Arquivoagosto 2016

LÉGION URBAINE

L

Abro raras exceções nesta seção, já que a ideia é publicar apenas fotos que eu mesmo tiro de carros que vejo por aí. Mas de vez em quando pingam alguns carrinhos a gente não vê por aqui, daí a concessão. Caso do Ami6 clicado pelo JR Duran em algum canto da França. O fotógrafo também é bastante razoável.

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FOTO DO DIA

F

Tarde de gravação para o “Nitro” com o grande Jackson Pinheiro, para contar um pouco da história da Vemag. Em primeiro plano, o último modelo feito pela montadora, em dezembro de 1967. Ao fundo, o que restou da fachada da fábrica. Que seria preservada e viraria um memorial, se os donos do terreno — os administradores do shopping Central Plaza — a Anfavea e a Audi do Brasil tivessem um mínimo de sensibilidade.

querenciavemag

DESAFIO DO DIA

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SÃO PAULO (como era linda) – Vários blogueiros me mandaram este vídeo que andou pingando no Facebook. São imagens de São Paulo em 1965, da TV Tupi. A Rua Augusta é o cenário. Tem muita coisa que ainda está ali. É uma rua deliciosa, para se percorrer de ponta a ponta a pé, desde a Estados Unidos, do lado dos Jardins, até o finalzinho, lá perto da Consolação. De um lado da Paulista, sobrevive um comércio de rua meio capenga, mas valente. Do outro, o underground paulistano com suas tribos de todos os tipos. Se você não é daqui e vier um dia, faça isso. A pé, insisto. De dia nos Jardins. De noite, despenque para o Centro. Se ainda existissem os trólebus, eu indicaria também.

Dica dada, o desafio: quantos DKWs vocês viram no vídeo? Eu contei. Não tentem me enganar.

DICA DO DIA

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SÃO PAULO (paciência) – Para quem entende bem inglês, o Kiko Costa manda este ótimo programa de rádio feito pela BBC, com mais de uma hora sobre Schumacher na passagem dos 25 anos de sua estreia na F-1. Escreveu o nosso amigo, que mora na Austrália:

Olá Flavio,
Talvez você já tenho ouvido esse programa, mas se não, tire uma folga (quando??) e ouça esse especial sobre a estreia de Michael Schumacher (e o impacto dele na F-1 nos anos subsequentes). Entrevistas espetaculares com Bertrand Gachot, Gary Anderson, Eddie Jordan, Rubinho (que pinta um relacionamento muito mais humano com Michael do que ele passa para a imprensa brasileira), exaltando os dias de ouro mas também mostrando que ele não era perfeito. Um programaço! Espero que goste.

Gostei muito, especialmente das entrevistas de Eddie e Gachot.

FOTOS DO DIA

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SÃO PAULO (depois, depois…) – Não postei nada do Blue Cloud. Tirei os quatro dias do evento para vivê-lo, em vez de compartilhá-lo. Experiência interessante e já remota, essa de apenas… viver. Mas depois, se me der na telha, rabisco alguma coisa. O encontro merece. E o tema, 60 anos da Vemag, mais ainda. Enquanto busco inspiração, republico as fotos que o querido amigo Alex Ruffo fez hoje na minha bat-caverna, para uma matéria de seu canal no YouTube (quando estiver pronta, coloco o link aqui). Cliquem e ampliem. Quando o cara sabe fotografar, um carro vira arte. Ainda mais se for um DKW.

SOBRE ONTEM DE MANHÃ

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SÃO PAULO (país de beócios) – Sem muito ânimo num dia triste como hoje, falemos da corridinha de ontem na Bélgica.

Hamilton foi eleito o “Piloto do Dia” pelo amigo internauta. Justo. Largou em penúltimo, foi paciente, não cometeu erros, terminou em terceiro.

