Arquivosegunda-feira, 25 de agosto de 2014

SÓ PAC-MAN SALVA

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Pac-Man com pista livre na parte final da corrida de domingo

SÃO PAULO (valeu muito) – Meu fim de semana de Londrina começou mal com o motor do Meianov quebrado na sexta. E terminou bem com o Pac-Man, mais uma vez, salvando a lavoura deste pseudopiloto.

O Corcelzão já tinha sido meu parceiro em 2008, quando o Lada deveria fazer sua estreia lá mesmo no norte do Paraná. Consegui um terceiro lugar legal, apesar de algumas dificuldades para enxergar a pista e alcançar os pedais — travesseiros do velho e bom Hotel Thomasi foram providenciais, na ocasião

Sábado, antes da classificação, fiz meu único treino com o carro que, na primeira prova, seria pilotado pelo Cláudio Cordeiro. O Nenê Finotti deveria correr com ele no domingo, mas quebrou meu galho por causa da quebra soviética e me deixou largar. Meu companheiro de equipe tinha conseguido uma volta na casa de 1min38s na sexta-feira, um tempo muito bom. Virei 1min42s no sábado, com um calor infernal. Marca ruim, mas com desculpas: a posição de dirigir estava muito complicada, por causa da nossa diferença de altura. De qualquer forma, pelo menos consegui lembrar mais ou menos como era dirigir esse carro. A primeira volta veio em 1min48s e fui abaixando com o andar do treino. Calculei que 1min40s, no dia seguinte, seria algo possível.

Assisti à corrida de sábado do terraço dos boxes. Foi muito bacana, com uma briga endiabrada lá na frente entre o Porsche do Mauro Kern (acabou quebrando o câmbio no final), o Passat do Carlão Estites, o Puma do Heitor Nogueira e o Passat do Adriano Lubisco, que fazia sua estreia. Incrível como o Xupisco se adaptou ao carro, que era do Carlos Braz. Trocou o Chevette pelo Passatão e vestiu o bicho como ninguém, sem estranhar a tração dianteira, a maneira de pilotar, nada. Um fenômeno.

Foi uma corridaça. Pena que o Mauro quebrou. O Heitor também ficou com o câmbio travado no fim e Carlão venceu, com Lubisco nos seus calcanhares. O Puma ainda se manteve na pista e terminou em terceiro.

Pac-Man largou bem, mas logo no início o Cláudio rodou e teve de remar muito para terminar em sexto na geral, segundo na categoria GTS (perdendo apenas para o Puma do Heitor). Ali vimos Pac-Man em sua melhor forma, jantando todo mundo que encontrava pela frente. Sua melhor volta foi cronometrada em 1min39s634. Mauro fez a melhor da corrida, 1min36s541. Largamos com 19 carros, um bom grid. Só o Chaud ficou de fora porque seu Passat teve o segundo motor quebrado no fim de semana.

O resultado significava que eu largaria em sexto no domingo de manhã. O grid foi definido pelo resultado da primeira prova. A classificação final das categorias (GTS, TL e TS) seria definida pela soma dos resultados das duas baterias.

Com o companheiro de carro Cláudio Cordeiro
Com o companheiro de carro Cláudio Cordeiro

O domingo foi punk. Acordei cedo, fui para o autódromo, assisti ao GP da Bélgica escrevendo o texto do blog, me troquei e sentei no carro. Larguei com muita cautela e tracei uma estratégia de corrida das mais conservadoras. Primeiro, porque a posição de dirigir não era grande coisa. Era melhor terminar a prova do que dar uma de valentão sambando no banco. Segundo, porque desde a corrida de sábado a embreagem do Pac-Man estava patinando muito. Não podia quebrar, então era preciso dosar o entusiasmo.

A turma da frente se mandou, como era previsível, e fui ultrapassado, nas primeiras voltas, por dois Fuscas, dois Passats, um Chevette e pelo Puma do Suero. Só esse me preocupava, porque era da minha categoria.

Logo de cara percebi que não teria muitos problemas para recuperar as posições perdidas para os Fuscas e para o Suero. O motorzão do Corcel fala muito alto. Os três, mais o Escort do Henry, ficaram algumas voltas brigando na minha frente, ocupando a pista toda. Achei que seria melhor esperar a briga dos quatro clarear um pouco para passar um por um quando fosse mais seguro. Foi quando a bolota da alavanca de câmbio se soltou e fiquei apenas com a haste metálica olhando para minha cara. Tudo bem, já aconteceu antes com o Lada. Mas como essa bolota é alta, trocar de marcha ficou mais difícil para o anão aqui, com a alavanca curtinha e distante. Fora que machuca a mão.

