Arquivosexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

FOTO DO DIA

F

SÃO PAULO (divirta-se, rapaz!) – Massa pingou agora na conta dele no Instagram. “Trampo no simulador”, como ele escreveu. Felipe está evidentemente mais leve, feliz e confiante este ano. Pode ter uma boa temporada, algo de que precisa, e muito. Inclusive ganhando corridas. Muito tempo sem vencer faz mal, desacostuma.

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ALGUMA ESPERANÇA

A

SÃO PAULO (e tem muitos outros, ô se tem…) – Aparentemente, o motoqueiro-celebridade-da-internet que, de carro, atropelou e matou um homem no fim de janeiro será indiciado por homicídio culposo e apologia ao crime. Esse último indiciamento, aparentemente, dar-se-á por conta dos vídeos de suas barbaridades postados há meses no YouTube e recebidos com bovina passividade pelas autoridades de trânsito e policiais de São Paulo. Precisou morrer uma pessoa para alguém perceber que esses vídeos nada mais são do que isso, mesmo: apologia ao crime.

Desconfio que mais esse processo no rapaz pode complicar sua carreira de cineasta do cotidiano mutcho loko, uma vez que há alguns outros com seu nome na Justiça (os dados são públicos, como qualquer processo que tramita na Justiça, e quem se interessar pode procurar aqui para ter um perfil um pouco mais preciso desse infeliz herói de energúmenos).

Eu, se fosse o delegado, chamaria também a depor a besta quadrada que apresenta esse programa de TV na internet com ele, mais um dos que querem transformar a vítima em culpado. Quanto ao advogado do sujeito, posso apenas me espantar com  a menção a ele na matéria do G1: “O advogado também nega que Kleber faça apologia e afirma que, nos próprios vídeos, o comerciante recomenda que suas práticas não sejam seguidas.”

OK, doutor adevogado. Seu cliente comete todo tipo de atrocidade sobre uma motocicleta numa cidade de 11 milhões de habitantes e recomenda que não façamos igual. Acho que o maníaco do parque também sugere que não estupremos ninguém, e o Chico Picadinho, se entrevistado, dirá: não esquartejem pessoas.

Fico mais tranquilo, agora.

No mais, que a polícia e as autoridades se debrucem, agora, sobre as centenas de vídeos no YouTube com gente fazendo coisa parecida de carro, moto e caminhão. Se quiserem, se vosso departamento de inteligência cibernética estiver meio emperrado, posso passar uma lista de links. Todos os autores se identificam, de alguma maneira. É a coisa mais fácil do mundo encontrá-los e tirá-los de circulação com coisas motorizadas, antes que matem também. O que é, obviamente, apenas uma questão de tempo.

WILLIAMS NA WEB

W

SÃO PAULO (é mais que isso) – Recebo e-mail da Williams anunciando a estreia de seu novo site. Logo na capa, este vídeo aí embaixo chamado “Our story”. Fiquei animado para ver, mas juro que esperava mais. Dá para fazer coisa bem melhor, um excepcional filmete sobre essa equipe que sobrevive sabe-se lá como e cuja história é uma das mais belas entre todas da F-1.

Mas é claro que não se mede uma equipe por um vídeo no YouTube ou por um site. Todo respeito a sir Frank Williams, um verdadeiro “racer”, um dos últimos.

NA AGENDA

N

SÃO PAULO (apareçam!) – Como não é sempre que Mestre Mahar dá as caras por São Paulo, eis um ótimo programa para este fim de semana: o VII ABC Old Cars no campus do Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul.

O encontro tem como tema neste anos os carros fora-de-série nacionais, com palestras do Mahar às 11h e de Fábio Pagotto às 14h. Se vocês não assistiram ainda a uma palestra do Mahar, não percam. O cara é uma enciclopédia, além de intelectual, músico e compositor de Bossa Nova.

No domingo, nosso conhecido blogueiro Jean Tosetto fala da história do MP Lafer, que ele transformou em livro. A programação está aqui e estou pensando seriamente em levar um fumacento até lá.

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GIRA MONDO, GIRA

G

SÃO PAULO (quase) – Se tinha um lugar para cair um meteoro impunemente, era mesmo a Rússia. Hoje pela manhã o bólido enviado por Thor via Unidos da Tijuca adentrou nossa querida e anil atmosfera nos Urais e apavorou a população de Chelyabinsk, a 1.500 km de Moscou. Há relatos de mais de 500 feridos, a maioria atingida por estilhaços de vidro.