[bannergoogle]- Lewis, aliás, voltou a falar de Senna, em quem se espelha e de quem nunca escondeu ser fã. Já superou a maioria dos números do brasileiro, mas disse ao “El País” que queria, mesmo, era ter o mesmo reconhecimento que Ayrton teve por sua carreira. Lá pelas tantas, na entrevista, falou que Senna “fez muito pelo seu país”. Eu nunca soube direito o quê, mas é uma imagem que ele, sem dúvida, conseguiu construir no exterior. Talvez tenha feito e eu seja mal-humorado, sei lá.

– A perda do quarto lugar no Mundial de Construtores preocupa Claire Williams. Pela grana, claro. A água bateu no pescoço. A Force India passou, e tudo indica que vai abrir.

– Verstappinho será sempre cobrado pela precocidade. Mas, uma vez lá dentro, é como profissional correto que tem de se comportar, independentemente da idade. O moleque é muito bom, um fenômeno. Só que algumas coisas que faz estão começando a formar uma imagem de piloto perigoso. Ontem, com Raikkonen, foi. E muita gente acha o mesmo. Não gostei da sambadinha na frente de Kimi. Foi, realmente, perigosa e, de certa forma, desleal. Opinião compartilhada pelo finlandês.

– Outro lado: Max acha que não fez nada de errado e ainda criticou os dois pilotos da Ferrari por terem-no espremido na largada. Ele bate com gosto em quem o critica. “Se não gostou, problema dele“, falou, sobre Raikkonen. O menino está fazendo inimigos cedo demais.

– A panca de Magnussen resultou num tornozelo dolorido. O dinamarquês garante que estará em Monza no fim de semana. Que bom.

Os pneus foram a explicação de Massa para a perda de desempenho e posições no fim da corrida em Spa. Tá explicado. Aliás, a Williams precisa explicar um monte de coisa. Como, por exemplo, a brutal queda de performance de um ano para o outro.

Vaiaram Rosberg no pódio. Coitado. Não fez nada contra ninguém. O mundo está chato, mal-educado e deselegante.

BELGIQUINHAS (3)

B

POÇOS DE CALDAS (e vambora) – Bem, Rosberg fez o que tinha de fazer. Ganhou. Mas sentiu um pequeno arrepio, creio. Porque o início do GP da Bélgica foi tão zoado, que muito rapidamente seu parça de box, largando da última fila, entrou na briga por um pódio improvável. E acabou conseguindo. Hamilton foi o terceiro. Entre ele e o alemão mercêdico, o novamente sorridente Daniel Ricciardo. Não refrescou tanto assim para Nico-Nico no campeonato. Mas melhor descontar dez pontos, do que nada.

bel16bA zona toda começou porque Verstappinho largou mal. Segundo no grid, todo pimpão diante de uma enorme torcida cor de laranja, patinou, mal saiu do lugar, e uma Ferrari passou por cada lado. Quando o piloto da Red Bull retomou a tração, tentou recuperar as posições perdidas por dentro da Source. É muito apertado. Raikkonen, à sua esquerda, se esforçou para não bater no pequeno holandês. Mas se tocaram. Vettel, por fora, à esquerda do finlandês, acabou batendo no companheiro de equipe e rodou. Tanto Kimi, quanto Verstappinho tiveram danos em suas asas e almas. Tião Italiano, que poderia ter evitado a batida se tivesse feito uma trajetória um pouco mais aberta, despencou para último.

A partir dessa treta logo na primeira curva, o grid deu uma embaralhada. Hülkenberg, por exemplo, apareceu em segundo. Mas mais coisas aconteciam lá atrás para mexer ainda mais nas posições originais de largada. Wehrlein encheu a traseira de Button, o pneu de Sainz Jr. explodiu, arrancando sua asa traseira, havia pedaços de aerofólio por todos os lados, e a direção de prova acionou o um safety-car virtual para limpar a sujeira.

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Alguns aproveitaram o momento para trocar pneus. Massa foi um deles. Nessas, Palmer e Magnussen apareceram em sétimo e oitavo. Alonso, que largara em último, era o décimo. Hamilton, o 12º.

