Blog do Flavio Gomes
F-1

O JEITO CERTO

SÃO PAULO (ar fresco) – A Red Bull não é uma novidade na F-1, já está no barco há algum tempo, mas é, sem dúvida, o que de mais novo há em termos de comportamento na categoria. Desde que chegou, quando comprou a Jaguar, tratou de mostrar que a F-1 não precisa ser uma chatice […]

SÃO PAULO (ar fresco) – A Red Bull não é uma novidade na F-1, já está no barco há algum tempo, mas é, sem dúvida, o que de mais novo há em termos de comportamento na categoria. Desde que chegou, quando comprou a Jaguar, tratou de mostrar que a F-1 não precisa ser uma chatice constante, formada por gente fresca, sisuda e que se sente no centro do unverso.

Bom-humor e descontração sempre foram sua marca registrada. Desde a recepção em seu motorhome, o melhor anfitrião do paddock, passando pelas promoções criativas com filmes (lembram dos personagens de “Star Wars” em Mônaco?), torcedores (o carro com fotos 3 x 4), viagens malucas (de Trabant da Hungria à Inglaterra), ou ainda no tom de seus comunicados de imprensa, sempre engraçados e espirituosos. Pena que o “Red Bulletin” não circula mais em papel, mas era também algo que destoava completamente do ranço e do queixo empinado do resto.

E, ao mesmo tempo, trabalhando duro e bem na pista. No ano passado, o time entrou para o seleto grupo dos grandes. Passou a vencer corridas com frequência, a fazer poles, lutou pelo título. Neste ano, é o melhor de todos.

Aí aconteceu o acidente entre Webber e Vettel na Turquia, e quando muita gente apostava que a equipe despencaria na vala-comum das crises-intermináveis-sobre-as-quais-ninguém-fala-abertamente, com gente cochichando pelos cantos e assessores de imprensa tentando apagar o incêndio, eis que dois dias depois o chefe da Red Bull dá uma entrevista à própria assessoria falando tudo sobre o assunto. E, hoje, os dois pilotos pedem desculpas públicas pela cagada, prometem que não vão mais repeti-la, e se deixam fotografar do jeito que estamos vendo.

Sempre haverá algum chato de plantão para dizer que é tudo fake, fingido, mentira. Sempre há, porque nem todo mundo acredita que as pessoas podem ser sinceras num sorriso ou num pedido de perdão. Sempre haverá algum pentelho dizendo que não devemos ser ingênuos, porque tem muita grana envolvida (bobagem extrema; e daí que tem grana? Vai deixar de haver se for tudo verdade?), porque há muitos interesses (quais?) e aquelas coisas de sempre.

Pois pensem o que quiserem. Para mim, Vettel e Webber passaram a borracha nesse assunto. A foto, para mim, é definitiva. São profissionais, mas isso não os torna robôs. Têm sentimentos, sabem que fizeram coisa errada, seguirão a vida na boa.

A Red Bull é um exemplo de comportamento. Mesmo que vocês me achem bobo ou ingênuo. É bem melhor isso, ser bobo e ingênuo, do que admirar a “seriedade” da Ferrari, por exemplo, na administração das crises entre Barrichello e Schumacher. Ou da McLaren no affair Alonso x Hamilton. Alguém pode imaginar uma foto como essa com Rubens, o Injustiçado, e Schumacher, o Canalha, anos atrás? E a legenda “shit happens”, em comunicado oficial? Já imaginaram a Ferrari, do alto de sua infalibilidade, escrever algo parecido em seus sagrados papéis timbrados?

Para ficar no clima, nem fodendo.