SÃO PAULO (vai dar o que falar) – Não, não são buracos na rua. São buracos nas asas traseiras de Schumacher e Rosberg, que foram formalmente contestados pela Lotus. E a FIA já rejeitou o protesto. Mas vale a pena ver o vídeo acima, autoexplicativo, para entender como funciona a grande sacada de Ross Brawn. Que funciona muito bem em classificação, quando o uso da asa móvel é livre, mas tem menos efeito em corrida, quando os trechos de ativação são limitados. Na China, porém, vai ser muito útil também na prova, por conta da enorme reta de Xangai.
O sistema é simples de entender, embora complexo de construir. Quando o piloto abre a asa móvel, expõe dois orifícios (ui) no aerofólio traseiro que dão acesso a um sistema de dutos que levam o ar em alta velocidade para a asa dianteira. Isso mesmo. Imagine uma tubulação embutida na parede. É mais ou menos isso. Mas ela só carrega vento. Esse ar entra pelo buraco, faz a curva e é direcionado para a frente, passa ao largo do carro pelos dutos, dos dois lados, até chegar à parte inferior da asa dianteira, por onde é liberado através de fendas sob o aerofólio em direção ao chão e ao fundo plano do carro.
O efeito é a criação de uma zona de baixa pressão debaixo da asa dianteira, reduzindo sua função. Com menor pressão aerodinâmica na frente, a tendência é o aumento da velocidade em reta e um maior equilíbrio entre as zonas de pressão geradas pelas asas dianteira e traseira. A asa móvel, aberta, tem a mesma função, diminuir a pressão aerodinâmica atrás. O carro fica mais rápido e equilibrado.
É genial e difícil de copiar, porque implica uma revisão dos projetos de todos os carros. Os engenheiros teriam de arrumar espaço para colocar os dutos em veículos nos quais espaço não é algo que costuma sobrar. Ross Brawn pode não ser um virtuose como Adrian Newey, mas é inteligente e tem boas ideias. Essa é uma delas.
