Arquivosegunda-feira, 17 de março de 2014

COMPARE VOCÊ MESMO

C

SÃO PAULO (hum…) – Sem juízo de valor, aí estão imagens tomadas a partir das arquibancadas de Melbourne no GP da Austrália de 2013 e, na sequência, na prova de 2014. Ambas captadas na reta dos boxes ao final da primeira volta. Compare os roncos. Quem mandou foi o Ivan Capelli, pelo Facebook.

Quer saber? Sem juízo de valor o cacete… Ficou feio demais! Quero nosso barulho de volta!

NAS ASAS

N

SÃO PAULO (vinha rápido) – Comercial da VASP de 1962 enviado pelo Renato Soares, vemagueiro juramentado. A companhia aérea trazia do Chile os filmes dos jogos da seleção. Naquele tempo, transmissão só pelo rádio. As imagens eram vistas dias depois em cinemas e na TV. E o legal do fim do comercial: quem patrocinava as exibições dos jogos era a Vemag. Fora que a menina é linda…

COMO ASSIM?

C

SÃO PAULO (gente…) – A prova de arrancada de caminhão na praia que matou o piloto Edson Beber no último domingo tinha “supervisão” da Federação de Automobilismo de Santa Catarina, a Fauesc. Essa federação é filiada à CBA. O presidente da entidade, Almir Petris, é quem usa o termo “supervisão”. Mas, nesta entrevista aqui, diz que o regulamento e a organização, bem, isso não é com ele, nem com a Fauesc. É com a prefeitura de Arroio do Silva, Corpo de Bombeiros, arquidiocese, lojas maçônicas locais, talvez Rotary, Lions e seção brasileira da Al Qaeda.

OK.

Mas me digam uma coisa… Onde mais será possível encontrar uma prova de automobilismo supervisionada por uma federação de automobilismo na qual NÃO SE EXIGE CAPACETE???????? Como assim? Capacete é item básico até para andar de bicicleta! Como é que uma federação filiada a uma confederação nacional “supervisiona” uma competição na qual CAPACETE NÃO É EXIGIDO PELO REGULAMENTO????

Desculpem as maiúsculas. Estou gritando, sim.

HAPPY DAY

H

SÃO PAULO (Meianov vai a Guerra) – Ganhei. Ganhei uma corrida.

É incrível. Tem dia em que tudo começa errado, e foi assim ontem. Primeiro, porque não consegui dormir mais do que duas horas, entre o treino de classificação em Melbourne e a hora de acordar para ir a Interlagos. E quase perdi a hora.

Fui para o autódromo feito um zumbi. Menos de sono, mais de cansaço. Mas na hora em que entrei no carro, acabou tudo. Liga a ignição, a bomba de gasolina, o barulho do motor, muita gente para classificar, vamos em frente.

Meianov não estava bem das pernas. Motor falhando muito, me deixando irritado. Parei no box, Nenê deu uma olhada, viu que estava gotejando álcool num dos carburadores, algo que só daria para resolver depois do treino. “Vai lá, faz uma voltinha só para ter tempo e depois a gente vê.” Fui lá, virei uma voltinha vagabunda em 2min17s e alguma coisa, voltei para os boxes e quando estava entrando na garagem o motor apagou. Magrão e Marcônio, nossa dupla de mecânicos, se aproximaram, farejaram algo errado e vaticinaram: “É diferencial”.

Farejaram mesmo. O cheiro de óleo de câmbio era fortíssimo. Levantaram o carro, o diferencial tinha realmente quebrado. Pode levar embora.

Acabou.

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Nessas horas a gente fica desorientado. Não sabia se ia embora, se tacava fogo no Meianov, se ficava para ver a corrida, até que fui à sala de briefing e o Carlão Estites perguntou se eu queria largar com o Puma preto dele. Carlão corre de Passat, anda lá na frente, e o Puma preto, já um personagem histórico da nossa categoria, estava reservado para um amigo que por alguma razão desistiu de participar da prova. “É só colocar álcool e pronto, não precisa pagar nada, vai se divertir”, falou.

Fiquei meio assim… Afinal, já tinha disputado a primeira etapa do ano com um carro emprestado, o Bianco do Peixoto. Mais uma? Desci ao box do Guerra, que já estava sabendo do convite. “Senta aí, vê se gosta”, disse. Sentei, vi que com umas almofadinhas a posição de dirigir não seria tão ruim, assuntei aqui e ali e no fim topei.

