TagPortuguesa

LUSA, 100

L

Gosto de te ver em silêncio, quando passo pela Marginal à noite. Indo ou vindo. Gosto da placidez das tuas torres apagadas, das arquibancadas escuras, do vento balançando de leve as copas das árvores em teu redor.

Gosto de te ver do alto, do avião, quando ele faz a curva pelo norte. O retângulo verde, o anel de concreto que parece inacabado, as traves adormecidas, as redes recolhidas, o campo de areia — já não está, mas em mim está –, as alamedas, os bancos de cimento nas alamedas, as gentes pelas alamedas. Do alto, são lindas as alamedas.

Gosto de parar o carro sempre no mesmo lugar. Gosto de chegar um pouco mais cedo e dar cavalo-de-pau no campo de areia. Gosto de ver os meninos, antes de entrarmos pelo portão ao lado dos vestiários, comendo bolinho de bacalhau encharcado no azeite. Deixo os dois no balcão da estranha construção circular, me afasto um pouco, acendo um cigarro, encosto numa das pequenas mesas redondas de alvenaria e me vejo neles, anos atrás. Camiseta vermelha, moletom amarrado à cintura. Altivos, solenes.

Gostava de descer na Ponte Pequena, caminhar sob a linha do metrô até a Cruzeiro do Sul, me embrenhar pelo terreno baldio ao lado da Escola Técnica Federal tomando cuidado para não sujar demais a calça branca e chegar ao clube pela rua da Piscina, 33.

Gostava de entrar pelo portão ao lado da pequena loja que vendia chaveiros, canecas, camisas, cachecóis, bonés, agasalhos, canetas, broches, bonecos. Gostava de comprar um saco de tremoço do homem que ficava do lado esquerdo da escadaria, gostava de subir seus degraus e parar no topo, o campo à minha frente, prescrutar o cenário, calcular quantas pessoas, escolher onde ficar.

Gostava de como era antes, bem antes, de mal ver o que acontecia por ficar lá embaixo, sob as bandeiras, nos estranhos bancos de cimento, como passei a gostar de depois, bem depois, de ver tudo que acontecia lá de cima, bem do alto, as perninhas curtas dos meninos mais se divertindo do que penando para escalar o que, para eles, devia parecer uma pirâmide com vista para o Nilo, o mundo e a vida aos seus pés assim que a escalada se consumava.

Gosto de perceber como depois, com o passar dos anos, encontramos nosso lugar mais ou menos cativo, à meia altura, a uma distância apropriada para ir e vir, ver e enxergar, gritar e escutar, gritar e se fazer ouvir.

Gostava de dizer a eles, e dizia sempre, que ali eles podiam gritar o que quisessem, e — isso era muito importante — quem estivesse lá dentro iria ouvir. Que podiam xingar à vontade e com sinceridade, que lá de dentro seus algozes se sentiriam atingidos. E que, nisso, éramos diferentes; aquilo era a vida real.

Gosto de olhar para trás e lembrar o que já vivemos ali. O trânsito para chegar, o mais novo sugere ir pelo Anhangabaú, o mais velho por trás da Sé, não há aplicativos a nos informar quanto tempo levaremos, é a experiência que nos diz a que hora devemos sair e calcula a hora de chegar, a ansiedade aumentando ao ver as torres iluminadas, a dúvida permanente sobre o portão que estará aberto — durante a semana, à noite, sempre foi tudo muito tenso e apressado. Nos sábados e domingos, à tarde, a pressa não era nossa inimiga, ao contrário, o ritual incluía o restaurante cheio de fotografias e camisetas ali do lado, ou a taverna já em nossos domínios, o bacalhau com batatas ao murro, os rostos familiares, os acenos dos conhecidos, a sangria na mesa que no fim eu tomava sozinho — eles cresceram, mas ainda preservam certo pudor e pedem refrigerantes.

Gostava de soltá-los lá dentro subindo e descendo degraus quando ainda não entendiam direito o que faziam naquele lugar cada vez mais íntimo, sem medo de perdê-los porque alguém sempre estaria de olho, como gosto de soltá-los hoje, a intimidade com o lugar consolidada, porque é de seu irrestrito direito viver exatamente o que vivi à minha maneira, e eles têm de viver aquele lugar como quiserem.

Gosto de cumprimentar as pessoas, de esbravejar, vociferar, sonhar, berrar, pular, abraçar, beijar, de elevar à condição de semideuses os que lá dentro nos representam de verde e vermelho, sejam quem forem.

Gosto das vitórias e aceito as derrotas, gosto de ligar o rádio no carro e ouvir as explicações, de renovar as esperanças, de voltar sempre pelo mesmo caminho, fazer as contas, reviver um lance, lamentar a bola que não entrou e dizer a eles: é assim, a vida é assim, a gente precisa aprender a ganhar e perder, quando é o próximo´?, onde é o próximo?

Gosto de saber que o que mais me une aos meninos é você, Portuguesa. Gosto de levar sua cruz no peito. Você nos apresentou o amor.

VINTE ANOS

V

969696

SÃO PAULO – Deu sete da noite. O programa acabava às oito e meia. O jogo era às nove e meia. Levantei, peguei minhas coisas e falei para o coordenador: vou embora. Mas não pode, como vou fazer? Não sei, vou embora.

Chovia muito. Os repórteres diziam que a cidade estava parada. Chama alguém para terminar o jornal, falei. Vão te mandar embora, disse o coordenador. Não tem problema. Tchau.

E fui.

A cidade estava mesmo parada, debaixo d’água. Vesti a camisa, peguei o carrinho pequeno, vermelho e valente, e encarei todas as águas.

Cheguei. Vestia a camisa listrada. Vai ter de secar até domingo, foi tudo que pensei.

Alguns dias antes, no mesmo estádio. Vestia a camisa xadrez, de um título recente. O rosto pintado, quarta à noite. Território conhecido, mas estranho. A gente não jogava lá. Mandaram jogar. O polícia não deixou entrar com o rosto pintado. Duas faixas em cada face. Com a camisa xadrez, tirei a tinta. A camisa está manchada até hoje.

Ganhamos, não fui ao segundo jogo, o único que não fui. Perdemos, mas passamos. Inacreditável.

Alguns dias antes, no radinho. Precisava acontecer um monte de coisa que nunca acontece. Este perder, aquele empatar, a gente ganhar. Este perdeu, aquele empatou, ganhamos, longe de casa. Passamos. Inacreditável.

Alguns dias depois, segundo jogo no estádio que não era o nosso, ganhamos de novo. Tinha mais gente, não muito. Domingo seria em outra cidade, meu irmão morava lá, peguei o avião, fui.

Entrei no estádio gigante e a arquibancada tremia. A torcida cantava um hino de forma impressionante. Vencer, vencer, vencer, lutar, lutar, lutar.

