A DEFESA

A

SÃO PAULO (que se esclareça tudo) – Raphael Matos, suspenso pela CBA por dois anos por doping (sem que a entidade tenha revelado a substância, o que me parece sempre um absurdo, embora eu compreenda os argumentos daqueles que defendem a privacidade dos acusados), veio a público para falar do caso.

E fez muito bem. Porque, segundo ele, a substância encontrada tem ligação com um tratamento que ele alega estar fazendo para controlar um tumor no ombro — ósseo, pelo que pude compreender. Segundo o piloto da Stock, a medicação é usada nos EUA, apenas, e considerada um tratamento alternativo.

De minha parte, tenho apenas o desejo de que tenha sido um mal-entendido, que tudo fique claro e, sobretudo, que o jovem piloto consiga controlar a doença para depois eliminá-la da face da Terra. Segue o comunicado de Raphael.

À comunidade do automobilismo,

Nesta quinta-feira, fui surpreendido com a decisão, em primeira instância, do Tribunal de Justiça da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), punindo-me com dois anos de suspensão depois que exame antidoping feito na etapa de Curitiba da Stock Car revelou resultado adverso. Diante de condenações rápidas por parte de alguns meios de comunicação e de pessoas que comentam e afirmam sem consciência dos fatos, gostaria de fazer os devidos esclarecimentos, reafirmando minha confiança na justiça, na certeza de que recorrerei às devidas instâncias para demonstrar minha idoneidade e ausência de culpa.

Com 18 anos, tive diagnosticado um tumor no fêmur, que me fez passar por uma cirurgia e deixou cicatrizes como as fortes dores constantes – cheguei a participar de campeonatos de kart andando com uma muleta. Em 2006, os médicos identificaram outro tumor, desta vez no ombro e, por temerem que minha mobilidade fosse prejudicada, desaconselharam nova cirurgia, recomendando um tratamento alternativo, com uma medicação disponível e autorizada nos Estados Unidos.

Tenho toda a documentação e a licença terapêutica que me permite usar a substância encontrada no exame. Justamente por não ter interesse de empregá-la em competição, não solicitei o termo que me autorizaria a adotá-la nos campeonatos brasileiros. Além disso, tais substâncias não têm entrada e uso autorizados no Brasil a não ser por meio de sentença judicial, embora haja vários pacientes que dependem dela para tratamento.

Corro há 15 anos no automobilismo norte-americano, conhecido pelo rigor no respeito às regras. Sempre prezei pelo cuidado com a alimentação e a saúde para exercer minha profissão de forma eficiente. Sempre procurei honrar patrocinadores, apoiadores e fãs, que ao longo da minha carreira acreditaram em mim e me ajudaram a vencer títulos no Brasil e no exterior e chegar à Fórmula Indy, mantendo sua confiança quando decidi encarar o desafio de disputar o Brasileiro de Stock Car. Agradeço as manifestações de carinho daqueles que compreenderam que não houve qualquer intenção ou desejo de burlar regras. Estejam certos de que nada abalará minha vontade de fazer o que sei de melhor.

Sobre o Autor

Flavio Gomes

Flavio Gomes é jornalista, mas gosta mesmo é de dirigir (e pilotar) carros antigos.

15 Comentários

  • Exame antidoping custa caro.

    Elea.procuram aa substâncias de praxes (drogas e melhora de desempenho).. Custa muito mais procurar substancias.mais específicas, ainda mais na urina.

    Um quimioterapico aparecer
    na urina, como a cisplatina jamais seria considerado doping…

    Acho que todos entenderam qual substancia foi encontrada..

  • Eu só acho que se um piloto ou atleta está usando um remédio ou substância que pode aparecer num exame anti-doping e gerar uma punição, deveria ANTES de começar um campeonato, AVISAR a entidade que controla seu esporte, que está fazendo uso do ‘medicamento’ por orientação médica, devido a um tratamento para cura de tal problema de saúde. Claro se isso for VERDADE.
    Quem não deve, não teme.
    Pagou pra ver, agora aguenta a consequência. E engole o choro.

  • Pas de nullité sans grief.

