Piquet. Senna: “Meu pior teste, com certeza, foi com a Brabham em Ricard. Eu estava sentindo que podia fazer muito mais”.

Dois problemas afetaram uma possível ida de Ayrton para a Brabham. O primeiro foi a intervenção da Parmalat, que queria um nome italiano vinculado com o seu carro para garantir maior atenção da imprensa italiana, e o segundo, partiu do próprio Piquet, que não queria Ayrton no time. Fato este que Nelson negou veementemente, mas Herbie Blash, diretor da Brabham, Chris Witty, diretor da Toleman e Ayrton Senna disseram o contrário. Para Bernie, foi até mais que um veto: “Nelson ficou muito chateado quando descobriu. Percebi isso porque ele, pela primeira vez, levou um assunto ao patrocinador. Disse à Parmalat que era estupidez ter dois brasileiros, pois eles nunca iriam se dar bem. E eu disse à Parmalat que Senna era mais veloz que Piquet e que era por isso que ele não o queria na equipe”.

Resultado: a Brabham ficou com um italiano para a temporada de 1984, mas não foi nem Baldi e nem Martini. O escolhido foi Teo Fabi.

Como eu disse, o episódio é obscuro pelas negativas de Piquet, que jura nunca ter vetado ninguém. E também porque até hoje tem gente que garante que Senna colocou tempo em Nelson, o que não é verdade. Mas a história é ótima. A foto também.

BAÚ DO SIDNEY

B

SÃO PAULO (promessa é dívida) – Olha, cá entre nós, acho bem mais interessante que aqueles bichinhos de pelúcia da Parmalat… Brincadeira, aquela propaganda era uma gracinha, também. A dos pequenos mamíferos.

Mas sabe como é… No ano em que essa foto foi tirada pelo Sidney Cardoso nos boxes da Brabham em Jacarepaguá, eu pessoalmente não estava muito interessado em leite de caixinha.

(Nossa, que coisa horrível de se dizer. A ala feminina do blog hoje vai me achar um cafajeste. E Nick B. vai enxergar alguma besteira, lógico.)

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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