TagHockenheim

HÁ 15 ANOS

H

SÃO PAULO (ah, o som…) – Foi o Saulo Agostinho que mandou o vídeo. Aparentemente, nada demais. Panis, de BAR, contra Trulli, de Jordan, lutando por um discreto nono lugar.

Mas em Hockenheim.

Hockenhein de verdade.

E os motores eram aspirados, de 3 litros.

E tinham 10 cilindros em V.

E faziam um barulho da porra.

E deu saudade até dessa temporada, que não foi das mais emocionantes — Schumacher foi campeão com quase o dobro dos pontos de Coulthard.

Só os seis primeiros pontuavam. Era mais complicado, pode-se dizer. A única coisa não muito legal eram os câmbios totalmente automáticos.

RUBINHO, 15

R

5282

SÃO PAULO (das maiores) – Espero que Barrichello tenha se lembrado do dia. Certamente lembrou. Até eu, ano passado, lembrei — por que o Gabriel Araújo descolou a gravação das últimas voltas daquela corrida pela Jovem Pan, o azar do Vander, a volta do Nilson (está tudo aqui neste post).

Hoje é tipo aniversário quase redondo, 15 anos, motivo de sobra para comemorar e relembrar, portanto.

30 de julho de 2000, Hockenheim. Rubinho ganha pela primeira vez na F-1, já na metade de sua oitava temporada na categoria.

Demorou, mas veio com estilo. Considero essa corrida uma das grandes da história e uma das vitórias mais emocionantes de todos os tempos — não pelo choro no pódio ou coisas, assim, mas pela forma como aconteceu (se não lembra, o resumo da corrida está aqui).

[bannergoogle] Como no ano passado contei tudo que rolou naquele dia, especialmente na rádio, fui buscar o que escrevi na época. E graças à Gisèle de Oliveira, conhecida internamente como “È” por conta deste estranho acento que leva em seu nome, hoje minhas colunas desde 1995 estão todas num blog, neste endereço aqui. E fica fácil de encontrar tudo. É um arquivo com quase tudo que escrevi para jornais e sites até 2013, sem muita firula — um dia ainda vou colocar fotos e coisas assim. A Gabriel Araújo’s Adult Entertainment também ajudou a compilar e editar os textos.

Em 2000 eu escrevia duas colunas por semana. Uma para o “Lance!”, exclusiva, e outra para os demais jornais para quem cobria F-1. Assim, foram dois textos sobre o assunto. O primeiro, publicado no dia 2 de agosto. O segundo, dois dias depois.

Divirtam-se com as minhas memórias de 15 anos atrás. E falem, claro, da vitória de Barrichello. Foi a maior de todos os tempos, para vocês? Lembro que ele largou em 18º, superou (na verdade, foi ajudado por…) a invasão da pista por um maluco, apostou nos pneus para pista seca na chuva, domou o carro nas últimas voltas no molhado, foi realmente o fodão do Bairro Peixoto naquele domingo. Por essas e outras, quando me perguntam qual a maior vitória que vi na F-1 costumo citar esta. Mas é claro que nem todos concordam.

AS LÁGRIMAS DO BRASIL – 02/08/2000
O país chorou com Barrichello domingo. É o que pude constatar ao voltar para o Brasil. Pouca gente falando da corrida em si, mas muito mais de suas próprias reações às imagens que chegavam pela TV: Barrichello chorando no carro e no pódio, enxugando as lágrimas na bandeira, e a maioria chorando junto, especialmente por causa do Tema da Vitória. A musiquinha.

Pessoalmente, não tenho nada contra o choro. Verto minhas lágrimas de vez em quando, em filmes e derrotas da Portuguesa. Mas me espantou a indignação de nossa gente amiga ao fato de eu não ter chorado diante de quadro tão idílico de exaltação nacional. Como, não chorou? Que espécie de batráquio é você?

Chorar por e com Barrichello, parece, virou obrigação nacional. A música, a lembrança de Senna, a sensação de que vencemos, contra tudo e contra todos, tudo isso só pode levar ao choro. Temos de chorar. É nossa contribuição, nossa maneira de ganhar junto, de dividir uma vitória que gostaríamos que fosse nossa.

