Arquivosexta-feira, 18 de dezembro de 2015

EM INTERLAGOS

E

[bannergoogle] SÃO PAULO (amanhã é que vale) – Meus dias têm começado cedo demais, às 5h, e terminado tarde. Por isso mesmo consegui treinar hoje em Interlagos! Salvo engano, não andava em São Paulo desde janeiro.

O Bon Voyage deu suas primeiras voltas no nosso templo e não gostei muito dos resultados. A pista me pareceu mais lenta do que há um ano (acho que está mesmo, pelos tempos dos colegas) e minha melhor volta, na casa de 2min17s, nem deve ser considerada. O plano amanhã é virar pelo menos em 2min14s, com uma meta de médio prazo de chegar a 2min10s. Um pouco mais para a frente, 2min08s — que acho ser o limite de um motor 1.6 com mini-progressivo.

Ainda não me achei com o novo câmbio e as marchas que usarei amanhã em alguns trechos serão bem diferentes de hoje. A segunda, que quase nunca usava no Meianov, é necessária em pelo menos cinco pontos do circuito: S do Senna, S antigo, Pinheirinho, Bico de Pato e Junção. Estava sem cronômetro, e por isso fui andando sem saber se estava melhorando. Com 40 carros — sim, 40 — na pista num treino livre, o mais difícil foi encontrar uma volta limpa.

Amanhã cedinho, 8h, classificamos. Às 13h, largamos. É o final do Paulista e também a despedida dos boxes e da torre de controle que conhecemos desde 1990. Vão derrubar tudo para concluir as reformas.

Mas bacana mesmo, hoje, foi ver os Opalões da Old Stock Race, que fará sua primeira corrida. São modelos iguais aos de 1979, da primeira temporada da Stock Car. Contei uns 12 carros. Acho que tinha mais. O ronco dos motores de seis cilindros, 4.100 cc, 300 HP, é espetacular. As duas provas acontecem domingo — a primeira, às 10h.

Paulo Gomes, Paulo Soláriz e George “Grego” Lemonias, os idealizadores da nova categoria, estão de parabéns. Fizeram um ótimo trabalho e a categoria está linda. Depois, se alguém souber, me digam os tempos de volta que marcaram hoje. Não acho em lugar nenhum.

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A DEFESA

A

SÃO PAULO (que se esclareça tudo) – Raphael Matos, suspenso pela CBA por dois anos por doping (sem que a entidade tenha revelado a substância, o que me parece sempre um absurdo, embora eu compreenda os argumentos daqueles que defendem a privacidade dos acusados), veio a público para falar do caso.

E fez muito bem. Porque, segundo ele, a substância encontrada tem ligação com um tratamento que ele alega estar fazendo para controlar um tumor no ombro — ósseo, pelo que pude compreender. Segundo o piloto da Stock, a medicação é usada nos EUA, apenas, e considerada um tratamento alternativo.

De minha parte, tenho apenas o desejo de que tenha sido um mal-entendido, que tudo fique claro e, sobretudo, que o jovem piloto consiga controlar a doença para depois eliminá-la da face da Terra. Segue o comunicado de Raphael.

À comunidade do automobilismo,

Nesta quinta-feira, fui surpreendido com a decisão, em primeira instância, do Tribunal de Justiça da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), punindo-me com dois anos de suspensão depois que exame antidoping feito na etapa de Curitiba da Stock Car revelou resultado adverso. Diante de condenações rápidas por parte de alguns meios de comunicação e de pessoas que comentam e afirmam sem consciência dos fatos, gostaria de fazer os devidos esclarecimentos, reafirmando minha confiança na justiça, na certeza de que recorrerei às devidas instâncias para demonstrar minha idoneidade e ausência de culpa.

Com 18 anos, tive diagnosticado um tumor no fêmur, que me fez passar por uma cirurgia e deixou cicatrizes como as fortes dores constantes – cheguei a participar de campeonatos de kart andando com uma muleta. Em 2006, os médicos identificaram outro tumor, desta vez no ombro e, por temerem que minha mobilidade fosse prejudicada, desaconselharam nova cirurgia, recomendando um tratamento alternativo, com uma medicação disponível e autorizada nos Estados Unidos.

Tenho toda a documentação e a licença terapêutica que me permite usar a substância encontrada no exame. Justamente por não ter interesse de empregá-la em competição, não solicitei o termo que me autorizaria a adotá-la nos campeonatos brasileiros. Além disso, tais substâncias não têm entrada e uso autorizados no Brasil a não ser por meio de sentença judicial, embora haja vários pacientes que dependem dela para tratamento.

Corro há 15 anos no automobilismo norte-americano, conhecido pelo rigor no respeito às regras. Sempre prezei pelo cuidado com a alimentação e a saúde para exercer minha profissão de forma eficiente. Sempre procurei honrar patrocinadores, apoiadores e fãs, que ao longo da minha carreira acreditaram em mim e me ajudaram a vencer títulos no Brasil e no exterior e chegar à Fórmula Indy, mantendo sua confiança quando decidi encarar o desafio de disputar o Brasileiro de Stock Car. Agradeço as manifestações de carinho daqueles que compreenderam que não houve qualquer intenção ou desejo de burlar regras. Estejam certos de que nada abalará minha vontade de fazer o que sei de melhor.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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