Escort, dois Fuscas e um Puma à frente do Pac-Man, que estava só na espera
Escort, dois Fuscas e um Puma à frente do Pac-Man, que estava só na espera

A partir da metade da prova, as oportunidade foram surgindo. Passei os Fuscas e o Escort, e quando me preparava para pegar o Puma, ele acabou quebrando. Pena, porque a briga seria legal. Foi quando me estabeleci na prova, sabendo que estava em segundo na GTS, depois da quebra do Puma preto que, na segunda bateria, estava nas mãos do jovem Humberto Guerra.

Perto do fim da prova, comecei a avistar o Chevette do Fernando Mello, que tinha me passado na largada. Num ritmo bom, uns 3s mais rápido, cheguei e passei na última volta. Foi legal, porque graças a essa ultrapassagem repeti o sexto lugar na geral que o Cláudio tinha obtido no sábado. Minha melhor volta foi registrada em 1min40s857, tempo razoável, até, para as condições em que me encontrava: afundado em pedaços de espuma e com a alavanca de câmbio espetando minha mão.

No fim, P2 na categoria. Dois segundos lugares que só não nos deram a vitória na GTS porque o Mauro fez uma corrida excepcional com o Porsche e levou a segunda bateria. Tinha um quarto lugar do sábado, apesar da quebra, e empatamos nos pontos. O desempate é pela melhor volta. A dele foi 1min35s687. Título merecidíssimo. A segunda prova, aliás, teve na geral Mauro, Carlão e Lubisco separados por 0s976. Andaram a corrida toda juntos, um belo espetáculo. Carlão ficou com o título na TS e André Mello, nosso ex-presidente-coxinha, ganhou na TL com um segundo lugar no sábado e vitória no domingo. Foi a despedida de seu Chevette, que será trocado por outro.

Pilotaiada que disputou mais um GP do Café em Londrina
Pilotaiada que disputou mais um GP do Café em Londrina

Não dá para reclamar do Pac-Man. É um carro grandão, pesado e meio desajeitado para dirigir, quando se trata de uma pista curta e trabalhosa como a de Londrina. As freadas são complicadas e a história da embreagem prejudicou um pouco. Mas ele é potente e enfezado. Quando aponta na reta perto dos outros, vai engolindo, mesmo. Nas curvas de baixa, acaba sendo presa fácil para carrinhos menores e mais ágeis, quando quem está ao volante não quer atrapalhar ninguém — o que foi meu caso ontem.

Estamos pensando agora o que fazer no ano que vem. Meianov continua sua carreira? Vai para o museu? Ainda não está decidido. O problema dele é que falta competitividade com o pacote técnico que uso — motor e câmbio originais fabricados em Togliatti. Adoro pilotá-lo, mas a Classic Cup tem evoluído muito e o pessoal da ponta se distanciou demais. Quando tem uma turminha para andar junto, mesmo que lá atrás, é divertido. Mas quando todo mundo avança e não sobra ninguém, perde a graça. Correr sozinho é chato.

Vou ver se consigo editar o vídeo on-board nesta semana. Por enquanto, fiquem com algumas fotos do VIII GP do Café. Que foi, mais uma vez, inesquecível para todos nós.

Meianov na sexta, antes de quebrar
Meianov na sexta, antes de quebrar

DE CARONA NAS DEKAS

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armandinhonono

SÃO PAULO (sorrindo sempre) – Armandinho da Fonte e Nonô, nossos colegas de Recife, seguem firmes para Poços de Caldas desde a semana passada. Objetivo: o 12° Blue Cloud, que começa na quarta-feira no sul de Minas. Sigam a aventura dessa dupla (e seus amigos) por este blog aqui. Ótimas histórias, grandes fotos e, sobretudo, uma paixão infinita pelos DKWs. Na estrada, uma Pracinha, um Belcar e um carro de apoio que, provavelmente, vai dar mais problema que nossas pequenas maravilhas!

SOBRE ONTEM DE MANHÃ

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SÃO PAULO (hoje tem coisa pacas) – A guerra deflagrada na Mercedes, os motivos de cada um, o futuro da dupla Ferrari, Vettel dando uma de come-quieto, os azares de Massa, a estreia de Lotterer… Um GP nunca termina na quadriculada, como sempre digo (nunca disse isso, mas a frase é boa). Vamos aos ecos de Spa:

GIFDOSDOIS– Está na cara que quando Rosberguinho falou que fez o que fez “para provar uma coisa”, referia-se a este momento aí do lado. Foi no começo do ano. Hamilton, deliberadamente, agrediu o companheiro nos países baixos. Isso não se faz. É muito mais grave que qualquer toque em corrida. As imagens tomadas por um cinegrafista amador me foram enviadas anonimamente pelo Renan do Couto. Não é montagem. Está tudo explicado.

