Arquivosexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

CURTIU?

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SÃO PAULO (rir faz bem) – A Pirelli levou jornalistas para Abu Dhabi semana passada para lançar os novos pneus de 2012. Aí os convidados puderam dar uma volta nos carros de dois lugares de F-1, aqueles feitos pela Minardi, creio, que foram comprados pelo circuito de Yas Marina e são usados para atividades promocionais. Lucas di Grassi foi um dos pilotos. O Fábio Seixas andou com ele e descreve a experiência aqui. Gostou muito.

A figura aí em cima também. Acho.

MINUTO DE SILÊNCIO

M

SÃO PAULO (não acredito) – Para informar que depois de 66 anos voando, a companhia húngara Malév anunciou hoje sua insolvência e parou de operar todos seus voos a partir de Budapeste.

A companhia já foi estatal, privada, multinacional, e hoje é de novo controlada pelo goberno da Hungria. Jamais vou compreender os meandros da economia globalizada que extingue até uma empresa que pertence a um país. Mas jamais, da mesma forma, vou me conformar com a frieza com que essas coisas são tratadas.

Voe para o paraíso, minha querida Malév, com suas lindas aeromoças de vestidos curtos, pernas longas, batom carmim e cabelos negros. Voe para o paraíso com o inigualável charme do Leste, em suas aeronaves soviéticas que carregaram nossos camaradas por décadas a fio.

Nunca vou me esquecer do velho terminal 1 do aeroporto de Ferihegy  — palavra que eu julgava querer dizer “aeroporto”, mas nada mais era que uma corruptela de “montanhas de Ferenc”, sendo “Feri” um apelido carinhoso para Ferenc, e “hegy”a palavra para “montanhas”, já que aquelas terras pertenciam a Ferenc Mayerffy no século 19 e a colina foi removida para a construção do aeroporto nos anos 40). Me interesso por nomes de aeroportos, por isso não me julguem.

O terminal antigo, meio cinzento, escuro, com balcões de madeira e espiões por todos os lados. Eu, pelo menos, via espiões por todos os lados. A fila do visto, os dólares trocados por forints, o primeiro Lada alugado de um sujeito que me levou à periferia de Budapeste para entregar o carro diante de pagamento cash, os moleques orelhudos, os acrílicos coloridos.

O mundo perde a graça a cada dia que passa.

MAIS 3

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SÃO PAULO (são os melhores blogueiros do mundo) – E a minha coleção de camisas de times de futebol de verdade ganhou mais três lindos mantos sagrados, enviados pela blogaiada e pela turma do Twitter. Da esquerda para a direita, a linda jaqueta do Uberlândia (presente da Flávia Moraes), o Verdão mineiro, a maglietta do glorioso Caçador Atlético Clube, o Tricolor do Contestado de Santa Catarina (regalo de Eduardo Bisotto), e o fardamento do CRAC, o valente Leão do Sul, de Catalão (mimo da Silvia Moura).

Essa turma não é fraca, não.

OSNILDO LEMES

O

SÃO PAULO (e eu nem lembrava) – Sabe-se lá por quê, o brother Luciano Monteiro lembrou hoje no Twitter uma coluna que escrevi aparentemente em maio 2004 quando estava em Nürburgring para um GP da Europa. Era aquele ano de domínio absoluto da Ferrari e de Schumacher, e creio que as coisas não andavam lá muito emocionantes. Assim, dediquei meu sacro espaço semanal (que está de férias) para falar de Osnildo Lemes, um delegado do Paraná que preparava sua volta às pistas. O texto está no link ou, se preferirem, aqui embaixo.

Osnildo Lemes vai voltar a correr. Ele está parado há mais de quatro anos. No final de junho, participará da quarta etapa do Campeonato Paranaense de Marcas e Pilotos, categoria N.

Osnildo Lemes foi campeão estadual de Speed Fusca em 1997. E de Endurance Speed, também. Ninguém podia com Osnildo Lemes. Mas no ano seguinte ele largou as pistas, voltando a correr apenas ocasionalmente. E estava liderando os dois campeonatos quando parou. Ninguém entendeu por que Osnildo Lemes parou.

Osnildo Lemes foi substituído por Ciro Stringari em 1998 na equipe Jorge Stumpf Preparações. Ciro Stringari ganhou os dois títulos, da Speed Fusca e da Endurance Speed. Ninguém podia com a Stumpf.