Há uma certa hipocrisia nisso. O choro de Barrichello, este é perfeitamente compreensível. O menino é emotivo e seu desabafo foi bonito, tocante até. Não, não nego os componentes emocionais de uma vitória como a de domingo. Mas foi apenas corrida de carros. Uma competição, não uma odisséia.

É que o brasileiro, em geral, se apropria das vitórias de seus compatriotas, esquecendo-se de que, na maioria das vezes, elas não têm patavina a ver com o país, entendendo-se país como algo coletivo. No caso de Barrichello, foi um triunfo pessoal, individual e intransferível. Resultado de seu esforço, de sua determinação e coragem para fazer o que fez na pista. Quando muito, um resultado cujos méritos podem ser estendidos aos integrantes da Ferrari. Que são italianos, franceses, ingleses e alemães, também.

Pensando sob esta ótica, pode vir à tona a pergunta: e por que não houve esse chororô todo quando, por exemplo, Guga ganhou em Roland Garros? Ou nos Jogos Pan-Americanos, com tantos brasileiros no pódio celebrando suas medalhas? Talvez porque Guga tenha erguido seus troféus sorrindo, e não chorando. Mesmo tendo de enfrentar tantas dificuldades na carreira quanto Barrichello, mas longe dos olhares chorosos do público, desse torcedor que aprendeu a ver cada vitória, na era Senna, como uma espécie de saga, de epopéia terceiro-mundista rumo ao olimpo que o destino nos negou.

Minha tese, no entanto, é outra. O Brasil não digeriu, e talvez nunca consiga digerir, a morte de Senna. Ela foi dolorosa demais, fazendo da F-1 algo maldito. Triste. A F-1, para o Brasil, é um negócio triste, que para sempre vai lembrar a morte trágica de um cara que era considerado herói. É a musiquinha, o hino, a bandeira, o ronco dos motores, tudo. Tudo, sempre, vai lembrar Senna. Que, vitorioso, deixou a vida como um mártir. E os mártires, sabe-se, carregam consigo, para a eternidade, uma tristeza quase insuportável.

O ABRAÇO – 04/08/2000
Minutos depois de ser acertado por Fisichella na largada do GP da Alemanha, Michael Schumacher, a ponto de esmurrar o primeiro que lhe perguntasse sobre qualquer coisa que remotamente lembrasse corridas de automóvel, mandou uma de suas assessoras arranjar um jeito para que ele pudesse ir embora rapidamente de Hockenheim.

Podia ser um carro, uma bicicleta, um patinete, um helicóptero, um submarino. O alemão queria sair dali, amargar a fossa sozinho. Se desse, voar para a Suíça, onde vive, para ver os filhos. Um sorriso de criança acaba com qualquer mau humor, crianças não entendem nada de largadas, mudanças de trajetória, tomadas de curva e tangentes. Sorte delas.

A menina saiu atrás do transporte num piscar de olhos, e pouco mais de meia hora depois voltou ao caminhão da Ferrari para chamar Schumacher. A carruagem, ou skate, ou asa-delta, não se sabe ao certo, estava pronta. Quando entrou e avisou o chefe, não mereceu nem um olhar.

Vibrando como um garoto, o queixo colado na televisão, Schumacher gritou: Espera, espera aí que não vou mais embora não! Olha aí, o Rubens vai ganhar, o Rubens vai ganhar! E assim ficou, até o fim da corrida, admirando a pilotagem de seu companheiro de equipe, o melhor e mais rápido que já teve desde Piquet – embora Nelson, à época, final de 91, já estivesse se aposentando.

Rubens ganhou. E Schumacher, sorriso aberto, foi o primeiro a cumprimentá-lo no Parque Fechado de Hockenheim. Arrancou os tubos de hidratação e o cabo do rádio do capacete do parceiro, olhou dentro da viseira, viu lágrimas e o abraçou. Foi um abraço carinhoso, que vale mais do que tudo neste mundo, diria Barrichello algumas horas depois.

Mais do que seu choro, do que a bandeira do Brasil, do que o Tema da Vitória, do que a avalanche de elogios, talvez seja esse abraço que Barrichello deva guardar de Hockenheim para se lembrar no futuro. Foi o reconhecimento de um talento muitas vezes colocado em dúvida, até por ele mesmo, vindo de um sujeito que não tem muito mais a provar na profissão que escolheu.