Não sou especialista em absolutamente nada nesta vida, especialmente na vida propriamente dita, mas estudei astronomia por alguns anos e posso cagar regra sobre algumas coisinhas. Uma delas poderia ser a diferença entre meteoro, meteoroide e meteorito, e todos os termos serão usados nos relatos ao longo do dia. Grosso modo, pode-se dizer que está todo mundo mais ou menos certo e mais ou menos errado. Meteoro está mais para o fenômeno luminoso do que para o objeto em si, que é um meteoroide. Meteorito é quando a bagaça atinge a terra, o que não parece ter sido o caso do nosso meteoro russo. Ele se desintegrou na atmosfera e as vidraças quebradas foram resultado da onda de choque causada pela explosão. Assim, correto seria dizer que um meteoroide resultou num meteoro e não virou um meteorito. Mais ou menos isso, mas não tem importância. Como meteoroide é uma palavra ruinzinha, fiquemos com meteoro, mesmo. Que não é tão amado pelos cientistas quando um meteorito — se tem uma coisa que cientista adora é analisar pedaços de qualquer coisa que despenca do espaço.

Mas eu dizia que tinha de ser na Rússia, porque é lá, e só lá, que um fenômeno desse seria registrado instantaneamente com tantos detalhes. A explicação: todo mundo na velha União Soviética anda com uma câmera de vídeo no carro. Esse voyeurismo asfáltico tem a ver com crise moral do país pós-dissolução da URSS. Se tem um lugar onde o trânsito é uma tragédia, as pessoas dirigem como animais e a polícia é corrupta até o último fio de cabelo, é a Rússia. Assim, muita gente usa essas câmeras para se defender em processos judiciais, seja contra a polícia, seja contra as bestas que cometem barbaridades nas ruas. Além do mais, quem tem câmera no carro ganha desconto no seguro. A GoPro ama a Rússia.

Sendo assim, o meteoro foi gravado por milhares de pessoas. Neste link aqui, enviado pelo Rodrigo Lombardi, ele pode ser visto por vários ângulos em vídeos e fotos. Aqui tem mais. E aqui dá para escutar o estrondo da explosão. O que vai dar mais trabalho para os editores de telejornais hoje vai ser selecionar as melhores imagens entre tantas que, durante o dia, vão pingar no YouTube. Mas se vocês virem essas aí indicadas, provavelmente terão visto quase tudo. Uma das mais legais é a do casal num escritório, o cara aparentemente xavecando a bela moça, convidando-a para um café ou um chocolate quente, quando a onda de choque entra pela janela. O malandrov perde totalmente a pose… Mas ninguém se machuca.

O curioso é que esse meteoro que riscou os céus de Ladaland foi aparecer no mesmo dia em que um asteróide respeitável vai passar ao largo da Terra, coisa de menos de 28 mil km de distância, com diâmetro de cerca de 50 m. Vai ser hoje à tarde pelos lados de Sumatra, mas os astrônomos dizem que ninguém vai ver picas.

Em 1908, lá mesmo na Rússia, mas sem câmeras, um pedregulho semelhante adentrou solenemente a atmosfera e a onda de choque destruiu 2 mil km quadrados (não sei fazer aquele “2” pequenino no alto) de floresta. Matou guaxinins, ursos, marmotas, lobos e toupeiras. O bonitão que possivelmente extinguiu os dinossauros há 65 milhões de anos tinha 10 km de diâmetro, mais ou menos (esses valores são sempre meio chutados), e caiu na terra da Terra. Abriu um rombo dos diabos, levantou poeira pra cacete e os pobres personagens de Jurassic Park se foderam sem sol e luz. Foram para o saco e para as telas de cinema, o que acabou sendo um bom destino para bichos tão desengonçados, barulhentos e fedidos.

Tudo isso para dizer que não, o mundo não vai acabar por causa desse meteoro, nem por causa do asteróide que vai passar por aqui a caminho não se sabe de onde hoje à tarde, nem por causa da renúncia do papa — figura que, ultimamente, só serve “para dar sentido à famosa expressão usada quando não ligamos para a reclamação de outrem”, como escreveu no Twitter uma guria amiga minha. O que acaba sendo uma má notícia, porque esse aqui já deu faz tempo.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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