Então, na sexta volta, Magnólia Arrependida se estabacou na Eau Rouge. Até a proteção de cabeça de cockpit saiu voando. Os danos ao carro foram enormes. À barreira de pneus, idem. Ao tornozelo de Kevin, parece que também. Se tiver de ficar fora de Monza, semana que vem, a Renault nem reserva tem, já que Ocon foi para a Manor. O safety-car foi acionado, mas logo depois, na volta 10, bandeira vermelha e para tudo.

A prova foi interrompida para arrumar a barreira de pneus. Aqueles que já tinham parado, como Hulk, Massa e Pérez, perderam a vantagem. Aqueles que não haviam feito pit stop algum, se deram bem porque puderam fazer a troca sem perder tempo, com os carros parados nos boxes. E depois disso tudo, onde estava Hamilton? Em quinto, já! Com Alonso em… quarto!

bel16a

Rosberguinho, que tinha sumido na largada, e Ricciardo, o segundo, eram talvez os únicos que não tinham passado por nada de excepcional até ali. Na relargada, atrás do safety-car, também seguiram tranquilos. Hamilton passou logo por Alonso e assumiu o quarto lugar. Para quem tinha sofrido punições a granel, tendo de largar na última fila, era algo inesperado e quase trágico para Nico-Nico, que esperava vencer e ver Comandante Amilton marcando poucos pontos. As circunstâncias ajudaram muito o inglês.

A prova não foi ruim. Teve vários arranca-rabos, como entre Raikkonen e Verstappinho — que na volta 14, perigosamente, deu uma balançada no carro para impedir a ultrapassagem do finlandês. Kimi xingou o jovem Max de tudo que lembrava. “Paskiainen! Typerys! Ääliö! Satula eläin! Aisankannattaja!”, gritou pelo rádio.

[bannergoogle]O pessoal da Ferrari não entendeu direito, mas um mecânico que teve uma namorada em Helsinque quando fez intercâmbio na adolescência entendeu alguma coisa e cochichou com o colega do lado: “Porra, se alguém me chamasse de aisankannattaja eu enchia de porrada”. “E você não era?”, devolveu o outro meca, que curiosamente tinha feito intercâmbio na mesma época e conheceu bem a namorada do primeiro.

Verstappen não estava num bom dia. Além de tumultuar a corrida inteira na primeira curva — o que de melhor fez no domingo, diga-se, e somos gratos –, teve problemas de pneus, parou mais do que gostaria, andou atrás se esfregando com os outros o tempo todo e terminaria o GP de casa (ele é holandês, mas nasceu numa pequena vila belga, Hasselt) em 11º, apenas.

Na frente, Hamilton escalava o pelotão com calma e paciência. O pódio passou a ser o alvo claro, com os problemas enfrentados pela Ferrari e por um dos carros da Red Bull. Na volta 18, já estava em terceiro. A diferença para Rosberg era grande, vitória não estava nos planos, mas um terceirinho iria cair muito bem. Ele fez mais uma parada na volta 22, voltou a colocar pneus macios, saiu dos boxes em nono e ficou esperando os outros pararem também.

E isso aconteceu nas voltas 23, 24 e 25, em lotes de três ou quatro de cada vez. Rosberg, com pneus médios, seguia tranquilo na frente. Quando todo mundo encerrou os trabalhos nos boxes, lá estava Hamilton de novo em terceiro, a 30s do companheiro de equipe. Só na 27ª volta Nico parou, colocando médios mais uma vez. No pelotão intermediário, Verstappen foi novamente protagonista de uma boa disputa, trocando posições com Vettel três vezes até parar para mais uma troca.

Hamilton fez mais um pit stop na volta 33. Médios, desta vez. Os pneus macios, no incomum calorão de Spa, estavam sofrendo bastante. Voltou em quarto, mas passou Hülkenberg rapidinho. E lá se estabeleceu. Na última parte da corrida, pouco a relatar, exceto o passa-passa sobre Massa, que andou boa parte da prova em sexto, mas acabou sendo superado por Vettel, Bottas, Alonso, Pérez, Raikkonen, Lauda, De Cesaris, Patrese, Comas, Gachot, Alesi e Brambilla. Um horror.