– A Mercedes não sabe direito o que fazer. Qual a única ordem de equipe aceitável numa situação dessas? Não façam merda. Porque o título vai ficar em casa, com um ou com o outro. Melhor que seja decidido com lisura e sem mais atritos. Se possível, sem um bater no outro. Se não querem mais se falar, paciência. Se tiverem de almoçar e jantar em motorhomes separados, tudo bem. Mas não batam um no outro. Esse foi o motivo da ira de Lauda e Wolff ontem. Não há mais ilusões sobre camaradagem. Nenhum vai abraçar o outro numa vitória, ou pole. A paz acabou. Ou, como escrevem nossos amigos das organizadas nos muros dos clubes, “A PAS ACABOL”.

– Agora, que é divertido pacas, é. OK que assistir ao fim de uma longa amizade é algo que pode chocar, é meio triste, como disse ontem, mas do ponto de vista de marketing para a categoria, não há nada como uma grande rivalidade. Leva as pessoas a assumirem um lado, a torcerem para um ou para outro, a odiarem o rival, a procurarem defeitos atávicos e qualidades únicas. De que lado você está? Do neguinho emotivo, aguerrido, talentosíssimo, que se sente injustiçado, ou do branquelo coxinha, loirinho, frio e calculista, igualmente talentoso, que luta com as armas que tem e é vaiado no pódio? É uma boa disputa, convenhamos.

– Sobre o toque, mantenho minha visão do momento: coisa de corrida. Podia ser evitado, mas não podia ser tão bem calculado quanto algumas pessoas imaginam. Há uma diferença entre bater de propósito e não se esforçar muito para não bater. Rosberg assumiu o risco porque tinha menos a perder, talvez. Se batesse e os dois não pontuassem, não mudaria muito sua vida. Hamilton, por sua vez, não tinha muito a fazer. Estava na frente, fez sua linha. Nico poderia ter tirado o pé levemente. O ponto que depõe contra o alemão, para mim, é apenas um: precisava tentar a ultrapassagem na segunda volta? Poderia esperar um pouco mais? Acho que sim. O que não faz dele automaticamente culpado. E há um fato: ele não evitou. E isso faz dele automaticamente um pouco culpado. Um pouquinho só.

– Raikkonen e Alonso ficam na Ferrari em 2015, disse Machu-Pichu. OK. Têm contrato, tudo bem. Mas ainda acho que no fim do ano Kimi vai pedir para sair, se não enxergar uma luzinha no fim do túnel. Alonso não tem para onde ir, exceto para a McLaren, para liderar o projeto com a Honda. Mas acho improvável.

– “E na Mercedes?”, alguém pode perguntar. Sim, porque do jeito que a coisa anda, alguém consegue imaginar dois caras que passaram a se odiar tanto continuarem na mesma equipe? A conferir. Esse tipo de relacionamento não funciona. Prost se mandou da McLaren no fim de 1989. Piquet foi embora da Williams depois de conquistar o título de 1987. O próprio Alonso achou por bem não ficar brigando com Hamilton na McLaren, ao final da temporada de 2007. São todos competitivos, e quase todos dizem que não precisam ser amigos de seus companheiros de equipe. Mas, no fundo, ninguém gosta de conviver tão intimamente com quem não gosta. Um acaba roendo a corda.

– Não se iludam com o mau campeonato de Vettel. O rapaz não se acertou com esses pneus e com a maneira que esses carros devem ser pilotados, com turbo, dois motores extras e frenagens diferenciadas, para usar um termo caro aos dias de hoje. Eu diria que está usando esta temporada para se adaptar à nova F-1, algo que outros pilotos conseguiram rapidamente. Ele voltará muito forte no ano que vem. Quanto a Ricardão, é um que pegou a mão rápido. Como Bottas.

– Já Massa… Não sei se vou continuar usando a frase “precisa desesperadamente de um bom resultado”. Venho falando isso desde, sei lá, Mônaco. Somem-se à dificuldade de ter um companheiro velocíssimo e muito bom, tecnicamente, azares como o de ontem, de carregar restos mortais de pneu furado no assoalho por voltas a fio. A Williams levou dois pit stops para perceber. Felipe deveria ter parado na hora. Mas também não sabia o que estava acontecendo. Sabia que algo estava acontecendo, mas não exatamente o quê. No fim das contas, porém, fica apenas a sensação de que está desperdiçando chance em cima de chance de fazer um bom campeonato com um carro surpreendentemente bom. Bottas, por sua vez, aproveita cada oportunidade.

– Lotterer, coitado, deu só duas voltas. Mas largou na frente de Ericsson, que é um piloto fraco. Não sei qual o dedo da Audi nessa brincadeira. Talvez haja. Talvez não, e tenha sido apenas para curtir um pouco. Saberemos.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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