Arquivosegunda-feira, 21 de julho de 2008

NADA DE ORDENS!

N

SÃO PAULO (tá bom) – Reproduzo post que coloquei agora há pouco no meu bloguezinho de F-1 no site da Bridgestone.

“Ron Dennis jura que não mandou Kovalainen deixar Hamilton passar ontem. Disse que a decisão foi do finlandês, ao perceber o ritmo do companheiro. Pode até ser. Mas se ele não deixasse, a ordem viria. O que dá no mesmo.”

Acrescento apenas que não sou 100% contra ordens de equipe. Dependem muito da situação. Afinal, trata-se de um campeonato de equipes, também. Ninguém corre sozinho. Ontem, era claro que deveria ser dada. Aliás, nem precisava, mesmo. Qualquer piloto sensato faria o que Kovalainen fez. Por isso que o episódio não mereceu deste que vos fala maior destaque. Foi algo natural.

Sou contra, sim, pataquadas como a de 2002 na Áustria. Aquilo foi ridículo. Começo de temporada, decisão desnecessária, boba, um castigo injusto para o piloto que dominou o fim de semana todo, Barrichello. A Ferrari não precisava ter feito aquela bobagem. E Rubens não precisava deixar para a última volta. E Schumacher não precisava ter passado. Foi um festival de sandices.

ECOS DA DESPEDIDA (4)

E

SÃO PAULO (não subiu nem na carreta) – Muito do que foi a despedida do #96, para mim, vou guardar comigo mesmo. Especialmente aquilo que senti dentro do carro nas últimas 13 voltas da vida do carrinho em Interlagos, a largada, a tentativa de segurar o amarelinho, a única ultrapassagem que consegui fazer na corrida (e, por sorte, na frente da blogaiada no S do Senna), os acenos dos bandeirinhas, os carros que ficaram atrás de mim na volta aos boxes, escoltando o velho #96 de guerra, a chegada ao Parque Fechado, os abraços dos meus mecânicos, a turma da LF, a emoção do Rafa, do Nenê, do “seu” Finotti, a passagem pertinho do pit-wall assim que recebi a bandeirada…

Apesar da tristeza da despedida, que é natural, foi um sábado muito alegre porque ali terminou uma história muito bonita, e por decisão própria e tomada com a maior serenidade possível, sem grandes dramas, sem forçar barra nenhuma.

Não faz sentido, de fato, dramatizar a situação. Porque foram o maior barato, estes cinco anos — e mais ainda os últimos dois anos e meio, quando a blogaiada se incorporou à trajetória deste DKW que pode até não entrar para compêndio nenhum do automobilismo brasileiro, mas que passou a fazer parte da historinha de cada um de nós.

Vieram pessoas de muito longe para ver o #96 se esgoelar pela última vez. É gozado como o carro conseguiu isso. Curioso tentar entender este pequeno fenômeno branco sobre rodas, com uma bolota preta e número cor-de-laranja, carregando, com todas suas limitações, os sonhos e as lembranças de tanta gente.

O #96 cumpriu seu papel com grande dignidade. Hoje soube, pelo Nenê, que foi quase um milagre terminar a corrida. O carro não conseguiu nem subir a rampa da carreta que o levou de volta para casa. É que o motor foi colocado alguns dias atrás no lugar, e não andou nem um quilômetro antes de ir para a pista no sábado de manhã, amaciando, ainda, virando 2min47s. Na corrida, virou 2min42s, bem distante de seu recorde “pessoal” de 2min35s. Na subida dos boxes, pipocava feito louco e falhava, porque no fim estava meio fora do ponto. Normal. Um diazinho de treinos e teríamos detectado os problemas, mas não houve tempo, e o jeito foi acreditar que ele terminaria a corrida de um jeito ou de outro.

Terminou, sem dar espetáculo, mas sem decepcionar aqueles que foram a Interlagos para vê-lo. É um carrinho valente e sabedor de suas responsabilidades.

Eu teria, tenho, uma lista enorme de amigos a quem deveria agradecer nominalmente aqui. Correndo o risco de esquecer alguém, e é claro que esquecerei, vamos lá, de bate-pronto: Salomão, Nenê, “seu” Finotti, Rafa, Magrão, Fábio, Marconi, todos os mecas, desculpe se esqueço alguém, “todos” vale para todos, mesmo, Gustavo e Cláudio Ribeiro, Dú, Regi, Brandão, Ceregatti, Zuquim, Bonilha, Caio, Bianchini, Pavarotti, Mari, Jackie, Marilis, Vitão, Acarloz, Contreras, Eric, Cássio, Ronaldo, Ciro, Dinho, Jan, Joaquim, Veloz, Edison, Thiago, Magno (na arquibancada A, com a camisa antiga, como nas primeiras corridas…), Danilo, Romão, Ruiz, putz, chega, é claro que devo estar esquecendo metade, sorry, não tem mesmo como lembrar de todo mundo. Fazemos assim: quem eu esqueci, escreve aí embaixo nos comentários: “Canalha, me esqueceu! Assinado, Fulano”.

Bem, como se diz, uma imagem diz mais que mil palavras, mil imagens dizem mais ainda. Acho melhor parar por aqui, deixando no ar os links do álbum de fotos da corrida e outro do farnel, todas do Rodrigo Ruiz, nosso lambe-lambe predileto. Um dia vou me sentar e escrever algo à altura do #96. Mas com tempo, sem pressa.

ECOS DA DESPEDIDA (1)

E

SÃO PAULO (desacelerando) – Este foi um dos momentos mais bonitos da despedida do #96, sábado. Um vídeo preparado pelo Thiago Azevedo e por sua mãe Silvia, de Londrina, fazendo uma singela homenagem ao grande guru deste blog, Veloz-HP, Velov Agapov, Leandrov Alfonsov, que amava as coisas sobre rodas que corriam. Até os Ladas, tenho certeza.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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