[bannergoogle]Rosberg recebeu a bandeirada sem suar, com Ricardão em segundo a 14s113 de distância. Para Hamilton, a vantagem foi de 27s634. Hulk, Maria do Bairro, Tião Italiano, El Fodón de La Recuperación, Sapattos, Kimi Dera Esse Moleque Tivesse Apanhado Quando Criança e Massacrado fecharam a zona de pontos. Foi a sexta vitória de Robserguinho no ano, 20ª na carreira. Estancar a sangria depois da sequência de triunfos de Hamilton foi importante. Mas ele segue na vice-liderança, nove pontos atrás — 232 a 223 para o inglês. Melhor que nada. Eram 19.

Nos Construtores, a Force India finalmente passou a Williams com o quarto e o quinto lugares de hoje. São agora 103 pontos, contra 101 da equipe de Massa e Bottas. Quarto lugar no Mundial. Sensacional. A McLaren também subiu, graças ao esforço de Alonso, que fez uma corridaça — de último para sétimo. O time de Woking passou a Toro Rosso. OK, pode não parecer muito, mas para quem começou a parceria com a Honda de forma tão errática, a evolução é notável. Legal de ver, inclusive.

No pódio, sorrisos. Todos felizes. Os três conseguiram o que queriam no fim de semana.

Menos tirar uma selfie decente.

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BELGIQUINHAS (2)

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belgium_pshieldPOÇOS DE CALDAS (vamos pra montanha) – Sozinho, na prática, Rosberguinho não teve dificuldade nenhuma para fazer a pole para o GP da Bélgica agora há pouco em Spa. Larga na frente, e é melhor que chegue na frente, pelo bem do campeonato. Verstappinho ficou em segundo, mas larga em certa desvantagem em relação aos seus mais diretos adversários. Mas já explicamos por quê.

Rapidinho, agora. No Q1, Hamilton e Alonso deram uma canja aos candidatos naturais à degola e ficaram com os dois últimos lugares. Lewis, porque perdeu 274 posições no grid, e teria de largar da Holanda. Alonso, porque quebrou, mesmo. E ficou bravo, bem bravo. A eles se juntaram os dois da Sauber, normal, Ocon, igualmente normal, e Kvyat, mais normal ainda com a Toro Rosso da Depressão.

A treta da hora aconteceu quando Wehrlein encontrou Gutiérrez lento pela frente, mandou um “fucking idiot” pelo rádio e o mexicano, justamente, perdeu cinco posições no grid.

No Q2, Grojã, Magnólia Arrependida, Gutierros, Palmolive, Sainz Idade e Wê Lá, Hein? ficaram pelo caminho, passando ao Q3 todos os favoritos — OK, a Williams não é tanto assim, mas passou; melhorou bastante de ontem para hoje, inclusive –, com a McLaren de Button no lugar que seria de Hamilton, não fosse a opção do inglês, óbvia, de não ficar andando à toa.

Muitos optaram por fazer seus melhores tempos no Q2 com pneus macios, em vez dos supermacios — assim, largando com o composto um pouco mais resistente. Interessante, claro, em termos de estratégia. Verstappinho não foi um deles, e a ótima segunda posição no grid pode ser comprometida por uma parada muito precoce.

[bannergoogle]E o Q3 começou com um favorito muito claro, que acabou confirmando sua condição de candidato-quase-único à vitória. Rosberguinho fez sua 28ª pole, sexta no ano. Não há outra opção para ele amanhã. Ou ganha, ou ganha. Se não ganhar, que vá fazer outra coisa da vida. Terá ao seu lado na primeira fila o jovem Max, com Raikkonen e Vettel em terceiro e quarto. Ricardão foi o quinto, seguido pela dupla da Force India, com Pérez e Hülkenberg. Bottas, Button e Massa fecharam os dez primeiros.

Felipe não curtiu muito. Tinha sido o mais rápido no Q1, mas cometeu um erro em sua volta rápida. A registrar: hoje fez dez anos da primeira vitória de Massa na F-1, na Turquia em 2006.

