Arquivoquinta-feira, 18 de dezembro de 2008

ÁLBUM (SOBRE RODAS) DE FAMÍLIA

Á

SÃO PAULO (estoque grande) – Vira e mexe dou uma olhada nos e-mails antigos e, aos poucos, a gente vai reativando algumas séries do blog. Esta imagem aí no alto foi enviada pelo Romeu Nardini, que conta:

“O carro: Renault Dauphine 1963 (meu primeiro carro). Local: rua Augusta de mão única e paralelepípedos, em frente à loja de discos Hi-Fi. Evento: Gincana da TV Record, fins de 1964. A Escuderia Hi-Fi escolheu como tema o enterro do ano de 1964 (mal sabíamos que a coisa ia piorar ainda mais), por isso o detalhe do caixão sobre o Fusca verde. Fomos finalistas na gincana, vencida pela tradicional (e numerosa) Escuderia Pepe Legal, da Mooca.”

Demais, demais! Mas falta contar detalhes da gincana. E se tivermos alguém aqui da Escuderia Pepe Legal, o espaço está aberto para matar as saudades.

MUDANÇA DE ARES

M

SÃO PAULO (abre o leque, rapaz) – Barrichello esteve na Inglaterra, visitando o que sobrou da Honda. E, pelo discurso, já admite correr de outra coisa que não F-1, o que é uma boa notícia. Em qualquer categoria que escolher, Rubens será uma atração. Ele fala em “amor ao esporte”. É isso aí. Se o barato é correr, que corra, uai!

FUMACÊ NO SAMBÓDROMO

F

SÃO PAULO (só belezinha) – Semana passada o Gabriel Hoffmann, do Três Cilindros Clube, organizou um baita encontro de DKWs no Sambódromo, levando 33 modelos da marca para o encontro das terças-feiras em SP — incluindo uma moto de guerra. Abaixo, um pequeno vídeo que mostra como foi bacana o evento. Palmas para o Gabriel, que mal completou 20 anos e já é apaixonado pelos dois tempos.

TUDO A VER

T

SÃO PAULO (cara de um…) – A Ferrari ganhou um novo patrocinador para o ano que vem. Trata-se da Tata, aquela monstruosa corporação indiana que ganhou as manchetes neste ano ao apresentar o Nano, o carro mais barato do mundo, que custa menos de 3 mil dólares. A Tata já tem parcerias com a Fiat na fabricação de carros.

É realmente uma estratégia muito adequada. Você mete no carro mais caro do mundo um anúncio do mais barato. Que é feito por outra empresa. Esse mundo está ficando doido, mesmo.

CAÇAPAVA 2?

C

SÃO PAULO (só faltava essa) – A situação é mesmo preocupante. A Ulbra, que para quem não sabe é um complexo universitário com sede no Rio Grande do Sul, teve todo o acervo de seu museu de carros antigos, um dos maiores do mundo, lacrado pela Justiça. Os detalhes, enviados pelo blogueiro Fernando Bueno, estão aqui. Eu já tinha ouvido falar que as coisas não iam bem com a Ulbra. Não sei exatamente o que está acontecendo. O museu permanece aberto à visitação, mas o acervo não pode ser tocado.

Espero que isso não vire uma segunda versão da tragédia do museu do Roberto Lee, de Caçapava.

DEU A LÓGICA

D

SÃO PAULO (quero um!) – Excelente, como sempre, a idéia do impagável e incansável Boris Feldman de fazer um comparativo entre o novo e o velho Voyage. O resultado está aqui, na dica do blogueiro Rafael Pinto. Nem preciso dizer para quem torci. E qual ganhou…

Esse Voyage novo, na verdade, é apenas mais um sedãzinho que quer se aproveitar do nome do antigo, que nem pode ser chamado de antecessor, porque um não tem nada a ver com o outro.

Eu tive um Voyage zero, verde metálico claro, 1990. Motor 1.8, sem nada elétrico, a gasolina. Andava uma barbaridade e nos quatro anos de serviços prestados precisei apenas trocar uma bateria. Aliás, tive pouquíssimos carros zero, meus mesmo. Depois do Voyage veio um Twingo e, depois, um DKW desses novos. E acabou. Todos excelentes.

E o seu zero, qual foi o melhor de todos?

CARS & GIRLS

C

SÃO PAULO (me chamem para o júri!) – Meio doida a notícia, porque ninguém sabe direito como vai ser essa F-2 da FIA, ainda mais agora, que está todo mundo sem dinheiro. Em todo caso, registre-se que uma das confirmadas para a competição é a suíça Natacha Gachnang, terceira colocada na F-3 Espanhola e prima, vejam só, de Sébastien Buemi.

