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FOTO DO DIA

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RIO (grande dia) – “Prepara uma fita daquelas que duram bastante tempo porque vai ter muita coisa pra gravar hoje”, teria dito alguém hoje.

  • Isso aí era na avenida Brasil perto da Gabriel Monteiro da Silva, não? Alguém lembra?

CORCEL, 50

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corcel-1968

MOSCOU (parabéns, lindos) – A Ford envia press-release para avisar que o Corcel está completando 50 anos. Não menciona nenhuma data precisa do lançamento do carro, mas não tem tanta importância assim. O melhor Ford de todos os tempos merece nossa reverência no ano de seu cinquentenário.

Tive um 1970 vermelho, duas portas, que acabei vendendo para um grande amigo e está vivendo momentos deliciosos. Mas mantenho na pequena coleção o Corcel II 1979 LDO branco com interior marrom que é uma das coisas mais gostosas do mundo de andar e que tem a maior porta da história da indústria automobilística mundial.

Segue o texto com as informações da montadora. São dados oficiais, então sempre é legal ter como referência.

[bannergoogle]O Ford Corcel, lançado há 50 anos, é um daqueles carros que marcaram época e entrou para a história como um dos maiores sucessos da marca no Brasil. Durante seus 18 anos de vida (de 1968 a 1986), ele somou 1,4 milhão de unidades produzidas e criou um novo padrão no segmento de carros médios, dando origem a uma família completa que incluiu a perua Belina, a picape Pampa, o sedã de luxo Del Rey e a perua Del Rey Scala.
O Corcel teve como base o chamado projeto “M”, que a Willys-Overland do Brasil desenvolvia em parceria com a Renault quando foi adquirida pela Ford em 1967. A versão final incluiu várias adaptações no motor, câmbio e suspensão para atender o mercado brasileiro e cumpriu a missão de ser o carro de volume da marca, emplacando 4.500 unidades logo no primeiro mês de vendas.
O nome Corcel, escolhido entre 400 opções, foi inspirado no sucesso do Mustang. Com linhas simples e equilibradas, o sedã familiar de quatro portas e tração dianteira surpreendia pelo espaço interno, pela visibilidade e pelo conforto dos bancos. A direção, mesmo sem ter assistência hidráulica, era leve de manobrar. Seu motor 1.3 foi o primeiro a trazer radiador selado, que dispensava a reposição de água.
Em 1969, a linha ganhou a versão de duas portas e a esportiva GT com teto de vinil, rodas especiais, faixas pretas no capô e nas laterais. No ano seguinte, foi lançada a perua Belina. A linha passou por duas reestilizações, em 1973 e 1975, e passou a oferecer a versão de luxo LDO, com teto de vinil.
Após 10 anos de sucesso, a grande remodelação da linha veio no final de 1977, com o Corcel II, trazendo uma carroceria totalmente nova de duas portas – a preferência na época –, nas versões L básica, LDO de luxo e esportiva GT. Por ser mais larga e mais baixa ela fazia o carro parecer maior, apesar de ter praticamente o mesmo comprimento.
A suspensão macia e resistente, a estabilidade, o nível de ruído e o interior confortável e elegante eram destaques. Suas inovações incluiam a ventilação dinâmica de grande vazão e o primeiro para-brisa laminado de série. Já nos primeiros dez meses de lançamento, o novo modelo atingiu o recorde de 100.000 unidades.
Lançado com motor 1.4, o Corcel II passou a ser equipado em 1979 com um propulsor 1.6, mais potente. Em 1980, ele introduziu o 1.6 a álcool, considerado por muitos o melhor da indústria e um marco no desenvolvimento de motores com esse combustível no Brasil.
A versão Corcel II Hobby, com acabamento despojado e apelo jovem, foi lançada em 1980. No mesmo ano, a linha atingiu a marca de um milhão de unidades produzidas, inédita no Brasil para um carro médio. No ano seguinte, trouxe cintos dianteiros de três pontos e a opção de teto solar. Nessa época, foi oferecida também uma versão furgão da Belina, o Corcel II Van.
O Del Rey, sedã de luxo com quatro portas, foi outro membro de sucesso da família Corcel. Lançado em 1981, marcou época pelos itens de conforto e teve depois uma versão de duas portas. Em 1982 a linha gerou a picape Pampa, que também teve o nome inspirado em cavalos e fez muito sucesso. No ano seguinte, surgiu outra perua derivada da família: a Del Rey Scala.
Em 1984, o Corcel II passou a contar com o motor 1.6 CHT, nas versões a gasolina e a álcool. Outra grande inovação era a garantia de três anos contra corrosão, então a maior do mercado. Toda a linha foi reestilizada em 1985 e perdeu o “II” do nome, até o encerramento da produção em 1986.