Quem estava andando nas nuvens era Verstappinho. Tornou-se o mais jovem piloto da história a largar na primeira fila, derrubando uma marca que já durava 55 anos. O menino não tem nada de fraco, não.

BELGIQUINHAS (1)

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belgium_coat_of_armsPOÇOS DE CALDAS (não dá pra fazer tudo) – Manhã de sexta: “halos” (como vamos escrever isso?) por todos os lados, pneus experimentais, testes de tudo, Hamilton já largando com 15 posições a menos, Rosberguinho na frente.

(Vamos escrever Halo, sem aspas, com maiúscula. É que acabou virando nome próprio, esse negócio. A palavra “halo”, em português, existe e quer dizer “auréola”. Em inglês, tem a mesmíssima grafia e o mesmíssimo significado: “A ring of light around or above the head of a holy person in a religious drawing or painting”. Ou seja: auréola, também. Halo não tem outro significado, portanto, mas no automobilismo algumas coisas acabam ganhando status e se tornam “gente”. Fiquemos com Halo, a partir de agora. Torcendo para não ser adotado nunca, de modo que não precisemos mais falar nele. Mas é preciso dizer que Rosberg gostou, depois de usar pela primeira vez. Ele é um defensor voraz da proteção à cabeça dos pilotos.)

Tarde de sexta: Hamilton perde mais 15 posições, Rosberg se concentra em acertar o carro para a corrida, Red Bull em primeiro e segundo, Force India em terceiro.

Quando não chove em Spa-Francorchamps, o que aparentemente não vai acontecer neste fim de semana, dá para fazer essas coisas. A volta da F-1 das férias tem alguns atrativos, poucos bons, muitos medianos.

[bannergoogle]Entre os bons, a disputa pelo título entre Rosberg e Hamilton, ainda aberta. Lewis vai largar lá no fundão porque a Mercedes aproveitou para trocar o que estava para ser trocado numa pista onde há chances de recuperação. Tem onde ultrapassar, é rápida, e Lewis, assim, deve terminar a prova em quarto ou quinto, se nada de anormal acontecer. Falando em punições, começou aquela aberração de perder dezenas de posições num grid de 22 carros. Alonso também trocou um monte de coisas e perdeu… 35!

Nico-Nico, por sua vez, tem a chance de iniciar uma reação no Mundial, sabendo que não terá adversário desta vez. “Ah, mas e a Red Bull?” A Red Bull tem de colocar seus dois pilotos no pódio, no más. Achar que ganha da Mercedes é ser otimista demais. Rosberguinho precisa aproveitar a oportunidade. Não terá muitas outras.

Se as posições de largada amanhã fossem iguais às do segundo treino de hoje, teríamos um GP da Bélgica bem legal. A Force India ficou em terceiro e quinto, com Hülkenberg e Pérez. A Haas, em oitavo e décimo com Grosjean e Gutiérrez. A McLaren, em nono e 12º com Button e Alonso. E a Manor, num espantoso 11º com Wehrlein.

[bannergoogle]A gente sabe que não será assim, no fim das contas. Mas seria bem animada, uma corrida com gente que costuma andar atrás partindo do meio para a frente. O que não mudou, só piorou, foi o momento da Williams. Bottas em 16º e Massa em 17º é algo que ultrapassa o limite da iniquidade. O time usa motor Mercedes. Não é possível andar tão mal num circuito tão apropriado. O que acontece hoje é que os carros da Williams são ruins em pistas de alta, em pistas de baixa, no seco e no molhado. Um desastre completo. A Force India chegou e vai passar. E os cofres do time ficarão mais vazios em 2017.

Esse é um dos atrativos medianos desta segunda metade de temporada, a disputa pelo quarto lugar entre os construtores. Outro, a disputa interna na Red Bull, agora que a equipe definitivamente passou a andar na frente, con condições claras de pódio em todas as provas. Mais um: a possibilidade sempre iminente de crise na Ferrari. Por fim, as mexidas no mercado de pilotos — embora no segundo escalão, envolvendo Button, Pérez, Massa…

É o que temos, enfim.

