Arquivoquarta-feira, 13 de julho de 2016

FOTO DO DIA

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SÃO PAULO (ninguém é de todo ruim) – Quase não acreditei quando vi a ESPETACULAR reportagem do Victorino Chermont em Medellín, entrevistando o irmão mais velho de Pablo Escobar, Roberto. Ele mantém uma espécie de museu provado com muita coisa que foi do maior narcotraficante da história, e entre essas coisas está um… WARTBURG!

wartescobar

Bom, claro que fui ver do que se tratava. E uma busca “Pablo Escobar Wartburg” no Google desvendou o mistério. Antes, falei com o amigo Davi Troncoso, de Brasília, que tem uma Wartburg Station Wagon com a mesma frente desse aí — carro maravilhoso, como se vê neste vídeo. Ele me contou que nos anos 60 a IFA mandava carros para a Colômbia no sistema CKD — completos, mas desmontados. Foram cerca de 1.700 unidades exportadas pela Alemanha Oriental entre 1963 e 1965.

Encontrei uma pequena nota informando que o Wartburg azul da foto foi o primeiro carro da família Escobar GaviriaAqui, descobri o ano dele: 1965, do último lote enviado para a Colômbia. Era uma picape, carroceria que na Alemanha nem existia. Os colombianos faziam essas adaptações.

[bannergoogle]Aparentemente, na trajetória criminosa de Escobar, tudo começou com esse DKW alemão-oriental: as primeiras incursões no mundo das drogas, o início das atividades de compra e venda de cocaína, os contatos preliminares com bandidos locais, abrindo o caminho para a fortuna e o poder.

Vejam como são as coisas… Fico imaginando se no primeiro encontro de Escobar com algum chefão de cartel o carro quebra no meio do caminho. Talvez ele desistisse de tudo, visse como um sinal divino para não entrar nessa vida, voltasse para casa de ônibus para procurar um mecânico.

Bom, acho que o Wartburg não quebrou.

Tem bastante coisa sobre os carros de Pablo Escobar na internet, como esta página que mostra, inclusive, os restos mortais de vários deles — utilizados em atentados, fugas e patifarias em geral. Consta que muitos foram queimados pela polícia na fazenda Napoles, hoje um parque temático que conta a vida do traficante. Isso explica seu estado.

Que baita história, a desse cara. E tinha um Wartburg no meio do caminho. Cacilda.

O “É HOJE” DE SETTE CÂMARA

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SÃO PAULO (sorte a ele) – Não dá para saber o que será de Sergio Sette Câmara no futuro. Mas o Brasil está tão carente de pilotos na fila para a Fórmula 1, que é preciso se agarrar em qualquer coisa.

Falo aqui sem nenhum viés nacionalista. Eu poderia ser um jornalista finlandês agora, que estaria escrevendo exatamente a mesma coisa. Um país como o Brasil ficar sem ninguém na F-1 é algo que deve provocar alguma reflexão. E de todos, da imprensa internacional, dos fãs espalhados pelo mundo, dos chefes de equipe, de ex-pilotos.

Afinal, estamos falando de um país que fez três campeões mundiais, que conquistou oito títulos, que ganhou 101 corridas (só perde para a Grã-Bretanha e para a Alemanha), fez 126 poles (também está em terceiro no ranking), subiu 293 vezes no pódio (quarto nas estatísticas), alinhou nada menos do que 31 pilotos num grid desde os anos 50, nunca deixou de ter um representante na categoria depois da estreia de Emerson, em 1970.

[bannergoogle]Um país com tal currículo pode não ter ninguém no ano que vem, se Massa não renovar com a Williams e ninguém se interessar por ele — é pouco provável, ele deve correr –, e se Nasr desencanar da Sauber e não encontrar outro cockpit — algo também improvável, ele tem espaço e bons patrocinadores.

Mas mesmo que ambos sigam, quem vem depois?

Houve um tempo em que uma molecada muito boa saía daqui e se firmava na Europa, primeiro na Inglaterra, na F-3, depois na F-3000 e, mais tarde um pouco, na GP2. Da quantidade, saía qualidade. Sempre tinha alguém chegando à F-1, e quando não dava, acabava parando na Indy. Gugelmin, Moreno, Rubinho, Cristiano, Bernoldi, Christian, Junqueira, Pizzonia, Diniz, Rosset, Tarso, Tony, Di Grassi, Razia, Helinho, Battistuzzi, Massa, Nelsinho… Todos tiveram uma trajetória no Brasil, no automobilismo interno, nas categorias-escola como as Fórmulas Ford, Chevrolet e Renault.

Aí elas acabaram, e de uns bons anos para cá, talvez uma década, quem resolve ser piloto no Brasil mira no Turismo que é mais fácil, e é o que temos por aqui. Sendo bem mais específico: mira na Stock. Raros são os que, como Farfus, Derani, João Paulo e Negri — desculpem se estiver esquecendo alguém –, optaram por caminhos pouco usuais, como o DTM, o WEC, o Japão e os protótipos nos EUA.

E aí que não sobrou ninguém na fila, até aparecer Sette Câmara na F-3 Europeia no ano passado, e a Red Bull olhou para ele, gostou, adotou e, hoje, colocou para andar num F-1.