Osnildo Lemes vai voltar a correr pela mesma Stumpf, que defendeu por quatro anos. Nos dias 5 e 6 de junho testa um Voyage, número 50, em Cascavel. “Preciso desenferrujar”, admitiu Osnildo Lemes. Ele é conhecido no Paraná como o “Delegado Voador”. Osnildo Lemes é delegado da Polícia Civil.

Osnildo Lemes vai ser companheiro de Ciro Stringari na Stumpf. Ciro Stringari lidera o Paranaense de Marcas e Pilotos, categoria N, com duas vitórias em três corridas. “A volta dele vai ser um problemão para todo mundo”, declarou Ciro Stringari. “Mas ele é um sujeito bacana e acima de tudo um ótimo companheiro.”

Osnildo Lemes disse que não aguentou de saudades das pistas. “A gente mexeu tanto tempo com isso, que é difícil ficar longe dos autódromos”, foi o que disse Osnildo Lemes.

E por que, afinal, escrevo eu sobre Osnildo Lemes, ainda mais sabendo que ele só vai testar nos dias 5 e 6, e só vai voltar a correr daqui a um mês?

Por que escrevo sobre Osnildo Lemes, estando eu em Nürburgring, na Alemanha, perto de Michael Schumacher, Jenson Button, Jarno Trulli e tanta gente famosa? Por que escrevo sobre Osnildo Lemes, estando nós a algumas horas das 500 Milhas de Indianápolis, a corrida mais espetacular do mundo?

É que achei que a volta de Osnildo Lemes às pistas era algo relevante depois de tanto tempo, mais do que as corridas de Nürburgring e Indianápolis, onde ninguém está voltando de lugar nenhum, de onde desconfio que ninguém vá a lugar nenhum, também.

Osnildo Lemes deve estar ansioso para sentar no Voyage, o que confere a Osnildo Lemes uma importância maior do que a que têm Schumacher, Trulli, Button e os outros famosos neste momento do automobilismo, que não estão ansiosos por nada.

Osnildo Lemes, ademais, não tem uma vida fácil, delegado que é, mesmo exercendo a função numa cidade pequena como Guarapuava, no Paraná. Lida com casos complicados, como o do rapaz de Clevelândia, vendedor de móveis, suspeito de matar um estudante de pedagogia com uma facada no coração, seguida de esquartejamento, o que é algo assombroso. O rapaz seria bissexual, foi o que Osnildo Lemes descobriu, fato que chocou sua ex-noiva, que estava de casamento marcado, a mobília comprada.

Osnildo Lemes tem muitas responsabilidades, por isso merece voltar a correr, para relaxar e se afastar mesmo que por alguns instantes de realidade tão dura como essa que produz um esquartejador em Guarapuava.

Vou torcer por Osnildo Lemes.

Não sei como foi a volta de Osnildo Lemes às pistas com seu Voyage, e espero que tenha sido um sucesso. Já se vão quase oito anos, e por curiosidade dei um Google em seu nome, para descobrir que ele envelheceu um pouco, mas mantém o ar severo e o cavanhaque clássico que o distingue de outros delegados e pilotos de Voyage. Uma foto que apareceu entre as imagens relacionadas a Osnildo Lemes, porém, me intrigou. Ela mostrava um par de mãos e outro de pés femininos próximos da perfeição. Fui ver do que se tratava. Teria Osnildo Lemes aberto um salão de beleza? Desistido do duro ofício policial para se aventurar no campo da estética pessoal feminina?

Nada disso. Osnildo Lemes, que em 2004 estava empenhado no caso do rapaz que seria bissexual e teria esquartejado a noiva, viu-se às voltas, no ano passado, com um tarado de Maringá que ameaçava de morte uma apresentadora de TV se ela não mostrasse seus pés no programa.

Não é nada fácil a vida de Osnildo Lemes. Tomara que ele continue correndo, para desestressar.

APROVEITA

A

SÃO PAULO (ah, Rússia…) – Estes lindos olhos azuis pertencem à modelo russa Xenia Tchoumitcheva. Segundo consta, e de acordo com informações obtidas junto ao jetset internacional, é a nova namorada de Fernando Alonso, que se divorciou recentemente. O que é compreensível.

Como escreveu o mestre Chico Rosa em genial tuitada, dá para imaginar El Fodón de las Astúrias preocupado com o degrau no bico da Ferrari este ano?

Que Massa aproveite.

 

GRUPO FECHADO

G

SÃO PAULO (agora corram, cavalheiros) – A HRT (a Hispania prefere ser chamada assim, que seja) anunciou hoje o parceiro de Pedro de la Rosa para este ano: Narain Karthikeyan, que correu pelo time parte da temporada passada. Assim, a classe de 2012 está fechada, até ordem em contrário. A vaga hispânica era a última aberta, oficialmente.