Lutamos, lutamos, lutamos. Empatamos. Passamos. Inacreditável.

Alguns dias depois, debaixo de chuva. Muita, muita chuva. Camisas dos outros times. Um a zero, dois a zero. Inacreditável.

Inacreditável.

No dia seguinte, fui ao nosso estádio. Ia ter um avião. Quanto custa? Dá dois. Ingresso incluído? Sim. Dá dois. Liguei para o irmão caçula. Parece que tinha um vestibular. Foda-se o vestibular, moleque.

Domingo de manhã, o carrinho vermelho, está dando certo, vamos nele, aeroporto, rostos conhecidos, bandeiras das nossas cores, avião cheio, era só nosso. O piloto falou meu nome. O moleque ficou orgulhoso. Acho que ficou, sei lá.

Chegamos. No outro aeroporto, bandeiras vermelhas, rostos desconhecidos, mas eram todos nós.

Alguns ônibus, bandeiras, carão para fora da janela, porrada na lataria, carreata de vermelho atrás da gente. A camisa tinha secado. Na bolsa de couro cru, uma bandeira pequena, uma boina, um maço de cigarros, alguns dinheiros, um isqueiro. Churrasco, cerveja, caipirinha.

Chegou a hora, fomos. Os de vermelho não puderam ir junto. Se foram, foram escondidos. Entramos. Tudo azul. Gritos, berros, xingamentos, pedradas, mas não me lembro de ter tido medo.

Quatro minutos, um a zero. Tive medo. Aí sim, tive medo.

Mas o tempo passou, como sempre passa, e um a zero, um a zero, um a zero. Vai dar, falei. E comecei a chorar. Faltavam vinte e cinco minutos e saí para chorar. Fui para o lado de fora, sentei no chão, debaixo da arquibancada. Chorei até secar. Voltei.

Faltavam dez minutos. Nove, oito, sete, seis. Dois a zero. Senti uma dor no peito, um punhal cravado para matar. Na morte, não sei se se chora. Não chorei.

Apenas sentei e morri.

AS CAMISAS

A

[bannergoogle] SÃO PAULO (inesquecível) – O brother Felipe Portes pediu para que fazer uma lista das dez camisas de futebol mais legais da minha coleção. A primeirona, claro, é a da Lusa de 1973 — esse esquadrão aí da foto da decisão contra o Santos no Morumbi com 116 mil pagantes.

Para vocês que nunca viram um time de futebol de verdade, anotem: de pé, da esquerda para a direita, Pescuma, Zecão, Badeco, Isidoro, Calegari e Cardoso; agachados, Xaxá, Enéas, Cabinho, Basílio e Wilsinho. Fomos escandalosamente roubados pelo árbitro, tanto no tempo normal (gol de Cabinho anulado), quanto na cobrança de pênaltis.

Bem, a lista das camisas no “Todo Futebol” está aqui. Se vocês quiserem falar das suas, à vontade.

lusa73

JUNTOS, SEMPRE!

J

SÃO PAULO (saindo pra pegar os novos hipsters metidos a mooquenses) – A Portuguesa lançou seu novo plano de sócio-torcedor com um vídeo que mostra por que somos os maiores do mundo. Como membros honorários da resistência, praticantes do ódio eterno ao futebol moderno, eu e os moleques já fazemos parte do grupo. Todos são bem-vindos. Até porque se a Lusa acabar um dia — o que não vai acontecer –, acaba todo o resto.

MEU GRANDE AMOR

M

SÃO PAULO (filhos da puta) – Hoje faz dois anos que a Portuguesa se garantiu na Série A do Brasileiro. Ganhamos da Ponte, 2 a 0 lá, e matematicamente não podíamos mais ser rebaixados. Voltamos de Campinas leves, felizes e ainda mais apaixonados. “Amor FC” foi o título do texto que escrevi no dia seguinte, e parece que já estava imaginando alguma coisa. Duas semanas depois, os escrotos do STJD rebaixaram a Portuguesa. Escrevi de novo, “Quem somos” — mais uma declaração de amor à única coisa que me importa no futebol.

Dois anos. Mais dois rebaixamentos, uma desgraça atrás da outra, um assassinato lento e doloroso que tentam nos infligir. Não morreremos, porém. O vídeo abaixo mostra isso, da linda série “Som das Torcidas”, do pessoal da Central 3. Somos tão apaixonados como sempre fomos. Isso nunca nos será tirado.

CBF, vai se foder, vai.

PARABÉNS!

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SÃO PAULO (toma) – Nos 105 anos de nossos co-irmãos da Zona Leste, uma leve lembrança de nosso último confronto pela Série A, quando os amiguinhos ostentavam a condição de campeões do mundo e da América.

RENUNCIA, ILÍDIO

R

voltaremos

SÃO PAULO (enquanto é tempo) – Presidente Ilídio Lico,

O senhor não me conhece, mas sou um torcedor dos mais apaixonados pela Portuguesa.

Amanhã, quinta-feira, o Conselho vai decidir se abre um processo de impeachment contra o senhor. O mais provável é que abra.

Por isso, presidente, lhe peço, em nome de muitos torcedores da Lusa: renuncie.

Renuncie, porque infelizmente sua gestão não deu certo. E há muitos elementos que justificam seu impedimento.

O senhor não soube investigar o caso Héverton. O senhor rebaixou nosso time à Série C. Não jogamos no Canindé há meses e nenhuma explicação nos é dada. Os pagamentos à advogada cessaram de uma hora para outra e nosso estádio pode ser penhorado. Nossos funcionários não recebem salários. O clube está às traças. O senhor assinou um contrato com a tal de Capes cujo primeiro cheque foi devolvido por falta de fundos. Nossos jogadores não têm o que comer. No ano passado o senhor contratou 40 jogadores e nenhum prestou. Fizemos a pior campanha de nossa história, uma vergonha atrás da outra. Sem que ninguém soubesse, e por ninguém incluo nós, torcedores, o senhor foi negociar com a Cyrela a venda de nosso clube. O senhor está cercado de oportunistas, de gente que, por alguma razão, parece ter prazer em ver nossa Portuguesa morrer. Livre-se deles, livre-se deste destino inglório.

Tenha um gesto de grandeza, presidente. O senhor tem uma folha de grandes serviços prestados à Lusa. No nosso melhor momento, meados dos anos 90, era o senhor nosso homem forte no futebol. Somos gratos, muito gratos ao senhor. Tivemos grandes alegrias e graças ao seu trabalho tínhamos orgulho de vestir nossa camisa rubro-verde.

Mas o tempo passou e se o senhor não renunciar, seu nome pode entrar para a história como a do presidente que levou a Portuguesa à morte. E jamais o perdoaremos.