SPA, 25 ANOS ATRÁS

S

SÃO PAULO (estrada, é tudo que quero) – Amanhã, dia 25, a estreia de Schumacher na F-1 faz 25 anos. Foi no GP da Bélgica de 1991, história mais do que conhecida — correu pela Jordan no lugar de Bertrand Gachot, que tinha sido preso em Londres depois de uma briga com um taxista.

Com 300 mil dólares da Mercedes na mão, Eddie Jordan não pensou duas vezes e alugou seu cockpit vago para aquele alemão que se destacava no Mundial de Marcas pela Sauber-Mercedes. A corrida de Michael durou muito pouco. Quebrou na primeira volta. Mas foi no dia anterior que ele assombrou todo mundo.

[bannergoogle]No sábado, 24 de agosto de 1991, o estreante Schumacher se classificou em sétimo lugar no grid. Ficamos espantados naquele dia em Spa menos pela posição — melhor que ele foi Pierluigi Martini, de Minardi, em nono… –, muito mais por ver um novato que nunca tinha andado no circuito belga e só tinha sentado num carro de F-1 uma vez, num teste arranjado às pressas para arrumar o banco e aprender o básico de seu funcionamento. Não dava para negar que era um resultado surpreendente.

E não fomos só nós, os jornalistas, que achamos isso. Flavio Briatore, ratazana cinzenta que comandava a Benetton, viu naquele moço de queixo grande e corte de cabelo cafona um campeão em potencial. Melhor ainda: com uma empresa como a Mercedes disposta a apostar nele. Não teve dúvidas. Na prova seguinte, em Monza, lá estava Schumacher na equipe colorida, no lugar do demitido Roberto Moreno. O resto é história.

Um quarto de século, exatamente hoje, se passou desde aquele sétimo lugar no grid. Devo ser sincero. Schumacher foi espantoso, mas não saí dizendo que seria o próximo campeão mundial. Na verdade, o assunto naquele fim de semana era mesmo Gachot — além, claro, da disputa do título entre Senna e Mansell.

Mas, na sexta-feira, dediquei algumas linhas ao rapaz, que fizera um ótimo tempo naquilo que a gente chamava de “primeiro treino oficial”. Os tempos de sexta, vocês se lembram, serviam para formar o grid. Vejam:

ms230891

Essa foi a edição de sábado da “Folha”, onde eu trabalhava. Que diferença… Duas páginas de F-1 num jornal. Bom, Schumacher mereceu uma “retranca” (não vou explicar de novo o que é; procurem no Google, em “jargões do jornalismo impresso”, ou algo assim). “Surpreender” foi o verbo que usei. Michael elogiou o carro e disse que seria mais rápido no segundo treino. “Que ninguém duvide”, escrevi, para depois apostar que ele poderia “assumir a condição de melhor piloto germânico dos últimos tempos”, o que faria a alegria de Bernie Ecclestone, “louco para que a Alemanha produza um ‘top driver’ capaz de popularizar ainda mais a F-1 no país”. Esse “(FG)” no fim do texto sou eu.

E no sábado veio o sétimo tempo no grid, mas o movimento pró-Gachot era mais interessante e divertido (ganhei até uma camiseta, que não sei onde foi parar), e por isso Schumacher não mereceu tanta atenção do repórter aqui na edição de domingo.

ms240891A menção ao estreante da Jordan foi mais discreta que no dia anterior, no “pé” do texto sobre uma passeata que estava sendo planejada para pedir a liberdade do piloto belga encarcerado na Inglaterra. Foram dois parágrafos para dizer que o alemão “voltou a dar um show” e que estava “deslumbrado com a fama instantânea”. “Nunca dei tantas entrevistas na minha vida”, disse um ainda tímido Michael, espantado com o novo ambiente “muito diferente de tudo que já tinha visto”.

