SÃO PAULO (23 graus, 46 no asfalto) – Acima de tudo, foi uma lição de esportividade da Red Bull. A dobradinha com Vettel e Webber, nessa ordem, deu ao time das latinhas o título de Construtores. Parabéns. Se as posições tivessem sido invertidas, daria do mesmo jeito. Mas Webber, o canguru tristonho, ficaria só um ponto atrás de Alonso e iria mais animadinho para a corrida final, domingo que vem em Abu Dhabi. Está a oito do espanhol.
Alonso foi o terceiro colocado em Interlagos. Tem 246 pontos. Webber foi a 238. Vettel saltou para 231. Hamilton, o quarto colocado na prova brasileira, tem 222 e chances matemáticas, mas irreais, de ganhar o campeonato. Button, o quinto, deu adeus ao bi.
Se a corrida das arábias terminar exatamente como terminou o GP do Brasil, Alonso será o campeão. Ficariam os dois rubrotaurinos empatados com 256 pontos e Fernandinho, com 261, sairia cantarolando e saltitando pelo paddock. Então, acredito que numa situação como essa a Red Bull manda seus pilotos trocarem de posição na derradeira prova do ano. E ninguém vai estranhar muito, nem será crucificada a equipe pela opinião pública. Afinal, vale título. E a vítima seria a Ferrari, que cansou de fazer essas coisas e não está nem aí para a hora do Brasil. Há limites para a generosidade, eu diria…
Mas o legal é que se a Red Bull fizer algo parecido, será só aos 44 do segundo tempo. Tendo deixado, de verdade, seus pilotos brigarem até o fim num Mundial muito legal. Sem tirar a chance de ninguém precocemente. Sem fazer escolhas, apesar do risco de perder a taça dos Pilotos. Mesmo sabendo que Vettel goza da simpatia interna, muito mais do que o sem-sal do Webber, ninguém está prejudicando o australiano. Tirando a asa dianteira que Sebastian ganhou de presente na Inglaterra, só havia uma, não se sabe de nenhum lance de sacanagem explícita contra o marsupial compridão da cara quadrada.
Do ponto de vista “mercantilista”, na falta de palavra melhor, o que a Red Bull fez hoje foi uma burrice fenomenal. Poucas equipes fariam o mesmo, acredito, conhecendo este mundinho como conheço. Arrisca-se a perder um título importante em nome da lisura, dos princípios que deveriam nortear qualquer esporte. Mas tem coisa mais bacana que isso?
Palmas para eles, que eles merecem.
Como, hoje, Vettel mereceu em Interlagos. E a Red Bull, a dobradinha. Como se previa, a noite de Cinderela do pole Hülkenberg tinha hora para terminar. E acabou na largada, antes do S do Senna, depois de uma partida meteórica de Tião Alemão. Webber também passou rápido pelo incrível Hülk, na curva do Lago, e aí os dois sumiram na tarde ensolarada entre as represas.
Alonso, El Fodón de las Astúrias, teve um pouco mais de trabalho. Foi superado por Hamilton, recuperou-se, teve de penar um pouco atrás de Hülkenberg e depois ficou passeando em terceiro, esperando o tempo passar. Nem o safety-car no fim, depois da batida de Liuzzi, mudou as coisas. Havia um monte de retardatários entre os ponteiros e não houve nenhuma briga digna do nome na relargada.
O GP do Brasil não foi dos melhores, no fim das contas. Houve alguma ação no pelotão do meio, muitas ultrapassagens, até, mas nada que conferisse grande importância aos destinos do universo. Os brasileiros viveram um dia daqueles. Massa teve uma roda mal presa no primeiro pit stop, parou de novo, bateu em Buemi e Petrov, chegou em 15º. Barrichello teve um pit stop lerdo, perdeu posições, bateu em Alguersuari, furou um pneu, chegou em 14º. Bruno terminou sem maiores problemas, lá atrás. E Di Grassi passou boa parte da segunda metade da prova nos boxes, consertando alguma coisa, mas foi até a quadriculada.
A decisão com quatro candidatos ficou para Abu Dhabi, pois. Há várias combinações possíveis de resultados. Não vale a pena, aqui, ficar fazendo contas. Alonso, para resumir, é campeão se ganhar ou chegar em segundo. A partir do terceiro lugar, depende de onde terminar Webber. E por aí vai.
Aguardemos. O título ficará em boas mãos com qualquer um deles. Eu acho que El Fodón vai acabar sendo campeão. Mas seria legal ver um garoto como Vettel levar a taça. Assim como um veterano desacreditado como Webber. E Hamilton, então? Seria um milagre inesquecível.
Para mim, tanto faz.
Mas vocês devem ter seus favoritos, não? Então aproveitem e, nos comentários, digam para quem estão torcendo, e quem vocês acham que vai ganhar.