A renúncia é o único caminho para que seu sucessor legal tenha paz e tranquilidade para tentar colocar as coisas no lugar. Sua gestão está imobilizada. Não tem condições de fazer mais nada. Novos ares são necessários no Canindé. Pessoas novas, ideias novas, um rompimento definitivo com uma estrutura que, parece evidente, não funciona mais.

Presidente Ilídio, o senhor pode até não acreditar, mas os torcedores da Portuguesa têm um grande carinho e respeito por tudo o que o senhor fez por nosso clube. Mas temos, da mesma forma, muito medo de que se o senhor não renunciar a Lusa entre num caminho sem volta. Um processo de impeachment, neste momento, deixaria o clube ainda mais vulnerável, sabe-se lá por quanto tempo. No modelo de futebol que temos hoje no Brasil, que não é mais o mesmo de 20 anos atrás, nosso tempo está se esgotando.

Estamos morrendo, presidente. Nossa respiração é fraca e ofegante. Seja grande, como sempre foi. Não insista na permanência no cargo, porque não há mais nada a fazer, nada a ganhar. Deixe qualquer traço de vaidade de lado, até porque sabemos que vaidade não faz parte de sua personalidade.

Ficando, presidente, o senhor será o responsável pela nossa morte. Saindo, será o responsável pela possibilidade de ressurreição.

Não mate a Portuguesa, presidente. Sua renúncia será um ato grandioso que a História saberá reconhecer.

Obrigado.

SALVEM A LUSA

S

SÃO PAULO (mas tá difícil…) – A Portuguesa vive o pior momento de sua história. Rebaixada à Série C, sem um time para disputar o Paulistão, sem dinheiro, sem saber o que aconteceu no caso Héverton, sem apoio, sem ajuda, corre o risco de morrer silenciosamente.

Mas continua amada por quem sempre a amou. O Luiz Nascimento e o Cristiano Fukuyama fizeram este documentário ouvindo alguns torcedores e ex-jogadores da Lusa que não compreendem como a situação chegou a este ponto. É muito bonito. E não é possível que a corja que hoje toma conta do clube não se emocione com depoimentos como o do sr. Vital, que cuida do museu do Canindé.

Depois de vê-lo e ouvi-lo, essa cambada bem que podia renunciar coletivamente e deixar a Portuguesa nas mãos de quem gosta dela.

LUSA NA VEIA

L

SÃO PAULO (eterna) – Para vocês que acham que estamos deprimidos por causa da Série C, lamento… A Lusa é rock na veia, e o campeonato vai ser sensacional com gigantes do futebol de verdade como Londrina, Brasil de Pelotas, Fortaleza, Madureira, Botafogo da Paraíba, Treze, Tupi, Juventude, Caxias, Guarani… Além do mais, não é essa chatice de pontos corridos. E para derrotar os co-irmãos temos o Paulistão, que já nos diverte.

MEU AMOR

M

Meu amor,

Antes de mais nada, não fique assim. Essa tristeza toda não combina com a gente. Veja a gente na Kombi. OK, foi em 2011, um de nossos grandes anos. Tínhamos motivos para sorrir o tempo todo. Hoje não temos, mas e daí? Sorrisos vão e vêm. Fique tranquila. Tudo vai passar.

Eu poderia aqui listar dezenas de motivos que tiraram nosso sorriso do rosto. A trapalhada do fim do ano passado, que pode não ter sido uma trapalhada, mas algo bem pior. Alguém te vendeu, acho. E só a gente se deu mal. Porque se alguém te vendeu, outro alguém comprou. E ninguém descobriu ainda quem foi. Um dia isso virá à tona, pode ter certeza.

Mesmo assim, você tinha defesa. Afinal, foi vítima de uma trapalhada ou traição, OK, mas tínhamos o direito à informação, algo que os caras não fizeram — publicar a suspensão do moço, como manda uma lei federal. Tínhamos defesa, claro que tínhamos. Mas a impressão que tive é que quem te vendeu não quis te defender direito.

E esse quase assassinato não ficou por isso mesmo. Você reparou como tomo mundo ficou do seu lado? Viu quando fomos à Avenida Paulista gritar por justiça? As pessoas gostam de ti, menina.

Mas as pessoas esquecem tudo muito rápido, hoje em dia. E os dias foram passando, as semanas, os meses, e começaram a fazer tanta bobagem contigo… Uma atrás da outra, até que terça-feira o golpe final foi dado, e caímos.

Menina, a gente cai junto e a gente levanta junto. Acredite em mim.

Por isso, não vou ficar aqui escrevendo o que todo mundo já escreveu. A gente sabe por que tudo aconteceu, era uma quase morte anunciada. A gente sabe que quem deveria te salvar nada fez além de ficar chorando pelos cantos. A gente sabe que não investigaram. Ou, se investigaram, estão protegendo alguém. A gente sabe de tudo.

Em vez de falar de coisa ruim, prefiro te agradecer.

Te agradecer por 1973, por 1975, por 1980, por 1985, por 1996, por 1997, por 1998, por 1999, por 2007, por 2011, por 2013. Pelas manhãs, tardes e noites que passei com você, aqui, no interior, em cidades distantes deste Brasil que te adora, creia. Prefiro te agradecer pelas alegrias imensas, que se não foram tantas quanto as tristezas, te garanto, mocinha, foram muito maiores.

Fui e sou feliz quando te vejo na nossa casa querida, que andaram dizendo que vão derrubar e vender. Bobagem. Ninguém vai derrubar nada, nem vender nada.

Você vai continuar sendo o que sempre foi, o amor da minha vida, não importa onde e como.

Estão dizendo aí que você morreu para o futebol. Se isso realmente acontecer, tenho muita pena do futebol.

Um beijo, minha linda.

LUSA NO BOTECO

L

SÃO PAULO (todos lá!) – É amanhã o lançamento do “Boteco da Lusa”, o livro escrito pela querida Michelle Abilio com ilustrações do igualmente querido Paulo Batista. Vai ser no São Cristóvão, o melhor bar temático de futebol de São Paulo.

A Portuguesa vive o pior momento de sua história, mas nós, seus torcedores, temos uma característica muito marcante: a esperança de que dias melhores virão. E sabemos rir de nós mesmos, o que é uma enorme virtude.

Esperamos todos lá!

lusaboteco

SÓ TRÊS ANOS

S

SÃO PAULO (só esperando) – Fico me perguntando como é possível, em apenas três anos, um time sair da glória absoluta para pegar a ladeira rumo ao fim. A Portuguesa de 2011 encantou o Brasil. É um clube que tem dessas coisas. De tempos em tempos, encanta e comove. Em 1996, foi a namoradinha do país. Em 1998, todos se indignaram com o roubo no Morumbi e as lágrimas dos meninos ajoelhados de dor. Em 2006, alívio nacional com a fuga da terceira divisão na última rodada, no Recife. Cinco anos depois, a volta por cima com alegria, gols e simpatia. Ninguém tem raiva da Lusa. Ninguém quer vê-la mal. Ao menos aqueles que têm alguma noção do que é o futebol, de sua história, daquilo que realmente importa.

