Arquivoquinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

CHICO

C
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Chico (de óculos escuros) no Blauer Rauch 2008: um dos maiores entusiastas da marca, fundador do Três Cilindros Clube de São Paulo em 2001

SÃO PAULO – Em 2001, eu já tinha DKW havia algum tempo. Existia um clube em São Paulo, mas digamos que ele nunca foi muito querido pelos que realmente amam o carro, a história da Vemag, aqueles que só querem que nossas pequenas maravilhas sobrevivam, seja como for.

Então, conheci o Chico. Ele e o Zé Carlos, cada um com seu DKW, Chico com o 67 verde, Zé Carlos com a Vemaguet cinza, também 67. Foram os criadores do Três Cilindros Clube de São Paulo, que não pôde usar DKW no nome por causa daquele outro clube — um tanto segregacionista.

Imediatamente me identifiquei com a dupla, me associei ao Três Cilindros e por longos anos o Chico, que comprou seu primeiro DKW em 1987, tocou o barco com incrível paixão e enorme competência. Nosso clube se tornou o principal da marca no Brasil, encontros foram promovidos (como os inesquecíveis Blauer Rauch em Itu, 2008 e 2009), a participação no Blue Cloud foi maciça, novos associados chegaram, carros foram restaurados e trazidos de volta à vida.

Fiquei muito amigo do Gabriel, seu filho, que quando conheci devia ter o quê, uns 15 anos? Moleque apaixonado por carros, profundo conhecedor da marca, herdeiro legítimo do amor que o Chico tinha pelos dois tempos e pelos três cilindros que nos movem pelas horas, dias, semanas, meses e anos.

Francisco Zioli se foi segunda-feira aos 57 anos e a esta altura está fazendo fumaça por aí, como sempre com o motor reguladinho, o popopó abafado e gostoso de ouvir, o Belcar limpinho e encerado, e todos nós ficaremos por aqui morrendo de saudades de seu sorriso.

NAS ASAS

N

SÃO PAULO (canalhas) – A Comissão Nacional da Verdade, que apura crimes da ditadura militar, concluiu esta semana seus trabalhos e entregou o relatório final com mais de 4 mil páginas que, num mundo ideal, resultaria em milhares de processos, julgamentos e condenações daqueles que, de 1964 a 1985, violentaram o Brasil e acabaram com ele — pagamos essa conta até hoje, ainda pagaremos por gerações.

Uma das atrocidades do regime militar foi acabar com a Panair do Brasil de forma autoritária e infame, entregando suas linhas aos amiguinhos dos generais e perseguindo seus proprietários.

A história toda, para quem não conhece, está aqui, em link enviado pelo blogueiro Virgo. Com o resultado do relatório da CNV, o Estado brasileiro reconhece, 50 anos depois, que foi o responsável pelo assassinato da Panair, pela desgraça de seus funcionários, pela morte de uma empresa saudável, importante e querida pelos brasileiros. É um consolo, essa admissão de culpa. Mas não passa disso, um consolo.

O que os militares fizeram de putaria durante a ditadura é algo inimaginável — além das prisões, torturas e assassinatos, a roubalheira, corrupção e iniquidade foram as grandes características do Brasil de Castelo a Figueiredo. Quem acha que os escândalos de hoje (que são investigados, inclusive) são chocantes deveria pesquisar sobre esse período trágico da história brasileira para entender a miséria, a desigualdade e o atraso em que vivemos.

Grande Panair. Que descanse em paz, agora.

maxipanair

BARCELINHAS (2)

B

SÃO PAULO (demais da conta) – Na verdade, não tem nenhuma notícia nova neste post. Apenas quis publicar a foto da Red Bull, porque acho demais essa pintura. Bem que eles poderiam usar na temporada toda. Hoje quem andou foi Ricciardo. Não foi mal, terminando o dia em terceiro.

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BARCELINHAS (1)

B

SÃO PAULO (desculpem o atraso) – Como assim, Maldonado?

Pois é, Maldonado. Da Lotus. Que agora anda de Mercedes. De fato, a Renault anda em baixa.

Mas falemos depois da Renault. Foi meio esquisito, este primeiro dia de testes de Barcelona, segunda bateria da pré-temporada — que o Grande Prêmio segue in loco, com a dupla Renan do Couto e Xavi Bonilla.

Primeiro, por Maldonado. Depois, porque Hamilton ficou doente, deu algumas voltas e passou o carro a… Pascal Werhlein. Porque Rosberguinho também não está muito legal, com dores no pescoço e na consciência. Werhlein estava escalado pela Mercedes, a quem responde na função de piloto de testes, para andar na Force India — que, por sua vez, tem alguns boletos em aberto com a montadora alemã, e sendo assim coloca no carro quem a casa de Stuttgart indicar.

Andou, inclusive. Aí, na falta de outro, foi para o carro da Mercedes. Werhlein entrou para a história como primeiro piloto, creio eu, a testar para duas equipes no mesmo dia.

Sem o jovem alemão, a Force India telefonou para Pérez, que concluiu os treinos ainda com o carro do ano passado.

E a McLaren deu sinal de vida, fazendo tempos na mesma casa decimal (dos segundos) que os adversários.

Só isso?

Não.

Teve acidente, isso mesmo, acidente entre Felipe Nasr e Susie Wolff. Um colocou a culpa na outra, que por sua vez responsabilizou o outro. A foto da batida, de autoria do nosso Bonilla, está abaixo.

Diante de tudo isso, Maldonado ficar em primeiro não quer dizer muito.

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Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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