A moça é até bonitinha, mas fiquei revoltado quando soube que a equipe Campos, no fim de 2007, fez uma espécie de vestibular apenas com garotas, seis delas, e deixou de escolher Alessandra Neri, essa da foto, que acabou indo correr de GT3 e teve sua trajetória rumo à F-1 cruelmente interrompida.

GRANDE RAUL, PARTE 2

G

SÃO PAULO (acordei tarde) – Bom dia, macacada. A segunda parte da Grande Entrevista com Raul Boesel está no ar, no trabalho de Marcus Lellis. Estão cada vez melhores essas entrevistas… A próxima, pelo que sei (os caras do site nunca me contam nada), será com o Roberto Moreno. Promete.

Nessa segunda parte, Raul fala com enorme sinceridade da Indy, da Jaguar, da Stock, da decisão de parar. Bacana demais, e com ilustração do Marcel Marchesi, além de ótimas fotos.

Aliás, sobre o Raul, tenho duas passagens interessantes. Uma delas, quando me chamaram para fazer um daqueles pequenos guias que são distribuídos na porta do autódromo, com perfis de pilotos e equipes, estatísticas, essas coisas. Era a primeira prova do Rio, em 1996, se não estou enganado — e estou com preguiça de pesquisar.

Eu precisava escrever uma ou duas linhas sobre cada piloto, era o que cabia naquele pequeno “pocket book”. Coisas assim: “Christian Fittipaldi – Estreou no ano passado, conseguiu alguns bons resultados, mas ainda precisa se adaptar aos ovais”. Quando chegou a vez do Boesel, mandei algo do tipo: “Raul Boesel – Está em sua 12ª temporada na categoria, disputou 300 corridas e não ganhou nenhuma. Um currículo indefensável”.

Uma grosseria, sem dúvida, mas eu escreveria isso de qualquer outro, de qualquer nacionalidade. Não era por ser brasileiro que iria pegar leve. Se dissesse isso, sei lá, de Scott Goodyear, todos iriam achar engraçadinho. Só sei que o assessor de imprensa da Brahma Sports Team, nome que a Green assumiu naquele ano, patrocinada pela cerveja brasileira, leu aquele negócio e disse numa mesa de restaurante, a colegas, que se me encontrasse pela frente me dava um tiro na cara!

O Raul, mesmo, nunca reclamou. Nem deve ter lido. Mas foi uma grosseria, admito, embora não grande o suficiente para que eu merecesse uma bala na testa. De qualquer forma, nem o assessor reclamou comigo diretamente, foi só uma explosão de raiva, e somos bons amigos.

A outra passagem ocorreu no fim do ano anterior, creio. Teve a ver com a mesma Brahma Sports Team. A cervejaria estava investindo pesado na Indy, os caras praticamente compraram a Green e a agência de publicidade encarregada daquele projeto enorme decidiu fazer uma apresentação em Jacarepaguá. Aí me pagaram uns caraminguás para ser o mestre de cerimônias da bagaça, e fazer a tradução das entrevistas coletivas. Pegaram um carro da Indy, decoraram como uma garrafa de cerveja (a pintura, diga-se, era maravilhosa), levaram para a pista, montaram uma tenda, chamaram a imprensa e lá vou eu para o microfone.

Tudo corria às mil maravilhas até que o dono da agência, Eduardo Fischer, um dos maiores publicitários do Brasil, diga-se, explicou que o Boesel tinha sido o escolhido para guiar o carro depois de uma vasta pesquisa de mercado que tinha chegado à conclusão de que ele era o piloto mais popular do Brasil depois de Ayrton Senna, que tinha morrido dois anos antes. Putz, eu não tive coragem de contar aquela mentira em inglês para os jornalistas gringos, e quando cheguei nesse ponto da tradução comecei a rir, e o Fischer ficou meio puto.

Mas faz parte, publicitários são meio cascateiros, mesmo. Além do mais, nunca tive nada contra Boesel, nem contra piloto algum, e acho a trajetória do Raul, no fundo, espetacular. Afinal, o cara passou pelas maiores categorias do mundo, correu em Indianápolis e Le Mans, foi campeão de Jaguar, esteve na F-1… É um dos grandes nomes do automobilismo brasileiro, sem dúvida. E, com grande justiça, dá nome ao autódromo de Curitiba, onde nasceu.

Todos adoramos você, Raul! Eu só não gosto de música eletrônica…

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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