E foram dois anos, 2012 e 2013, dignos na Série A. Num futebol em que torcidas comemoram verba de TV, se manter entre os 10 ou 12 primeiros sem recurso algum é quase um milagre. Até a sacanagem do ano passado, ainda por ser explicada. E a indiferença de quem poderia ajudar, apoiar, investigar, fazer qualquer coisa, é o que mais dói.

Acabei de ver este vídeo pela primeira vez. Faz só três anos. Parece inacreditável. De novo, teremos de nos reinventar, nos superar, sofrer.

Ah, futebol, como te odeio.

NOSSO GURI

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meumeninoSÃO PAULO – Nos idos de 1991, 1992, tínhamos nosso garoto. Hoje faz 20 anos que ele se foi. Dener, menino… Quantas noites frias no Canindé, quantos jogos que nada valiam apenas para ver você…

Sempre que ouço aquela música do Chico, “Meu guri”, lembro de você, Dener. Já lembrava, na época. Era tocar no rádio, Dener vir à cabeça. Tinha certeza que sua vida se encerraria de modo trágico e breve, nada de premonição, apenas uma certeza, porque a gente que sabia dele desde guri sabia que seria assim.

E por saber, seguíamos seus passos, dribles e gols com alegria e orgulho, orgulho que nunca acaba, porque demos ao nosso guri a chance de vencer, a gente sabia que isso seria longe do nosso Canindé, das nossas fronteiras, o mundo era maior que o Canindé, Dener era maior que o Canindé, sempre soubemos disso. Ele disse que chegava lá, e a gente esperava que chegasse. Só que a cada jogo, a cada gol, baixava uma enorme melancolia. A certeza de que aquilo era bom demais para durar. Seria curto.

Mas mesmo assim amamos nosso guri com todas as forças, de tudo fizemos para tê-lo conosco por alguns segundos a mais, e ele nos devolveu o esforço com sua arte, seu amor por aquela camisa, por aquele solo sagrado.

Dener, Dener. Morreste numa madrugada de segunda-feira sem que pudéssemos te defender, como sempre fizemos. Madrugada escura, dormindo. Soube quando cheguei de Aida, no Japão, no aeroporto. Morreu aquele menino, o Denis, me disse o motorista do amigo. Que Denis?, perguntei, O da Portuguesa, ele respondeu, e eu quase morri junto, e na Marginal passamos pelo ginásio de fachada amarela onde estava o corpo, meu Canindé, nosso campo, seu palco, templo universal. Chorei em silêncio para você não perceber, menino. Tu gostava mesmo era de fazer a gente rir.

20 anos, guri. Aquele gol contra a Inter de Limeira segue gravado na alma, não na retina, que o tempo apaga as imagens. A alma, não. Do outro lado do campo, levantei-me e bati palmas como se aplaudisse uma peça de Mozart executada por ele próprio. Ali o futebol poderia acabar, fechar suas portas e agradecer.

Dener, Dener. Fizeste o Gol Fundamental e comemoraste como sempre, gritando e enlouquecendo sua pequena plateia, seus seguidores, seus protetores. A camiseta sempre maior que os braços finos, o número quase escondido dentro do calção, a magreza, a beleza, nosso maior orgulho, nossa mais preciosa pedra.

Dener, Dener, somos muito gratos a você, guri.

O 8 BRANCO

O

eneas2SÃO PAULO – Ele era alto, esguio, elegante. Clássico, não matava mal nenhuma bola. Se ela não lhe chegasse com a mesma elegância, era provável que não se esforçasse para melhorar uma tela na qual as primeiras pinceladas não insinuavam nenhuma obra de arte. Por isso, muitas vezes passava minutos alheio ao que os outros faziam por perto. Não lhe dizia respeito, se belos não fossem os movimentos. Mas de repente, como diziam naqueles tempos, ligavam-lhe uma chave interna e a beleza surgia em forma de gols, sempre bonitos, sempre comemorados com o movimento do braço direito em um ângulo reto perfeito com o punho erguido.

Aquele enorme número oito branco bordado nas costas, então, corria em direção às arquibancadas onde ainda havia bandeiras e encantava o garoto que morava longe, no Rio de Janeiro, e só via aquilo em preto e branco numa velha Philco, imaginando as cores, não mais.

Algumas vezes o oito virou dez, e em vez de branco, foi verde. Variações sobre o mesmo tema: a bola na rede, o punho em ângulo reto, o abraço dos súditos que chegavam depois. Enéas era nosso rei e o foi até 1980, quando chegamos à decisão do primeiro turno do Campeonato Paulista.

O garoto tinha então quase 16 anos e uma já longa vida nas estradas e arquibancadas. Voltara do Rio para morar em São Paulo e aos 13, aproveitando uma viagem ao exterior do pai, que alimentava certos rigores em relação à questão, alistou-se numa pequena torcida organizada numa noite no Pacaembu, Força Jovem, jovem eu era, para envergar a camisa verde com gola e punhos vermelhos, o escudo no meio, e nas costas o pioneirismo da propaganda, Margarina Colombo.

Eu fazia parte da minoria da minoria, a pequena Força Jovem buscando seu espaço entre os rubros da Leões da Fabulosa e os alvos da Corações Unidos, a CUP, com suas épicas bandeiras brancas com o coração vermelho no centro e a Cruz de Aviz rasgando suas artérias.

Um ano depois, a mudança para o interior, não muito longe, e o futebol e o time e a arquibancada já fazendo parte da vida para o resto da vida, e o nosso negro esguio e elegante, com a oito às costas, algumas vezes a dez, sempre lá. Isso não acontece mais, eu o vira pela primeira vez quando tinha nove anos, já entrava nos 15 e ele seguia no mesmo time, o meu, e então, já não lembro bem por quê, troquei a Força Jovem, talvez porque já não fosse tão jovem assim com 15 anos, pelos Leões com suas camisas vermelhas sem patrocínio de margarina, mas respeitados e admirados em todo o Estado. E o ônibus da Benfica Turismo, que nos levava ao interior em caravanas, passou a fazer paradas obrigatórias na Anhanguera, ou na Bandeirantes, ali na altura de Campinas, para pegar o garoto que morava na cidade. E na volta de Araraquara, Rio Claro ou Ribeirão Preto, ele deixava o garoto na beira da estrada, onde o pai o resgataria no horário combinado.

Estávamos na decisão do primeiro turno de 1980, classificados com alguma antecipação graças à campanha irretocável, e um turno de Campeonato Paulista, meninos e meninas, era importante, valia taça e vaga na finalíssima. Ainda tínhamos dois jogos a cumprir, a Inter em Limeira, a Francana no Canindé. Depois, as semifinais, que seriam contra a Ponte, e as finais contra o Santos.

