Arquivosexta-feira, 28 de setembro de 2012

BOA NOVA

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SÃO PAULO (na lama, na neve, no pó) – Passou batido ontem, mas sempre é tempo de comemorar boas notícias. A Hyundai anunciou em Paris que vai voltar ao WRC, agora com um modelo i20. Algumas provas em 2013 e tudo em 2014, é o que se comenta. Como equipe de fábrica. Mais Citroën, Ford, VW e Mini, e temos um campeonato. Mas dá para ter mais. A Red Bull vai assumir a organização do Mundial. Interessantes anos vêm por aí.

DICA DO DIA

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SÃO PAULO (era linda…) – O Douglas Nascimento, do excepcional “São Paulo Antiga”, mandou a foto, pela Vemaguet, e o texto, porque sabe que gosto dessa fase modernista da arquitetura paulistana. A vila está mais ou menos lá. Bem mais ou menos. Quando eu for presidente do mundo, vou desapropriar a área e restaurá-la exatamente como era quando foi criada.

O ALEMÃO INDECISO

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SÃO PAULO (bye mesmo?) – E fica a pergunta no ar: Schumacher para mesmo? Apesar da idade, Michael poderia escolher equipe, se quisesse. Porque sabe que não será mais protagonista, como não foi nos últimos três anos, e não tem necessidade de cavar lugar em times de ponta. E para onde for, se decidir ir a algum lugar, leva patrocinadores fortes junto. Se quiser continuar, portanto, continua.

Mas ele quer? Se quisesse, não teria ficado na Mercedes?

Não sei. Talvez os planos dos alemães sejam mais ambiciosos agora. Ganhar corridas e campeonatos. E para isso, Schumacher não serve mais — a não ser que tenha um carro imbatível, algo que não se sabe se a Mercedes terá. Portanto, Hamilton se encaixa melhor em projetos que exijam algum tempo de maturação.

Já tem um monte de gente achando que ele pode resolver encerrar a carreira na Ferrari, de novo. Seria uma notícia bombástica, que geraria uma mídia monstruosa. E um telefonema a Luca di Montezemolo seria o bastante para resolver a parada. Do ponto de vista técnico, não creio que Michael faria muito menos do que vem fazendo Massa. Basta dizer que, apesar de todas as quebras e trapalhadas neste ano, o alemão esteve à frente do brasileiro na classificação até o GP da Bélgica.

Outro lugar possível seria na Sauber, no lugar de Pérez. Aí alguém vai perguntar: nossa, o cara daria um passo atrás tão grande na carreira? Não se trata disso. Schumacher, como é em relação à Mercedes, é grato a Peter Sauber. Correu com o suíço no Mundial de Marcas, nos magníficos protótipos Sauber-Mercedes do final dos anos 80 e início dos anos 90. Para se divertir e, ao mesmo tempo, mostrar gratidão, seria um ótimo lugar. Não haveria cobrança alguma, está do lado de casa, e ajudaria, certamente, a reforçar o orçamento do velho Peter.

O mais provável, no entanto, é que Michael entre com os papéis da aposentadoria, mesmo. Embora, depois dos acontecimentos de ontem, “provável” é termo que eu deveria evitar. Em todo caso, ainda tem aquele recorde de GPs disputados para bater.

Sei lá, é todo mundo meio doido, vamos ver o que rola.

O INGLÊS ALEMÃO

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SÃO PAULO (bye, Schumi) – E Lewis Hamilton, como igualmente noticiamos ontem à noite, fechou por três anos com a Mercedes. Michael Schumacher se despede da F-1 em Interlagos, pela segunda vez. Isso se não resolver correr na Sauber, sabe-se lá… Não, claro que não.

Hamilton vai levar uma boa grana, 200 milhões de reais pelo período de duração do contrato. “Um novo desafio”, falou o inglês.

Eu jamais imaginaria que Lewis pudesse deixar a casa onde começou. Na minha cabeça, e na de muita gente, seria piloto eterno da McLaren.