Schumacher ficou até o fim do GP da Alemanha para ver de perto uma exibição de gala, como muitas que ele mesmo já protagozinou em quase uma década de F-1.

Não é todo mundo que merece uma audiência tão seleta. Rubens mereceu, domingo passado. Tirou um peso das costas, perdeu a virgindade, mudou de turma. Sem exagero, lembrou Senna. Não, Rubens não é um Senna. Mas o foi, em Hockenheim.

POBRES TEDESCOS

P

avuscheia

SÃO PAULO (é o fim) – Somente duas vezes, em 1950 e 1960, a Alemanha não fez parte do Mundial de F-1. No total, foram 75 corridas no país, sendo 61 com o óbvio nome de GP da Alemanha (34 em Hockenheim, 26 em Nürburgring e um em Avus, essa pista aí da foto), 12 como GP da Europa (todos eles em Nürburgring) e dois como GP de Luxemburgo (os dois também em Nürburgring).

A Alemanha já teve 53 pilotos na F-1 e é o segundo país com maior número de vitórias na categoria, 150, muito graças a Schumacher e Vettel, claro — a Grã-Bretanha lidera este ranking nacional com 239, sendo 165 de pilotos ingleses e o resto de escoceses e irlandeses.

A Alemanha tem a Mercedes, o que não é pouco. E tem a BMW, que já deixou a F-1. A Porsche teve breves passagens, a Audi nunca quis entrar na brincadeira, mas é a maior vencedora de Le Mans nos tempos recentes e só não brinca porque não quer.

A Mercedes é a atual campeã do mundo, e Vettel é o piloto em atividade com maior número de títulos.

Hockenheim e Nürburgring são praças históricas na F-1, o povo alemão é apaixonado por corridas e há poucos GPs no mundo tão divertidos e onde aquele climão dos velhos tempos ainda resiste, com gente acampada, virando noites bebendo cerveja, vestindo as cores de suas equipes preferidas.

E mesmo assim não vai ter corrida na Alemanha neste ano. Hoje a FIA confirmou a retirada do país do calendário.

E eu que sou saudosista, e eu que exagero na crise, e eu que sou contra a marcha da modernidade, e eu que não entendo que a tecnologia da F-1 é o máximo, e eu que vivo do passado.

Vai dizer isso pro Fritz e pro Gustav, que passam o ano esperando pela corrida de seu país.

COMO ASSIM, ALEMANHA?*

C

gosteidafotodomuro

SÃO PAULO (não acredito) – Eu falo que a crise é braba… O GP da Alemanha de 2015, respeitando o esquema de revezamento entre Hockenheim e Nürburgring, deveria acontecer em 19 de julho. Mas Nürburgring vive com problemas, já quase faliu e foi resgatado várias vezes, e avisou que, neste ano, não ia dar.

Desesperado, Bernie foi atrás de Hockenheim. Que, por sua vez, disse que também não vai dar.

Como assim, uma temporada sem Alemanha? Com Mercedes, Rosberg, Vettel & companhia arrebentando a boca do balão, dá para acreditar nisso?

Dá. Conhecendo os alemães, que planejam com dois antes de antecedência a hora de fazer xixi, dá.

Quer ver como Bernie vai se sair nessa.

* A foto é meramente ilustrativa. Não tem nada a ver com o post. Ou quase nada.

SEM NÜRBURGRING

S

SÃO PAULO (ninguém resolve?) – O GP da Alemanha deste ano, que pelo sistema de rodízio adotado em 2008 deveria acontecer em Nürburging, será de novo em Hockenheim. Pelo jeito, Bernie não se entendeu com os novos donos do histórico autódromo de Eifel.

Tudo porque, um belo dia (eu já tinha parado de viajar para as corridas, então foi depois de 2005), alguém resolveu transformar Nürburgring numa espécie de Disneylândia cheia de “atrações”. O custo da obra foi monumental, as despesas de manutenção são altíssimas, e o retorno nunca veio. É tudo muito bonito e bacana, mas o planejamento foi furado. A região só tem gente quando tem corrida (ou show de rock). As cidades próximas são pequenas, os grandes centros estão distantes, e ninguém vai a Nürburgring para andar de kart indoor, ou para fazer uma convenção, ou para comer um cheeseburger.