O dia 13 de julho era um domingo. Como sempre, o busão bege da Benfica com o escudo dos encarnados na lateral, “E pluribus unum”, que eu achava que tinha algo a ver com ônibus, mas esse “pluribus” era outra coisa, “unum”, outra ainda, surgiu no horizonte da estrada inaugurada menos de dois anos antes, o garoto se despede do pai e combina no mesmo lugar à noite, e seguimos para a partida no Major Levy Sobrinho, do glorioso Leão da Paulista.

Foi o último jogo de Enéas com aquela camisa, no caso branca com o número verde, empatamos em 1 a 1, gol dele, belo, certeza. Dias depois nosso número oito seria vendido para o Bologna da Itália, um dos primeiros brasileiros a seguir para a milionária Bota, talvez Falcão tenha ido antes, não sei se mais alguém.

Estávamos às vésperas de uma grande final, eu não acreditava naquilo, mas era muito dinheiro, aparentemente não dava para esperar, Enéas tinha 26 anos, oito como titular, perderia as semifinais, que ganhamos da Ponte, e as finais, que acabamos perdendo para o Santos.

Foi-se nosso Pelé, e a despedida não anunciada aconteceu num domingo quente de julho em Limeira, que por acaso vi, e na volta, quando o ônibus me deixou na estrada já escura, não sabíamos que tinha sido o último. O horário não bateu com o combinado com o pai, não havia celular, caminhei pelos canteiros centrais e pelos matos até avistar uma pequena luz numa pequena fábrica, e o vigia me permitiu ligar para casa e dizer mais ou menos onde estava, porque da estrada não havia como voltar para a cidade.

Voltamos eu e meu pai no carro já sem Enéas, que oito anos depois, num Monza, numa avenida da Zona Norte da cidade, aos 34 e acabado, sofreu um acidente terrível, e num hospital, alguns meses depois, num dia 27, num mês de dezembro, morreu.

Hoje faz 25 anos da morte de Enéas, o oito branco bordado na camisa vermelha, não sei se o maior que tivemos, porque houve muitos outros antes, alguns depois. Certamente o maior que o garoto da Força Jovem e da Leões, ou dos Leões, como eu dizia, viu.

É uma triste e curiosa coincidência que ele tenha morrido num 27 de dezembro, como hoje. Do meu negro esguio e elegante, restou o oito branco bordado na camisa Athleta, de tecido grosso e pesado, que nunca mais será vestida por corpo algum.

Mas é apenas uma triste e curiosa coincidência. Enéas morreu num 27 de dezembro. Nós, não.

QUEM SOMOS

Q

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GUARUJÁ – Essa foto aí em cima foi tirada há um mês no Maracanã. O jogo era contra o Botafogo e nossa quarta-feira foi muito legal. Peguei os moleques na escola, sexta-feira era feriado, eles mataram aula com autorização dobrada, paramos numa lanchonete para comer um sanduíche e fomos para a estrada, falando do time, da campanha, dos jogos perdidos no fim, dos gols desse, das defesas daquele, da goleada inesperada, da vitória apertada, da derrota injusta. O plano era chegar ao Rio ao anoitecer e se não desse tempo para deixar as coisas na casa do amigo, iríamos direto para o estádio. Conheço mais ou menos o Rio e saberia encontrar o Maracanã.

Erramos uma saída, fomos parar em Madureira, mas a rota foi corrigida a tempo e quando faltava uma hora para o começo do jogo estávamos diante do maior do mundo, ou ex, procurando um lugar para estacionar e perguntando onde ficava a bilheteria dos visitantes. Encontramos ambos, caminhamos do estacionamento à bilheteria com nossas camisas, sem preocupação nenhuma em nos esconder, antes com muito orgulho das cores, fomos recebidos com boas-vindas pelos… receptivos?, compramos nossas entradas, conhecemos o novo Maracanã, belo, colorido, feérico, uau. O jogo terminou empatado, 0 a 0.

Seis meses antes, estivéramos em Capivari, Barueri, Campinas, na Rua Comendador Souza e em Rio Claro, para uma decisão. O ritual foi, tirando um detalhe aqui, outro ali, o mesmo. Em todos esses lugares nos divertimos, nos unimos um pouco mais, sofremos as mesmas angústias e explodimos de alegria pelas mesmas razões, nos abraçamos, gritamos palavrões, urramos, xingamos todos, todos os adversários e todos, todos os juízes, bandeirinhas e quartos árbitros, além dos técnicos dos outros times, naturalmente.

Escrevo hoje com o coração sangrando. Não pelos jogos que não verei no ano que vem, pelos adversários que, provavelmente, não enfrentaremos. Isso, e lamento decepcioná-los, não nos faz a menor diferença. Enfrentar o Barcelona no Camp Nou ou o Velo Clube em Rio Claro é mais ou menos a mesma coisa. Portanto, se alguém quiser me encontrar, e aos moleques, no ano que vem, é só consultar a tabela dos campeonatos que disputaremos, porque disputaremos campeonatos, e como em todos eles teremos adversários pela frente que serão enfrentados com brio, luta, dedicação, esforço. No campo, que é onde se joga, onde se ganha e onde se perde.

O coração sangra por outras razões. Sangra porque ao contrário da imensa maioria que está, neste exato momento, olhando para a gente com dó ou escárnio, porque nada entende de nada, fiz parte desta história de 38 jogos porque neles estive, não em todos, mas em boa parte deles, para exercer algo que ninguém jamais vai tirar de mim: paixão.

Quando subi num alambrado para xingar o coronel travestido de técnico, quando me dirigi às tribunas para mandar o presidente tomar no cu, quando tive de entrar, eu e os moleques, às pressas no carro de um igual para fugir de pedradas no Pacaembu, quando perdi meu emprego por não me conformar com a injustiça, a agressão ao mais fraco, a violência brigadiana contra nosso capitão em Porto Alegre, estava sendo o que sou: um apaixonado pelo meu time.

Cego, bobo, insano, mas apaixonado.

E nosso esforço não foi em vão, ah, não foi. Terminamos em 12° lugar, um ponto atrás do campeão da Copa do Brasil e a dois do campeão mundial. Não temos torcida grande, jogos transmitidos pela TV, patrocínios milionários, receita ilimitada da emissora que é dona do futebol, simpatizantes na imprensa, arena com cadeirinhas, setor VIP, camarotes, telão de alta definição. Mas quando eu gritei para o técnico, o gordinho espetacular, que ele era foda pra caralho, ele ouviu, e isso deve ter feito bem a ele, assim como ao lateral que encontramos nas férias num hotel em Fortaleza deve ter feito bem um moleque sair do nada com a camisa do time no café da manhã dele e pedir para tirar um retrato, e também ao atacante que postou uma foto no Instagram se recuperando e recebeu uma curtida e uma mensagem de apoio e volte logo, precisamos de você.

