Arquivoquinta-feira, 10 de dezembro de 2015

APLAUSOS DE PÉ

A

SÃO PAULO (efusivos) – O diligente Dú Cardim nos lembra que nesta semana, dia 7 para ser preciso, Hermano da Silva Ramos completou 90 anos.

Pioneiro do automobilismo nacional, “Nano” nasceu em Paris de pai brasileiro e mãe francesa. Passou a infância na França e a adolescência no Rio. Seu perfil completo, brilhantemente escrito por Paulo Peralta no “Bandeira Quadriculada”, está aqui.

Hermano correu na F-1. Foram três GPs em 1955 e quatro em 1956, sempre de Gordini. Um quinto lugar em Mônaco em 1956 foi seu melhor — e nada desprezível — resultado. Fosse a pontuação como hoje, ele teria marcado também em mais duas corridas. Foi oitavo na estreia, na Holanda, e na França no ano seguinte. Um resumo da corrida monegasca está no vídeo abaixo.

Le Mans também fez (e faz) parte de sua vida. Estreou em Sarthe em 1954, e foi lembrado pelo site oficial da corrida mais espetacular do mundo.

Toda honra a Hermano da Silva Ramos. Vida longa e próspera.

BORGWARD MADE IN CHINA

B

SÃO PAULO (como esqueci?) – Acho que passou batida aqui a notícia de que a alemã Borgward está voltando. O Youssef Dimitrov me avisou pelo Facebook e esqueci de contar. Quem organizou a parada foi o neto do fundador, em associação — adivinhem — com uma montadora chinesa. A SUV BX7, horrorosa, será o primeiro modelo da icônica marca extinta em 1961.

(“Icônica” é uma palavra de merda. Está proibida aqui. A molecada dos sites de automóveis vive escrevendo “icônica”. Icônica é o caralho.)

Passada a revolta linguística, cumpre informar que os Borgward Isabella dos anos 50 estão entre os veículos mais lindos do mundo, e é pena que esses chineses, junto com o neto do velho Carl, resolveram colocar no mercado uma porcaria que lembra essas peruas coreanas inchadas — Tucson, Santa Maria, Silvester, sei lá como se chamam.

Fico com os antiguinhos, como a peruinha Isabella — dá para ser mais bonita que isso? Não tenho nada contra marcas que voltam à vida, ao contrário. Mas a história deve ser respeitada. Alguma referência ao passado, por menor que seja, deveria ser aplicada. Nesse carro novo aí, tem o logotipo e olhe lá.

brogvoltou

JAGUAR NA E

J

SÃO PAULO (só cresce) – Enquanto na F-1 há escassez de montadoras, na Fórmula E a brincadeira vai de vento em popa. A Jaguar — controlada pela indiana Tata Motors — deve anunciar nos próximos dias seu ingresso na categoria, fazendo parceria com alguma das equipes existentes.

Audi, Citroën (com a marca DS), Renault e Mahindra são as montadoras que já estão no campeonato de carros elétricos. O organizador da F-E, Alejandro Agag, prevê que na quarta temporada dez fábricas estarão no grid junto com os dez times participantes.

VAI LONGE

V

[bannergoogle] SÃO PAULO (tô com o baixinho) – O embate Bernie Ecclestone x Mercedes-Ferrari vai longe. O chefão da F-1 não se conforma com o poder que as duas montadoras acabaram conquistando na era dos motores híbridos incompreensíveis. Segue lutando por motores mais simples e baratos e diz que a maioria das equipes da F-1 abre as pernas para os poderosos. “Se o Toto Wolff disser que o Natal é no dia 26 de dezembro, todos vão concordar”, falou.

Para Ecclestone, Ferrari e Mercedes “vão acabar com a F-1”. O argumento é que, como fizeram BMW e Toyota em passado recente, são marcas que de uma hora para outra podem picar a mula, deixando a categoria no mato sem cachorro.

Ambas responderam com os anos de fidelidade à F-1 e pretendem bater o pé na questão dos motores. A Ferrari acrescentou que o Natal continua sendo no dia 25.

PEGADINHA

P

SÃO PAULO (eu ganharia mesmo assim) – O pessoal da Texaco fez uma brincadeira legal com clientes. Vejam abaixo o press-release:

Uma bateria de kart entre clientes Texaco. Vinte competidores acelerando no kartódromo da Granja Viana. O prêmio? Os três primeiros colocados teriam direito a assistir a grande final da Stock Car 2015, em Interlagos, de camarote, conhecer os boxes da equipe Full Time Texaco e, no final, dar uma volta em um carro da Stock Car pilotado por Allam Khodair. O que eles não sabiam é que, entre os candidatos alinhados no grid, largando na última posição, estava o próprio Khodair, disfarçado. “Foi uma experiência única. Foram quase 5 horas de maquiagem com nariz postiço, mudança de textura da pele, barba, peruca… Tudo para me transformar no Rui Carvalho, personagem que criaram para que eu não fosse reconhecido no contato com os clientes. E o resultado foi sensacional. Eu mesmo me surpreendi”, contou Khodair.

Nem é preciso dizer o que aconteceu. Essas ações são bacanas. “Engajamento”, como se diz. Certamente esses clientes ficaram felizes com a ação, estarão no autódromo e não vão se esquecer nunca. É o tipo de coisa que funciona, dinheiro bem gasto.

Khodair, por sinal, renovou seu contrato com a Full Time.

VOLKS & WAGENS

V

SÃO PAULO (legal demais) – O Arthur Bomfim mandou o vídeo do encontro de VW que aconteceu em Águas de Lindoia. Não são só antigos, tem uns tunados, também, mas no geral é um evento bem legal. E o que é importante: a VW apoia. Coisa rara, nas montadoras brasileiras. Alguém aqui esteve nessa festa? Quando foi? Se me convidarem para o próximo, eu vou. Estava fazendo as contas, tem dez VW na minha pequena frota… Ah, em tempo: Buble Gun Treffen é o nome do encontro — se alguém soube a origem, conte aqui.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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