Exageraram na dose. Enquanto era apenas uma pista de corridas, funcionava bem e dava para pagar os custos com os eventos motorizados. Agora, ninguém sabe o que fazer com o complexo todo.

nurnovobrega

HOCKENHEIM, 1986

H

SÃO PAULO (isso era) – Nos comentários do post lá embaixo sobre o minitroféu de Piquet em Hockenheim, o blogueiro Tiago colocou este link do vídeo com o resumo da corrida. Vale muito a pena ver, por isso vai um post para ele. Vejam o que é um final dramático de corrida. Para quem não lembra, McLaren com Rosberg e Prost, Mansell e Piquet na Williams, Senna na Lotus et caterva.

É quase um filme de suspense. E o Galvão narrando pacas. E nenhuma palhaçadinha na matéria. E Piquet zoando o troféu.

NO DTM

N

SÃO PAULO (passando réguas) – Viram o Farfus? Vitória com a BMW em Hockenheim, na abertura do DTM. Segunda dele na categoria.

Alguns pilotos brasileiros têm carreiras muito sólidas no exterior. Farfus é um deles, ao lado de João Paulo Oliveira, que brilha no Japão. Esse menino, já falamos disso aqui, soube escolher um caminho quando as coisas com a F-1 (no caso dele, na época, com a Jordan) não deram muito certo.

Foi para o Turismo. Acertou em cheio. E é jovem, tem muita coisa pela frente ainda.

H

12 ANOS

1

SÃO PAULO (uai, foi outro dia!) – Hoje faz 12 anos da primeira vitória de Barrichello na F-1. Foi em Hockenheim em 2000. Largou em 18°, estava fora da briga, praticamente, mas aí uma série de eventos acabou levando o brasileiro ao triunfo. Um desses eventos foi um francês doido que invadiu a pista para protestar contra sua demissão da Mercedes. O safety-car foi acionado e Rubens se juntou ao pelotão da frente.

Mas decisiva, mesmo, foi sua pilotagem com slicks na pista parcialmente molhada nas voltas finais. Para mim, uma das maiores vitórias de todos os tempos.

Aproveitando, digam: qual foi a mais espetacular vitória de um piloto brasileiro na F-1 para vocês? Tem 101 para escolher: 14 de Fittipaldi, uma de Pace, 23 de Piquet, 41 de Senna, 11 de Barrichello e 11 de Massa. Escolham apenas uma como a maior de todas. Mas se quiserem citar algumas outras marcantes, fiquem à vontade.

BR NO DTM

B

SÃO PAULO (telegráfico) – Pela primeira vez o mais importante campeonato de Turismo do mundo, o DTM, terá um brasileiro no grid. Augusto Farfus estreia na temporada 2012, que começa domingo em Hockenheim, pela BMW — que voltou à categoria e vai brigar com Audi e Mercedes. O público estimado para este fim de semana é de mais de 70 mil pessoas. Sexta-feira, o Grande Prêmio publica um material especial sobre o DTM, com entrevista exclusiva com Farfus.

A BMW foi campeã de pilotos do DTM em 1984, 1987 e 1989.

É ELE?

É

SÃO PAULO (como pênalti) – Notem o cara segurando a plaquinha que libera o carro do box. O famoso lollypop. Seria quem estamos pensando, eu e o blogueiro Luis Mendes, que mandou a foto? E se for, será que faltou alguém no dia?

BMW KILLER

B

Me mandaram, não anotei o nome. Mas ver um Trabi enrabando uma BMW várias vezes em Hockenheim não tem preço. Wolfgang Ziegler é o nome do cara. O câmbio do primo do Gerd é um assombro. E quando ele reduz de quarta para primeira? Ganhei o dia.

100

1

SÃO PAULO (ficou nisso) – Os 100 mil dinheiros que a Ferrari pagou de multa por dizer claro e bom som “Felipe, Fernando is faster than you” em Hockehneim foram a única punição ao time pelas ordens dadas na Alemanha. O Conselho Mundial acaba de livrar a cara dos italianos, assumindo que as regras são inúteis, e deverão ser mudadas.