Mas não precisam ter pena da gente, não. Fomos vítimas, hoje, de uma injustiça inacreditável, mas essas coisas não nos derrubam. Nossa desorganização interna pode ter criado uma situação delicada, esquisita, até, mas que não era indefensável. Poderia, aqui, citar códigos, artigos, parágrafos, estatutos, regulamentos, li tudo nos últimos dias sobre eles. Não sou advogado, mas há muitos que são e escreveram sobre o caso. Este aqui, por exemplo — fosse eu advogado do clube mandaria imprimir e entregar aos caras do tribunal, esta é nossa defesa, e nem apareceria na audiência, porque o resultado seria o mesmo, fosse nossa defesa impecável, como essa, fosse patética, como foi, com o advogado contratado comparando o jogador que não deveria ter jogado a um chuchu, que não faz bem, nem mal.

Sabemos inclusive rir de nós mesmos. Atacante-chuchu, vejam vocês…

A Portuguesa é o que resta do futebol de verdade no Brasil, ou quase isso — há outros clubes que sobrevivem incrivelmente a estes tempos, com torcidas igualmente pequenas e apaixonadas, mas nem todos conseguem se manter na tal da Série A por motivos óbvios, não interessam, não estão no Playstation. No futebol da “elite”, certamente a Portuguesa é um corpo estranho. Um elo perdido. Muita gente acha a Portuguesa esquisita. Como pode esse time de torcida tão pequenina, que não aparece no jornal da hora do almoço, que não tem nenhum jogador famoso, existir? Quem são vocês, ó torcedores da Portuguesa? O que é você, Portuguesa? Por que é que você torce para a Portuguesa, ó torcedor da Portuguesa? Que espécie de… seres são vocês?

Bem, quem faz essas perguntas jamais vai entender as respostas.

Mas OK, vou tentar.

Nós somos os que estaremos nos jogos do ano que vem. Não sei direito em qual campeonato, mas estaremos lá. Pode ser que eu pegue meus moleques na hora do almoço e vá ao Rio de carro novamente, talvez não ao Maracanã. Mas pode ser também que a gente pegue um avião e vá até Fortaleza, ou Natal. Campinas é destino certo, Recife, Florianópolis e Belo Horizonte, talvez. Tanto faz. Já caímos no campo algumas vezes, e subimos nele. Desta vez caímos fora do campo, subiremos nele novamente, é só assim que sabemos fazer, só assim é aceitável, só assim pode-se vestir uma camisa com orgulho e dignidade.

Esses somos nós. Os que não sabem ser de outro jeito.

Nos tiraram, hoje, algum dinheiro que entraria no caixa no ano que vem. Bem menos que a maioria ganha, mas que seria suficiente para começar a endireitar as coisas e tocar nossas vidas, nós, os esquisitos junto de vocês, que não nos compreendem. Paciência, encontraremos um jeito de ajeitar tudo.

Ah, não é só dinheiro não!, arriscará alguém que precisa encontrar alguma razão para nossa existência, vocês não vão jogar nas arenas, enfrentar o campeão disso, o vice daquilo, o classificado para aquele torneio, se foderam, seus minúsculos irrelevantes!

Não, não nos fodemos. Na verdade, a gente não tem tanta vontade assim de jogar nas arenas, nem de enfrentar o campeão disso, o vice daquilo, de aparecer no programa da hora do almoço, ou na noite de domingo em forma de cavalinho. Desculpem, mas enfrentar você, você e você não é exatamente uma honra para a gente.

A gente só quer saber quando será o próximo jogo, e onde, para seguir fazendo o de sempre: amar nosso time, e só ele.

Espero ter respondido quem somos.

AMOR FC

A

ficamos

SÃO PAULO (cada segundo vale) – Minha Lusa garantiu ontem sua permanência na Série A. É, hoje, o 13° melhor time do mundo — considerando que o clube campeão do mundo é brasileiro e o Brasil é pentacampeão mundial, e portanto o melhor futebol do mundo é jogado aqui, e como estamos em 13° no principal campeonato do país onde se joga o melhor futebol do mundo, somos o 13° maior time do mundo.

Um clube de torcida pequena, receitas idem, ignorado pela imprensa em geral, considerado um estorvo por quem gerencia o futebol no país, ser o 13° melhor do mundo é um milagre do futebol.

Nós, que torcemos para a Portuguesa, amamos o futebol. Ontem, um punhado de nós foi a Campinas para declarar esse amor. Não sei se os jogadores, todos, percebem. Alguns, sim. Há os que nasceram ali, e há os que chegaram há pouco tempo, mas notam que existe algo de especial e diferente num time como esse.

A Portuguesa de uns 15 anos para cá tinha tudo para dar errado. A cantilena é a mesma de sempre, que em algum grau todos os torcedores de todos os times declamam: má administração, gestão amadora, burrice em níveis industriais.

Mas a gente não se importa tanto, toma essa realidade como algo quase inevitável, e por isso fomos a Campinas, e a todos os cantos, em pequeno ou minúsculo número, para sentar no concreto áspero ou nas novas cadeirinhas almofadadas apenas para estar lá. Quando acabou o jogo ontem, descemos das velhas e históricas arquibancadas do Majestoso para aplaudir nossos meninos e nosso gordinho, e demos um tapa na cara do futebol mercantilista que contaminou o mundo.

A Portuguesa é uma peça de resistência, assim como o Criciúma, o Santa Cruz, o Sampaio Corrêa, e muitos, muitos outros times do Brasil que compõem o Amor FC, aquele grupo dos que amam clubes, não títulos, essa bobagem supérflua que as pessoas usam apenas para se proclamarem melhores que as outras.

Eu me acho melhor que os outros quando vejo o moleque de camisa 9 pendurado no alambrado nessa imagem aí no alto, à direita do cara sem camisa, quase no meio da foto. É um dos meus moleques, que ontem foi dormir mais leve e feliz. Ele se orgulha do que é. Sabe perder e ganhar, aprendeu a sofrer e a se alegrar. Alguns dias atrás estávamos, eu, ele e o outro moleque, no Maracanã. Fomos de carro, estacionamos mais ou menos perto, caminhamos com nossas camisas no meio da torcida do Botafogo, merecemos olhares de respeito e nenhuma, nenhuma hostilidade.

Torcedor de futebol de verdade respeita quem ama um clube. Torcedor de futebol de verdade está feliz com a Portuguesa, essa pequena aldeia gaulesa que se recusa a ser mais do que isso, porque é isso que somos. Temos nossos Asterixes, Obelixes, Panoramixes e Chatotorixes. Dependendo dos resultados da última rodada, podemos terminar o ano em décimo, o décimo maior time do mundo, na frente de representantes poderosos bancados pelo Império Romano.