O domingo foi de Senna, que ganhou a prova e praticamente sepultou a reação da Williams. Piquet, em terceiro, subiu ao pódio pela última vez na F-1. No final daquele ano, deixaria a categoria. Schumacher, como já mencionado, abandonou pouco depois da largada. Quem acabou chamando muito mais a atenção foi Andrea de Cesaris, seu companheiro na Jordan. “Ontem ele foi a estrela do dia na Bélgica, o ‘segundo colocado moral’ do GP”, escrevi no jornal da segunda-feira. O italiano estava dando um calor em Senna quando quebrou, no finalzinho da corrida. Uma judiação. Tanto que abrimos uma “retranca” (não sei por que coloco entre aspas, todo mundo deveria saber o que é uma retranca) para ele. No “pé”, registrei a curta prova de Schumacher, que parou com “problema na embreagem”.

ms250891Gosto de rever essas coberturas, ler o que escrevi há tanto tempo, ver como a F-1 tinha espaço e relevância na imprensa. Era, realmente, outro mundo. Gosto também de lembrar de Schumacher, o maior piloto que vi na vida, e que hoje segue envolto em mistério na sua mansão na Suíça. Era um talento excepcional e, ao contrário do que muita gente imagina aqui no Brasil, gente boa até não poder mais.

Semana passada o amigão Miguel Costa Jr., um dos maiores fotógrafos de automobilismo do mundo, estava revirando seus arquivos e encontrou a foto abaixo, de 2006. Foi sua despedida da Ferrari, e tive a honra de comandar sua última entrevista coletiva como piloto do time italiano. Seria também seu último GP, em Interlagos, mas depois ele acabou voltando, pela Mercedes. Miguelito me mandou a foto para que eu pudesse guardar, também.

Está guardada.

2006_FlavioGomes+MichaelSchumacher_MCJ_7996i SãoPaulo

 

 

FOMOS CONTIGO

F

goulartdeandradeSÃO PAULO – Tudo que é possível um repórter de TV fazer, Goulart de Andrade fez. Tudo que hoje é considerado uma façanha, uma proeza, uma novidade, foi feito um dia por ele, com recursos limitados e criatividade ilimitada. Jornalismo puro e cru. Planos-sequência, sem cortes, da superfície às profundezas de tudo. E o que é a vida, que não um plano-sequência que nos leva do fundo à superfície, e ao fundo de novo, e à superfície mais uma vez?

Goulart de Andrade mostrou por décadas, nas madrugadas da TV brasileira, como era o Brasil. Inovou na linguagem e na forma. Criou um único bordão, “vem comigo”, que talvez seja o melhor e mais direto de todos. Porque nas madrugadas solitárias diante da TV, íamos com ele aonde ele fosse, ao submundo, à desgraça, ao luxo, à miséria, ao universo dos heróis anônimos e ocultos que nunca tiveram voz, ou rosto.

Goulart de Andrade morreu hoje aos 83 anos. Desta vez não vamos com ele, mas até nisso seu bordão era genial. Porque no fim iremos todos.

HAPPY BIRTHDAY

H

SÃO PAULO (o carro mais lindo) – Pessoal produz alguns vídeos que só mesmo garimpeiros como o Maurício Vieira encontram. Vejam este presente da BMW ao Nelsinho Piquet no seu aniversário — que foi em 25 de julho.

Os Piquet não são muito afeitos a emoções baratas e lágrimas gratuitas. Então, deixem que nós nos emocionemos. Ver um Piquet nessa Brabham… E nos outros, também.

É POUCO

É

SÃO PAULO (vale muito) – O primeiro Shelby Cobra foi leiloado e atingiu nada menos do que US$ 13,75 milhões. O carro, 1962, ficou com seu criador, Carroll Shelby, até sua morte — em 2012, aos 89 anos. Aliás, seu desejo expresso à família era esse: ficar com o carro até o último suspiro.

O valor é o mais alto já auferido por um veículo americano em leilões. Ele é lindo, com a pátina do tempo, as marcas da história. Não sei quem comprou. Mas fez um grande negócio.

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Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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