Bem, antes de mais nada, informo ao dileto público que acho essas ordens ridículas, na maioria das vezes. Mas aceitáveis, em outras. Ridículas como foram na Áustria em 2002 e mesmo nesse GP alemão um mês e meio atrás. Aceitáveis quando se trata de uma decisão de título, na reta final de uma temporada, como tantas vezes se viu e em outras tantas ninguém percebeu.

Uma regra que tenta disciplinar algo que às vezes é ridículo e outras é aceitável acaba não tendo efeito algum. É hipócrita e fantasiosa. Se a Ferrari manda Massa parar o carro na última prova do ano para Alonso ser campeão, todos, inclusive os adversários, dirão que faz sentido. É um caso da categoria “aceitável”. Fazer o que fez em 2002, no começo do Mundial, foi ridículo. Pedir para Felipe abrir mão de uma vitória na metade do campeonato, no dia em que fazia um ano de seu acidente, também.

As equipes, para driblar a regra boba, criaram códigos. Todo mundo sabe disso. A questão é simples. Falei disso naquela semana de Hockenheim. Não mudo uma linha. Cada equipe faz com seus pilotos o que bem entender, desde que não mande ninguém bater em adversários, ou jogar o carro no muro. O que acontece entre eles é problema deles. E cada equipe, claro, que aguente as consequências: a antipatia do público, o nariz torto dos rivais, uma eventual execração pública, a irritação de patrocinadores.

E os pilotos? Idem. Se aceitarem as regras impostas por seus patrões, que assumam as consequências. Sempre se pode dizer “não”, como está fazendo Webber, que peitou a Red Bull. E nem por isso foi demitido. Sempre se pode dizer “sim”, como fez Raikkonen na China com Massa em 2008, e nunca se queixou pelos cantos por causa disso. Ou mesmo Schumacher na Malásia em 1999, para ajudar Irvine. O que não dá é para obedecer e, depois, ficar de biquinho, fazendo tromba. Como Massa em Hockenheim e Barrichello na Áustria — esta, uma tromba secular, que perdura até hoje. E tem outra: a alguns pilotos, equipe nenhuma tem coragem de pedir para tirar o pé. Há aqueles mais, digamos, flexíveis. E outros que mandariam o chefe à merda pelo rádio, via Embratel, para resolver depois o que fazer.

No mais, fica para o torcedor a missão de julgar. E para os dirigentes das equipes missão de definir condutas. Há aqueles, como Frank Williams e Ron Dennis, que em geral liberam seus pupilos e já perderam campeonatos por causa disso. Mas têm uma imagem de bons desportistas. Há aqueles, como Jean Todt e seus discípulos, que cagam para os pilotos e para o público, e têm uma imagem de maus desportistas. E há aqueles como os da Red Bull, que não sabem direito o que fazer e não têm imagem alguma. Mas uma hora é bem possível que tenham de escolher uma.

Que se mude de uma vez por todas essa regra boba. Ética, lisura, princípios, honestidade, como também já escrevi em algum lugar, não se exige por escrito. Ou tem, ou não tem.

E AMANHÃ?

E

SÃO PAULO (sei lá) – Amanhã o Conselho Mundial da FIA vai analisar o caso das ordens de equipe da Ferrari em Hockenheim. O time já foi multado em 100 mil dinheiros por suspeita de ter mandado Massa dar passagem a Alonso. Há quem acredite que vai ficar nisso, porque o presidente da FIA, Jean Todt, é um entusiasta da hierarquia, aquele que acha que quem manda é o time e não encham o saco. Há quem acredite que justamente para mostrar a independência do Conselho os nobres votantes poderão ferrar a Ferrari, talvez até tirando os pontos do time naquela prova.

E há quem, como eu, não tem a menor ideia do que vai acontecer.

MALUCO BELEZA

M

SÃO PAULO (a história o absolveu) – A primeira vitória de Barrichello faz dez anos no próximo dia 30. Hoje lá em Hockenheim, palco daquela grande corrida, ele falou ao caipira voador Marcelo Ferronato. Disse que os caras da Ferrari acharam que ele era louco, quando decidiu ficar com pneus slicks com a chuva que caía no Estádio.

