Arquivodomingo, 16 de março de 2014

MORTE EM SC

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SÃO PAULO – Edson Beber, 46 anos, morreu numa prova de arrancada de caminhões no litoral de Santa Catarina. As provas, ao que parece, são bem tradicionais em Balneário Arroio do Silva. E são disputadas na areia da praia.

Eu não conhecia, e nunca soube que existiam competições de arrancada para caminhões. Não sei se são supervisionadas por alguma entidade oficial. O que também não quer dizer muito, porque as entidades oficiais no Brasil não fiscalizam nada e de nada entendem.

Ao ver o vídeo no link do “Diário Catarinense”, achei bem perigoso, pela proximidade do público. Mas pode ser uma falsa impressão. O que não é falsa impressão é que o cara dentro do caminhão estava sem capacete, de boné e camiseta. É só congelar a imagem aos 3 segundos.

Uma várzea. Como é que alguém permite um troço desses, não sei. Como é que alguém que tem alguma experiência em competições automobilísticas disputa uma prova desse jeito, também não sei.

MEU, BURN (5)!

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magnetMelbourneSÃO PAULO (esses caras…) – Bom, faz um tempão que anunciaram a punição a Ricciardo, mudando o resultado do GP da Austrália. O australiano foi desclassificado porque os comissários da FIA concluíram que o fluxo de combustível para seu motor era superior a 100 kg/h, como determina o regulamento. A Red Bull esperneou, o sistema parece ter alguns buracos, mas o que vale por enquanto é isso: todo mundo que estava atrás dele subiu uma posição. Pobre Daniel Risada.

Sorte então de Magnussen, que virou o segundo colocado, seguido por Button, que ganhou um troféu de presente, e os demais na zona de pontos: Alonso, Bottas, Hülkenberg, Raikkonen, Vergne, Kvyat e Pérez.

A decisão saiu cinco horas depois da bandeira quadriculada. Com isso, a Red Bull fecha um GP sem pontos pela primeira vez desde o GP da Itália de 2012. O resultado atualizado da corrida de Melbourne está aqui.

MEU, BURN! (4)

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aussiemagnetSÃO PAULO (assim, assim…) – O pódio foi legal. No meio, Rosberguinho todo elegante e formoso. À sua direita, Daniel Risada com sua boca cheia de dentes. À esquerda, Kevin Magnólia meio atônito, sem entender direito o que estava acontecendo.

Um resumo do GP da Austrália em poucas palavras? Vamos lá.

Vitória da Mercedes, previsível, segundo lugar da Red Bull, surpresa, e terceiro promissor da McLaren com um estreante. Williams que andou bem com Bottas e não andou com Massa, atropelado por Koba-mico, Ferrari que de novo fez um carro de quinta (posição), 15 pilotos completando a prova, Hamilton e Vettel emburrados e uma corrida ruim, no fim das contas, que valeu pela alegria rasgada de Ricciardo e pelo terceiro lugar de Magnussen, e que teve em Sapattos o único cara que lutou de verdade por posições, depois de algumas trapalhadas. O resto correu com medo de quebrar. E no fim das contas o bicho nem era tão feio assim. Quebras houve, claro, mas não muito mais do que a média para corridas inaugurais de campeonatos de carros.

Rosberguinho fez uma largada do capeta, saindo de terceiro para primeiro antes que Hamilton pudesse dizer “Pindamonhangaba”. Outro que partiu com disposição foi Bottas, de 15° para décimo. E Felipe, coitado, largou direitinho, estava bem posicionado para fazer a primeira curva, ninguém de um lado, ninguém do outro, quando levou um tranco por trás de Kobayashi. Inexplicável e decepcionante, num primeiro momento. Nosso mito virou mico. Pediu desculpas e tal, mas Massa tinha todos os motivos do mundo para estar putcho de la vita, como se diz em Ciudad del Este. Pediu que a FIA fosse rigorosa com o japonês.

Mas aqui se faz necessária uma explicação, para que não crucifiquemos Kobayashi antes do tempo, e injustamente. Uma hora depois da corrida, a Caterham informou que o japoronga ficou totalmente sem freio traseiro. E o que causou a pane foi algo “fora do controle do piloto”, e que o assunto seria levado à FIA. “The Stewards determine that the incident was caused by a serious technical failure completely outside the control of the driver…”, informou o Twitter do time, para terminar: “The team is directed to work with the FIA Technical Delegate in determining the cause of the systems failure.” Me parece claro que deu merda no tal freio eletrônico que a FIA inventou para ajudar a alimentar um dos dois motores elétricos da unidade de força dos infernos. E foi coisa séria.