Foi uma grande surpresa. E uma mexida e tanto no mercado. O que Hamilton será capaz de fazer na Mercedes, não sei. É preciso, antes de mais nada, que Ross Brawn acerte a mão num carro, como fez em 2009. Schumacher, nos seus três anos pós-retorno, não fez muito, assim como Rosberguinho. Uma única vitória, de Nico neste ano, é pouco para o tanto que a Mercedes investe e para aquilo que se esperava de uma “nova grande”.

Hamilton, até hoje, só teve filé na F-1. Vai pegar uma alcatra. Vamos ver se consegue prepará-la direitinho.

O MEXICANO PRATEADO

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SÃO PAULO (e vai longe) – Sergio Pérez está na McLaren. Por “vários anos”. E serão muitos mesmo, afinal o rapaz tem apenas 22. O anúncio oficial foi feito no meio da madrugada, por volta das 4h. Mas quem acompanha o Grande Prêmio já sabia desde ontem à noite, graças ao colunista da Revista WARM UP Américo Teixeira Jr., que também antecipou há mais de um mês que Massa permanecerá na Ferrari — este anúncio oficial ainda não saiu.

Como Hamilton quis sair, acho que não havia opção melhor para a equipe. A dupla não será tão forte quanto é hoje, mas pode vir a ser, claro. “Checo” é um piloto especialíssimo. Seus três pódios com a Sauber neste ano indicam isso. Suas atuações seguras, a capacidade de poupar pneus, os erros raros, a velocidade e, certamente, o mecenato de Carlos Slim ajudaram bastante.

A Sauber é que vai sofrer. Se o patrocínio mexicano escapulir, o velho Peter Sauber vai ter de dar nó em pingo d’água em 2013. Mas Slim pode ficar com ele e promover outro “chicano”, Esteban Gutierrez, seu atual piloto-reserva. Ou telefonar para Schumacher, velho conhecido. Mas isso é história para outro post.

CAMBER NA TELA

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SÃO PAULO (logo, please!) – Está em produção “A Turma da Camber”, documentário que conta a história da oficina de Brasília que colocou nada menos que três pilotos na F-1: Alex Dias Ribeiro, Roberto Pupo Moreno e Nelson Piquet. É pouco? E tudo nasceu com o Patinho Feio, um carro que eu compararia, hoje, com o DeltaWing.

Não vejo a hora de ver.

PS: notaram o que tem na mesa do Nasser?

TERREMOTO

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SÃO PAULO (uau!) – E eu achando que não ia acontecer nada no mexe-mexe das equipes para 2013… Até o Américo Teixeira Jr. cravar no início da noite de hoje que Sergio Pérez assinou com a McLaren! E logo depois na Inglaterra pinga outra cravada: Hamilton fechou com a Mercedes e Schumacher se aposenta!

Caraca.

O lance de Pérez tem a grana de Carlos Slim, dono do México e da Claro, que pode vir a susbtituir a Vodafone como patrocinadora da equipe de Ron Dennis no futuro. Sempre achei Pérez, por assim dizer, um partidão. Bom pacas e cheio da grana, já que seu mecenas é o homem mais rico do mundo, ou quase isso. Um dos. Nunca sei direito quem lidera esse ranking, se o Carlos Slim, o sujeito do Facebook, o dono da Microsoft, o presidente do Google ou o Faustão.

O lance de Hamilton tem o desgaste evidente com a McLaren, já que estão juntos desde que ele deixou de usar fraldas e passou a tomar farinha láctea Nestlé com leite de manhã. Mas juro que não achava que ele teria coragem de sair de Woking. Como achava que Schumacher iria continuar.

Agora sobrará uma vaga interessantíssima na Sauber. Esse babado aí em cima vai mexer em muitas cadeiras.

Coletiva da McLaren prevista para a manhã de sexta. Acordem cedo.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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