Ocorre que lá dentro, na Floresta Negra, não chovia. E era a maior parte do traçado. E pneus de chuva, naquela velocidade, no asfalto seco, acabariam em um estalar de dedos. Tudo seria uma questão de não rodar no Estádio. E Rubens, o louco, matou a pau. Os pilotos da McLaren colocaram pneus de chuva. E não conseguiram alcançar o brasileiro.

Sempre digo que essa corrida está entre as três mais legais que vi na vida. Acho que foi a mais legal de todas.

AOS CLÁSSICOS

A

GUARUJÁ (falta pouco) – Chegou pelo Twitter, acho que via Ivan Capelli. É o Jim Clark Revival de 2006, a “Classic Cup” em Hockenheim. Os primeiros quatro minutos são quase um desfile. A partir da largada, pauleira geral. Belos clássicos, com muita saúde e pilotos sem medo de acelerar. Lindo demais. Me deu vontade de correr. Dia 25 está quase aí.

Perfil


Flavio Gomes é jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. “Um multimídia de araque”, diz ele. “Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo.” Sua carreira começou em 1982 no extinto jornal esportivo “Popular da Tarde”. Passou pela “Folha de S.Paulo”, revistas “Placar”, "Quatro Rodas Clássicos" e “ESPN”, rádios Cultura, USP, Jovem Pan, Bandeirantes, Eldorado-ESPN e Estadão ESPN — as duas últimas entre 2007 e 2012, quando a emissora foi extinta. Foi colunista e repórter do “Lance!” de 1997 a 2010. Sua agência Warm Up fez a cobertura do Mundial de F-1 para mais de 120 jornais entre 1995 e 2011. De maio de 2005 a setembro de 2013 foi comentarista, apresentador e repórter da ESPN Brasil, apresentador e repórter da Rádio ESPN e da programação esportiva da rádio Capital AM de São Paulo. Em janeiro de 2014 passou a ser comentarista, repórter e apresentador dos canais Fox Sports no Brasil, onde ficou até dezembro de 2020. Na internet, criou o site “Warm Up” em 1996, que passou a se chamar “Grande Prêmio” no final de 1999, quando iniciou parceria com o iG que terminou em 2012. Em março daquele ano, o site foi transferido para o portal MSN, da Microsoft, onde permaneceu até outubro de 2014. Na sequência, o "Grande Prêmio" passou a ser parceiro do UOL até maio de 2019, quando se uniu ao Terra por um ano para, depois, alçar voo solo. Em novembro de 2015, Gomes voltou ao rádio para apresentar o "Esporte de Primeira" na Transamérica, onde ficou até o início de março de 2016. Em 2005, publicou “O Boto do Reno” pela editora LetraDelta. No final do mesmo ano, colocou este blog no ar. Desde 1992, escreve o anuário "AutoMotor Esporte", editado pelo global Reginaldo Leme. Ganhou quatro vezes o Prêmio Aceesp nas categorias repórter e apresentador de rádio e melhor blog esportivo. Tem também um romance publicado, "Dois cigarros", pela Gulliver (2018), e o livro de crônicas "Gerd, der Trabi" (Gulliver, 2019). É torcedor da Portuguesa, daqueles de arquibancada, e quando fala de carros começa sempre por sua verdadeira paixão: os DKWs e Volkswagens de sua pequena coleção, além de outras coisinhas fabricadas no Leste Europeu. É com eles que roda pelas ruas de São Paulo e do Rio, para onde se mudou em junho de 2017. Nas pistas, pilotou de 2003 a 2008 o intrépido DKW #96, que tinha até fã-clube (o carro, não o piloto). Por fim, tem uma estranha obsessão por veículos soviéticos. “A Lada foi a melhor marca que já passou pelo Brasil”, garante. Por isso, trocou, nas pistas, o DKW por um Laika batizado pelos blogueiros de Meianov. O carrinho se aposentou temporariamente no início de 2015, dando o lugar a um moderníssimo Voyage 1989. Este, por sua vez, mudou de dono em 2019 para permitir a volta do Meianov à ativa no começo de 2020.
ASSINE O RSS

Categorias

Arquivos

TAGS MAIS USADAS

Facebook

DIÁRIO DO BLOG

janeiro 2021
D S T Q Q S S
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31