DESAFIO DO DIA

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O blogueiro “Jota” mandou nos comentários, dizendo que em sua cidade, até 1975, o trem passava no meio da avenida transportando minério. Na foto mais abaixo, os trilhos sendo retirados por uma composição com uma trinca de Corcéis fabulosa compondo a paisagem. Só esqueceu de dizer a cidade… Detalhe que vocês desvendarão à parte, que imagens maravilhosas, tá doido.

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O CORCEL DO BISPO

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SÃO PAULO (esse eu queria…) – Em março do ano passado, noticiamos aqui o roubo e a recuperação, dois dias depois, do Corcel preto 1975 que pertenceu ao arcebispo de Maringá, dom Jaime Luiz Coelho — o religioso morreu aos 95 anos em 2013 e deixou o carrinho para a Arquidiocese da cidade.

Bem, o Corcel será leiloado no próximo dia 17, avisou um blogueiro na área de comentários. Valor inicial de 15 mil reais, e está lindo de morrer — como se vê nas fotos do site de leilões.

Juro que se eu morasse por essas bandas tentaria comprar o carro. É uma graça. Sua história, mais ainda. Tem um texto muito bonito sobre ele, do padre Orivaldo Robles, que dá bem a medida do valor sentimental que Maringá deve ter pelo pequeno Ford.

Tomara que fique em boas mãos.

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CORCEL EM CORES

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SÃO PAULO (espetáculo) – Como é que este filme do Jean Manzon tinha me escapado? O Cacá Vita mandou e a ele devemos gratidão eterna. Uma das primeiras fitas coloridas do grande cine-documentarista, ela mostra o então novíssimo Centro de Pesquisas e Engenharia Automobilística da Ford (sem nunca citar o nome da montadora; nunca entendi isso nos filmes do Manzon) nos primeiros tempos de produção do Corcel. Esse prédio, anos depois, foi sede da Autolatina. Hoje é uma faculdade. Fica na Anchieta.

[bannergoogle] As imagens são nada menos do que maravilhosas — quase morri com a Belina “woodie” fazendo teste de abrir e fechar portas. Notem também o telefone — sim, telefone! — no Corcel que puxa a picape num teste de resistência. Um negócio de ver com os olhos marejados, assim como são comoventes as estradas vazias, recém-construídas. Comoventes porque esse Brasil aí não existe mais. E eu lembro dele. Tempos bicudos, ditadura militar e o escambau a quatro, mas eu era uma criança, e queria ser de novo.

Outros filmes de Jean Manzon, restaurados pela Dana, estão neste canal no YouTube. Aliás, acho que nunca agradecemos suficientemente a Dana por ter bancado a restauração desse material.

MISTÉRIO NO SUL

M

SÃO PAULO (bá, que coisa!) – Foi o Maurício Henkel quem mandou a notícia. Vocês já tinham ouvido falar de um tal Projeto Chambrin? A história é ótima. Nos anos 70, um engenheiro francês de nome Jean Pierre Chambrin desenvolveu uma tecnologia de motor a água e álcool que revolucionaria o mundo, e o governo do Rio Grande do Sul cedeu a ele uma oficina no Corpo de Bombeiros de Porto Alegre para que levasse os estudos adiante. Em 1982, segundo consta, o governo federal mandou lacrar tudo. O homem morreu alguns anos depois. Está tudo neste link aqui do “Zero Hora”. E neste aqui do “Correio do Povo”, com mais detalhes.

O que teria acontecido? Será que Chambrin descobriu como fazer um carro andar a água e o governo militar da época resolveu dar um basta no negócio por pressão da OPEP? Sei lá. Só sei que um Corcel estava sendo usado para os testes, esse aí da foto do Fernando Gomes, do “ZH”. O Corcel parece que vai para o museu dos bombeiros.

Foto Fernando Gomes/Zero Hora

Vocês aí do Sul, contem mais!

ATUALIZANDO…

Contaram. Este link aqui explica quase tudo em detalhes. Resta o mistério do fim das experiências…

RÁDIO BLOG

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SÃO PAULO (linda) – Dia desses o João Carlos Albuquerque, que também é músico, me falou dessa menina, Tiê. Por acaso se encontraram lá perto da TV, e junto estavam sua mãe e sua avó, Vida Alves, a atriz que deu o primeiro beijo da TV brasileira, em 1951. Deve ter sido um encontro ótimo, Vida, Tiê, ali do lado da antiga TV Tupi, essas coisas meio encantadas que acontecem de vez em quando.

E aí, por coincidência, o Carlos Tavares me manda esse delicioso clipe que tem, como ator coadjuvante, um belo Corcel. Junte-se o talento e a voz de Tiê, sua beleza e um Corcel, e temos uma ótima dica musical. Muito respeito por quem usa um Corcel num clipe.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
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