Arquivoquinta-feira, 2 de maio de 2019

SOBRE DOMINGO DE MANHÃ

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bakumasiliRIO (tô melhorando) – Pois é. Perceberam, não? Pela primeira vez na história desta consagrada seção do blog, a imagem mais representativa de um GP não é uma foto do vencedor, ou do piloto que surpreendeu, ou de um acidente, ou de um pódio, ou de um lamento. Abrimos com a charge do nosso cartunista oficial Marcelo Masili sobre o momento mais bizarro da corrida de Baku, a saber: o sinistro tipificado pela seguradora como “colisão em estacionamento de supermercado” protagonizado por Ricciardo e Kvyat. Os dois abandonaram. Ricardão, por ter engatado a ré sem olhar no espelhinho, perderá três posições no grid da próxima etapa, em Barcelona.

O que está acontecendo com nosso simpático australiano?

A quarta dobradinha da Mercedes em quatro corridas, já se sabe, é o melhor início de temporada de uma equipe em todos os tempos na F-1. Bottas, o vencedor, subiu ao pódio pela 25ª vez com a equipe. São cifras interessantes. E falando neles, os prateados de Stuttgart, vamos a…

O NÚMERO DO AZERBAIJÃO

baku196…dobradinhas tem a equipe alemã na história. Está longe ainda de bater o recorde da Ferrari, que já conseguiu fazer 1-2 em 83 GPs.

Leclerc, que foi o nome do sábado por ter batido na classificação, poderia ficar com a suprema glória de ser aqui citado na condição de autor da melhor frase da corrida. Vocês hão de se lembrar. “Sou um estúpido. Um estúpido”, falou desolado pelo rádio depois de abraçar a mureta do castelo. “Stupid” também pode ser traduzido facilmente como “burro”, “anta”, “jegue”, “jumento”, “01”, “02”, “03” & familiares.

Mas ele já se autoflagelou o bastante e não vamos repisar o assunto. Sua corrida acabou sendo discreta depois que trocou pneus, na volta 34, embora tenha liderado a prova por 18 voltas. Isso se deveu ao fato de ter largado com borracha média, diante da macia de quase todo mundo. Os pneus aguentaram mais e ele pôde adiar o pit stop. Mas quando parou, já não estava mais na ponta.

As últimas cinco ou seis voltas desse pneu foram um desastre. A Ferrari poderia tê-lo chamado antes? Creio que deveria. Mudaria muita coisa para ele? Sim, se aparecesse um safety-car. Era uma possibilidade, sempre presente em Baku. Mas não apareceu. E ele terminou em quinto. Pelo menos fez a melhor volta da corrida e levou um pontinho extra. Desta vez foi a batida na classificação, e não alguma ordem infame da Ferrari, a responsável pelo resultado ruim.

A FRASE DE BAKU

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Bottas: sem graça

“Quando você larga na pole, fica torcendo por uma corrida tranquila. Quanto menos drama, melhor.”

Valtteri Bottas, “resultadista” enfadonho, defensor do tédio esportivo e do fastio dominical. A gente gosta de emoção, de disputas, de arranca-rabos, rapaz! Mas OK… Vamos perdoá-lo. Até porque qualquer um de nós, pilotos fôssemos, provavelmente pensaria igual. Azar de quem está vendo pela TV.

De acordo com os organizadores, o público no fim de semana em Baku foi de 85 mil almas, que se acomodaram confortavelmente nas tribunas temporárias montadas no centro histórico da cidade. Não é muita coisa, não. Dizem que a população local não curte muito a corrida, porque ela bagunça demais o trânsito. Talvez por isso a F-1 tenha chamado a atenção para outro dado relevante: cidadãos de 74 países diferentes registraram-se como compradores dos ingressos para a prova.

Até agora, em quatro etapas, 16 dos 20 pilotos que começaram o Mundial já marcaram pontos. Estão zerados apenas Giovinazzi, da Alfa Romeo, Grosjean, da Haas, e a dupla da Williams — Russell e Kubica. Duas equipes médias se destacaram em Baku colocando seus dois pilotos na zona de pontos. Sendo assim…

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McLaren: pontos preciosos

GOSTAMOS Da <<< McLaren e da Racing Point, que se viraram bem e terminaram o fim de semana com suas duplas entre os dez primeiros. No time laranja-queiroz, Sainz Jr. foi o sétimo e Norris, o oitavo. Na equipe rosa-damares, Pérez ficou em sexto e Stroll, em nono. Como se esperava, o pelotão intermediário será bem disputado neste ano. Depois do atual trio de ferro na classificação — Mercedes, Ferrari e Red Bull –, a pontuação é muito próxima: McLaren com 18, Racing Point com 17, Alfa Romeo com 13 e Renault com 12. A Haas começou bem, mas despencou e não pontua faz três corridas. A Toro Rosso tem colhido apenas parcas migalhas. A Williams não existe.

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Toto: a gente tá de olho!

NÃO GOSTAMOSDa cara de Baku de Toto Wolff >>> assim que Bottas recebeu a quadriculada em primeiro, todo felizão, cheio dos elogios para a equipe e tal. O chefe só abriu um sorriso, desconfio, quando percebeu que as câmeras nele estavam. Não estou inventando. Vejam o vídeo, a partir de 5min26s. TÁ TORCENDO PRO HAMILTON, É? PENSA QUE ENGANA QUEM? Mas de uma coisa não podemos reclamar: a Mercedes liberou seus pilotos para resolverem as coisas na pista. Como são muito civilizados, nada aconteceu até agora que possa depor contra a moral e os bons costumes. A largada foi um pouco tensa. Mas Bottas e Hamilton trataram de não arrumar pra cabeça.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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