Arquivosábado, 29 de março de 2014

BRISA BOA

B

SÃO PAULO (e verde de verdade) – Só podia ser na Holanda. Criaram uma scooter elétrica feita de fibras vegetais, entre elas o cânhamo. Além de lindinha, é realmente ecológica. Não usa aço, nem plástico na sua fabricação. O design é charmosíssimo. Mas parece que a Be.e (esse é o nome dela) não será feita em escala. Os holandesas apenas quiseram provar que dá para fazer as coisas sem agredir a natureza o tempo todo.

Apesar de ser um defensor ferrenho dos motores a explosão, da fumaça e do óleo dois tempos, não dá para não gostar desses brinquedinhos. As cidades seriam muito melhores se as pessoas se deslocassem mais com essas motonetas silenciosas, lentas, amigáveis.

maconhetta

EM LENINGRADO

E

satosaopeteSÃO PAULO (e deu por hoje) – Em São Petersburgo, Takuma Sato sai na pole na abertura da Indy, com Tony Kanaan ao lado dele na primeira fila. Choveu, o treino atrasou dias, foi uma zona completa. Mas acontece, ninguém controla os céus, não é mesmo?

Montoya está lá atrás. Helinho, no meio do pelotão. O grid completo está aqui. A corrida começa às 16h20 amanhã.

MOTOLAND

M

SÃO PAULO (se sim, danke)Scott Three é o nome da magrela, 1936. Reparem no motorzão: 3 cilindros, dois tempos, 986 cc de cilindrada, refrigerado a água. Toda e qualquer semelhança com os motores DKW não parece ser coincidência. Este site defende a tese de que a DKW comprou uns motores do britânico Alfred Angas Scott e, a partir dele, desenvolveu os seus 3=6, que dominaram o mundo e o universo. O mesmo teria feito a SAAB. Acho meio exagerado, porque a DKW fazia motores dois tempos desde antes de Cristo. Mas, de qualquer maneira, é interessantíssimo ver uma moto com um motor muito parecido com o do melhor carro do mundo de todos os tempos.

Vintage-Scott-Three jpg

ESSES JAPONESES…

E

SÃO PAULO (são únicos) – O Marco Graviola vai a Le Mans neste ano e anda caçando vídeos no VocêTubo. Mandou este aqui, do único carro de uma equipe japonesa a vencer as 24 Horas, em 1991, com o trio Herbert/Gachot/Weidler. É o Mazda 787B, sobre o qual, espero, nosso amigo Ricardo Divila compareça para falar mais sobre ele. Em 2011, quando a vitória completou 20 anos, a Mazda restaurou o carro. Como digo sempre, isso é se preocupar com a memória de uma marca.

Ah, o Filipe mandou aí nos comentários o resultado da restauração. Tem de ver. Mas aumenta o som.

VIROU BAR

V

vemaguet67bar

SÃO PAULO (irei, claro!) – Não tenho maiores detalhes, apenas que no dia 8 de abril, em Campos do Jordão, será aberto um bar temático chamado Vemaguet 67! Já tem página no Facebook, para quem quiser saber exatamente onde fica.

Não é todo carro que vira bar…

RIÔ

R

SÃO PAULO (essa é nova) – Nada a ver com nada, mas pingou no Facebook, indicada pelo Jason Vôngoli, esta Torre Eiffel erguida… no Rio! Em 1989, patrocínio da Mesbla, para comemorar os 200 anos da Revolução Francesa. Vocês, cariocas, se lembram disso?

rioparis

SE PANGS (2)

S

capmalaysia2SÃO PAULO (sábado, outono, delícia) – Quando o Todo Poderoso recebeu de seus roteiristas a sinopse da história de Noé e sua arca, a primeira coisa que pensou foi: onde vamos rodar o vídeo para o HolyTube? Foi quando um de seus arcanjos, o mais viajado deles, um ex-mochileiro com experiência pelos lados da Tailândia, Cambodja e Sudeste Asiático, inclusive com passagens pouco angelicais por Bangcoc, sugeriu: grava lá na Malásia, em Kuala Lumpur. Onde tem aqueles prédios altos?, perguntou o Supremo. Lá mesmo, respondeu a purificada criatura. Mas precisa ser de tarde, que é a hora que chove.

Este diálogo ocorreu há cerca de 5 mil anos, e desde então sabe-se que na capital malaia chove todos os dias, santos ou não, ali pelo fim da tarde. Consta que Bernie Ecclestone estava presente quando o Infalível conversou com seu emissor alado, na condição de dono da produtora encarregada de fazer o vídeo e, de quebra, sócio do construtor da arca. Mas, pelo jeito, não registrou a informação pluviométrica.

E por isso já tem alguns anos que Bernie marca treinos e corrida na Malásia para aquela que ficou conhecida como a Hora de Noé.

Claro que choveu na classificação agora há pouco, que deu ao Comandante Amilton sua segunda pole no ano, 33ª na carreira, fazendo o inglês ultrapassar Nigel Mansell e empatar com Jim Clark e Alain Prost nas estatísticas. Lewis é, agora, o quarto maior poleman da história, atrás apenas de Schumacher, Senna e Vettel.

polelhmal14O mercêdico é bom de chuva. E a Mercedes segue na frente da concorrência. Só que Lewis tem zero ponto. Precisa desesperadamente somar o máximo que der enquanto os rivais não encostam de vez. Por rivais, entenda-se especificamente Red Bull. Vettel fez o segundo tempo, a apenas 0s055 da pole. OK, foi no molhado, o molhado embaralha as coisas, mas parece óbvio que os rubrotaurinos estão na trilha da reação, depois de uma pré-temporada desastrosa. Se pans, encostam nos prateados antes de a F-1 voltar à Europa. Para quem previa um tempo maior para entrar nos trilhos, e eu estou entre eles, é uma chifrada no meio das ideias. Não se deve subestimar essa turma tetracampeã mundial.