    Na minha o combate preventivo ao dopping inserto no regulamento de qualquer modalidade esportiva (para ficar resrito a este âmbito) faz sentido se for para proteger a integridade dos participantes – imaginem um sujeito “chapado” correndo entre outros a 250km/h – e impedir que sejam usadas substâncias nocivas que dêem ao participante uma performance melhor do que as dos demais.

    Não conheço o regulamento nem sei que substância foi usada por esse rapaz.

    Não entendi a seguinte frase:
    “Justamente por não ter interesse de empregá-la em competição, não solicitei o termo que me autorizaria a adotá-la nos campeonatos brasileiros.”

    O que houve? Não a empregaria em competições brasileiras mas resolveu empregá-la e acabou caindo no antidopping? Realmente não entendi.

    Essa extensa documentação que o moço tem não foi entregue aos “julgadores” e não conseguiu ele ou seu advogado provar que a substância não lhe deu vantagem sobre os demais?

    Realmente, está tudo muito estranho e embora tenha ficado muito clara a vontade de esclarecer, a verdade é que nada ficou esclarecido.

    Outra coisa importante é que não se pratica uma modalidade esportiva com regras próprias em um país seguindo as regras próprias da mesma modalidade de outro país. Se se concorda com o regulamento não cabe criticá-lo a posteriori se ele foi aplicado com correção.

    Por fim, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Havendo dúvida sobre o uso desta ou daquela substância o melhor a fazer é se prevenir, apresentando a dúvida aos eventuais “julgadores” para que se manifestem sobre a sua regularidade ou proibição, esclarecendo a questão antes mesmo de iniciada a competição, evitando-se que um julgamento em sentido contrário ocorra no futuro sem que se possa mostrar/provar a contradição dos julgadores.

    Realmente desejo melhor sorte ao rapaz em um eventual recurso que apresente, mas o esclarecimento da questão dependesse dessa manifestação que ele postou, sinceramente, não haveria com absolvê-lo.

    Abs.

  • Não tenho procuração pra defender o piloto. Mas só tenho a dizer que se realmente fosse algo proibido, nos EUA, onde a justiça funciona e é exemplar, ele já teria dançado há tempos.
    Por outro lado, creio que ele devia ter logo de cara se resguardado perante a “honesta” CBA e antes mesmo da temporada começar, já deveria ter trazido o máximo de documentação possível pra não ter que passar agora por este perrengue.
    Se realmente é inocente – como parece, espero e torço para que consiga reverter a situação.

  • Pela cara do comentário dele, suspeito que a substância seja Canabinóide, extraído da maconha.

    Se o camarada tem autorização judicial pra uso e a CBA sabe disso, não entendi a atitude deles.

  • Mais uma CAGADA do Sr, Clayton e seus comparsas…
    Não se divulga uma punição super pesada sem que sejam informados detalhadamente os motivos (substãncia e quantidade).
    Se tem que haver sigilo para proteger a intimidade do piloto, a punição também não deveria ser publicamente divulgada, apenas comunicada em particular.
    Dessa forma, a pior possível, as pessoas podem pensar que ele é uma espécie de Jesse Pinkman, fabricando e testando meta-anfetamina.

  • Tratamento alternativo pode ser qualquer coisa. Ele deveria deixar claro que substância é essa, e a CBA por sua vez explicar qual o risco da substância em questão para o piloto e principalmente para os demais. Independente de ser um tratamento tradicional ou alternativo, dependendo da substância não pode operar máquinas e ponto, muito menos em uma competição onde todos estão no limite. Se falta clareza na decisão da CBA, a defesa dele não acrescenta nada além de demonstrar que ele está supostamente lutando contra algo que ninguém gostaria de ter.

  • Um tratamento alternativo conhecido é o feito com Ácido ascórbico. A principal função desse ácio é dar resistência aos ossos, dentes, tendões e paredes dos vasos sanguíneos. Além disso, é um poderoso antioxidante, sendo usado para transformar os radicais livres de oxigênio em formas inertes. É também usado na síntese de algumas moléculas que servem como hormônios ou neurotransmissores.

    Fonte: http://www.inca.gov.br/rbc/n_47/v03/pdf/artigo7.pdf ( – cuidado, pdf)

    Será que foi isso?

Por Flavio Gomes

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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