SÃO PAULO (ar fresco) – A Red Bull não é uma novidade na F-1, já está no barco há algum tempo, mas é, sem dúvida, o que de mais novo há em termos de comportamento na categoria. Desde que chegou, quando comprou a Jaguar, tratou de mostrar que a F-1 não precisa ser uma chatice constante, formada por gente fresca, sisuda e que se sente no centro do unverso.
Bom-humor e descontração sempre foram sua marca registrada. Desde a recepção em seu motorhome, o melhor anfitrião do paddock, passando pelas promoções criativas com filmes (lembram dos personagens de “Star Wars” em Mônaco?), torcedores (o carro com fotos 3 x 4), viagens malucas (de Trabant da Hungria à Inglaterra), ou ainda no tom de seus comunicados de imprensa, sempre engraçados e espirituosos. Pena que o “Red Bulletin” não circula mais em papel, mas era também algo que destoava completamente do ranço e do queixo empinado do resto.
E, ao mesmo tempo, trabalhando duro e bem na pista. No ano passado, o time entrou para o seleto grupo dos grandes. Passou a vencer corridas com frequência, a fazer poles, lutou pelo título. Neste ano, é o melhor de todos.
Aí aconteceu o acidente entre Webber e Vettel na Turquia, e quando muita gente apostava que a equipe despencaria na vala-comum das crises-intermináveis-sobre-as-quais-ninguém-fala-abertamente, com gente cochichando pelos cantos e assessores de imprensa tentando apagar o incêndio, eis que dois dias depois o chefe da Red Bull dá uma entrevista à própria assessoria falando tudo sobre o assunto. E, hoje, os dois pilotos pedem desculpas públicas pela cagada, prometem que não vão mais repeti-la, e se deixam fotografar do jeito que estamos vendo.
Pois pensem o que quiserem. Para mim, Vettel e Webber passaram a borracha nesse assunto. A foto, para mim, é definitiva. São profissionais, mas isso não os torna robôs. Têm sentimentos, sabem que fizeram coisa errada, seguirão a vida na boa.
A Red Bull é um exemplo de comportamento. Mesmo que vocês me achem bobo ou ingênuo. É bem melhor isso, ser bobo e ingênuo, do que admirar a “seriedade” da Ferrari, por exemplo, na administração das crises entre Barrichello e Schumacher. Ou da McLaren no affair Alonso x Hamilton. Alguém pode imaginar uma foto como essa com Rubens, o Injustiçado, e Schumacher, o Canalha, anos atrás? E a legenda “shit happens”, em comunicado oficial? Já imaginaram a Ferrari, do alto de sua infalibilidade, escrever algo parecido em seus sagrados papéis timbrados?
Para ficar no clima, nem fodendo.