Em 1983, ficou famosa a reportagem de Reginaldo Leme no primeiro teste de Senna com a Williams, em Donington Park. Já se intuía que aquele moço iria resultar em algo especial, e igualmente famosa é a frase de Ayrton quando vê o carro no caminhão da equipe, dá uma batidinha nele e diz: “É hoje”.

[bannergoogle]O “é hoje” de Sette Câmara foi hoje em Silverstone, nestes dias em que tudo é documentado, registrado, postado, curtido, compartilhado. Não precisou o Reginaldo ir até lá, as assessorias todas mandaram farto material — a pessoal dele, a da Toro Rosso, a da Red Bull no Brasil. Chegaram muitas fotos, textos detalhados, vídeos. A reportagem do Grande Prêmio falou com ele por Skype, ou WhatsApp, ou e-mail, ninguém perdeu nada. São as vantagens da tecnologia em tempos muito mais profissionais e monitorados.

Sergio completou 82 voltas com o carro da Toro Rosso, ficou em nono, sentiu um certo cansaço, se impressionou com o torque do motor e com os freios, se disse “abençoado” por ter recebido a oportunidade. Os tempos não impressionaram muito, mas isso, atualmente, não importa quase nada. Quando Senna sentou a bunda na Williams em Donington, enfiou tempo em todo mundo e bateu o recorde da pista. Isso ficou para a história. Hoje, num teste desses, qualquer equipe tem uma programação muito detalhada, objetivos muito específicos, precisa aproveitar cada minuto de pista porque os treinos são raríssimos. Assim, o cronômetro acaba sendo secundário. Importante é o piloto passar informações precisas, não bater, aprender a guiar essas trapizongas únicas — não há nada muito parecido em categoria alguma.

Daqui para a frente? Como dizia o velho e bom Mao, toda longa caminhada começa com um primeiro passo. Ele foi dado pelo jovem mineiro hoje. Os próximos, who knows?

TESTEZZZ (2)

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SÃO PAULO (uma pausa) – Três titulares entre os 11 que treinaram, deixando de fora Wehrlein, que andou com o carro de testes da Pirelli — uma Mercedes de 2014. Raikkonen, um deles, foi o mais rápido do dia. Bottas e Palmer, os outros dois. A Williams testou de novo aquela asa esquisita que tinha usado em Barcelona. No mais, o dia foi muito marcante, claro, para Sette Câmara.

Dele falo daqui a pouco. Por enquanto, fiquem com este vídeo da Pirelli que mostra como serão os pneus no ano que vem. Alexandre Neves mandou.

DICA DO DIA

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SÃO PAULO (quase) – Das coisas mais legais que se pode fazer hoje é saber como as pessoas, no passado, imaginavam que seria o futuro. Basta entrar nos acervos digitalizados de jornais e revistas, ou ainda buscar vídeos antigos, filmes, entrevistas com cientistas e autoridades.

O Jason Vôngoli, por exemplo, descobriu que em 1957 já se falava em carros autônomos, com estradas especiais para recebê-los. Os conceitos eram os mesmos. Os meios para atingir os objetivos, no entanto, eram bem diferentes.

Bem, o futuro está chegando. É o que podemos dizer aos que, mais de meio século atrás, tentavam prever como ele seria. E é bem mais doido, acreditem.

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MUITA HONRA

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img_premio2016SÃO PAULO (feliz) – Seguinte, macacada. Salvo engano, é a primeira vez que apareço entre os dez finalistas do Prêmio Comunique-se, o mais importante do jornalismo brasileiro. Uma espécie de Pulitzer verde-amarelo. Fui indicado na categoria Esportes/Mídia Escrita.

A concorrência é muito forte, mas tem um troço legal de aparecer meu nome. Dos dez indicados, sete escrevem basicamente sobre futebol. Um, o Ohata, grande Ohata, tem um blog poliesportivo — e quando escreve sobre boxe, não tem pra ninguém. Outro, o Erich Beting, trata mais dos negócios ligados ao esporte. E eu faço minha salada diária tendo o automobilismo como pano de fundo para as bobagens que escrevo.

Esse é o troço legal, o automobilismo sobreviver apesar de tudo. Não é fácil, nos dias de hoje — já falei sobre o tema várias vezes, automóvel virou vilão do mundo, a relação dos jovens com carros não é mais a mesma, muita gente acha que corrida é uma coisa totalmente sem sentido e por aí vai.

Dá para votar no site dedicado à premiação. São diversas categorias de jornalismo em todas suas modalidades, e também há algumas voltadas a profissionais de comunicação que atuam em outras áreas.

Minha turma é essa aí embaixo. Se acharem que mereço, votem em mim. Se acharem que não, votem também.

Mídia Escrita
Antero Greco – “O Estado de S.Paulo”
Cosme Rímoli – R7
Eduardo Ohata – UOL
Erich Beting – Máquina do Esporte/UOL
Flavio Gomes – Grande Prêmio
Guilherme Gomes Pinto – “Lance!”
Jorge Nicola – Yahoo
Mauro Cezar Pereira – ESPN.com.br
Milton Neves – Terceiro Tempo
Paulo Vinícius Coelho – “Folha de S.Paulo”/UOL

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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