Arquivoquarta-feira, 17 de julho de 2013

OS VEMAGUEIROS

O

SÃO PAULO (só fera) – Lá no comecinho dos anos 2000 um punhado de vemagueiros começou a se corresponder pela internet e em 2003, como todos sabem, fizemos o primeiro Blue Cloud, encontro nacional de DKWs, em Caxambu.

Vamos, neste ano, para a 11ª edição, agora em Poços de Caldas. Mas não é bem disso que eu queria falar. Queria falar sobre quanta coisa saiu desse grupo. Venda e troca de peças, produção de alguns componentes, troca frenética de informações, amizades eternas, restaurações, carros encontrados, viagens maravilhosas, descobertas inimagináveis, coleções iniciadas, uma riqueza automotiva que, acho, nenhuma outra marca tem no Brasil.

E as miniaturas… Esse é um capítulo à parte. Havia pouquíssima coisa no mercado há dez anos. Aos poucos, fomos descobrindo artistas, encontrando modelos perdidos, garimpando no exterior, e cada modelo da Vemag, dos mais comuns aos mais raros, foi sendo produzidos — incluindo nessa lista Malzoni, Puma, Candango, Carcará…

Tudo isso para dizer que o Roberto Fróes mandou fazer a Furgomag, uma que estava faltando. Era um furgãozinho baseado na Vemaguet, que teve pouquíssimas unidades montadas. Nem se sabe quantas. Algumas viraram ambulância. Outras foram usadas pela fábrica como veículos da Oficina Volante Vemag.

A obra é do Rodolfo Costea, nosso velho conhecido, cada vez melhor.

NOVO DE NOVO

N

SÃO PAULO (incrível também) – O Rolls-Royce 1974 foi importado em 2007 mas ficou três anos parado no porto de Santos. Com o vidro aberto… Tudo porque alguém, ao que parece, sumiu com a grana dos impostos.

Quando, em 2010, finalmente o dono pegou o carro, ele estava precisando de uma restauração completa.

Ficou assim. Mais uma história do Reginaldo de Campinas, que tem uma inacreditável capacidade de encontrar coisas que a gente nem imagina que possam existir.

rollsregi

ZERO BALA

Z

SÃO PAULO (incrível) – “Seu” Orlando, sitiante no interior de São Paulo, comprou esse caminhão Ford F-11000 em 1988 e guardou numa garagem. Segundo ele, era um grande investimento em tempos de inflação alta.

De lá ele nunca saiu. Até alguns dias atrás, quando o Reginaldo de Campinas descobriu o bruto. Ele foi lavado e… funcionou!

Essa história inacreditável, com várias fotos, está aqui.

zerobalaregi

VANESSA DAYA

V

SÃO PAULO – Morreu na madrugada de hoje a piloto Vanessa Daya, depois de um grave acidente numa corrida de moto em Brasília. Ela era experiente e competitiva. Os detalhes sobre o acidente ainda são pouco claros. Teria caído numa vala. Teria sido atingida pela própria moto. Vanessa tinha 31 anos.

Corridas são sempre perigosas. De moto, mais ainda. Cabe aos dirigentes minimizar riscos.

No caso de provas de moto no Brasil, o risco é mulitiplicado por 100. Os autódromos não são preparados para as magrelas. No caso de Brasília, multiplique esse risco por 1.000. O autódromo é decrépito, não tem segurança, o asfalto é velho, é uma merda sem tamanho.

Não foi sempre, claro. Um dia a pista foi nova e teve manutenção. Isso não acontece há séculos. É uma vergonha ter corrida de qualquer coisa lá. Lembram o que aconteceu com a Stock recentemente?

Enquanto os dirigentes do automobilismo e do motociclismo não se preocuparem com as pistas, pessoas como Vanessa continuarão morrendo. Enquanto os dirigentes do automobilismo e do motociclismo não se preocuparem com o preparo dos pilotos, pessoas como Vanessa continuarão morrendo. Enquanto os dirigentes do automobilismo e do motociclismo não se preocuparem com a qualificação das escolas de pilotagem, pessoas como Vanessa continuarão morrendo. Enquanto os dirigentes do automobilismo e do motociclismo se preocuparem apenas em vender carteirinhas, permitindo que qualquer um corra de qualquer coisa em qualquer lugar, pessoas como Vanessa continuarão morrendo.

O esporte a motor é perigoso. Mas no Brasil é uma palhaçada.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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