Arquivoquarta-feira, 17 de julho de 2019

SOBRE DOMINGO DE MANHÃ

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Vettel se desculpa com Verstappen: mais um erro, chance de pódio perdida e imagem arranhada

RIO (na memória) – Olha, gostei muito da corrida de domingo na Inglaterra, já escrevi sobre isso e comentei nos vídeos, e quando a corrida é boa a gente sempre tem a impressão de que não falou tudo que gostaria. Para isso existe esta premiadíssima seção do blog, o rescaldo mais fantástico da imprensa mundial. Que começa com esse “frame” aí em cima, tirado da TV. É a imagem mais marcante de Silverstone na modesta opinião deste que vos bloga: Vettel pedindo desculpas a Verstappen pela patuscada da volta 37, que lhe custou um pit stop extra, 10s de punição e uma vergonha danada.

Mas também valeu a honra de ser retratado pelo nosso cartunista oficial, Marcelo Masili — que com seu traço sofisticado e sarcástico fez esta leitura do acidente entre o alemão e o holandês:ingmasili19

Perfeito, não?

Foi a primeira vez no ano que Verstappinho terminou uma corrida atrás de Gasly, seu novo companheiro de equipe. O jovem francês aproveitou o infortúnio de Max e fechou a prova em quarto — não sem antes ter dado passagem na 27ª volta ao prodígio da Red Bull, já que ele havia feito sua segunda parada durante o safety-car causado pela rodada de Giovinazzi.

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Max: traje a rigor

Aproveitando o ensejo, porque não pretendo mais falar de Verstappen hoje, ele acabou usando este macacão promocional do próximo “007”? Juro que não reparei. Nem em Gasly — teoricamente, eles deveriam vestir as mesmas roupas.

Ainda no âmbito da Red Bull (gostaram?), duas notas isoladas sobre a dupla da Toro Rosso. Primeiro, uma elegia a Daniil Kvyat, que largou em 17º e chegou em nono com uma atuação muito convincente. Foi a quinta vez no ano em que o soviético pontuou.

Albon, seu parça tailandês, não teve a mesma sorte. Embora tenha tido um sábado espetacular, nono no grid, acabou em 12º. Motivo: por razões de segurança, simplesmente não pôde parar para um segundo pit stop e seus pneus acabaram no fim. A Honda explicou. Foi detectado um aumento de voltagem fora do comum na unidade de potência — que, como se sabe, é formada por um motor a combustão e dois elétricos — e o carro do rapaz estava muito energizado. Se ele parasse nos boxes, ninguém poderia encostar nele sob risco de ser eletrocutado.

(Se alguém quiser saber por que o próprio Albon, num carro de “alta tensão”, não levou um choque de arrepiar os cabelos e fritar as ideias, que pergunte a alguém que entenda de eletricidade. Eu morro de medo de fios desencapados e não mexo com essas coisas, não.)

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Outro que foi bem na Inglaterra foi Raikkonen. Pelo oitavo lugar, claro. Mas, sobretudo, por ter dado uma volta com a Alfetta que venceu o primeiro GP da história — lá mesmo, em Silverstone, no dia 13 de maio de 1950 sob a batuta de Giuseppe Farina. O carro é lindo. Kimi disse que é barulhento, também. “Eu devia ter colocado um protetor de ouvido”, espantou-se. Como se nunca tivesse dirigido um carro ruidoso na vida…

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A Alfetta de 1950: nas mãos de Kimi, o carro que ganhou o primeiro GP da história

A FRASE DE SILVERSTONE

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Haas: mais um vexame

“O melhor que nossos pilotos conseguiram trazer hoje para a batalha foi uma pá. Para cavar mais fundo ainda o buraco em que nos metemos.”

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Steiner, da Haas

Günther Steiner, chefe da Haas, sobre sua dupla Grosjean & Magnussen. Eles se bateram na primeira volta, um furou o pneu do outro e ambos abandonaram antes da décima volta. Isso na semana em que a patrocinadora Rich Energy armou o maior barraco pelo Twitter, dizendo que ia rescindir o contrato. O tuíte foi desmentido depois, caiu o CEO da empresa e o patrocinador, no começo desta semana, mudou de nome. Uma zona inacreditável. 