Mas ainda acho que não ganha o campeonato.

O dia em Kuala Lumpur começou como aquele de 5 mil anos atrás, quando a equipe liderada por Bernie chegou à cidade para gravar a história de Noé: quente e úmido. Na hora do terceiro treino livre, o tempo estava nublado. Com pista seca, a Mercedes fez 1-2 com Rosberguinho e Hamilton e enfiou 1s1 no terceiro colocado, Raikkonen. No fim da tarde, desabou o toró nosso de cada dia, um daqueles de salvar o Sistema Cantareira. Era tanta água que não teve jeito: a direção de prova foi adiando o início das práticas até que as condições da pista apresentassem um mínimo de segurança. O retardo foi de 50 minutos em relação ao horário original.

E os tempos que no seco giravam na casa de 1min40s subiram para algo em torno de 2min. Falando em tempos, vale registrar o recorde de Sepang: 1min32s582, de 2005, Alonso de Renault. Arredondando, os carros estão 8s mais lentos depois de nove anos. A F-1 gastou fortunas para ficar bem mais lenta. Curioso, isso. Para não dizer ridículo e estapafúrdio.

Pois que o Q1 começou, finalmente, e com pneus intermediários a turma foi para a água e poucos incidentes foram registrados, com destaque para a panca de Ericsson, que depois de bater ficou um bom tempo dentro do cockpit buscando sinal no celular da sua família para informar à equipe o que tinha acontecido. Sem créditos, porém, desceu do carro e voltou aos boxes para relatar pessoalmente que fez uma ligeira cagada e bateu. Faltavam 50s para o fim do treino e o resultado não foi muito abalado. Ficaram na primeira degola, pela ordem, Maldanado (que sugeriu à Lotus largar a pé amanhã), Futil, Branquinho, Koba-Mito, Chalton e Sonyericsson. Rosberg foi o mais rápido.

No Q2, a chuva piorou. Ou melhorou, dependendo do ponto de vista. Para a lavoura, melhorou. Para o vendedor de capas, melhorou. Para o Sistema Cantareira, melhorou. Mas para o vendedor de algodão-doce, piorou. Para o dono do carro conversível, piorou. Para a Williams, piorou.

É, a Williams. Como na Austrália, onde a chuva veio no Q2 e no Q3, a Williams apanhou da chuva. É simples explicar: experimentem colocar água num Martini. Fica aguado e ruim. Esse é o problema da Williams: incompatibilidade entre patrocinador e precipitações. Ou chove, ou anda. As duas coisas não dá. Bem que o time tentou alguma coisa, colocando pneus intermediários em Sapattos e Massacrado. Mas não rolou. Outros que tentaram o mesmo, como o falante Raikkonen, tiveram de voltar aos boxes para calçar os pneus de chuva forte, conhecidos como “Noés”.

O Q2 chegou a ser interrompido por uma barbeiragem de Alonso, que não viu o soviético Kvyat numa curva de baixa e bateu nele. Quebrou um braço da direção da Ferrari do espanhol, mas a equipe, muito rápida, conseguiu trocar e ele pôde voltar à classificação. Na retomada dos trabalhos, Hamilton cravou a melhor volta, dando sequência ao domínio da Mercedes. Limados: K-viado, Gutierros, Massacrado, Maria do Bairro, Sapattos e Grojã. Felipe, ao repórter Marcelo Coragem, da Globo, disse que “não é novidade que nosso carro nessa condição não rende”. Bottas ainda perdeu três posições por ter atrapalhado Ricciardo. Larga em 18°.

Classificados para o Q3, portanto, as duplas de Ferrari, McLaren, Red Bull e Mercedes, mais uma Force India, do Incrível Hulk, e uma Toro Rosso, de Verme.

O único que tentou algo diferente no Q3 foi Button, que andou com pneus intermediários. “Se pans dá certo”, falou pelo rádio. Não deu. Larga em décimo. A briga lá na frente ficou para Hamilton, Tião Alemão e Rosberguinho, que terminaram o treino nessa ordem. Vettel andou bem perto, mas Nico, não. A diferença para seu parceiro foi de 0s619. Alonso terminou em quarto, seguido por Ricardão, Tagarellen, Hulk, Magnólia, Verme e Bonitton.

gridmalaiof

Teremos chuva na corrida, claro, é algo determinado pelo Impoluto há 5 mil anos por conta de uma gravação importante para o HolyTube, e não há nenhum motivo para acreditar que será diferente amanhã. Hamilton e Vettel são excelentes na chuva. Alonso também. Se pans, vai ser uma prova muito interessante, porque a Hora do Noé pode vir depois da largada. Espero que seja assim, porque senão o GP vai começar sob safety-car, o que é uma chatice. Quando chove no meio de uma corrida, é sempre mais legal.

Se pans, Bernie estava certo ao escolher a Hora de Noé para essa prova, mesmo. É mais divertido.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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