Na panca, Kamui arrebentou a frente de seu carro e empurrou o Williams do brasileiro para a área de escape que, segundo aprendi na transmissão da TV, é agora composta por areia movediça — o que considero perigoso, o carro pode afundar e nunca mais ser encontrado, assim como seu piloto, se não for rápido para sair do cockpit; sempre tive muito medo de areia movediça, achei de mau-gosto a escolha desse material.

Na quarta volta, a Mercedes chamou Hamilton para os boxes. Contrariado, o inglês foi. Algo estava por quebrar. Uma volta depois, atitude semelhante com Tião, o Alemão. Foi para os boxes, não viu nenhum mecânico por ali, ficou no cockpit esperando, até que passou alguém com uniforme da Red Bull e perguntou a ele o que estava fazendo ali. “Pit stop, ora, pneus, regulagem na asa, paninho na viseira, aquela coisa toda, brakes, first gear, go, go, go!”, respondeu o piloto. O desconhecido encostou no carro, deu um tapinha no ombro de Sebastian e disse: “Pobre alma…”.

Como ninguém apareceu pra trocar pneus, regular as asas, limpar a viseira e dizer go, go, go, Vettel saiu do carro e foi embora.

Nico, o Rosberg, estava tranquilo na frente. O mesmo podia ser dito de Ricardão e sua arcada dentária privilegiada. E de Magnussen, também. Todos sossegados. Esgoelando-se vinha Bottas, já em sexto, quando exagerou na dose e deu uma lambida no muro com o pneu traseiro direito. A roda quebrou, ele teve de ir aos boxes e chamaram o safety-car para dar uma limpada na pista. Isso foi na 12ª volta. A relargada aconteceu apenas na 16ª. Um exagero dos infernos, para tirar apenas um pneu furado e um pedaço de roda da pista.

O fato é que todo mundo aproveitou para fazer a primeira parada, e Sapattos caiu para 16°. Teria de remar tudo de novo, como seus antepassados vikings fizeram séculos antes para chegar a Nova York.

Foi só uma licença poética.

Minhas anotações, depois dos pit stops, foram retomadas na volta 30 e escrevi no meu bloquinho: “NR DR KM NH FA JB JEV KR ninguém ataca ninguém, muita espera, é preciso reavaliar esse conceito de corrida, bom mesmo era quando tinha carro-asa e patrocínio de marca de cigarro, ah, que saudades daquelas manhãs de domingo em que comia pastel na feira e não precisava ficar escrevendo na puta da madrugada com um sono desgraçado”. Um dia esses bloquinhos serão encontrados e expostos num museu de literatura.

Na volta 33 Button abriu a segunda janela de pit stops e se deu muito bem, porque quando os outros pararam ele tinha conseguido duas posições, de sexto para quarto. Alonso também superou Hülkenberg, a quem perseguira durante boa parte da corrida sem conseguir passar, e Rosberguinho, na volta 39, foi o último da turma da ponta a parar. Sem sustos, sem pressa. Bottas, lá de trás, vinha passando todo mundo de novo e no finalzinho assumiu a sexta posição para lá ficar e pedir desculpas à Williams pela ligeira cagada no início. Não fosse aquilo, com o carro que tinha em mãos, talvez até pudesse pensar num pódio.

Fim de papo, os dez primeiros foram Rosberguinho, Risada, Magnólia, Bonitton, El Fodón de la Quinta Posición, Sapattos, Hulk, Kimi Tagarela (discreto e apático), Verme e Danii-se Kvyat, que estreou fazendo um pontinho e não tem do que reclamar — depois que explicou ao engenheiro a parada da Crimeia, conseguiu algum silêncio no rádio; mas desconfio que isso aconteceu mais pelas fotos de algumas moçoilas russas que mandou por whatsapp do que por algum interesse real do colega pela península do Mar Negro.

Foi a quarta vitória nico-rosberguiana na F-1, abrindo a nova era turbo da categoria. Ricciardo chegou ao pódio pela primeira vez, para júbilo da torcida marsupial, e Magnussen tornou-se o primeiro estreante a levar um troféu desde Hamilton em 2007 — de quebra, conduziu a Dinamarca ao pódio pela primeira vez.

E agora vou voltar ao leito. Quando acordar, conto como foi a prova da Classic Cup e minha vitória na categoria GTS com um Puma Transformer Mad Max numeral 69. O Lada quebrou no treino, eu já estava indo embora, quando tudo aconteceu e no fim das contas foi um dia ótimo que terminou com um trofeuzinho e a inesquecível placa “69 P1”. Mas essa história vai ficar para depois. Por enquanto, sigam o noticiário de Melbourne no Grande Prêmio.

podioaus2014

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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