Arquivosábado, 9 de julho de 2016

BREXIT (2)

B

brexit-2SÃO PAULO (que gelo, tá doido)Deu Hamilton. E não foi mamão com açúcar. Ou sopa no mel. Essas coisas que a gente diz quando é moleza. Foi meio que a fórceps. Porque o inglês precisou de um enorme controle emocional para fazer a pole #55 de sua carreira, agora há pouco na Inglaterra. Teve sua primeira volta no Q3 anulada. E o tempo era muito bom. Sobrou uma única tentativa, e a pressão era naturalmente grande.

Mas ele foi lá e cravou. Larga na frente amanhã em Silverstone, com Rosberguinho macambúzio ao seu lado na primeira fila. Podemos esperar grandes coisas para esse domingo. Hamilton está a dez poles de Senna, o segundo maior poleman da história. E a 13 de Schumacher, o maior de todos. Esse é um recorde que Michael, provavelmente, vai acabar perdendo — se esse domínio da Mercedes perdurar, claro.

Mas vamos à classificação.

No Q1, apenas cinco seriam eliminados, por conta da violenta batida de Sonyericsson no último treino livre. Ele foi levado para a assistência técnica e não pôde participar do treino que definiria o grid. Não se sabe ainda se corre. Deve correr, pois parecia bem, fisicamente, depois de bater muito forte na Stowe. Mas o carro virou um caco. Não sei se a Sauber vai conseguir reconstruí-lo, porque faltam peças de reposição que não são encontradas no pequeno comércio de Silverstone. Talvez em Northampton, ali pertinho.

[bannergoogle]E junto com Marquinhos, o sueco, dançaram Button, Palmer, Harianto, Wehrlein e Nasr. Aí, de repente, Button apareceu correndo nos boxes. A pé. É que Magnussen tinha sido punido por ter supostamente saído com as quatro rodas do leito da pista na sua melhor volta. Pênalti instantâneo, devolvendo o 16º lugar ao inglês da McLaren, que assim foi ao Q2. Lá na frente, Rosberguinho, Hamilton, Verstappinho, Raikkonen e Vettel.

Começa o Q2, Bonitton todo bonitão dentro do carro, e a FIA voltou atrás. Magnólia Arrependida teve seu tempo devolvido depois de um apelo-relâmpago da Renault. Em tempo recorde, os comissários viram a fita e acolheram o recurso do time amarelo. Button tirou o capacete e ficou chupando o dedo. Nada que mudasse a cotação da libra, mas foi engraçado. E a história de ultrapassar os limites da pista quase definiu a pole, como se verá adiante.

Foi no Q2 que Comandante Amilton quebrou a banca com um temporal de 1min29s243, enfiando uma luneta de 0s727 em Rosberguinho. E 1s4 em Verstappen, o terceiro. Previa-se algo muito especial para o Q3, depois de uma volta dessas. Uma briga, evidentemente, entre os pilotos da Mercedes, no más. Com enorme dificuldade para Nico-Nico no Fubá superar seu companheiro de equipe. Na ponta de baixo, algumas decepções. Foram para a guilhotina Pérez (Hulk passou), Massa (Bottas passou), Grojã, Gutierros, K-Vyado (Sainz Idade passou) e Magnussen. Destaque de novo para Alonso, tirando leite de pedra e levando a McLaren ao Q3 de novo, na nona posição.

[bannergoogle]E foi mesmo legal o Q3. Porque a primeira volta de Hamilton, 1min29s339, já foi bem boa para incomodar Rosberg, que virou 0s267 mais lento. Só que, do nada, o tempo de Lewis desapareceu dos monitores. O inglês teve a volta anulada porque na curva 9 foi com as quatro rodas para fora dos limites da pista, segundo os comissários. De acordo com tuitada de Nigel Mansell, um dos comissários esportivos da prova, ficou combinado no briefing com os pilotos que haveria tolerância zero no fim de semana nas curvas 9, 15 e 18, porque é nessas que se ganha tempo. Todo mundo concordou.

Nico, assim, apareceu em primeiro. Hamilton teria uma única tentativa, pressionado e tomando muito cuidado para não repetir a transgressão, para superar o alemão.

E fê-lo. Virou 1min29s287, 0s319 mais rápido que Nico, que não conseguiu melhorar seu tempo — não está tendo um bom fim de semana, o líder do Mundial. Uma pole classuda, com autoridade e afirmação do momento psicológico muito bom pelo qual passa o inglês. Verstappinho ficou em terceiro, mais de 1s atrás de Hamilton — a superioridade mercêdica em Silverstone tem sido irritante, até. Ricardão larga ao lado do adolescente na segunda fila, toda da Red Bull.

Max conseguiu bater o australiano pela primeira vez em classificações. Olho nisso, é algo que pode abalar o sorriso largo de nosso querido marsupial. E foi a melhor classificação da curta carreira do holandês. O quinto no grid é Kimi Dera Um Adiantamento do Contrato em Vodca. Vettel largaria em sexto, mas perderá cinco posições no grid por troca de câmbio e sai em 11º. Assim, fecharam o Q3 Sapattos em sexto, Hulk em sétimo, Sainz Jr. em oitavo e El Fodón de La Nona Posición logo atrás — o espanhol também teve uma volta anulada pelo mesmo motivo de Hamilton, volta que colocá-lo-ia em sétimo no grid. Pérez parte em décimo.

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Não choveu no momento da classificação, apesar da baixa temperatura, 20°C, e alta umidade. Não está descartada uma aguinha amanhã, em algum momento. Afinal, é a Inglaterra. Mas também pode ser que a corrida seja toda no seco, naquela janelinha climática que às vezes brinda a região com algumas horas de sol. Aguardemos. Não dá para fazer previsões muito precisas sobre o tempo em Silverstone, porque a chuva vem da represa, amigo.

De qualquer forma, será um passeio da Mercedes se seus dois pilotos não quiserem resolver tudo na largada, algo que a equipe deve estar considerando neste exato momento. Mamãe pediu que nos amássemos, não que nos amassemos, queridos. Comportem-se e só apareçam aqui depois da corrida amanhã com troféus de primeiro e segundo, OK. Danke.

Esse será o papo. E creio que eles voltarão comportadinhos com as duas taças, porque emprego não está fácil em lugar nenhum.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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