Arquivoterça-feira, 9 de julho de 2019

FEZ BEM

F

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RIO (dá play, Glenn) – A McLaren se antecipou a todas as outras e confirmou a dupla Lando Norris/Carlos Sainz Jr. para a temporada 2020. O time vive um bom momento — considerando a draga dos últimos anos. Está em quarto no Mundial, os meninos convivem em harmonia, ninguém reclama da Renault e a tendência é de crescimento.

Algo mais do que necessário, aliás, encontrar uma estrada para voltar a ser protagonista. Segunda maior vencedora da história da F-1 com 182 triunfos, a McLaren não ganha uma corrida desde o GP do Brasil de 2012, com Jenson Button. É o maior jejum de sua trajetória, desde a primeira vitória na Bélgica em 1968: 128 GPs sem saber o que é colocar um piloto no degrau mais alto do pódio.

Antes, a maior seca mclariana foi verificada entre os GPs do Japão de 1977 e da Inglaterra de 1981, com 53 provas em branco. Outros períodos ruins do time aconteceram entre Austrália/1993 e Austrália/1997 (49 corridas sem vitória), México/1969 e África do Sul/1972 (25) e Japão/2005 e Malásia/2007 (20).

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Sainz Jr. e Norris assumiram os carros laranja neste ano no lugar de Alonso e Vandoorne. Ar fresco sempre faz bem. Ainda mais quando se trata de gente talentosa e sem muitos vícios. A presença de Alonso vinha se tornando pesada para a equipe. Nada contra o espanhol, ao contrário. É um piloto de primeira linha e de qualidades indiscutíveis. Mas sua volta a Woking em 2015 coincidiu com a chegada da Honda, que demorou muito para pegar no breu. Os atritos eram inevitáveis e contaminaram o ambiente interno.

Com dois pilotos que ainda têm muito a mostrar e crescer, o item “reclamações” foi riscado do cotidiano da McLaren. Eles não têm moral suficiente para peitar fornecedores e direção, criando um clima de trabalho ruim. Procuram se virar com o que têm à disposição e não se pode dizer que os resultados são ruins.

Norris, além do mais, é o garoto mais zoeiro da F-1 atual. Basta seguir suas redes sociais. Diverte-se com tudo, brinca com o público e é um dos mais divertidos nas mensagens de rádio levadas ao ar nas transmissões das corridas. Na Áustria, por exemplo, seu engenheiro elogiou uma ultrapassagem sobre Ricciardo e fez um pedido meio esquisito: “Segure-o de modo que ele possa usar a asa-móvel, desde que não consiga te passar”, disse.

O engenheiro provavelmente se preocupava com Gasly, que vinha logo atrás dos dois. Com a asa aberta, na cabeça do engenheiro, Ricciardo conseguiria se defender do francês da Red Bull que, aparentemente, representava uma ameaça maior ao jovem inglês. A solicitação foi tão maluca que Lando perguntou: “Você quer dizer, tipo… Pra sempre?”

Na toada de 2019, é possível que a McLaren, com alguma sorte, consiga um pódio neste ano. Precisa, claro, contar com infortúnios múltiplos das duplas de Mercedes, Ferrari e Red Bull. É pouco provável, mas pode acontecer. E seria uma vitória. O time não vê nenhum troféu desde o terceiro lugar do mesmo Button no GP da Austrália de 2014. São mais de cinco anos e 108 corridas em branco. A estante já está empoeirada.

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Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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