PEQUIM (vamos tentar) – São quase dez da noite por aqui e fui dar uma olhada no quadro de medalhas até agora. Ainda saem mais algumas hoje, mas nada que altere o conteúdo desta reflexão, que se eu não colocar no ar neste exato instante, não coloco mais, porque vou acabar esquecendo. Sempre sigo a filosofia chinesa, nessas horas. Confúcio, centenas de anos antes de Cristo, já ensinava ao seu fiel discípulo Gah-Fang-Yotong: “Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje, principalmente se tiveres um desejo incontrolável, porque amanhã pode ser feriado e vai estar tudo fechado”, e dizendo isso mandava o pobre Gah-Fang-Yotong à aldeia, longe pra cacete, para comprar pêssegos em calda.
China e EUA não têm mais concorrentes em Olimpíadas, são como Ferrari e McLaren, e vão lutar medalha a medalha até o final. Na classificação geral, está 52 x 45 para os americanos. No critério dos ouros, a China lidera: 27 x 16. A terceira colocada, no total de medalhas, é a Austrália com 25. Pelos critérios dourados, a Alemanha aparece em terceiro, oito ouros, 18 medalhas no total. É a BMW Sauber.
Eu curtia a Guerra Fria. A Alemanha Oriental sempre foi uma baita potência olímpica. Em 1976, em Montreal, ficou à frente dos EUA. O mesmo aconteceu em Seul/1988. Muitas de suas conquistas, porém, foram contestadas depois que caiu o Muro. Acusam a gloriosa DDR de abusar do doping. E quem não abusou? Talvez tenham abusado um pouquinho além da conta, mas por que tanto rigor, ora bolas?
Mas voltemos à China, porque o que quero dizer aqui é que aquele duelo entre URSS e EUA acabou, pela boa razão de que a URSS não existe mais, e por isso agora é a vez e a hora dos chineses. Por um bom tempo as Olimpíadas terão essas duas potências batendo de frente no esporte, porque grana faz muita diferença, e é na China e nos EUA que está o dinheiro. Ao resto dos filiados à ONU, sobrarão migalhas.
Só por curiosidade, somei as medalhas já conquistadas em Pequim pelas repúblicas que formavam a URSS. Até agora, seriam 58 no total: 12 de ouro, 18 de prata, 28 de bronze. Um bom resultado, sem dúvida, que colocaria essa URSS virtual em primeiro lugar no total de medalhas, mas apenas em terceiro quando se consideram os ouros como critério de classificação.
Ao final dos Jogos, me lembrem de fazer essa conta de novo, ok? Quanto ao Brasil, com o ouro de Cielo hoje o país passou à 27ª posição, com um ouro e e quatro bronzes. À frente de países cuja qualidade de vida é bem melhor, como Suíça, Finlândia, Suécia, Áustria e Dinamarca. Mas atrás de outros que não são lá grande coisa no cenário geopolítico (tem hífen?) internacional, como Ucrânia, Eslováquia, Geórgia, Zimbábue, Azerbaijão e Mongólia.
Vamos ver no final. Até hoje, a melhor participação brasileira em Olimpíadas, no total de medalhas, foi em 1996, em Atlanta: 15, sendo três de ouro, três de prata e nove de bronze. Em ouros, a melhor foi em Atenas/2004: cinco.