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Faltava uma hora e meia para a largada e foi uma certa correria: mandar fazer os números, o nome, descer para colocar álcool, acertar o cinto, receber algumas instruções. Levei o carro até o abastecimento e voltei aos boxes. Foi toda minha experiência com o carro, que tem um baita de um motor e o resto, sinceramente, eu não tinha ideia do que encontraria.

69pretao3Fui para o grid e aproveitei as duas voltas antes de alinhar para pelo menos experimentar freio, câmbio, visibilidade, posição no banco. O carro é rápido, tem um canhão de dois litros lá atrás, mas eu mal conseguia enxergar entre o arco superior do volante e o painel, a perna esquerda, para acionar a embreagem, tinha de esticar pacas, e a terceira marcha não entrava direito.

Como classifiquei com um carro e tive de mudar a inscrição para largar com outro em outra categoria, a GTS, fui para a última posição do grid. Na minha contagem pela manhã, eram 37 carros para a largada. OK. Vamos ver o que vai dar. No mínimo, seria divertido.

69pretao1Larguei tranquilo, passei no motor uma meia-dúzia antes da primeira curva, outros quatro ou cinco antes do Lago e me acomodei tentando não fazer nenhuma cagada. Passeei várias vezes pelas áreas de escape por conta da terceira que não entrava e das rodas traseiras que travavam nas freadas mais fortes. Mas não rodei, e como não tinha grandes ambições, exceto terminar a prova, segui na minha toadinha para tentar aprender o máximo desse Puma que o Carlão fez a gentileza de me emprestar.

Aí, comecei a ver que os carros da GTS estavam tendo problemas. Primeiro, notei o Paulo Sousa lento. Depois, passei o Gulla, que se arrastava. Dois Pumas. Logo mais, vi o Porsche do Mauro Kern, que havia feito a pole na geral, encostando no S do Senna com o motor fumando. Eu não sabia quantos carros havia na GTS. Mas com três quebrados, era capaz de conseguir um pódio.

Fui levando sem maiores preocupações, sem nem saber os tempos de volta, já que não tinha hot-lap, apenas pensando em levar o bichinho para casa são e salvo. Com sorte, ainda levaria um troféu. E não é que quando faltam três voltas para o fim da corrida dou uma olhada na mureta dos boxes e vejo o Magrão com uma placa?

Nunca tinha recebido uma placa na vida, o #96 e o Meianov só andam atrás, outros pilotos da equipe brigam na frente, demandam maiores atenções, é algo totalmente compreensível.

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Mas, ontem, o dia para a LF não foi dos melhores. Paulo quebrou, Gulla também, mais o Mauro, mais o Meianov, mais o Passat do Bottura, no fim das contas o único piloto do time na pista era… eu! E com o Puma do Carlão, preparado pela HT Guerra.

Situação inusitada, sem dúvida. Mas bem mais inusitada ainda era a placa: 69 P1.

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P1? Como assim? Estou ganhando esse negócio? Ri alto no capacete. Fiz as contas mentalmente e concluí que todos os mais rápidos deviam ter quebrado, mesmo. E eu ali na pista, no meio de um monte de carros de outras categorias, prestes a ganhar uma prova. Ueba, pensei. Se é assim, vou ganhar, então.

Cuidei de fazer aquelas últimas três voltas sem grandes sustos. Já havia passado por vários naquele sábado, tanto com o Meianov quando com o Puma Mad Max. Se é P1 a três voltas do fim, será P1 no fim. E assim foi. Como também P1 foi o Carlão, na geral, com seu Passatão bala. Vitória dupla da equipe. O Guerra deve ter ficado contente.

Não vou ser demagogo a ponto de dizer que quando recebi a bandeira quadriculada fiquei com os olhos marejados e que um filme inteiro passou pela minha cabeça, desde aquele primeiro DKW de corrida que fiz em 1989 com o Salomão, chegando ao #96, aos farnéis, passando pela criação do campeonato, pelas aventura com o Lada e tudo mais. Mentira. Não pensei em porra nenhuma, apenas abri um sorriso invisível, diminuí a velocidade, passei bem pertinho do muro e vi o Guerra sorrindo, também. Acenei, e um pouco mais à frente, na mureta da LF, vi os meninos felizes e sorri de volta para eles, esses sorrisos de dentro do capacete são sempre com os olhos, e foi assim que voltei para o Parque Fechado e recebi meu troféu no pódio: sorrindo.

Ganhar é algo que te deixa feliz, e o sábado inteiro foi isso, um dia feliz.

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Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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