Foram nada menos do que 351 mil pessoas passando pelos portões de Silverstone nos três dias do evento. No domingo, 141 mil. Eles deliraram com Hamilton, que ganhou pela sexta vez na Inglaterra. Foi a 80ª vitória dele, sétima no ano. Sétima dobradinha da Mercedes, também. E 96ª vitória da equipe alemã. Números impressionantes, não?

Mas impressionante, mesmo, foi…

O NÚMERO DA INGLATERRA

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Red Bull: parada mágica para Gasly

A imagem aí do lado é autoexplicativa. Pierre Gasly fez o pit stop mais rápido de todos os tempos, em 1s91. Aliás, ele não. Os mecânicos da Red Bull foram os responsáveis pela façanha, na 12ª volta da prova. Gasly teve mesmo um domingo feliz. Além de chegar à frente de Verstappen pela primeira vez, igualou seu melhor resultado na F-1. Foi quarto também no Bahrein no ano passado, pela Toro Rosso.

Bem meus amigos, creio que podemos encerrar por hoje, não? Acho que contemplamos tudo, então tchau, até mais.

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Brincadeira.

Falta o gran finale, sem ele esta seção inexiste.

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Sainz: corridaça

GOSTAMOS – Da McLaren. Na verdade, de Sainz Jr. >>>, porque o espanhol foi mal no sábado e no fim das contas se recuperou lindamente para terminar em sexto, o “primeiro dos outros” — lembrando que o trio Mercedes-Red Bull-Ferrari ficou desfalcado de Vettel, que pela primeira vez no ano não terminou nos pontos. Carlos fez uma ótima corrida e aproveitou muito bem o safety-car para fazer sua única parada e ganhar várias posições. Largou em 13º, não nos esqueçamos. E sua resistência aos ataques de Ricciardo nas voltas finais foi exemplar. Norris, por sua vez, deu azar de parar duas vezes e nenhuma delas durante o safety-car. Acontece.

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Hamilton e a bandeira: cala a boca, Galvão!

NÃO GOSTAMOS – Toda vez que um piloto pega uma bandeira para comemorar uma vitória e Galvão Bueno diz que o primeiro a fazer isso no planeta foi Ayrton Senna, morre uma ararinha azul na Amazônia. É um porre essa necessidade de falar de Senna em TODAS as transmissões da emissora. Aliás, é um porre esse negócio de procurar traços de Senna cada vez que <<< Hamilton faz qualquer coisa.

ASSIM SERÃO

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IMG_3533RIO (que sejam) – A FIA começou a divulgar alguns esboços dos carros que a Fórmula 1 adotará a partir de 2021. Já está definido que os pneus terão aro maior, de 18 polegadas, e perfil baixo, como nessa ilustração que simula uma Ferrari aí no alto. Os cobertores térmicos de pneus serão proibidos e os pilotos terão de reaprender como dirigir com a borracha fria nas primeiras voltas de treinos e corridas — medida interessante, mas que não vai mudar a cotação do dólar.

O mais importante, porém, está sendo feito na aerodinâmica. Em poucas palavras, a ideia é simplificar. Tudo, de cabo a rabo.

As asas dianteiras e traseiras serão menos sofisticadas e efetivas, sem tantos penduricalhos. A pressão aerodinâmica virá basicamente de uma espécie de efeito-solo com “túneis” para acelerar o ar sob o carro, no assoalho. Isso permitirá que um carro siga o outro de perto sem que sua estabilidade seja assassinada pela turbulência gerada pelo da frente. Hoje, é praticamente impossível perseguir alguém numa curva de média para alta velocidade porque o “ar sujo”, como se diz, faz com que as asas percam sua eficiência.

Ainda quero ver o que farão, de concreto, com os motores. E, também, com os orçamentos. Por enquanto, estou gostando. Reduzir aletas, sidepods, dutos de refrigeração com função aerodinâmica e outros apêndices tornará os carros mais bonitos e baratos.

Tem muita coisa na F-1 hoje que, do ponto de vista de engenharia e tecnologia, carrega uma beleza intrínseca. Mas que, do ponto de vista econômico, esportivo e prático, fazem pouco sentido.

E vocês, o que estão achando?

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Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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