Não temos arena, temos um estádio. Não temos celebridades em campo, nossos jogos não passam ao vivo na TV, não colaboramos com os índices de audiência das emissoras abertas, ou fechadas, o dinheiro que chega é pouco, há quem nos considere pequenos e irrelevantes, mas não tenho nem raiva desses, me causam é pena.

Pena, porque a gente tem uma poção mágica que vem de algum lugar misterioso, e não é todo mundo que vai bebê-la um dia na vida. A cruz que a gente carrega no peito, ao contrário do que muita gente imagina, não é um fardo, é uma dádiva.

Somos um milagre, um milagre do amor.

A MAIOR DAS DECISÕES

A

lusacampea73
De pé, da esq. para a dir.: Pescuma, Zecão, Badeco, Isidoro, Calegari e Cardoso; agachados: Xaxá, Enéas, Cabinho, Basílio e Wilsinho.

SÃO PAULO (eu vi) – 26 de agosto de 1973. Eu tinha nove anos e morava no Rio. Já torcia para a Portuguesa havia algum tempo, desde o final de 1963, quando da concepção. Na TV em branco e preto em Copacabana, assisti à decisão do Campeonato Paulista entre Portuguesa e Santos.

Ganhamos. Afinal, que me conste, a Portuguesa é campeã paulista de 1973. Mas aquela final de exatos 40 anos atrás rende até hoje. Foi a primeira decisão por pênaltis do futebol brasileiro, ao menos em campeonatos importantes, e o juiz Armando Marques errou a contagem, fazendo com que o título fosse dividido entre o grande da capital e o simpático time da Baixada.

Na época, não lembro de ter entendido direito o que tinha acontecido no Morumbi. Sabia, apenas, que anularam um gol do Cabinho e que o Zecão, meu primeiro e maior ídolo no futebol até hoje, pegara o primeiro pênalti cobrado por alguém. Era o suficiente para me sentir campeão.

Zecão foi o maior goleiro de todos os tempos. Sua camisa amarela com listras pretas no ombro e gola partida era um manto que continha uma solenidade jamais alcançada por casula nenhuma de papa algum. Ficava na parede do meu quarto o retrato, destacado da “Gazeta Esportiva”. Se Zecão pegou um pênalti, nessa coisa esquisita de decidir um título nos pênaltis, fomos campeões e pronto.

Em 1993, na “Folha”, fiz uma grande reportagem dos 20 anos daquela decisão. Só foi publicada em dezembro, mais de três meses após a efeméride, porque eu exigi publicá-la em duas páginas livres do jornal. Está aqui, para quem quiser ver (tem de virar as páginas, está no fim do caderno de Esportes). Eu queria desmascarar a falácia de que o Santos tinha sido prejudicado, oh, coitado. Lembrava do gol do Cabinho.

Mas quase ninguém lembrava. Os jogadores da Portuguesa com quem falei, todos. Os do Santos, nenhum. Juiz e bandeirinhas tinham versões desencontradas. E os incêndios nas emissoras de TV, comuns nos anos 70, dizimaram as imagens do jogo — sobraram algumas do Canal 100 e os pênaltis. Um gol fantasma, o do Cabinho. Mais fantasmagórico ainda porque o autor do gol não se lembrava dele. Incrível. Cabinho sofrera um acidente de carro na época e tinha o que se chama de amnésia localizada. Simplesmente não se recordava de um monte de coisa que tinha vivido 20 anos antes.

Sábado, agora, a TV Tribuna de Santos levou ao ar uma reportagem emocionante, depois de promover o encontro de vários jogadores dos dois times que estiveram naquela decisão. Meus olhos se encheram de lágrimas ao ver Cardosinho, Xaxá, Dicá, Wilsinho, Basílio e Badeco. Meus heróis, meus grandes heróis daquela tarde fria de agosto de 1973 no Morumbi com 116 mil pagantes. Metade torcendo para a Lusa, e não acreditem em quem disser o contrário. O estádio estava dividido. Ponto.

Há um ótimo relato dessa final, também, com lindas fotos, no Canelada, em texto assinado por Luiz Nascimento. Tem toda a história do campeonato, a vitória do Santos no primeiro turno, a conquista da Portuguesa no segundo, o título da Taça São Paulo entre um e outro (os torneios foram paralisados para a seleção excursionar) e a origem do time de 1973 — que brotou da histórica Noite do Galo Bravo no ano anterior, quando o presidente Oswaldo Teixeira Duarte mandou embora seis titulares após uma derrota para o Santa Cruz.

Dia desses, o pessoal do Impedimento, o melhor site de futebol do país, me pediu um texto sobre aquele time para a série “Esquadrões Marginais”. Está aqui o texto completo, mas reproduzo o que mandei para eles na íntegra abaixo. Tomara que vocês tenham paciência para ler (ninguém mais lê nada que tenha mais de 140 caracteres, é uma batalha inglória, mas dane-se).

A Portuguesa dos anos 70 era o melhor time do mundo. Se não foi campeão mais vezes, azar do mundo.

Para que se entenda o que era a Portuguesa naquela década, talvez seja razoável lembrar os desinformados que o goleiro da seleção brasileira campeã no México era da Portuguesa, Félix. Se ele já estava jogando pelo Fluminense na ocasião, é detalhe pouco relevante. O mesmo vale para o lateral-direito Zé Maria, furtado do Canindé pelos vizinhos da Marginal sem número.

Éramos, portanto, o melhor time do mundo. Até a noite de 13 de setembro de 1972, quando fomos derrotados miseravelmente pelo Santa Cruz no Parque Antarctica por 1 a 0. Jogávamos no modesto estádio dos co-irmãos da Pompeia por uma razão bastante simples. Nosso estádio, o Independência, inaugurado alguns meses antes, ainda não possuía a iluminação adequada para partidas noturnas. Assim, concedíamos aos rivais da zona oeste a honra de jogar em seu gramado.

Pois que perdemos para o Santa Cruz, e naquela noite o doutor Oswaldo Teixeira Duarte decidiu demitir metade do time. Foram seis dispensados, todos titulares: Hector Silva, Lorico, Samarone, Ratinho, Piau e Marinho Peres. Foi a Noite do Galo Bravo. As dispensas foram anunciadas em coletiva de imprensa no dia seguinte pelo presidente em lágrimas. “Este clube hoje não mais aceita atletas que depois de um mau resultado comparecem à imprensa e afirmam que não têm motivação para ficar aqui. E como é duro para nós dizer para um atleta como o Marinho que não o queremos mais aqui dentro! O que vou dizer ao meu associado que gosta e adora o Piau? Mas eu não posso jogar o dinheiro do clube fora.”

(Tem áudio desse pronunciamento do presidente, no blog do jornalista Milton Parron, da rádio Bandeirantes.)

