Arquivosexta-feira, 10 de junho de 2016

COM CANA DÁ (1)

C

canadian-club-whiskySÃO PAULO (só bebendo, mesmo) – Tudo muito normal na abertura dos trabalhos em Montreal. Hamilton dominou o dia. Foi o mais rápido de manhã e à tarde. Vai virar o jogo? É o que o GP do Canadá vai dizer. Pode virar psicologicamente, com uma nova vitória. E matematicamente, se vencer e Robserguinho for abduzido por alguma nave do sistema planetário de Alfa do Centauro. O momento parece ser dele.

Mas é claro que chegar a conclusões como essa depois de treinos livres é meio chutado. Apenas acho que o momento parece ser dele. São aqueles altos e baixos que qualquer piloto tem numa temporada. Nico-Nico no Fubá começou lá no alto e Lewis, lá embaixo. Em Mônaco, as coisas se inverteram. Vamos ver como o alemão platinado vai lidar com a situação. Ele falou que a prova do Principado já está morta e enterrada.

mas eu dizia que foi tudo muito normal porque foi mesmo, com a Ferrari e a Red Bull aparecendo na frente, Verstappen melhor que Ricciardo, a turma intermediária no pelotão intermediário e os brasileiros, mal. Massa bateu forte de manhã. De tarde, ficou lá atrás — Bottas foi o sexto. Felipe falou sobre o acidente e disse que, apesar de tudo, o dia foi positivo. Sobre as causas da pancada, apenas três letras: “d”, “r” e “s”. Ou: DRS. Ou: asa-móvel. Ou: asa-móvel que não fechou quando tinha de fechar.

Nas posições intermediárias, nada de muito relevante a destacar.

can1601aO bico novo da Mercedes foi a novidade técnica do dia. Não sei como chamar esse negócio. Minha primeira impressão foi que colocaram um apagador de giz na asinha. Mas alguém se lembra de apagador de giz? Bom, é mais ou menos como esse troço aí do lado. Na minha casa tinha também um negócio para limpar disco de vinil nesse formato. Não sei para quê serve. Acho que para melhorar os fluxos de ar sob, sobre e ao redor do carro.

No item “declarações estranhas”, duas. A primeira, de Alonso. “A McLaren pode ser campeã em 2017“. A segunda, de Ricardão. Só que este fala em ser campeão em 2016.

Esses caras andam bebendo.

MAHAR GUIOU MEU CARRO

M

mahar

SÃO PAULO – Foi em Caxambu, em 2012. Ele já não andava muito bem das pernas (sorry, Mestre, perdi o amigo, então que se foda, não perco a piada), mas fez questão de dirigir o DKW mais esquisito que já vira.

Claro que sabia que não era um DKW. Ele sabia tudo. Apenas pediu para afastar o banco um pouco. O câmbio no chão. Essa relação de marchas é melhor que qualquer uma que o Jorge Lettry imaginou, disse, logo de cara. O que restou de seu pé esquerdo na embreagem. Tá dando?, perguntei. Quando eu não puder dirigir, me mato, respondeu.

A direção segura e precisa, mesmo com todas as dificuldades. Mesmo com todas as dificuldades, ele guiou o DKW da Alemanha Oriental, dele se enamorou e aproveitou para ministrar a breve aula do dia. Isso aqui foi feito em Eisenach, contou, e nesse castelo de merda Lutero traduziu a Bíblia, que em alemão é incompreensível. Onde é a roda-livre?

E eu só conseguia escutar e rir. E mostrei onde era a roda-livre.

Contador de histórias e conhecedor da História, era o cara que mais entendia de automóveis no universo. E de motos e aviões. E do Rio. Puta que pariu, como ele gostava do Rio, como ele ERA o Rio! E não tinha caso que não terminasse com uma piada, uma sutileza, uma sacanagem. Para nos coalhar de encantamento e sabedoria.

O Mestre tinha lá suas preferências. O Mahalet e a Mahavan, seus dois filhotes queridos da marca da gravatinha. E os DKWs, paixão nada secreta — porque foi a mais de um dos nossos encontros embebedar-se da fumaça azul. E as Alfas. E como presidente vitalício da ACHUBERJ e da ACHUCURJ, todas as mulheres do mundo — inclusive Demi Moore.

Ele bebia, fumava, trepava, comia, amava, namorava, acelerava, tudo em quantidades industriais, e se a vida lhe cobraria um preço, às favas com a vida.

Às favas com a vida, meu mestre Mahar.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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