Dos que largaram em pelo menos uma corrida no ano passado, estão fora do campeonato: Sutil, Petrov, Heidfeld, Alguersuari, Buemi, Barrichello, D’Ambrosio e Liuzzi. Faltou alguém?

ATUALIZANDO…

Tinha faltado o Chandhok. Não falta mais.

VJM05

V

SÃO PAULO (dias longos rendem) – Em Silverstone, sem neve, a Force India (agora, oficialmente, Sahara Force India, mas esqueçam, ninguém vai falar Sahara) tirou do forno o VJM05. Vijay Mallya, desde que comprou a antiga Jordan, cede gentilmente suas iniciais para batizar a baratinha. A pintura ganhou uma nova leitura (adoro “releitura”), os pilotos são bons, o motor é ótimo e o degrau sobre o bico, elegantérrimo. Não tem o refinamento aerodinâmico de Ferrari e McLaren, o que pode ser até bom — porque haja túnel de vento para entender a função de cada aletinha milimétrica dos carros das equipes grandes.

Hoje, a Force India é a melhor das pequenas. Terminou o Mundial do ano passado em sexto, apenas quatro pontos atrás da Renault, atual Lotus preta da Genii dos infernos. Foi a equipe que mais cresceu na segunda metade da temporada e pode-se dizer que é simpática aos olhos de todo mundo porque Mallya não é um arrivista, muito pelo contrário. Dedica-se ao time, entende do riscado, investe em qualidade.

Que bons ventos levem os indianos em 2012.

F2012

F

SÃO PAULO (afemaria) – Quem achava que era só a Caterham que iria fazer aquela tosqueira de degrau no bico pode começar a rever seus conceitos. Sem a presença da imprensa, porque uma nevasca praticamente isolou a região de Maranello, a Ferrari apresentou pela internet a F2012 agora pela manhã. O nome não causou espanto. A equipe, que a cada temporada se esmera em inventar denominações esdrúxulas para seus carros (ano passado foi a 150° Italia, lembram?), optou pelo F de sempre mais o Ano da Graça de Nosso Senhor, talvez prevendo que se o mundo acabar mesmo em dezembro, os arqueólogos da nova civilização precisarão de alguma referência para determinar quanto tempo durou a nossa.

E se o nome cairá no esquecimento como quase todos os nomes codificados de carros de F-1, o mesmo não se pode dizer da feiura. Vejam lá o degrau no bico. Idêntico ao da Caterham e ao da Force India, que virá no próximo post. Será possível que engenheiros de equipes diferentes em locais distantes tenham exatamente as mesmas ideias? Não haveria, por aí, um certo pool de desenhistas para que ninguém passe vergonha sozinho? Uma sociedade secreta que se reúne num cemitério em Praga para confrontar rascunhos e decidir, em conjunto, por soluções esdrúxulas que levem a crer que são todos igualmente geniais?

Bem, aí está a F2012. Que tem também uma entrada de ar dupla sobre a cabeça do indigitado que vai dirigi-la, além de defletores laterais que parecem ter sido feitos sob medida para inserir o cocozinho do logotipo mais feio de todos os tempos, do banco Santander.

O RONCO DO CHEVROLET

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SÃO PAULO (iminente) – O telefonema veio da Europa, de figura com conexões em vários pontos cardeais disso que a gente chama de mundo da velocidade. Os tempos de Barrichello impressionaram muito em Sebring. Todos ficaram espantados: equipe, outros pilotos, o amigo Tony, engenheiros, mecânicos, borracheiros, dirigentes. E, principalmente, o pessoal da Chevrolet. Estes ficaram de queixo caído com o manancial de informações que Rubens lhes passou sobre o novo motor que será usado este ano na Indy.

Informações preciosas, porque é ano de regulamento novo e de concorrência brava. Os três dias de Barrichello na pista da Flórida acabaram sendo muito mais do que um evento descompromissado, do piloto-do-lado-de-lá-que-experimentou-o-carro-do-lado-de-cá. Rubens levou tudo muito a sério, do começo ao fim.

A bagagem técnica acumulada em 19 anos de F-1, em suma, é patrimônio que ninguém na KV e na Chevrolet pretende desperdiçar. Ao final de três dias de testes, pode-se afirmar que todos, inclusive o piloto, querem a mesma coisa. Barrichello está com um pé na Indy. E a marca da gravatinha está mais do que disposta a investir nisso.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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