Doutor Oswaldo mandou metade do time embora e no ano seguinte deixamos de ser o melhor time do mundo para nos tornarmos o melhor do universo, fomos campeões da Taça São Paulo e à decisão contra o Santos. Zecão; Cardoso, Pescuma, Calegari e Isidoro; Badeco e Basílio; Xaxá, Enéas, Cabinho e Wilsinho. Esse era o time dirigido por Oto Glória, o homem que mais entendeu de futebol no planeta em sua e em todas as épocas. O Santos tinha um goleiro que se chamava Cejas. O resto do time, sinceramente, não me vem à memória. Não devia ser muito bom.

Fomos evidentemente roubados naquele jogo de 116 mil pessoas no Morumbi, numa noite de agosto, um ano depois da Noite do Galo Bravo. Só falam nos pênaltis, a conta ridícula que só favoreceu o clube da Baixada. Não nos foi dada a chance de empatar. Faltavam dois para cada lado, e estava 2 x 0 para o time deles. Antes, no tempo normal de jogo, Cabinho teve um gol anulado de forma bizarra. Tão grotesca a marcação da arbitragem que após esse jogo os arquivos de todas as emissoras de TV foram queimados para que não sobrasse registro do escalpo. Não há imagens do gol de Cabinho. Mas há dos pênaltis. Incêndios criminosos e muito bem engendrados.

Eu me lembro, porém. Do gol e de tudo. Assisti ao jogo em preto e branco pela TV no Rio de Janeiro, onde morava. Na minha parede, colada com durex, havia uma página da “Gazeta Esportiva” com uma foto gigante de Zecão, o maior goleiro de todos os tempos. A camisa era amarela, com faixas pretas em torno do sovaco e gola preta dividida em dois. Não sei explicar isso escrevendo. Espero que o editor deste texto chinfrim encontre uma foto de Zecão com a camisa amarela para que o leitor compreenda a descrição da camisa.

Detalhe que é importante, neste relato, porque eu queria uma camisa daquela de qualquer jeito, e minha mãe só encontrou, no Rio, uma cor de laranja com a faixa preta no sovaco, mas a faixa não contornava o ombro inteiro, era interrompida na altura dos ombros, também não sei explicar, mas o fato é que era apenas semelhante, não igual, e aquela camisa amarela do Zecão tornou-se uma obsessão para a vida toda, o Santo Graal que nunca encontrei.

Zecão pegou o primeiro pênalti na final de 73 e como aquela era a primeira decisão por penais realizada no Brasil, acho que já deveria ser o bastante para que a taça nos fosse entregue. Não sei de onde tiraram a série de cinco, e depois as alternadas. Perdeu o primeiro, acabou. É o que acho mais justo, quando se trata da Portuguesa. As outras decisões por pênaltis não me interessam particularmente e podem adotar as regras que quiserem. Mas no caso do meu time, creio que se o goleiro pegar o primeiro, como Zecão pegou, está de bom tamanho.

Não estava, porém, e o juiz errou, nos roubou, terminou antes, e o time, dada a decisão do árbitro, se retirou do estádio. Foram buscar nossos jogadores no vestiário para seguirem as cobranças, mas o que queriam? O jogo tinha acabado, não? Se acabou, nada mais tendo a fazer aqui, vamos embora. E fomos. Se resolveram nos dar o título depois, dividindo com os do Litoral, já não era mais muito importante. Apenas mais uma taça. Claro que éramos campeões, como sempre fomos.

Em 1975, praticamente com o mesmo time, fomos derrotados nos pênaltis, de novo, pelo São Paulo. Em 1976, ganhamos a Taça Governador do Estado ao golear o Guarani no Palestra por 4 a 1 com Silvio Luiz, olho no lance, apitando. Como se vê, eram finais aos borbotões e desfiles de craques, sendo Enéas o maior de todos. Dizia-se, na época, que o Enéas do Palmeiras era o Ademir da Guia, o do Flamengo era o Zico, o Enéas do Santos era Pelé.

Deixamos de ser o melhor time do mundo no final da década de 70, com um canto do cisne em 1980, o vice-campeonato do primeiro turno numa final com o Santos. Depois entramos numa crise que, esporadicamente, visita outras glebas e nos permite glórias fugazes, como a Série B de 2011.

Desses anos 70 me recordo das noites geladas no Pacaembu e das manhãs no Canindé, jogávamos muito de manhã, às 11h, com as arquibancadas repletas de garotas de biquíni que deixavam as piscinas para ver a Lusa e, depois, voltavam à água e ao sol, lindas e bronzeadas. Havia três torcidas organizadas, a Leões da Fabulosa, a Corações Unidos da Portuguesa e a Força Jovem. Usávamos, na Leões, calças brancas e camisas vermelhas. Era o uniforme principal do time, também. A CUP tinha lindas bandeiras brancas com um coração vermelho no meio. A Jovem era formada por uma molecada valente, camisas verdes com gola e mangas vermelhas. Colocávamos 15, 20 mil pessoas em alguns jogos. Nunca menos do que 10 mil, contra qualquer adversário.

Havia enorme respeito pela Lusa, algo que foi se dissipando ao longo dos últimos anos e tenho uma tese para explicar isso. Quando caímos, em 2002, estava começando esse negócio de videogame de futebol. Fifa, PES, essas merdas. A garotada passou a ter essas coisas como referência. Futebol existia primeiro ali, depois na TV e, depois, na vida real. Quem não existia no Playstation e na Globo, portanto, não poderia existir na vida real. E a Portuguesa foi eliminada do mundo pelos games e pelos programas de TV, feitos por moleques igualmente educados pelo Playstation.

E é por isso que essa gente retardada não entende quando quem realmente conhece futebol diz que Portuguesa x Corinthians, ou Santos, ou São Paulo, ou Palmeiras é um clássico. Por isso que um reporterzinho, outro dia, tomou uma invertida linda do Muricy Ramalho quando o técnico interrompeu o fedelho, que lhe perguntava por que o São Paulo não tinha ganhado nenhum clássico naquele ano. Como não? Ganhamos da Portuguesa, disse o Muricy. E o frangote, com os dedinhos nervosos no smartphone, se espantou e falou: como assim, Portuguesa é clássico?

O moleque deveria ser empalado e o smartphone enfiado em seu rabo, mas sobreviveu porque somos generosos e da paz.

26 de agosto de 1973. Foi nossa última grande conquista, embora o título da Série B de 2011 me seja muito cara, assim como o vice-campeonato brasileiro de 1996 para o Grêmio de Felipão. Essas vivi mais de perto, no estádio, onde se deve. Mas eu morava no Rio há 40 anos, e assisti àquela decisão, a maior de todas na história do futebol, na TV em branco e preto. O branco era o Santos. O cinza era a Portuguesa. O Zecão era o de amarelo. Sim, sei que ninguém vai acreditar, mas naquela TV em branco e preto a camisa do Zecão era amarela, não me perguntem como.

zecaoidoloam

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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