Arquivoquinta-feira, 27 de abril de 2006

Com Emerson, na pista

C

SÃO PAULO (andei uma hora e meia e não travou nada) – Marcelo Migueis me manda um vídeo bem legal, que será de grande valia para os mais jovens que não têm idéia do que era o circuito antigo de Interlagos.

É de 70-e-fumaça, uma volta de Maverick pelos quase 8 km do traçado original. Dura quase cinco minutos. Além da beleza da pista, a beleza da pilotagem do Rato merece a visita.

Um pouco da história de Interlagos você pode ver aqui, também. Abaixo, uma singela ilustração do tipo “eu era assim, fiquei assim”.

Rubinho de novo

R

SÃO PAULO (quem iria imaginar?) – Está no Grande Prêmio, mais uma onda de elogios a Button na Honda, partindo de Gil de Ferran. Que, no ano passado, já havia se encantado com o inglês.

Inglês que é melhor do que muita gente imagina, e pior do que gostaria a mídia britânica, desesperada por um novo Mansell. Mas o fato é que a grande aposta da Honda, Rubens, não está se pagando.

Está virando Rubinho, de novo.

Ontem discutia com alguns amigos sobre a carreira de Barrichello. Que, como digo sempre, não é ruim. E também está longe de ser brilhante. Conclusão do papo de botequim: Rubens teve três bons anos na F-1, acima da média: 1994, na Jordan (pódio, pole), 1999, na Stewart, e 2003, na Ferrari (vitórias em Silverstone e Suzuka sensacionais). Nas demais temporadas, foi um piloto normal. E que não aproveitou como poderia os cinco melhores anos da história da Ferrari.

Secou a fonte

S

SÃO PAULO (qual a fórmula?) – Tenho recebido muitos e-mails, especialmente na ESPN, de gente perguntando por que não aparece mais nenhum piloto brasileiro promissor para a F-1.

Tenho algumas teses. E tendo a acreditar que, vejam o paradoxo, é o fortalecimento de uma categoria, a Stock, que está acabando com a fonte de bons moleques.

Há muita grana na Stock. E a molecada já percebeu que é bem mais fácil faturar algum correndo aqui do que tentar a vida lá fora. A Stock monopolizou a receita do automobilismo brasileiro. São 42 carros na principal, mais 40 na Light. Tem dinheiro para todo mundo.

Não há mais nenhuma categoria de monopostos forte no Brasil, essa é a verdade. A F-Renault mingua e a F-3 Sul-americana é fraquíssima. Essas duas não talham ninguém.

Vejam os últimos que chegaram à F-1 ou aos EUA (talvez esqueça um ou outro), e que de alguma forma fizeram algo: Barrichello, Pizzonia, Massa, Burti, Rosset, Fittipaldi, Zonta, Bernoldi, Tarso, Da Matta, Gil, Tony, Helinho.

A maioria correu de F-Ford ou de F-Chevrolet. E numa época em que essas categorias não eram exatamente caça-níqueis para garotada endinheirada. O kart era mais barato. As coisas eram mais simples e o talento se impunha à grana.

Massa foi o último, saiu da F-Chevrolet para a Europa, lá se instalou, e foi parar na Ferrari por uma incrível sequência de coincidências aliada ao seu talento pessoal. Hoje a petizada, mesmo no kart, coloca a Stock como meta, até pela falta de opções em fórmulas que funcionem como estágio pré-Europa. Dez ou 15 anos atrás, os grids de monopostos eram mais cheios e baratos. O rito de passagem entre o kart e a Europa era bem aproveitado no Brasil, com Ford e Chevrolet. Por alguma razão, a Renault não está exercendo esse papel.

Por isso, quando me perguntam quem vem por aí, digo que não vem ninguém. No caminho estão Bruno Senna, Lucas di Grassi e Nelsinho Piquet. Dois, os que têm sobrenomes famosos, só estão na fila por isso mesmo, a descendência. Lucas, de quem eu esperava bastante, começou muito mal a GP2. Por aqui, correndo no eixo Interlagos-Curitiba-Tarumã-Londrina (Goiânia acabou, Jacarepaguá idem, Brasília está meia-boca, Cascavel e Guaporé, também), não há um moleque de quem se possa dizer “é bom ficar de olho”.

Lá fora a coisa não é muito diferente. João Paulo Oliveira, Fábio Carbone, Augusto Farfus, entre outros, tomaram rumos diversos. Nenhum que indique um estouro iminente.

A seca vai continuar por um bom tempo. É tema para a CBA debater. Afinal, deve ser para isso que serve uma confederação.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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