Arquivosexta-feira, 22 de julho de 2016

ESSA É A SUA CARA?

E


SÃO PAULO (boa) – As campanhas para prevenção de acidentes automobilísticos na Austrália são, em geral, fortes e impactantes — detesto essa palavra, assim como “foco”; mas não encontro outra melhor. Anos atrás publiquei aqui no blog um filme de uma campanha de Natal do governo do Estado de Victoria. Esta, em especial, foi muito marcante, violenta e eficiente. Os índices de acidentes no país têm caído ano a ano. O vídeo está aí em cima. Já aviso que é violento e doloroso. Mas necessário.

Agora, surge Graham. Graham é o nome desse protótipo de ser humano do vídeo abaixo — um boneco feito de fibra de vidro, resina e pelos naturais. Ele mostra como deveria ser um homem se seu corpo tivesse sido “projetado” para resistir a acidentes: sem pescoço, com vários mamilos, olhos deslocados para o fundo, cérebro envolto em fluido, e por aí vai. Um ser com essa aparência monstruosa seria capaz de sobreviver aos impactos que o corpo humano recebe em uma batida de carro.

Lá, essas coisas funcionam. As pessoas se sensibilizam e se tocam. Aqui, e falo sobre a cidade de São Paulo, somos obrigados a conviver com uma malta de pentelhos que não aceitam o resultado das medidas tomadas nos últimos anos para reduzir a quantidade de acidentes e de mortes no trânsito. A redução da velocidade em quase todas as vias da capital fez com que, no ano passado, o número de mortes caísse 20,6% — a maior queda desde 1998.

A desonestidade da imprensa paulista insiste que esses dados são influenciados “pela crise econômica que faz com que menos carros circulem”, sem apresentar um único dado a esse respeito. Ontem, na “Folha”, ao ser noticiada nova queda do número de mortes — 21% a menos no primeiro semestre deste ano do que no primeiro semestre de 2015 –, o texto me sai com essa aqui:

Especialistas consideram a desaceleração da economia do país como um fator que contribui para reduzir os acidentes. Com a crise, o número de entregas diminui, desempregados passam a não usar o veículo e quem deseja economizar deixa o carro em casa.

Quais “especialistas”? Nenhum foi ouvido, ou citado. Nada. Puro chute. No meu tempo de jornal, alguém que escrevesse uma baboseira/mentira dessas seria demitido. Não se citam “especialistas” se eles não têm nome, ou se nada disseram — não há ninguém falando em relação entre “desaceleração da economia” e redução de acidentes, nenhuma aspa, nenhuma declaração. O único verdadeiro especialista consultado pela reportagem, este com nome, sobrenome e função, disse o seguinte:

Para José Aurélio Ramalho, presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária, foi determinante para o melhor resultado na capital paulista a redução dos limites de velocidade máxima, medida da gestão Fernando Haddad (PT) que ganhou força a partir do ano passado. “Com velocidade menor, há menos acidentes. Mesmo quando ocorrem, têm menos risco de serem letais. Além disso, a cidade tem fiscalização de infrações que causam acidentes muito superior ao que ocorre em municípios do interior”, afirma Ramalho.

A redução da velocidade nas marginais, que entrou em vigor há exatamente um ano, é algo que faz com que paulistanos histéricos, em seus carrões blindados e possantes, deem chiliques permanentes deste então. Eles não se conformam em ter de andar devagar. Quando se apresenta um dado concreto — no caso das marginais, a redução de acidentes com vítimas foi de 37,5% no primeiro semestre deste ano –, os chiliquentos começam a vomitar alguma bobagem sobre “indústria de multas”, “radares escondidos” ou outra merda qualquer.

É uma pena que a maioria não reconheça que alguma coisa tem sido feita. Que mortes têm sido evitadas. Que vidas têm sido poupadas. Que o trânsito tem sido algo menos agressivo e violento. É algo que, na Austrália, como se vê com Graham e com os vídeos de Victoria, é dito claramente. Velocidade, imprudêncuia, bebida. É o que mata.

FARÓIS

F

SÃO PAULO (os meus acendem) – Parece que a Philips está lançando umas lâmpadas modernas com cara de antigas. Para carrinhos mais velhos, pelo que entendi. Oferecem maior luminosidade e tal. Acho legal. Mas tem uma hora que o cara fala que dá “efeito xenon extra”. Puta merda. Xenon não é aquela coisa horrorosa meio azulada metida a modernosa que neguinho enfia em Ômega e Civic rebaixado junto com néon? Ou xenon é legal? Tenho preconceito com xenon e néon, admito. Mas se a Philips quiser me mandar 36 pares para faróis normais, mais uns oito para as milhas do Gol GT e do XR3, mais uns 36 pares para lanternas traseiras, mais 144 para piscas e lanternas, aceito para experimentar. Contatos aqui mesmo.

Ah, do rapaz que mandou o vídeo eu não anotei o nome.

DO DIA NA HUNGRIA (1)

D

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SÃO PAULO (o que está acontecendo?) – Não sei se dá para ficar falando de Fórmula 1 num dia como hoje. Em tempos como os de hoje — falo de Nice e Munique, cidades que para mim são tão importantes e caras.

Na pista, na Hungria, deu Rosberg. Hamilton bateu e perdeu muito tempo de treino. Deu apenas quatro voltas e depois do acidente a Mercedes achou melhor não devolvê-lo ao asfalto.

[bannergoogle]Nico enfiou 0s5 no segundo colocado, Ricciardo. O líder do Mundial renovou seu contrato com a equipe prateada por mais dois anos. Fez muito bem, claro, como bem fez a Mercedes de ficar com o rapaz. Ele é bom piloto. A Ferrari, em terceiro, ficou quase um segundo atrás com Vettel. Alonso e Button (foto), em sétimo e oitavo, mostraram que, num circuito onde chassi é mais importante que motor, a McLaren tem um bom carro. Alonso, aliás, fez sua melhor corrida de 2015 em Hungaroring. Dá para sonhar com pontos.

A Williams ficou definitivamente para trás. Não anda bem em pista rápida, em pista lenta, na rua, na chuva, no seco. Vai acabar sendo ultrapassada pela Force India, certeza.

Recapearam a pista, que está mais rápida. O tempo da pole do ano passado já foi batido por Rosberguinho. Dos pneus macios para os supermacios, a Pirelli calcula 1s3 por volta. Os médios, também levados a Budapeste, são mais de 2s mais lentos que os mais macios escolhidos para o fim de semana.

Pode chover amanhã na classificação.

FOTO DO DIA

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SÃO PAULO (meu talão era dourado) – Eu gostava quando o Brasil tinha um monte de bancos. Sobraram Itaú, Bradesco, Santander e os dois estatais, Caixa e Banco do Brasil. Lá atrás, em outra vida, tive conta no Bamerindus e no Digibanco. Mas amava o Comind e o Noroeste. E todos os outros. E vocês? Onde tiveram conta antigamente, quando o Brasil não era vítima desse quase monopólio? Foto pescada no Facebook do Dú Cardim.

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Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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